Por Charô Nunes para as Blogueiras Negras

Algumas manifestações do racismo costumam ser consideradas sem importância, ainda mais num país onde muita gente considera o próprio racismo como algo de menor importância. Alguns diriam que ninguém morre por não estar na capa da revista, nos espaços acadêmicos, nos desfiles de moda, na política. Ninguém morre por causa de mais uma piadinha, de mais uma blackface na televisão ou no teatro.  Certo?

Antes de tudo, preciso explicar que a blackface é tudo menos uma piada inocente que acontece nos sábados à noite na televisão e no teatro (Tiago Abravanel se pinta de negro para interpretar Tim Maia). É um instrumento racista clássico que se iniciou no teatro estadunidense quando atores brancos pintavam seus rostos de preto para criar retratos estereotipados de pessoas negras, contribuindo para a disseminação e decantação do racismo.

O assunto desse post é exatamente esse – uma imagem mostrando uma blackface e outra com menção ao nazismo. Já temos a notícia de que não são montagem. Mesmo que sejam fruto de uma brincadeira entre amigos, decidimos escrever sobre seu conteúdo racista, sexista e totalitário.  Ainda mais quando pensamos que as personagens retratadas são provavelmente alunos da faculdade de direito da UFMG.

I. Dona Adelaide, a vergonha

A prática da blackface vem aumentando entre nós. E de tanto ser reeditada, tem sido encarada como algo socialmente aceito na televisão e no teatro. Já aconteceu de uma pessoa, com óculos e peruca afro, me dizer toda sorridente que se lembrou de mim. Como se fosse uma homenagem, sem perceber que a principal característica da blackface é justamente contribuir com a desumanização da pessoa negra e naturalizar o racismo.

A principal consequência do que muita gente considera piada é o cultivo potencialmente letal do racismo. É assim que se aumenta a viscosidade do preconceito que passa a se infiltrar nas menores brechas. Exemplo discreto desse fenômeno é a recente campanha do Sebrae sobre empreendedorismo promovido por mulheres. É a única personagem negra, tão empreendedora quanto as outras, que fala errado.

Aqui no Brasil, o maior embaixador da blackface é Rodrigo Sant’Anna com sua asquerosa Dona Adelaide, uma das manifestações mais agressivas que já pude presenciar na televisão. Nem mesmo Monteiro Lobato construiu personagem tão racista. Tudo nessa mãe preta é hipérbole – a falta dos dentes, o cabelo bagunçado, o nariz desproporcional, o modo errado de falar, as roupas coloridas.

II. Trote Xica da Silva

Trote racista no UGMG

Trote racista no UGMG

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Uma vida de preconceitos e nada do que já vivi me preparou para o dia de hoje. No facebook vem sendo reproduzida uma imagem supostamente feita num trote na faculdade de Direito da UFMG. Numa delas, uma mulher branca pintada, sobre o seu corpo um pedaço de papelão com os dizeres – “caloura xica da silva”. Encontra-se a correntada e presa por um homem branco, provavelmente heterossexual de classe-média (1).

É como se o trote fosse uma espécie de caçada, em que cada veterano precisa acorrentar seu tipo de mulher preferida. E como sabemos que negras ainda são produto escasso nas fileiras universitárias, restou a esse estudante fingir que conseguiu um pedaço da carne mais barata do mercado. E assim se perpetua séculos de racismo e sexismo com que somos tratadas, escravas sexuais, objeto de fetiche, desumanizadas.

Mesmo que essa imagem seja uma brincadeira, em nada é diminuído sua gravidade.  A menção à Xica da Silva significa que nós, mulheres negras, não devemos ultrapassar certos limites e ocupar certos lugares. Passados alguns séculos, aiinda é inconcebível que uma mulher negra seja livre como foi Xica. Eu e todas as blogueiras que escreveram e escreverão aqui, deveríamos estar acorrentadas. Esse lugar não nos pertence.

Justamente por isso que decidimos não nos calar, colorir mais ainda a internet.

III. Amanhã

Essa não é a única imagem desse trote. Em outra foto a vítima é um homem pintado de vermelho e acorrentado. Sobre ele outro pedaço de papelão com dizeres que se encontram encobertos. Porém, como o ponto de interesse são alguns homens brancos fazendo a saudação nazista (um deles imitando com um pouco de tinta um tipo de bigode em especial) a gente até imagina qual é a mensagem apesar de não sabermos qual foi o grau de constrangimento envolvido.

