Por Cris Oliveira para as Blogueiras Negras

“Como você lida com o racismo lá?” Essa era a pergunta que eu mais tive de responder ao voltar ao Brasil depois de meu primeiro ano de Alemanha. A minha resposta, que na época surpreendia à todos – inclusive a mim mesma, era sempre :”Nunca tive de lidar com racismo lá”. Deixa eu explicar direito o porque de minha surpresa e de minha resposta.

Há onze anos eu tinha acabado de terminar a faculdade e queria ter uma experiência no exterior antes de cair de cabeça no mercado de trabalho e de ter de me assumir adulta de uma vez por todas. Como professora de inglês, minha primeira escolha tinha sido a Inglaterra, mas como as coisas graças à Deus nem sempre saem do jeito que a gente planeja, eu acabei conhecendo uma pessoa maravilhosa, que é a tampa de meu balaio, com quem eu decidi dividir minha vida. E ele morava na Alemanha. Resolvi fazer uma pequena adaptação nos meus planos e mudei o destino de minha minha viagem. O amor enche a gente de coragem pra fazer meio mundo de maluquice, mas no fundo, na época eu estava morrendo de medo do que iria encontrar aqui. É que naquele tempo eu não sabia quase nada sobre a Alemanha e o que sabia vinha de livros de história, ou seja, um passado macabro e sangrento. Quando não era isso era uma notícia aqui outra ali, no geral bem limitadinhas e estereotipadas do tipo Oktoberfest e neonazistas. Claro que eu tive medo e claro que estava tensa a respeito do que me esperava.

Quando cheguei o que me impressionou foi perceber o quanto a imagem que se vende deste país é equivocada. Aqui tem sim Oktoberfest e neonazistas.Tem uma série de outros problemas e preconceitos também contra a mulher e contra estrangeiros além de ainda terem dificuldade em lidar com todas as questões que a multiculturalidade traz consigo. A diferença é que os limitados e racistas daqui se escondem muito bem, e quando se mostram, são muito bem punidos. A sociedade debate constantemente sobre a intolerância e a mídia não dá trégua sobre esse tema. As pessoas no geral são cuidadosas com essas questões, são cautelosas nas escolhas das palavras quando não tem certeza se certo termo pode ser ofensivo e pedem desculpas imediatamente quando, sem querer, ofendem. Eu já passei por várias situações em que a pessoa com quem eu estava falando dizia alguma coisa sobre o cabelo ou cor da pele de alguém e logo em seguida me falava “Desculpa que eu falei assim, não sei se isso ofende. Como é o certo?” Eu sempre me emociono em situações como essas porque nelas eu vejo seres humanos, que apesar de não sofrerem a mesma dor do outro, mostram empatia, humildade e vontade de mudar para o bem estar geral.

Teve uma vez que eu estava em um trem e um outro passageiro estava muito incomodado com minha presença. Não estava entendendo bem qual era o problema dele comigo até que ele fez um comentário racista se referindo a mim. Me levantei com a intenção de dizer umas poucas e boas a ele, mas antes de poder abrir minha boca, TODOS os passageiros do vagão (umas 15 pessoas ) se revoltaram e tomaram a frente, discutindo com ele de uma forma que me surpreendeu. A estória terminou com uma mulher que exigia que ele se desculpasse comigo e como ele se recusou os demais passageiros chamaram a polícia. Quem me conhece sabe que eu choro por tudo e claro que chorei no meio daquele fuzuê. Os passageiros me consolavam achando que minhas lágrimas eram por ter sido vítima de racismo. Mal sabiam eles que eram lágrimas de emoção por causa da reação deles. Foi um sentimento muito especial me ver sendo defendida e aparada por um grupo de pessoas desconhecidas. Fiquei pensando que todas elas eram muito diferentes, mas que uma coisa tinham em comum: o senso de justiça e a certeza de que um problema social é um problema de cada um deles. Cada um resolveu por si só levantar a voz e no final das contas eles formavam um grupo que se indignava com o comportamento racista do homem que me ofendeu. Vários passageiros me pediram desculpas depois da confusão. Um senhor me disse “Não deixe esse idiota interferir no que você veio fazer aqui, não. Aqui tem muita coisa boa.” Essa atitude com certeza é uma delas.

Não são somente as pessoas à caminho do trabalho nos transportes públicos, que se preocupam em mudar a percepção de alguns de que a Alemanha é um país injusto. O governo daqui também investe comstantemente em medidas sócio-educativas e reparadoras. Aqui existe cota pra mulher, estrangeiros, portadores de deficiência. Tem benefício pra quem tem filho na escola, pra quem é estudante universitário, pra ajudar a pagar o aluguel, pra ajudar a pagar atividades culturais e educativas se a família tem filho, pra comprar livros, pra comprar remédios e por aí vai. Judeus tem direito de imigrar pra cá sem a burocracia que pessoas de outras confissões enfrentam. A sociedade entende que isso tudo é normal. É raro ver alguém questionando essas medidas. Mesmo os alemães medianos parecem entender que se houve um erro histórico, uma retratação é inevitável. Se existe discrepância social, todo mundo sai perdendo então é melhor ter menos pra ter mais, dividir pra que ninguém deixe de ter. Infelizmente eu percebo que as coisas andam piorando aqui também, mas o povo questiona tudo sem parar e isso atrasa as mudanças negativas, o que é bom.

Aí eu fico pensando no Brasil e de como a gente se orgulha de dizer que somos o país mais tolerante do mundo. A gente se interessa em saber como é a questão do racismo em outras partes do mundo e adora ficar repetindo essa de que somos um povo que não sabe o que é racismo porque é todo mundo misturado. Pra muita gente no Brasil, ativista de movimento negro é paranóico e ações afirmativas é racismo às avesas. Tem um monte de gente que fala como se tivessem sido pessoalmente ofendidas com toda e qualquer iniciativa que busca melhorar a situação social de um grupo que não goza dos mesmo benefícios que o resto da sociedade.

