Por Larissa Santigo para as Blogueiras Negras

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A reportagem de capa da Isto É – com o título “As cotas deram certo”- dessa semana se parece mais uma resposta birrenta aos críticos do sistema de Cotas.

Lei Federal desde 2012, as Cotas Raciais (e sociais) são postas na reportagem de Amauri Segalla, Mariana Brugger e Rodrigo Cardoso com o discurso de que o negro merece estar na academia.

É bem verdade que em nenhum parágrafo da reportagem há isso escrito explicitamente, mas depoimentos, elaborações e conclusões parecem afirmar que “conceder” algum benefício já é satisfatório pra que a gente acabe com as discussões outras. Parece ser essa a solução do subdesenvolvimento e para a melhora da qualidade – ou notas – do ensino superior. E a superação do racismo? E o papel da universidade como promotora da diversidade? Olhando com carinho, todos esses pontos são menores que os números, as equiparações e a afirmação da quebra da expectativa frustrada da sociedade racista. Tudo parece justificar a “empreitada” brasileira da concessão, da doação que valeu a pena.

Ok. Li tudo nas entrelinhas. A reportagem inteira elogia, exalta e aclama os esforçados e competentes (palavra usada algumas vezes) alunos cotistas, contra-argumentando os discursos dos anti-cotistas. Mas e a história? E a retrospectiva de luta do Movimento Negro que é de décadas? E o esclarecimento sobre o desejo de uma reforma na educação toda? E a ênfase na conquista?cotas.02

Tá bom, é esperar e pedir demais.

Com toda felicidade pelos números e com todo olhar crítico para a matéria, acredito que essa é uma resposta para a sociedade que diz: “Viu que não dói deixarmos eles entrar?” Para nós o significado é outro. Cota eu não discuto mais. Seus resultados são mais que visíveis e essa revista mostrou (infelizmente não mostrou para os que pegaram o periódico, leram a capa e deixaram de volta na gôndola do supermercado) mais do que eu posso dizer.

E é óbvio que eu queria que dissesse além, porque reparação nunca é demais.

  • Fernando

    Fabio, o problema maior é q o ensino superior no Brasil é um lixo como um todo, não escapando nem as federais. Afora algumas ilhas de excelência como a USP ou ITA e outras o resto é resto. Veja o índice Xangai e a USP é 225o. no mundo e a próxima a UNICAMPO é 976o. Muito pouco. Claro q associamos ensino superior a ascensão financeira e social, mas no frigir dos ovos as empresas querem formandos Mackenzie e USP. não é a toa. Sabe q terão bons profissionais. De qualquer etnia. Veja a grade de matérias p ser engenheiro. Se o aluno teve um ensino básico medíocre não afianta colocá-lo lá. ele não saberá fazer cálculo. Dar diploma só diminui o valor do mesmo. O foco é o ensino básico de qualidade. E outra. Ensino superior dá status ? Dá. Já o Ensino Técnico dá dinheiro. Hj precisa-se mais de técnicos do que advogados. E mais. O ser humano é imbecil. Sempre haverá racismo explícito ou implícito. Eu tenho o mesmo sonho de Martin Luther King no seu célebre discurso. “Sonho com um país em que o indivíduo seja julgado por seu carater não pela cor de sua pele.”

  • O problema não é a existência das cotas, é o fato de que medidas como essa, que deveriam ser provisórias, viram permanentes. Sim, pessoas que antes não teriam oportunidade de entrar em uma faculdade agora, com as cotas, podem, isso é bom sim, mas o ideal seria isso fosse acompanhado de uma reforma educacional ampla.

  • Fabio Nogueira

    Faço história numa instituição particular. Vários de meus amigos dizem que não fosse o Prouni e as cotas se querem sonhariam em entra numa faculdade. Existe erros nos dois processos de inclusão mas,nada que invalida o sucesso dessas duas politicas de ações afirmativas.

  • Gostei da matéria do Blog e gostei da matéria da Isto É. Sou negro e estudante de Economia na UFRRJ – de Seropédica e Nova Iguaçu, na primeira passei sem cotas no vestibular local e na segunda passei no ENEM. O que vejo em minha turma é a inclusão de pessoas que sequer pensavam em fazer faculdade e que agarram a todo custo a chance que receberam. A maioria manda muito bem.

  • Fabio Nogueira

    Meu caro Fernando,seu argumento está muito ultrapassado,os resultados estão aí,os cotistas tem o desempenho igual a qualquer não cotistas Agora por favor,Fernando será quando for ao médico sua primeira pergunta é para saber se o médico é cotistas ou não? No minimo é pensamento mediocre. Um pensamento ridículo.

  • Fernando

    A Faculdade é para ser ingressada por mérito. Há pessoas de todos os matizes que não possuem condições para cursá-la. Quero ser atendido por um bom profissional de qualquer cor ou etnia. Há de se ver também se estão se formando em faculdades Unilixo e depois o diploma e esforço não darão oprtunidade de concorrer a um bom emprego. A briga deveria ser pelo ensino do primário/ginásio/colégio ter um excelente nível, e aí não precisaremos de cotas

  • Vicky Cerqueira

    Comprei a revista ontem. Finalmente uma dessas revistas com alta circulação fez algo positivo en relação às cotas! Lembra do horror da matéria da Época de alguns anos atrás?

    Fiquei feliz com a matéria! =)

    Beijos