A gravidade dessas imagens é ainda maior quando sabemos que esses jovens provavelmente são estudantes da faculdade de direito da UFMG. Não é o tipo de comportamento esperado, nem fora, nem dentro da universidade. Não importa se foi uma brincadeira, como certamente dirão no futuro. Fica o alerta de que  todas que não somos homens, heterossexuais, brancos e de classe-média somos alvos em potencial.

Amanhã pode ser com você.

A boa notícia é que hoje acontece uma reunião do CAAP (Centro Acadêmico Afonso Pena) para ouvir os envolvidos. Espera-se que até amanhã as primeiras providências sejam tomadas. A reitoria da faculdade pretende se posicionar sobr eo caso ainda hoje. Fica o pedido para que a punição seja exemplar, o que não aconteceu quando da denúncia de trotes envolvendo a homofobia.

1. Nenhum dos meus textos é um produto acabado. Em função dos comentários acerca da hipótese de o opressor ser heterosexual, reconheço uma generalização desnecessária para a compreensão do tema e agradeço as contribuições. Entretanto, gostaria que de alguma forma o teor sexual do caso UFMG seja levado em consideração.

  • Cristhiane Faria de Almeida

    São censurados sim, pois no post http://blogueirasnegras.org/2014/01/08/mulher-negra-o-cristianismo-e-o-mito-da-redencao/ eu fiz um comentário de nenhuma forma ofensivo e não foi publicado, acredito que pelo fato de eu ter discordado das argumentações expostas no texto, mas sustentei minha argumentação sem ofender de forma alguma, inclusive coloquei trechos de um livro espírita.
    Então acredito que de acordo com a blogueira ela aceita se vai ou não ter somente comentários à favor do exposto por ela.

  • Gabriela

    Okay muitos dizem que um homem interpretando uma mulher não tem nada demais assim como o Black face não tem nada demais, mas quando você implica que além de negra, o personagem, é todo depreciado isso não é preconceito? No zorra total, aquela personagem, não é preconceito?

  • Monique Pitanga

    Meu comentário é mais por curiosidade para saber sua opinião. Na peça os produtores, com o Miguel Falabella e a Juliana Paes, a Juliana interpreta uma sueca ,a Lola, que no cinema foi até interpretada pela Uma Thurman. Na peça a Juliana coloca uma peruca loura e bastante pó de arroz para clarear a pele.e ficar de acordo com a personagem. Quando vi a peça, (na época eu era criança, hoje tenho 18 anos) pensei: “Porque não colocaram uma atriz que fosse realmente loura para fazer o papel?”. Depois de um tempo pensei comigo mesma e acabei me achando racista. Porque o fato da Juliana ser morena não mudou o fato dela ter interpretado muito bem, talvez melhor que uma Luana Piovani ou Leticia Spiller. Eu tive a oportunidade de assistir ao Thiago Abravanel interpretando o Tim Maia e fiquei encantada, com a interpretação dele.E também vejo o Paulo Gustavo interpretando uma negra sambista e acho sensacional, assim como acho sensacional ele vestido de Dona Hermínia , no filme. Acho que este movimento não é racista, pois atores se vestem de negro, de branco, de mulher, de criança, e acho que ser contra um branco se vestir de negro ou negro se vestir de branco seria estar colocando esteriótipo a um personagem. Talvez a Thaís Araujo fosse uma ótima Cinderela e a Camila Pitanga uma ótima Branca de Neve, talvez,a Bruna Marquezine fosse uma ótima Princesa Tiana, do filme a Princesa e o Sapo. Acho que na arte o talento do ator deve ser mais valorizado que seu esteriótipo, porque quando você quer ser ator você tem que saber ser tudo. É apenas minha opinião, mas acho seus posts fantásticos e suas críticas muito boas, e fico muito feliz m ter liberdade de expressar minha opinião aqui.

  • Derfel

    Então quer dizer que pintar o cabelo de louro, deixar o moicano e alisar são instrumentos racistas clássicos copiados a partir de David Beckham na copa de 2002? Eita!!!