Me choca o fato de que em Salvador, cidade onde eu nasci, apesar de mais de cinquenta por cento da população ser negra, ainda é possível ser a única negra no restaurante, na aula de ballet, na sala de espera de consultório chique, na sala dos professores da escola particular. Fico especialmente triste quando eu percebo que muita gente passa a vida inteira sem nem se dar conta dessas coisas, achando super normal que outros tenham a vida mais difícil que a sua baseado em um detalhe que não se pode escolher, como gênero, cor da pele, origem. Infelizmente, em nosso país tem gente que acha que quem sofre discriminação deve sofrer calado, sem questionar nada, sem exigir mudanças. Deixa quieto que assim tá bom. Pra alguns.

Hoje em dia quando volto ao Brasil e alguém me pergunta como lido com o racismo aqui, minha resposta passou a ser “muito melhor do que eu lido com ele no Brasil”. Aqui se entende que discutir e questionar os preconceitos é trocar idéias e evoluir, já em meu país quem é engajado em alguma causa tem sempre de primeiro explicar que não é nem paranóico nem radical. É triste, mas na verdade sabem como é que eu lido mesmo com o racismo aqui? Guardando minhas forças pra enfrentar ele quando chego em meu país.


Cris Oliveira

Cris Oliveira

Cris Oliveira é mestra em linguística e professora de inglês.Escritora nas horas vagas e amante de cerveja gelada vive há onze anos com um pé em Bremen na Alemanha e outro em Salvador. Escreve sobre interculturalidade, sobre viver entre dois continentes e um monte de outras coisas no A Saltimbanca.


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  • Mtoooo bom…

  • O seu texto é emocionante!

  • Luis Soares

    Eu sou filho de pais caboverdianos cresci em Roterdão cidade da Holanda já estive na Bahia e fiquei muito emocionado ao ver tanta gente da minha cor juntas, mas confesso que também fiquei triste ao constatar que a maioria dos empregados dos bancos eram brancos nos hospitais a maioria dos médicos também. Cris o você diz da Alemanha aqui na Holanda também é assim mas isso tem a ver com povos que respeitam os outros porque sabem que a pessoa só respeitando poderá ser respeitada.

  • Cris Oliveira, adorei seu texto e só fomentou meu sonho de ir para a Alemanha estudar. Será que posso entrar em contato com você? Se não for pedir demais, eu gostaria de umas dicas, sei lá. Termino meu bacharelado esse ano, quero correr atrás desse sonho. Será que você poderia me ajudar?

  • Gostaria de pedir ao blog que disponibiliza-se os textos para serem impressos, pois considero as questão tratadas pelo blog de suma importância. Estou atuando como professor, por isso gostaria de ter acesso aos textos para utiliza-lo como fonte.

    • Olá professor,

      obrigada por adotar nosso material como referência. Sempre que desejar usar um conteúdo, entre em contato por email ou publique um comentário, teremos prazer em enviá-lo para você.

      Abraço.

  • Roberto Neves

    Gratificante saber que existem pessoas que se expoem corajosamente para denunciar situacoes injustas. Repito ipsis literis sua experiencia na Alemanha com o que presenciei em 03 vezes que fui aos EEUU (imagine, os EEUU!). O Brasil NAO e um paraiso racial. ja vi, em Salvador, um negro olhando uma negra tomando sol na Barra, dia de semana, de manha, e comentando pra mim…ve só, sujando a praia”. Nao concordo com o Simonal (quem se lembra) …a luta ainda nao esta no fim!

  • Realmente aqui no Brasil,existe preconceito e mto!!sempre fui descriminada desde criança pela cor da pele,pelo cabelo afro na escola,depois com aquele olhar de nojo na hora de procurar emprego e teve caso tbm da familia do namorado não aceitar o namoro com alguem “de cor”.Ai fica a parte de tratar com psicologos e tomar remédio para depressão.Mas o bom e que tem pessoas que conseguem passar por isso tudo e estão firmes e fortes mas cientes que terão que enfrentar isso por resto da vida.A separação racial está ai p todos verem,em alto cargo,nas classes sociais,em boa escola,universidades,em relacionamentos.Até em novelas que são tradicionais no Brasil tem pouquissimos negros,em um país que e a maioria.Preconceito,racismo e uma doença que aflinge a humanidade.

  • Priscilla

    Ah e? Vc poderia me passar entao o nome de um advogado ou organisacao que ajuda? Pois agora com essa onda de falar qie todo mundo e exilafo a democracia ta indo por agua abaixo. Eu sofro em todo lugar que vou. Beijos

  • Parabéns, Cris. Nós negros, entendemos muito bem o que você está falando.

    Detesto esse grupo de reacionários que insistem em negar que racismo não existe como uma forma de perpetuá-lo, já que é muito mais difícil tratar de uma doença, que existe, mas não sabe-se exatamente o que é. Assim é o racismo. Para alguns, o melhor é deixar quieto, fazer vista grossa, que assim não tem ação afirmativa pra preto. Nós é que fiquemos jogados à própria (má) sorte.

    Não aguento mais esse argumento raso “sou a favor de cota pra pobre e não cota pra negro porque também é preconceito”. Quanta hipocrisia!!! Preconceito é colocar problemas sociais diferentes, (racismo, homofobia, pobreza), tudo numa caixa só, e esperar solução lançando mão de uma mesma estratégia. Imagina se eu fosse tomar um laxante, que é mais recomendado para soltar o intestino, pra curar uma diarréia???

    Espero que eles tenham entendido, através de seu ótimo texto, que racismo não é um problema de negros. Mas um problema de todos.

  • Jessica

    “É triste, mas na verdade sabem como é que eu lido mesmo com o racismo aqui? Guardando minhas forças pra enfrentar ele quando chego em meu país.” Adorei! Muito obrigada por me enriquecer com esse texto, parabéns

  • WILLIAN DYEGO

    GOSTEI DE SUA HISTORIA.TENHO MUITA VONTADE DE CONHECER A ALEMANHA,POIS MEUS AVOS POR PARTE DE MAE ERAM ALEMAES… POREM MEU PAI ERA NEGRO.. ENTAO TENHO DUAS DESCENDENCIAS…NASCI COM PELE ESCURA JA A MINHA IRMA COM PELE CLARA. MAS TENHO MEDO DE IR CONHECER MINHA ORIGENS JUSTAMENTE POR CAUSA DO RACISMO

  • Gente, esse texto meu causou arrepios. Ele causa sensações ambíguas. Muito comovente, pois mostra que há esperança na humanidade. E ao mesmo tempo sufocante pois acusa uma realidade estarrecedora do Brasil.

