por Bárbara Lopes para o Blogueiras Negras

Ontem, a Assembleia Legislativa abrigou o seminário Jovens Negras – Temas e Dilemas, organizado pelo mandato da deputada Leci Brandão. O auditório estava cheio, com muita gente querendo perguntar, opinar e um mundo de questões e temas aparecendo. Muitas extrapolavam a juventude, que é no que eu pretendo focar nesse texto.

É mais um reconhecimento da questão das políticas para a juventude nos espaços políticos e institucionais. O tema é recente, porque vem da construção da juventude como um segmento em si, que tem sobreposições com a adolescência e com a idade adulta, mas que tem especificidades, demandas e agendas próprias. Essa construção é um avanço da sociedade quando entende que a população jovem deve ser atendida por políticas que tenham como dupla face a proteção e o respeito a sua autonomia.

 A juventude é um momento da vida de transição, embora isso não seja linear – quer dizer, o modelo nasce-cresce-estuda-trabalha-casa-tem filhos-envelhece-morre é uma exagerada simplificação da realidade das pessoas. A juventude é um momento para formação, experimentações e escolhas. Isso no campo da educação, do trabalho, da conciliação entre ambos, da sexualidade, da família, da participação política, entre outros. Ao mesmo tempo, vemos as vulnerabilidades – para ficar em um exemplo, o trabalho da juventude é, em geral, mais precário.

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 Dentro disso, se pensarmos em jovens mulheres negras, algumas dessas vulnerabilidades são acentuadas. A força dos estereótipos de raça e gênero atua para limitar suas possibilidades e potencialidades. Soma-se a isso a invisibilização de jovens negras na mídia, na política, na academia, nos espaços de decisão. Ou seja, os estereótipos mais presentes sobre a mulher negra – a mulher fogosa e sensual ou a mãe preta – encontram pouca oposição ou alternativas no imaginário.

Para as jovens, isso afeta suas escolhas em relação a estudos e trabalho, para além das restrições já existentes no mercado e na oferta de vagas no ensino superior. Quando, além de conciliar estudos e trabalho (o que faz boa parte da juventude), a jovem negra precisa acrescentar na soma a maternidade, a necessidade de políticas públicas fica ainda mais premente. Muitas jovens deixam de estudar após ter filhos porque a família assume os cuidados com a criança apenas para a jovem trabalhar. E a ausência de creches no período noturno não permite alternativas.

No seminário da Assembleia Legislativa, ao fazer um panorama histórico do movimento de mulheres negras, Nilza Iraci, do Geledés, colocou como questão a ocupação do ciberespaço, para deflagrar campanhas, fazer denúncias, criar fóruns para trocas e para solidariedade, para visibilizar a mulher negra. Se isso é verdade para mulheres de todas as idades, é ainda mais importante para as jovens. Por isso, este espaço das Blogueiras Negras é tão necessário, para mostrar não só as dificuldades, mas também a resistência e o protagonismo de jovens negras.


Bárbara Lopes é jornalista e militante feminista e já foi mais jovem. Ama os livros, as conversas e a música”.  Escreve no Blogueiras Feministas e no seu website .


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