  • Maria Mariana

    Charô, eu não estou te criticando, realmente estou buscando entender as classes que são discriminadas pela sociedade!! Mas você não me respondeu sobre as personagens brancas ” Valéria e Janete” do Zorra Total e nem porque se sente tão ofendida com uma pessoa que se caracteriza como você?

    • larissa

      Mariana,

      Sugiro a leitura deste texto sobre racismo e normalidade que é bastante esclarecedor:

      http://papodehomem.com.br/vamos-nos-livrar-da-normalidade-racismo-e-normalidade-parte-3/

      Abs

    • Charô

      Mariana,

      quando você disse que “acredito que você está sendo vítima do seu próprio racismo”, ficou bem caracterizada sua crítica ao modo como vivencio o racismo. Sua colocação simplesmente considera a própria vítima como culpada pela opressão a que é submetida. Essa afirmação é completamente sem sentido – o fato de você ou outra pessoa negra não se sentir desumanizada e ofendida, não invalida a opressão sentida por mim e por tantas outros e outras.

      A reação contra as personagens de Rodrigo Sant’Anna e as demais blackfaces que tem aumentado em número e gravidade é pública e notória, não se trata de uma crítica pontuial de alguém que é “racista para consigo mesma”. Sugiro que você se informe sobre a origem histórica e racista das blackfaces (esse é o caso aqui e é isso que me ofende).

      Sobre Valéria e Janete, as duas são interpretadas por atores afrodescendentes e as considero tão racistas e preconceituosas quanto a representação desumana e asquerosa de Dona Adelaide que vai muito além de ser uma simples caracterização de uma mulher negra. A personagem é uma blackface que alimenta um série de preconceitos (mulheres negras falam errado, são edentadas, tem cabelo desgrenhado, atuam com desonestidade).

      Não se engane, entre os discriminados está a mulher negra. Lamento verdadeiramente que o ator a tenha criado como uma homenagem à sua avó, que a “atração” faça tanto sucesso na televisão. E é esse tipo de humor que estimula o racismo e a desumanização para com mulheres, gays e trans negros e afrodescendentes. Sugiro pesquisa de um vídeo disponível no youtube chamado “O riso dos outros”.

      Espero ter aclarado suas dúvidas.

  • Maria Mariana
  • Maria Mariana

    Olá, descobri o seu blog por acaso na internet, pois estou fazendo uma pesquisa sobre o racismo, feminismo e outras correntes de pensamento. Sou mulher, negra, estudante de jornalismo e ainda acho que algumas pessoas exageram por achar racismo em tudo. Por isso resolvi buscar a fundo sobre o assunto. E gostaria de te questionar sobre uma parte de seu texto

    “Já aconteceu de uma pessoa, com óculos e peruca afro, me dizer toda sorridente que se lembrou de mim. Como se fosse uma homenagem, sem perceber que a principal característica da blackface é justamente contribuir com a desumanização da pessoa negra e naturalizar o racismo.”

    Acredito que você está sendo vítima do seu próprio racismo. eu sou negra e me orgulho disso, se uma pessoa se vestir como eu sou, vou sentir orgulho sim. Alguém postou a foto da Adelaide do Zorra Total nos comentários dizendo ser feia, e a questão é que ela está fora dos esteriótipos de beleza(outro tipo de descriminação) e por isso é considerada feia, e não por ser negra. Prova disso é essa outra personagem do Zorra:

    http://revistaquem.globo.com/Revista/Quem/foto/0,,57471853,00.jpg

    As duas personagens são BRANCAS e também são satirizadas. E aí como é que fica? Estão sendo satirizadas por serem brancas?

    • Charô

      Maria Mariana, lamento por sua falta de empatia. Felizmente não preciso dela. No mais, nada a declarar sobre sua opinião.

      A quem interessas possa, espero que não comecem a dizer que gays e transexuais são vítimas de sua própria transhomofobia. Ou que mulheres são vítimas de sua própria misoginia. Imagina se a onda pega!

  • Washington

    Deu vontade de parar no “homem branco, provavelmente heterossexual de classe média”. Poxa, um assunto sério desses e voces veem com uma generalização aburda dessas? E quando a vítima de preconceito é um homem branco, homossexual agredido por um negro homofóbico? O próprio Grupo Gay da Bahia escreveu que a homofobia é maior em negros. Por favor, negras e negros de classe média (pobre não tem tempo para discussões virtuais e coisas do genero), pare com essas generalizações. De um homem homossexual mestiço e orgulhoso das suas origens negras.