    Parabéns pelos textos e pela atitude.

  • Saudações

    Este texto me foi enriquecedor, digno de recomendação e uma fonte realmente maravilhosa para pesquisa e debate. Não há exagero em minhas palavras, nobre Cris.

    Como consideração (muito embora de exterior eu conheça unicamente uma parte do norte uruguaio, região de Rivera) que faço atrela-se ao histórico de que, tal como ocorre em boa parte do mundo (se não for nele todo) as sociedades comportam-se de formas diferenciadas dependendo de sua região (entrando nisto questões inerentes à área de um próprio País, por exemplo). No caso alemão, o norte e o sul são bem distantes neste aspecto (isto pelo que leio, vejo em noticiário -brasileiros e estrangeiros – dentre outras formas de pesquisa). Acredito que alguns possam interpretar por generalização sobre a Alemanha em vosso texto justamente por isto. Mas como li em suas respostas a vários comentários mais acima, tu mensuraste que se trata de sua experiência em um local do citado País, mas que (talvez) não reflita a realidade de toda a nação por tu ainda não ter ido ao sul alemão.

    É bem verdade que a situação do racismo no Brasil, em um âmbito geral, tem ganhado maior consideração e atenção por parte da população, muito embora o cenário atual esteja longe do que possa ser chamado de ideal. Me entristece saber que uma pessoa natural de Salvador/BA sofra preconceito na própria cidade de origem (quando vem visitar o Brasil), da mesma forma que me alegra saber que tenho amigos/conhecidos que saíram do Estado de Pernambuco (por exemplo) e foram para São Paulo/SP (dizendo abertamente que nunca sofreram preconceito de nenhuma espécie em terras paulistanas). Este é um exemplo de como a compreensão da situação em foco pode ser compreendida em âmbito brasileiro.

    São apenas exemplos. Não posso me julgar o dono da razão, não tenho carta branca para tanto e nem posso usar disto como estopim para algo (até porque não tenho tal intenção), mas são palavras que podem (de alguma forma) trazer alguma reflexão. Mas pode-se aqui ressaltar que as imagens que se vinculam para o exterior, sejam elas sobre o Brasil ou sobre a Alemanha, merecem análise com cuidado (no escopo que vai das boas para as más perspectivas, de qualquer uma das nações citadas).

    A questão de cotas em solo brasileiro é debatida por muitos (inclusive por minha pessoa), justamente pelo fato que tu colocaste em uma das respostas que fizeste a um dos comentários mais acima, nobre Cris. São razões que vão muito além da dita questão racial, pois atrela-se também à dita capacidade de cada pessoa (independente de sexo, condição financeira, nível cultural e quaisquer outra característica de peso e grande impacto). Certamente os próximos anos muito dirão sobre esta sistemática em sua execução, nobre.

    Seu texto é deveras digno de atenção, nobre Cris. E, tal como em uma resposta a vosso comentário mais acima, lhe parabenizo imensamente por nos permitir ter acesso a tão valorosa experiência. É bem verdade que (como modelos no texto) Alemanha e Brasil possuem muitos pontos para serem analisados com cuidado, mas há pontos positivos que poderiam ser ser levados seriamente em consideração, como por exemplo o modo com o qual os residentes de Bremem (onde tu vive atualmente) lidam com o dito racismo.

    Desculpe pelo longo comentário e, uma vez mais, imensamente agradecido pelo texto.

    Até mais!

  • ADOREI SEU RELATO,MAIS TEMOS QUE CONVIVER COM NOSSA REALIDADE QUE É O BRASIL.BJSS

  • Li santos

    Chorei foi demais…

  • Bravo minha cara! Moro na França e sou nordestina… e posso dizer com toda certeza quando me perguntaram se senti preconceito por ser brasileira aqui: a minha resposta: “so quando conheci um paulista…”

  • Fernanda Barcelos

    Eu tbm ja escutei muito sobre esse asunto, que na Alemanha o preconceito é um dos menores do mundo, me encantaria muito conhecer Alemanha , igual a voce tinha muito medo dessa questao do racismo, porque é essa imagina que ensina no Brasil sobre a Alemanha, e eles (os alemaes) tentam ja tem bastante tempo acabar com essa imagem erronia sobre eles. Em verdade, acho que eles tem uma cultura e uma forma de vida muita bonita e bem constituida.

  • Eduardo Henrique

    Eu estou CHOCADO com o conteúdo incrível do seu blog,e mais CHOCADO ainda com a situação do trem descrita nesse texto. Às vezes parece que não existem mais pessoas que se importam com igualdade. Às vezes parece que estamos condenados a viver em um lugar que TUDO é pré-definido,pelo que você gosta,pelo que você é,pelo que você parece,pela sua cor,pelo seu cabelo,por coisas que você simplesmente não pode escolher. Estou inspirado pelo seu texto,obrigado pela leitura,espero voltar em seu blog mais e mais vezes 🙂

  • Que texto maravilhoso! Além de me identificar com várias das coisas que você escreveu, me identifico também por ser professora de inglês e ter uma grande paixão por linguística. Parabéns pelo texto!

