Há 125 anos Dona Isabel, então princesa imperial regente em nome de Dom Pedro II, sancionava a lei áurea. Apesar da gravidade do problema sobre o qual versa, a simplicidade de sua redação é quase um acinte que ainda alimenta o mito da redenção em detrimento do entendimento da abolição como objeto de acaloradas discussões, contra e a favor, a libertação dos escravos – “É declarada extinta desde a data desta lei a escravidão no Brasil. Revogam-se as disposições em contrário.”

Porém, um simples exame na totalidade desse documento acrescenta algumas camadas ao entendimento do dia 13 de maio. Ali estão insinuados, por exemplo, os 65 anos de debates parlamentares sobre a liberdade de mulheres e homens negros, iniciados em 1823 com a representação de José de Bonifácio à Assembleia Geral Constituinte Legislativa do Império – “este comércio de carne humana é pois um cancro que rói as entranhas do Brasil”.

A construção efetiva cidadania de negros e afrodescendentes ainda é um projeto inacabado. Podemos dizer que tem sido lenta e gradual, à exemplo da própria abolição. Resulta numa incompletude que afeta a vida milhões de pessoas que não alcançamos os espaços de poder; somos sub representados política, artística e culturalmente; temos nossas vida abreviada pela oferta desigual de serviços oferecidos pelo Estado. Para a mulher negra esse panorama é ainda mais nefasto, vítima de racismo e machismo.

A primeira Blogagem Coletiva 13 de maio, personificada por Luiza Mahin, tem como objetivo repensarmos a Abolição nesse contexto. Para representar a empreitada, escolhemos entre os vultos ancestrais abolicionistas uma mulher da qual pouco se fala cuja biografia é uma mistura de realidade e ficção. Descrita inclusive por historiadores como João José Reis, inspirou a heroína Kehinde de Um defeito de cor, por Ana maria Gonçalves.

Não se sabe ao certo onde nasceu Luiza , se na Costa da Mina ou Bahia, mas é certo que é Nagô da tribo Mahin (Golfo do Benin, noroeste da África). Comprou sua liberdade em 1812, sobreviveu como quituteira em Salvador e teve, assim como as muitas mulheres negras vendedoras nas ruas, participação importantíssima na Revolta dos Malês (1835), parte da rede de agitações que precederam a abolição de 1888.

Usava seu tabuleiro para repassar as mensagens em árabe aos revolucionários. Conta-se que era uma princesa. Também é importante dizer que era mãe de Luís da Gama, o poeta, jornalista e advogado baiano abolicionista. Infelizmente pouco é sabido sobre o desenrolar da vida de Luíza Mahin. Alguns dizem que teria vivido no Maranhão, dando origem ao tambor de crioula. Outros acreditam que retornou à Africa.

Antes de mais nada, Luiza é Odùduwà, uma das divindades primordiais. Seu legado é a incansável disposição para a batalha, ainda que muitos desacreditem nossas demandas ou queiram nos fazer acreditar que não há nada a ser mudado sob ao argumento da cordialidade e da democracia racial. Ou ainda, que a abolição foi uma conclusão satisfatória para três séculos de escravidão e tratamento desumano.

COMO PARTICIPAR

Publique um post falando sobre os 125 anos de abolição no dia 13 de maio. Não se esqueça colocar a imagem que representa nossa blogagem e um linque para esse post. Assim poderemos divulgar seu material nas redes sociais.

BC_Blogueiras Negras

Esse post faz parte da Blogagem Coletiva Luiza Mahin organizada pelas Blogueiras Negras nos 125 anos de Abolição.


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