    • Washington, agradeço sua consideração e todas as demais em relação a essa parte do texto.

      Em função desses comentários, foi feita uma pequena alteração no texto original e adicionada uma nota explicativa.

      Obrigada.

  • Paulo Henrique

    “Nem mesmo Monteiro Lobato construiu personagem tão racista.”

    Parei de ler o texto exatamente aqui 🙂

    • larissantiago

      Ótimo já que pelo menos leu sobre blackface e pode refletir sobre depois =)

  • “Po! se eu me pintar de preto e sair fantasiado de escravo to sendo racista??”

    Sim, é isso mesmo. Está certinho. Você estará sendo racista.

  • Renato Rollin

    Concordo que existem trotes que são exagerados… eu mesmo nao sou a favor de certas atitudes nesses momentos…. Mais desde que li noticias sobre esse trote.. e racismo, preconceito, apologia e sei la mais o que, fiquei indignado também! Mas minha indignação foi por outro motivo. Ta ficando abusivo essa coisa de achar que tudo é racismo, tudo é machismo… Po! se eu me pintar de preto e sair fantasiado de escravo to sendo racista?? se me vestir de Ozama bin laden, to fazendo apologia ao terrorismo?? se me vestir de puta, to sendo machista??? nao sei se alguem já se fantasiou de alguma coisa em algum momento da vida…mas é fato que sempre que vc vai se fantasiar de alguma coisa.. vc sempre vai buscar na historia da humanidade figuras que marcaram nossa historia.. e fantasiar alguuem de chica da silva ou de hittler, pode ser visto inclusive como uma homenagem! sim.. pode muito bem ter sido uma homenagem.. inclusive a hittler…. por que nao? entao.. acho complicado ficar apontando o dedo sem nem saber oq se passa na cabeça de cada um e as reais intençoes dessa brincadeira. Acho mesmo que, nesse caso, as pessoas que estavam na posição de submissão (que elas mesmas permitiram) ou seja, os calouros, que deveriam se manifestar.. e se as queixas de racismo, ou qualquer tipo de preconceito viessem deles, por se sentirem ofendidos ou discriminados blz… mais ficar todo mundo fazendo esse mimimi todo… nada a ver! Viva a diversidade!

  • Alexandre

    Você está certíssima e tem toda razão que uma pessoa pode ter. Mesmo que tenha sido uma “brincadeira” não justifica o fato de ser uma apologia ao racismo, com relação a “Adelaide”, realmente essa personagem é um horror e leva o racismo à casa de milhões de brasileiros todos os sabados. Isso é repugnante.

  • É UM ABSURDO QUE FATOS COMO ESTES CONTINUEM ACONTECENDO, JÁ ESTAMOS NO DÉCIMO ANO DA LEI 10639/03, É REPUGNANTE QUE FUTUROS PROFISSIONAIS NÃO SE DEEM CONTA DA GRAVIDADE DE CERTOS ATOS CRIMINOSOS. E A INSTITUIÇÃO?TERÁ UM PROGRAMA QUE COMBATA O RACISMO EM SEU INTERIOR? BANDO DE BOSSAIS NEO NAZISTAS. FATOS COMO ESTES NÃO PODEM FICAR IMPUNES.

  • cisco

    Recomendo o filme “A hora do show” (2000) de Spike Lee que aborda diretamente essa questão do blackface e o modo como os Negros são representados no cinema. QUanto aos alunos da UFMG: expulsão sumária e processo criminal. Só que a tendência é que a Universidade contemporize…

  • Camila

    http://mariadapenhaneles.blogspot.com.br/2013/03/nota-sobre-trote-racista-no-ugmg.html

    O txt foi reproduzido neste site, nao sei se foi com ou sem o consentimento de vcs, por isso resolvi publicar aqui

  • valquiria

    A verdade! O que é verdade? Racismo ou não, preconceito ou não. É difícil julgarmos tal situação mesmo porque cada ser humano tem suas particularidades. Um fato ou um dizer podem ser vistos ou entendidos de maneiras completamente diferentes, cada um tem um ponto de vista.
    Acredito numa forma de resolução sem a violência! E acredito também que todo ser humano tem uma segunda chance.