  • Gabriel Coelho

    Adorei o post. Sou apaixonado pela Alemanha, apesar de ainda não ter ido lá. Tenho uma historia pessoal de racismo no mínimo curiosa, pois não sou aparentemente negro. Certa vez quando criança estava praia com minha mãe, que não é “branca” como eu. Era hora de ir embora e eu, uma criança loirinha, não queria sair da agua. Minha mãe,que é “negra”, estava a me levar naturalmente embora. Eis que a cena do garoto branco chorando e a mulher o levando foi interpretada preconceituosamente como um sequestro!!
    Um absurdo! Tentaram rudemente me tirar dos braços da minha mãe!!
    Essas coisas coisas nem tão pequenas assim são lamentáveis, mas serão lentamente sanadas pela evolução da sociedade brasileira, ich glaube…

  • Ana

    Olá Cris, fiquei muito emocionada com o seu texto. Eu moro aqui na Alemanha a quase dois anos e meio, e concordo com você a respeito do racismo. As pessoas já me fizeram essa pergunta no Brasil e eu disse que eu tinha que me preocupar mais com o racismo no Brasil do que na Alemanha. A última vez que fui lá sofri racismo em uma loja….coisa que nunca aconteceu aqui. Eu vou em veemência em fevereiro, caso tenha tempo, gostaria muito de te conhecer. Meu email e apcabs@gmail.com
    Obrigada
    Ana

  • CrisR

    Ola Cris! Gostei muito do texto e devo admitir que me emocionei um pouco c o seu acontecimento no trem. Ja vivi em outros países mas mudei pata a Aemnha faz 1 ano e ainda nao conheci povo mais tolerante que este, talvez no Canada, mas nao passei la tempo suficiente para concluir isso. So nao entendi a parte ” Tem uma série de outros problemas e preconceitos também contra a mulher(…)”. Poderia me explicar pf? Obrigada!

  • Domingos Mesias

    À forma e ao assunto da mensagem nada mais que dizer da minha sincera admiração pelo elevado grau de mestria e de tratamento. Ressalta, porém, de todo o dito uma verdadeira «mola» que serve a autora, como deveria servir toda a Humanidade, para lidar-mos com diferenças, pluralismos, com o dever-ser ou com injustiças: o AMOR. O amor «que é a tampa de meu balaio», que é a consciência do próximo em nós. Grato.

  • Vitor Ferreira

    Gostei muito do seu texto Cris. Eu tambem tenho um relacionamento muito bom a quase um ano com uma garota alema. Ela mora em Dunkesldorf uma vila proxima a Lubeck e na primeira vez que fui visita-la fiquei tambem um pouco receoso por ser sulamericano e por termos uma diferenca consideravel na idade, mas o q vi na familia e amigos dela acabou meu receio de imediato. sempre me acolheram muito bem e sempre se mostraram muito solicitos. Neste natal estou voltando para visita-los

  • Excelente texto. A autora está de parabéns pela clareza e forte mensagem embutida.
    Infelizmente, vivemos em uma sociedade de sonhos no Brasil. A mídia brasileira, controlada por um punhado de famílias atreladas ao que há de mais atrasado no mundo, é por demais ultrajante. Para não focarmos apenas na questão do negro, não existem para a mídia o biotipo do índio, do nordestino, nem tampouco de outros sotaques, cores e culturas que não sejam predominantemente sulistas. O assunto regulamentação soa como “censura” para aqueles que ainda teimam em viver em uma sociedade “liberal”. O Estado, tem e deve ter o poder de regular estas distorções, seja por força de lei ou por ações desempenhadas por suas instituições. Espero que esta nova geração, imbuído por uma nova mídia alternativa, a internet, que nos proporciona o prazer de ler este artigo, livremente, sem barreiras, cresça com o pensamento de mudar a realidade atual – atrasada e que ainda não acordou para o que acontece no mundo. A elite brasileira sonha com os países de primeiro mundo, mas não deseja que seus valores sejam auferidos em nossa sociedade. Tamanha contradição só mostra o quão arcaico e estúpido é o paradigma que vivemos hoje.

  • Karol

    Cris , achei super interessante o seu post, tenho 18 anos e decidi que está na hora de conhecer novos lugares e culturas também sou negra e tenho medo de sair do Brasil e ser maltratada. Nunca pensei até então ir para Alemanha. Mas quem sabe não pode vir a ser uma possibilidade já que ainda estou procurando um lugar.

    • Minha experiência é do norte da Alemanha. outras partes do país também nao tem lá uma fama Olá Karol, muito boa com relacao a forma como lidam com estrangeiros. O norte, no entanto é bem internacional e mais tolerante. Existe racismo aqui também, mas na maioria das vezes a gente lida com pessoas normais:-) Morar fora é uma experiência muito enriquecedora, especialmenzte na sua idade. Nao deixe de fazer isso por medo de nada. Beijocas e muito boa sorte:-)

  • Tálita

    Só tenho uma palavra para qualificar esse texto: SENSACIONAL! Parabéns, Cris. Você fez renovar em mim uma esperança na humanidade que há muito eu não tinha. Quero lhe repassar o quão bem ler esse relato me fez. Mais uma vez, parabéns.
    Com carinho, Tálita.

  • Marcia

    Gente, cuidado, muito cuidado!!! Moro em Munique a muitos anos e já presenciei sim, MUITAS cenas de racismo. Sem falar da ideia super equivocada que os alemães tem do resto do mundo.
    Sempre que posso foi correndo pro Brasil pra me sentir “normal” de novo! Sei que lá também tem muitos problemas, inclusive o racismo. Mas ainda acho (e depis de tantos anos na Europa, já tenho certeza) que aqui há muito racismo e intolerância sim!!!!
    Cuidado com a idolatria da Alemanha! O país oferece coisas boas, mas também muitíssimos problemas!

    • Márcia,
      Nao se trata de idolatria a Alemanha nao. Eu sei que aqui tem muito racismo também, como em todo o mundo. É só que as muitas situacoes de racismo que eu já presenciei por aqui em sua grande maioria sempre existia um outro lado, ou seja, pessoas fazendo questao de deixar bem claro que nao compactuavam com a situacao. Eu fico meio ressentida com o Brasil porque sempre tenho a sensacao que o tema nao é realmente levado a sério por lá e acho que acabo achando pior o racismo lá do que aqui, porque como brasileira, nao queria ser discriminada em meu próprio país.

      Aqui tem racismo sim, com certeza. Mas é sim, um pouco diferente. Outro ponto importante, nunca morei no sul da Alemanha. O pessoal aqui do norte vai pra qualquer lugar do mundo menos pra Munique e sempre falam que no sul é diferente. Nao posso concordar ou discordar porque nunca vivi aí, mas Bremen onde eu moro, é uma cidade bem progressiva, bem de esquerda e de tradicoes bem questionadoras. Aqui por exemplo, quando tem passeata do NPD (partido de extrema direita alema) SEMPRE tem uma contra passeata e o número de manifestantes sempre supera em mais do que duas vezes o número dos do NPD. Norte e Sul da Alemanha sao dois mundo bem diferentes, tenho a impressao…Talvéz por isso minhas experiências aqui seja assim tao diferentes.

    • Saudações

      Nobre Cris, sempre os textos são colocados e debatidos nesta instância. Você refletiu o que você vivenciou em solo alemão, da mesma forma que a Márcia passou por situações que vão em caminho contrário às que tu presenciaste no mesmo País (muito embora em regiões diferenciadas).

      Historicamente a Alemanha possui esta divisão comportamental (por assim exclamar). Não sei enfatizar se é em razão da Segunda Guerra ou ainda efeito do já inexistente (fisicamente) muro de Berlim, mas há muito que se deve levar em consideração.

      Em seu texto a experiência foi notória, eu lhe felicito por retribuir de tal experiência com todos por meio deste lar na internet.

      Até mais!

  • Poxa Edna, que situacao complicada hein? Eu mesma já passei por isso em outro contexto. Quem nunca passou, né? De repente escolher a palavra errada na hora errada e a outra pessoa nao entender que foi sem querer de verdade. Isso sem contar que existem palavras que vivem em uma espécie de limbo, ou seja, umas pessoas acham ofensiva, outras nao. Muitas podem ser ou nao ser a depender do contexto. “Pretx” parece ser uma dessas palavras. Quando na dúvida, o melhor é sempre preferir os termos neutros e politicamente corretos (negrx ou afro- descendente). Por sinal, essa questao de palavras ofensivas vai ser tema de um um outro post logo em breve rsrsrs. Beijao

  • Edna Mara Prigol

    Achei muito interessante a parte onde vc explica que as pessoas se preocupam de como falar o termo correto para não ofender, ou parecer racista.
    Passei por uma situação extremamente desagradável um dia destes, sem querer usei o termo “pretx”, nem sei pq fiz isso, pq sempre uso o termo negrx, só que infelizmente a pessoa se ofendeu muito, não fui ofensiva, não usei de forma racista, simplesmente troquei as palavras e usei o termo errado, e elx não me deu tempo pra explicar.
    Por favor me ajude, realmente é tão ofensivo usar esta palavra, não tive a intenção, e desde então não consigo, pensar em outra coisa, e não consegui me explicar com a pessoa.

  • Eu simplesmente me emocionei com o seu texto. Vivo a cada dia essa experiência que você teve no passado. Estou adorando tudo que você escreve no blog e diariamente estou visitando. Parabéns.

    • Obrigada Rafael,
      nao vou demorar mais tanto de escrever pra quando vocês me visitarem ter sempre um texto fresquinho esperando por vocês-)

  • Thiago

    Olá, Cris! Adorei seu texto e compartilhei com os meus amigos no FB. Entretanto, uma amiga que mora na Alemanha me negou que haja aí cota para estrangeiros. Respondi que você poderia estar se referindo a algum tipo de subsídio do governo, que pudesse ser entendi como “cota”, mas não necessariamente idêntica às que conhecemos aqui. Você poderia, por favor, detalhar que tipo de cota para estrangeiro é essa que você menciona no texto? Desde já agradeço e parabéns pelo texto!

    • Oi Thiago, realemte o que eu chamei de “cota” no texto foi uma generalizacao apenas pra criar efeito. O que existe aqui, nao pode ser comparado literalmente com o sistema do Brasil. Existe, no entanto, um grande discussao no momento para oficializar esse sistema – pelo menos no que diz respeito a mulher. O que eu chamei de cota no post (porque no final o objetivo é o mesmo) é a prática das mais diversas instituicoes aqui de detectar que existe pouca diversidade em determinado momento e aí darem preferência a pessoas que diversifiquem o quadro. Por exemplo, a universidade aqui de Bremen há quatro anos criou um bacharelado só para mulheres (tinha de ser do sexo peminino para tentar uma vaga) porque naquele momento os cursos de tecnologia só tinha homens. Só mulheres podiam se inscrever ( e tinha outro tipo de suporte como auxílio creche, caso as mulheres tivessem filho), mas depois que o bacharelado já estava acontecendo, homens também podiam entrar. O negócio é que com isso eles aumentaram a presenca de mulheres em empresas de tecnologia e ciência (Siemens, Max Planckt Institute etc…) aqui na regiao. Outras vezes, sao editas convocando pessoas com histórico de imigracao (filhos ou netos de estrangeiros às vezes de nacionalidades específicas) para ocupar cargos públicos. Nesses casos a pessoa tem de ter certa qualificacao e ser estrangeiro. Um alemao nao poderia se candidatar a essas vagas… Eu por exemplo, comecei a trabalhar em uma escola pública através de uma iniciativa dessas. O que eu nao sei ao certo, é se isso é comum em outras partes da Alemanha. Existem várias iniciativas aqui que parte do governo estadual e nao federal…Posso pesquisar e depois te falar se você tiver interesse. Eu um curso no que eu vou chamar de “secretaria de desenvolvimento social” daqui que tratava extamente desses casos de inclusao e diversidade. Um grande abraco e muito obrigada pelo comentário.