  • Juli Mattos

    Pra mim, só dá para saber o que é preconceito de raça, quando se é negro e vive isso. Ai sim, dá para ter uma opinião mais real. Quem é branco, e está acostumado a ser “bem tratado” e “aceito” por ser branco, não sabe o que é isso e acha tudo exagero. Apesar de eu ser branca, tem horas que me incomoda, quando não respeitam minha cor e me comparam com coisas brancas, como “velas”. Fico imaginando, que isso deve incomodar mais ainda, quando se é negro e tem uma bagagem de preconceito, herdada socialmente. Não sabia sobre o blackface ser preconceituoso, e pensando sobre ele, considero que seja preconceituoso mesmo.

  • Amigos, estudo na UFMG e isto que vc(s) estao vendo é o minimo que acontece.
    Infelizmente temos que participar destes trotes que é repugnante. Mas aqui, na Faculdade de Direito da UFMG, consegimos escancarar o que a humanidade tem de pior: racismo, machismo, apologia (ainda que bem humorada) do nazismo. Não, não é apenas uma brincadeira, mas infelizmente é uma afronta a nossa historia.

  • ICB

    Sobre a caloura ” Xica da Silva “, nota sobre o trote na UFMG:
    Sou aluno da universidade e não achei graça em tal brincadeira.
    E não acredito que meus caros colegas (até colegas também negros), acham isso aí divertido.Me desculpem,mas vou discordar de todos….
    **************************************************
    Na recepção de calouros,é bacana acontecerem brincadeiras saudáveis pra interagir com o pessoal,dinâmicas….mas tudo tem limite!
    *************************************************
    Mas porquê caloura XICA DA SILVA?????

  • Francisco Tourinho

    Ma minha opinião, o preconceito vai existir ate que a pessoa que o sofre, para de sentir pena de si proprio,pare de se importar com ele,importar com o preconceito é da vida a ele,da energia para ele existir,e tenho certeza que a pessoa se ofende com o preconceito é tao preconceituosa quanto a que pratica.Parar de ter bloguinhos com pessoas “politicamente corretas”,dando liçoes de moral em pessoas preconceituosas,isso apenas alimenta o preconceito.Vamos usar a cabeça ao invés e ficar contestando na internet como qualquer um pode fazer.

    • Léia Magnus Borges

      Francisco Tourinho, com todo respeito, pensar que “o preconceito vai existir ate que a pessoa que o sofre, para de sentir pena de si proprio,pare de se importar com ele” é no mínimo um pobreza de raciocínio. A sociedade só evolui quando pensa e reflete sobre seus problemas. Somente quando protestamos contra situações injustas para conseguir nossos direitos é que teremos a chance de conquistá-los. Em nada contribui fazermos de conta que não está acontecendo nada. Dizer que “a pessoa que se ofende com o preconceito é tao preconceituosa quanto a que pratica” não condiz com a realidade, talvez até exista algum caso mas não é a regra. Sabemos que em nossa sociedade brasileira ainda existe preconceito de raça, gênero, orientação sexual entre outros e que a única saída para sair desse atraso é se importando sim com aquilo que nos incomoda. Ou você não se importaria caso lhe dessem um tapa em sua cara? O preconceito, certamente, dói mais que um tapa na cara, ele fere a alma das pessoas!

  • Diego

    Na contramão da maioria do que foi comentado até aqui, achei o texto de uma ordem muito pessoal. Isto não significa que eu esteja de acordo ou apóie as situações relatadas, apenas acredito que devemos ter um olhar crítico mais aprofundado sobre a questão. Não sei avaliar se reprimir e condenar situações em que não há qualquer intenção de expressar racismo seja o melhor método para sanar o mal (o crime de racismo, não as piadas), pois imagino que reprimir determinados atos acaba por desencadear e potencializar situações que estamos tentando evitar.
    De certa forma, estamos supervalorizando apenas uma forma de racismo em detrimento das demais.

  • A novela Lado a Lado, fez isso com o personagem que era bom de bola e negro, porem pra jogar
    no time de brancos, teve que pintar o rosto de branco pra jogar naquele time….Absurdo ainda que
    fosse nos anos 30….mas de lá pra cá quase nada mudou…..
    Gente temos que colocar na cabeça, que a cor da pele não condiz com caráter….Conheço vários negros muito melhores que muitos brancos…..Chega de preconceitos, seja ele qual for.
    Somos todos filhos de Deus…e se foi ele quem criou….então…somos todos irmão…..
    Precisamos de um mundo de PAZ…..que só conseguiremos se todos nós seguirmos o mesmo
    caminho…..PAZ….é o que queremos e necessitamos nesse mundo tão hostil…..

  • Leonardo

    Peraí, os comentários são censurados aqui??

    • Os comentários que contem ofensas pessoais e xingamentos são moderados.

  • Iara

    Charô, muito obrigada por este texto. Quando o Daniel me mostrou a foto ontem eu não consegui articular uma palavra tamanha a revolta, o incômodo, a vontade de gritar. Não há justificativa para um “brincadeira” tão atroz. O mais triste é o quanto a imagem tem de ilustrativa de um sistema feito por homens brancos que oprime violentamente mulheres negras. Que alguém ache isso engraçado é assustador

  • Amanda Gabriella A. Bezerra

    Patrícia, não precisa conhecer os caras pra dizer que esse tipo de atitude é um reflexo da nossa construção social sexista, elitista, racista e heteronormativa. Onde quem não se encaixa na homogeneização social: homem, branco e heterossexual (consequentemente, padrão econômico bom) é estereotipado, excluído e oprimido com todo tipo de violência, como vimos nessa atitude dos estudantes. Humilhação, violência física, psicológica, emocional etc.

    Charô, me senti muito contemplada com o seu texto.

  • Thiane Neves

    Refletir é caro. Incomoda. Mas não mata. Sugiro abrir mais os ouvidos, os olhos e o raciocínio. Muito cuidado com o discurso pronto de naturalização do racismo, do machismo, da homofobia ou de qualquer outra intolerância. Aos ofendidos com a nossa indignação: bem-vindos ao lugar onde as verdades absolutas são estranhadas. Eu sou mulher, sou negra e não admito que me representem subjugada a ninguém, ainda que o homem da foto fosse um negro, a irresponsabilidade teria a mesma dimensão.

    • Francisco Tourinho

      se fosse uma pessoa negra eles nem teriam pensado em fazer essa brincadeira,porque ai entraria a “famosa etica preconceituosa”que a maioria tem.

  • Marina Moss

    Talvez seja o caso de investigar melhor.Mas, de qualquer forma, compartilho a noticia que recebi e que mostra que o buraco pode ser mais embaixo. Um dos alunos que faz o gesto nazista faz parte do Movimento Pátria Nossa Brasil, de cunho nacionalista… Uma olhada no site pode dar uma ideia da ideologia que moveu estes “meninos”:

    http://mpnbrasil.wix.com/index

    Aqui a tal foto… https://www.facebook.com/photo.php?fbid=437462516340557&set=a.308978622522281.76991.100002304371447&type=1&theater

    Enfim, pensar, antes de agir, não custa nada. A tal “brincadeira” ficou séria.

    Leiam e tirem suas próprias conclusões.

    Abraços meninas, e continuem na luta.

  • É repugnante. Tudo que tinha que ser dito sobre isso já foi dito em vários espaços, inclusive nesse post. Só o que tenho a dizer é que tenho mais vontade ainda de vomitar lembrando da hipocrisia de coleguinhas estudantes que agem de má fé com racismo e machismo, e são contra políticas afirmativas para negrxs usando de argumentos alienados e estapafúrdios, quando podemos ver, através desse e muitos outros exemplos, o quanto a universidade ainda É território de HOMENS BRANCOS.

    E sobre as pessoas que estão alegando que na arte pode tudo pra defender black faces? Pois bem, entendam, o que está sendo falado é que, um ator branco, quando CRIA um personagem negro, tendo que se pintar de negro pra fazê-lo, é porque quer criar um personagem que reflita estereótipos de negro. Senão, por que não poderia interpretar o personagem sendo branco mesmo? Por que o Rodrigo Santanna não fez a Adelaide com a cor natural dele? É isso que está sendo falado. Quando a blackface é usada pra interpretar alguém que já existiu, como no caso do Thiago Abravanel com o Tim Maia, pode ser que mereça ser tratado com mais cautela, pode ser que no caso do Thiago, por exemplo, ele tenha sido escolhido porque seu enorme talento e tudo o mais eram perfeitos pro papel. Mas na maioria dos casos, é lógico que não tem nada a ver com isso! Pensem, por que colocar um ator branco pra se pintar de preto e não colocar um ator negro? Quantos atores negros vocês já viram na TV, no teatro e onde mais for, se pintando de branco pra fazer a biografia de algum artista branco? O ponto é, a blackface, nesse último caso, é baseada na ideologia, de que os negros não podem representar nem a si mesmos, tem seu talento e beleza subestimados, e colocados na invisibilidade, sem terem sequer CHANCES de competir com um ator branco pelo papel de um personagem negro, pois até o papel de personagens negros são reservados pra serem interpretados por brancos! Recentemente tivemos uma sessão de fotos pra uma coleção baseada na África, e foi usada uma modelo branca, pintada de preto pra representar uma mulher africana!!!! Vocês imaginem uma mulher negra pintada de branco e peruca loira pra ilustrar um catálogo de moda que homenageasse a Alemanha? O que vocês pensariam?