  • karin

    Sempre houve e haverá racismo em todo lugar do mundo e isso nunca ninguém irá extinguir, infelizmente. A diferenca , como voce citou no texto que em países como Alemanha por ex, as pessoas que se manisfestam abertamente sao punidas, por isso os abusos sao geralmente camuflados, até porque as pessoas aqui possuem conhecimento e um certo nivel socio- cultural , sao capazes de agir muito bem, prejudicando a outros sem deixar rastro. A Alemanha é um país em que as pessoas sabem muito bem agir com estratégias, acredito que nao é sempre que casos de racismo venham a tona facilmente. As pessoas aqui nao fazem o mal pela frente e muito menos a sós, elas utilizam grupos quando querem prejudicar alguém ou seja álibis , para que um limpe a mao do outro e agem como se fosse numa guerra utilizando os meios mais baixos para pegar o adversário totalmente desprevinido . Quem vem para Alemanha com uma mente limpa e ingênua acaba se dando muito mal, caso se envolva com pessoas racistas e de um pessimo caracter. Nao quero e nao posso generalizar, pois aqui como em qualquer lugar do mundo há pessoas de um bom coracao, mas também maus elementos que sao capazes de tudo. País de bruxos e de pragmáticos que agem sem ética e sem humanidade.

    • Karin, pessoas de bom e mau carater estao presentes em todo lugar do mundo. Pessoas que se organizam pra fazer o mal também.Por sorte existem pessoas que se organizam pra fazer o bem e derrubar preconceitos também. Grupos de mentalidade democrática, antirracistas e multiculturais sempre precisam de gente pra se engajar e torná-los mais fortes no mundo todo. Contra o mal só isso mesmo adianta. Um abraco:-)

  • Licht

    Adorei o texto! Moro em München há 8 anos e, até entao, nunca sofri uma situacao de preconceito racial. Acho que depende de algumas regioes onde a presenca do racismo é velado.Pensei que aqui no Sul, fosse pior por ser regiao agrária, Acho nós, negros e estrangeiros temos de aprender a confiar em nossos valores, e nos que os levou a estar aqui. Entender a Cultura eropéia, aprender andar de cabeca erguida, esse é o meu lema aqui e no Brasil.

  • Legal seu texto! Fico feliz de escutar uma história como essas do U-bahn. Gostei do seu blog.

  • Marcelo Gross Villanova

    Muito bom e tocante teu texto. E pela minha experiência de Brasil e de Alemanha, estou totalmente de acordo com o que vc diz.

  • Edson E jesus

    Essa é a verdadeira maravilha da internet, poder conhecer pessoas de todos os lugares, origens e idéias, por acaso eu cheguei ao seu blog, sou membro da ATEA, da Atheist Alliance e através da AAI conheci a LiHS (liga humanista secular) e foi por ela que tive acesso ao seu blog e esta pastagem em particular, infelizmente vivemos num pais onde a hipocrisia é muito grande e a maior delas é justamente a sobre a questão racial, mas não vim aqui falar sobre isso e sim parabeniza-lá, coincidentemente adoro a alemanha, da cultura e historia e principalmente como os alemães resolveram assumir a “culpa” por seu passado recente e seguir em frente e fazer um pais e uma sociedade melhor e mais aberta.
    Adorei seu texto, vou dar uma olhada nos outros pra te conhecer melhor, parabéns e quando for pra Alemanha espero tomar uma cerveja com você.
    Parabéns.

    • Ôpa! Cerveja é comigo mesmo! Obrigada Edson:-)

  • Queridos, muito obrigada pelos comentários de vocês. A Alemanha nao é nenhum paraíso e é cheia de probleminhas também, mas eu considero um país que vale à pena exatamente pelo fato dos questionamentos discussoes e instisfacao (que impulsiona mudancas) serem características muito marcantes da cultura deles. Amo isso aqui na Alemanha. Nenhum apís é perfeito, mas sao muito legais aqueles onde se percebe uma abertura para discussoes e mudancas, né? A gente vai fazendo nossa parte e um dia o Brasil chega lá também…um grande abraco em todos.

  • Muito bem abordado esse tema.

  • Adriana Ribeiro

    Cris, adorei a sua história de vida. Compartilho da mesma visão sua em relação ao Brasil, pois vejo situações de racismo todo dia. Situações veladas, onde cada um finge que não viu e ninguém faz nada. Cidadania, respeito pelo próximo, educação e punição severa para quem comete racismo, esta é a chave para melhorar esta situação. Já visitei a Alemanha uma vez e amei (fiquei em Friedrieshafen, no lago Bodesee) e pretendo voltar a este país maravilhoso um dia para aperfeiçoar meu alemão e, quem sabe, até morar. Um grande bejo e parabéns pelo texto maravilhoso.

  • Alessandra Andrade

    “Aí eu fico pensando no Brasil e de como a gente se orgulha de dizer que somos o país mais tolerante do mundo. A gente se interessa em saber como é a questão do racismo em outras partes do mundo e adora ficar repetindo essa de que somos um povo que não sabe o que é racismo porque é todo mundo misturado. Pra muita gente no Brasil, ativista de movimento negro é paranóico e ações afirmativas é racismo às avesas. Tem um monte de gente que fala como se tivessem sido pessoalmente ofendidas com toda e qualquer iniciativa que busca melhorar a situação social de um grupo que não goza dos mesmo benefícios que o resto da sociedade”.

    Se a gente muda os termos, essa seu trecho diz da situação de vários movimentos de minoria em suas lutas cotidianas, né?

    Linda reflexão, Cris, e continuamos todxs buscando construir esse tal país mais tolerante do mundo…

    • Vixe, com certeza, Alessandra…

  • Rodolfo

    Belo texto e ótimo relato de experiência. Moro na Alemanha há mais de 2 anos e gostaria que sua experiência refletisse a que todos aqui possuem.

    Eu trabalho com alguns africanos e sou amigo de outros tantos, todos negros, de diferentes países e que trabalham ou estudam aqui na Alemanha. Toda semana algum deles me contam casos de racismo que passam por aqui, coisas realmente absurdas. E não só aqui na Alemanha, na Austria também (diria com alguma segurança até outros países, mas não conheço casos)

    Eu às vezes acredito que os alemães apenas sabem esconder muito bem o que realmente pensam e também são mutíssimos preocupados com a imagem que passam do seu país para os outros. Mas eu também acredito que no meio desses ruídos nós encontramos (também todos os dias) pessoas com corações muito bons. Espero que em algumas dúzias de anos isso se torne mais comum.