  • v.

    Sensacionalismo sobre uma brincadeira universitaria. A participaçao no trote é voluntaria e tampouco tem qualquer conotaçao politica ou sequer representa uma opinião dos alunos. Nao passa de um momento de descontração em que todo e qualquer ato nao passa de gozaçao. Tenho certeza que dentre os calouros haviam alunos negros, e nao ouvi dizer de nenhum que tenha se sentido ofendido com a brincadeira. Vejo mais racismo e a intolerancia na recriminação à essa brincadeira do que na próprio trote. Racismo se trata de discriminaçao e segregaçao, e o trote nao envolveu nenhuma dessas atitudes. Esses alunos nao tem cupa alguma do passado vergonhoso de discriminação racial que o Brasil carrega em sua história.

  • Charô

    Alguns comentários foram removidos, outros nem mesmo publicados por conterem xingamentos e ofensas desnecessários.

  • Cristiano Gomes de Deus

    Batemos no fundo do poço mais uma vez. PQP.

  • Ricardo H.

    Corrigindo: Plácido Domingo, Mario Del Monaco e outros tantos tenores brancos eram racistas quando encarnavam o mouro Otello, de Verdi, e utilizavam blackface? A arte não pode ter tais limitações quando feita com seriedade e respeito. Cuidado com a generalização.

  • Ricardo H.

    Plácido Domingo, Mario Del Monaco e outros tantos tenores brancos eram racistas ao encarnarem o mouro Otello, de Verdi, ao utilizarem blackface? A arte não pode ter tais limitações quando feita com seriedade e respeito. Cuidado com a generalização.

    • larissantiago

      Ricardo, a arte por si só traz uma ideia ou conjunto delas (ideologia). A blackface é uma manifestação racista na medida em que expõe o ator branco caricaturando o negro – não conheço a Ópera de Verdi, não sei se é racista. A arte não é um fim em si e por isso não pode nunca não ser questionada/criticada.

    • Ricardo H.

      Mas foi justamente o que eu disse: cuidado com a generalização. Quando a caracterização é feita com seriedade, respeito e extrema discrição (o que é, de fato, raríssimo), não vejo problema. Não, a ópera não é racista, é uma brilhante leitura musical da grande peça de Shakespeare, e muitos brancos fazem o papel do mouro, principalmente, creio eu, pela falta de grandes tenores negros. Por outro lado, dos anos 1960 pra cá, muitas cantoras (sopranos e meios-sopranos) negras (geralmente estadunidenses) surgiram nesse meio operístico eminentemente branco. E devo dizer que são as minhas preferidas: Shirley Verrett, uma inigualável Lady Macbeth, Jessye Norman, Leontyne Price, etc. Musicalidade, expressividade, nobreza, fascínio. Cantoras que cantaram um repertório branco (ou mesmo germânico nacionalista, no caso de Richard Wagner) com a dignidade de sua cor. Ópera não é uma coisa maravilhosa? A Sieglinde de Jessye Norman, por exemplo, branquíssima na partitura, no palco se transformava numa personagem expressiva, musical, hipnótica, fascinante e negra!

  • Patrícia Diaz

    falando em preconceito, vc conhece o rapaz da foto para inclusive definir a sexualidade dele?