    Obrigado!

    • Oi Rodolfo,
      Eu sei que o racismo é um problema aqui também. Na verdade, onde nao é, né? Infelizmente é assim. Eu mesma já passei por outras experiências menos positivas do que a que contei aqui no post. Mas o que eu acho que é diferente é que aqui para cada racista que se encontra encontram-se muitas outras pessoas normais, que acham esse comportamento um absurdo e que no fundo nao acreditam que ninguém é melhor do que ninguém. Isso sem contar que o tema é constantemente discutido. No Brasil sinto que tem pouco tempo que o assunto caiu na mídia e na boca do povo e mesmo assim as pessoas geralmente demonstram um mal estar impressionante quando o assunto é racismo. Como se as vítimas estivessem incomodando por tentarem fazer isso virar tema. Perdem a paciência e o assunto vira logo piada enquanto aqui nao vejo as pessoas achando que isso seja motivo de graca. Foi isso que eu quis falar no post, dessa diferenca, sabe? No meu blog tem inclusive outros posts nos quais eu relato outras experiências. Um abraco e valeu pelo seu comentário:-)

    • Rodolfo

      Oi Cris, obrigado pela atenção em comentar o que escrevi. Não se preocupe. Eu entendi sua posição e concordo com ela. Acho inclusive que tem coisas que fogem ao meu senso de entendimento por eu não ser propriamente negro (embora minha mãe carinhosamente me chame de “nego safado” – hahaha – o mundo ainda permite!). Sou nordestino e desse “preconceito” eu não sofro aqui na Alemanha (no Brasil sempre há um caso ou outro que tiram onda com meu modo de falar, ou me perguntam se a Paraíba é depois ou antes da Bahia), é o tipo da coisa que praticamente some automaticamente ao mudar de país.

      Fico contente em ver seu posicionamento positivo em relação ao tema, pois abre um pouco minha cabeça aqui na batatolândia. Pensava que esse modo “respeitoso” do alemão estava no mesmo conjunto das ações que punem alguém se mostrar o dedo do meio para outra pessoa, mas talvez esteja um pouco além disso. Andei falando com um meu amigo e colega de trabalho de Zimbabubue e ele me falou que eles não possuem somente o preconceito de ser negro, mas também de ser africano (que, por sinal, talvez pese mais). É muito complicado realmente, só sabe quem vive.

      Parabéns novamente e obrigado 🙂

  • Tamara Carol

    Achei lindo o seu texto… Meu sonho é ir morar na Alemanha, estou estudando que nem uma louca… Acho que o mais difícil é lidar com a língua xD
    Isso sim que é país de primeiro mundo hehe mas enfim… Isso é um tópico a se discutir no Brasil: um país que boa parte é negra ou parda e possui mais racismo que outro que possui um passado um tanto que tenebroso… Bem é isso aí, quem sabe na próxima geração?

    • É Tamara, a esperanca é a última que morre, né nao?

  • joycealbertiq

    Cris, me emocionei com o seu texto. Muito bonito e em palavras coloca a triste realidade do Brasil ser um país camuflado. Tb moro na Alemanha e realmente o que está escrito nos livros são informações tão pequenas para este país enorme e repleto de coisas para aprender e vivenciar. Amo a Alemanha! Tudo de bom para ti! Vou continuar a ler o teu blog. Um bj e um abraço.

    • Obrigada Joyce:-)

  • Cris, também moro em Bremen. Adoraria te conhecer. Também moro em Bremen. Que texto maravilhoso de se ler 🙂 Acabei de compartilhá-lo na página do Facebook do meu site.

    Um grande abraço

    • Ah que legal! Eu já acompanhava seu site no Facebook. Mundo pequeno rsrsrs. Vou entrar em contato lá no seu site pra gente marcar alguma coisa, aproveitar o verao que parece que está comecando finalmente rsrsrs. um abracao

  • Nossa, amei! Ela disse tudo! Eh muito mais facil lidar com o racismo aqui do que no Brasil (que acho q eh extremamente racista, mesmo tendo grande parte da sua populacao negra (ha quem diga “parda/mulata/morena clara”)). Tbm me sinto estranha de frequentar tal lugar e ser a unica negra. As vezes nao percebo o rascismo nas pessoas, as vezes eh bom ser um pouco naif. Quando acontece algo (onde sou destratada, o que eh raro) nao penso – so pq sou negra! Me vejo como um ser humano e minha cor? bem, sou da cor do respeito e amor ao proximo.

    • Nao que aqui nao tenha racismo, porque tem também, mas é que as políticas sociais sao diferentes, né? Muitas vezes ser “naif” é bom mesmo rsrsrsrs. um grande abraco:-)

  • Uauuu!!!
    Deu nó na guarganta…
    Sem palavras para expressar o quão me senti com seu texto.
    Parabéns!

  • Lia

    Nossa parabéns ameiii sua Historia é isso ai tudo que vc falou é verdade sobre nosso Pais infelismente!

  • Mauricio

    Muito legal! Sou soteropolitano tb e vivo há 13 anos em Köln, trabalho viajando muito pelo resto da Alemanha… volta e meia sou confrontado com a mesma pergunta feita tanto por alemães quanto por brasileiros. Ambos se espantam qdo eu digo que eu devo ter sofrido racismo aqui umas três vezes, enquanto que no Brasil era todo dia (escrevi algo sobre isso no meu blog Encanto Cultural). 😉

    Vou ler os seus outros textos.

    Abs!

    • Eu desperto o mesmo espanto Maurício. Pena que é verdade, né? Vou visitar seu blog:-) um abraco

  • Retrato lindo, sincero e real. Parabéns!

  • Cristina Dias

    Também fiquei muito emocionada com a estória do trem. E me pergunto, será que um dia vamos parar de criar e recriar esteriótipos e seremos capazes de mudar. De ter mais empatia. De sair da miséria mental em que vivemos por aqui?

    • É o nosso desejo, né Cristina? Pra chegar lá só isso mesmo.Questionando, denunciando e se recusando a calar perante os absurdos… um grande abraco

  • João

    Cheguei nesse blog por acaso, mas foi uma das melhores coisas que me aconteceram esses últimos dias. Tenho um fascínio inexplicável pela Alemanha. Sua cultura, idioma, músicas, história e tudo mais, e pretendo um dia visitá-la ou até passar uns tempos. Mas… sou pardo. E sempre achei que isso seria um empecilho, que sofreria discriminação ou até violência física. E esse texto me tranquilizou um pouco mais. Racismo você pode sofrer em qualquer lugar, inclusive no Brasil. Mas num país onde a discussão sobre essas coisas é algo tratado como questão de cidadania, a gente fica mais tranquilo. Parabéns pela coragem e obrigado por dividir isso conosco.

    • Oi Joao,
      Venha sem medo. Nao que nao corra risco de passar por experiências negativas. Eu mesmo tenho amigos que já foram vítimas de racismo aqui e no caso deles as pessoas nao se solidarizaram. Mas procuraram a justica e o resultado foi rápido. Essa é a diferenca: a realidade de se viver em um mundo no qual leis funcionam etc. Muito obrigada pelo seu comentário:-)

    • Rafael Lira

      Joao, pode vir sem problemas. Ainda mais, dependendo da cidade, os alemaes tao mais q acostumados com estrangeiros. Aqui onde moro (Potsdam), grande parcela da populacao eh de estudante por causa da Universidade e dos institutos de pesquisa. Logo, muitos estrangeiros moram aqui. Nunca vi, nem soube de alguem q tivesse sofrido qq tipo de violencia, fisica ou verbal. Tb nao acho q verei durante toda minha estadia aqui.
      Se vc eh negro, branco, pardo, amarelo, gordo, ou qq coisa, ng vai ligar pra isso, ao menos as pessoas daqui.
      Espero q vc possa vir de fato. A experiencia sera incrivel. E se por acaso vc nao fala alemao, da pra se virar aqui muito bem tambem.
      Um grande abraco.

  • Tarsila

    Relato lindo e surpreendente

  • Ótimo texto! Já morei na Alemanha também e me admiro muito com a capacidade que eles têm de lidar com a história do país, seja a da II guerra ou da DDR, mais recente ainda. Ao contrário do Brasil, onde ainda mal conversamos sobre escravidão e as consequências da história na sociedade atual, lá eles fazem questão de colocar as cartas na mesa e discutir e analisar exatamente como as coisas aconteceram, pois sabem que só assim se aprende a evitar que se aconteça de novo (e com essa onda de conservadorismo pós-crise econômica na Europa, saber isso é muito importante).

    obs: sua experiência no trem me lembrou esse curta, que minha professora de alemão passou outro dia https://www.youtube.com/watch?v=XFQXcv1k9OM

    • Adorei o filme. Aqui na Alemanha nem tudo sao pérolas, mas pelo fato das pessoas serem educadas desde pequenas a serem muito críticas, acho que as coisas acabam se desenvolvendo de forma mais democrática sempre. Um grande abraco,Cris

  • A questão da polêmica das cotas aqui no Brasil é muito simples: A cultura da exclusão.
    Aqui para um ser bonito, automaticamente o outro é feio…Para que eu seja bem sucedido, preciso que meu vizinho não tenha acesso as coisas que eu tenha. De modo geral, agrada a ideia de excluir o outro e não agregar. Esse dias fiquei perplexa parando pra pensar que em 1920 havia apenas 32 anos de abolição da escravidão, ou seja, historicamente, é mt pouco tempo de injustiça produzida pelo Estado e sem nenhuma medida reparatória. Mas interessa entender isso??? Óbvio que não…Poucos desejam equidade e justiça social. Muita gente ainda sonha com a diferenciação perversa, que exclui, que mantém trabalhadores como a ralé, sem direitos e possibilidade de crescimento pessoal, intelectual e econômico. Há uma satisfação em ouvir uma história de crescimento social hercúleo, há um incômodo em ver o negro, o pobre, o favelado, o deficiente, o indígena conquistar. Então para que seja uma boa história, temos que manter as dificuldades imensas, para que o filtro seja ainda maior, seletivo, estreito e não se conviva tanto com a ralé. Incomoda ver a ralé invadindo…Incomoda, né?

    • Renata,
      Você disse tudo! Amei seu comentário. Beijos

  • thomas haddad

    muito bom menina parabens!

  • Meu sonho é presenciar situações como essa do trem…uma revolta geral diante de situações de racismo e preconceito. Mas só vivo no pesadelo de quase todo dia escutar toda a sorte de comentários racistas e machistas e isso ser tido como natural.

    • Márcia,
      Muito obrigada pelo seu comentário. Eu também me revolto muito com isso: Mas a gente nao desiste, né? E enquanto existir gente inconformada, ainda há esperanca. Um grande abraco.Cris

    • andrea viana

      Em Brasília, essa semana, ocorreu uma situação de racismo declarado e depois assumido. FElizmente as pessoas se indignaram e chamaram a polícia. Uma funcionária do Banco do Brasil, que estava presente, gravou toda a cena e depois levou à polícia para servir como prova. A mulher está presa e sem direito à fiança. Eu vibrei!

    • Andrea Rocha

      Prezada Cris,
      Foi bom ter lido o seu artigo. Vivo a dois anos nos EUA em um dos Estados mais racista, o Texas. E desde que cheguei, senti a mesma coisa que você. E sempre faço a mesma coisa ao chegar ao Brasil, que Deus me dê forças para suportar, os “amigos racistas” covardes, que surgem em nossas vidas, fazendo nos acreditar que somos paranoicos, que os comentários racistas não são voltados para nós. Hipocrisia. Não se deve odiá-los pois estaríamos na mesma vibração inferior deles, somente os ignoro os e sempre olho otimista para frente, confio em mim mesma e isso sempre me ajudou no meu sucesso na vida. Que Deus continue abençoando a sua vida sempre. E obrigada por compartilhar a sua experiência conosco.