  • Charô

    Obrigada a todos pelo apoio e divulgação. Aos que desacreditam que a blackface tem grande afinidade com o palco, recomendo leitura. Até mesmo de uma fonte muito corriqueira como a wikipédia, um site chamado Jim Crow Museum of Racist Memorabilia. Ou ainda essa performance no youtube que é tardia, mas ajuda na compreensão do texto -http://youtu.be/UfiNT6AKG0s

  • Betzaida

    Infelizmente não é “supostamente um trote”. Foi um trote mesmo, que por si só já é repugnante. Mas aqui, na Faculdade de Direito da UFMG, conseguiu escancarar o que a humanidade tem de pior: racismo, machismo, apologia (ainda que bem humorada) do nazismo. Não, não é apenas uma brincadeira.

    • Charô

      Olá, retirei a palavra supostamente do texto, ficou ali por engano. Obrigada pela correção.

  • Nina

    Essa história dos atores é completamente sem sentido.
    Se fosse um homem que quisesse fazer papel de mulher e fosse proibido, com certeza iam atacar falando que era homofobia ou coisa parecida.
    O ator pode fazer o papel que quiser.

    Agora esse caso da UFMG…
    Não sei se dá vontade de chorar ou de socar(não faria isso), a cara de uns babacas desses…
    Retrocesso é triste…

  • Reblogged this on " F I N I T U D E ".

  • Karina Scalfoni

    Shakespeare se vestia de mulher e as interpretava no teatro, isso é arte… quer dizer então que um ator tem que se limitar a interpretar apenas seu próprio gênero? que por interpretar uma mulher, ou uma pessoa negra, é preconceito? Acho um tanto egocêntrico pensar que atores não possam se pintar de preto pra interpretarem outros personagens. Isso não os torna racistas! É claro, que esse trote teve sim um cunho maldoso, mas não acho que se possa justificar a atitude dos estudantes com a profissão ator/atriz. Não se pode comparar estas coisas… A infantilidade desses estudantes não pode ser explicada e justificada com o trabalho de um ator.

  • Qual é a dificuldade de ao “assumir a responsabilidade” sobre um fato deplorável simplesmente pedir desculpas? Precisa carregar no juridiquês para dizer… nada? Te contá, viu… Só faltou concluir dizendo que foi bom, que o trote impensado possibilitou o debate… /o
    Uma dica: Cês tão fazendo isso errado.

  • Thatiana

    Ainda bem que existe a web, pra expor esses absurdos e produzir um debate em busca de soluções. Espero que a pena seja exemplar pra esses babacas.

  • Thiane Neves

    Em sendo a UFMG uma instituição pública federal, seu dever deve ser de não aprovar, não permitir e punir atitudes criminosas. Acredito que a resposta máxima da Universidade para a sociedade é a expulsão dos alunos e processo contra os mesmos.

  • Daniel Cunha

    A Diretoria de Relações Públicas do Centro Acadêmico Afonso Pena (CAAP) vem a público elucidar alguns esclarecimentos acerca do trote ocorrido na semana passada. O trote não é organizado e nem financiado pelo CAAP, sendo de inteira responsabilidade dos veteranos (embora reconheçamos nossa responsabilidade institucional pelo ocorrido). Contudo, tendo em vista o enfoque dado e as consequências de tal ação, o CAAP, dentro da sua competência de representação estudantil, convocou reunião extraordinária para posicionamento, amanhã às 11:30 no Território Livre José Carlos da Mata Machado. Ressaltamos que só tomamos conhecimento dos fatos no domingo de madrugada. Nós somos totalmente contra atitudes que mesmo impensadas representem machismos, preconceitos ou que não compactue com o Estado Democrático de Direito e pela luta por um Direito socialmente referenciado. Contudo, conversaremos com os envolvidos tão somente para resguardarmos o debate sadio, a justiça correta e o enfoque que verdadeiramente motive transformação. Convocamos a todos da Vetusta Casa de Afonso Pena que tomem para si a tarefa de neste momento, problematizar e politizar nossa faculdade. No mais, estamos abertos para esclarecimentos e proposituras que poderão ser enviadas para o e-mail: rpviramundo@gmail.com. A todos os interessados, imprensa, entidades, CAs e DAs que queiram, poderão tratar diretamente conosco.
    Este fato, embora lamentável, possibilitará um debate importante para os estudantes de Direito da Universidade Federal de Minas Gerais que tanto amam esta casa.

    Att.

    Daniel Antônio da Cunha
    Diretor de Relações Públicas do CAAP