Por Maria Rita Casagrande e Jéssica Ipólito para as Blogueiras Negras

Edição dos vídeos por Charô Nunes

A rapper e atriz Queen Latifah fez história quando ganhou um Grammy por seu hit inovador, U.N.I.T.Y., em 1995. A canção se manifestou contra a violência doméstica e a objetificação da sexualidade da mulher negra. U.N.I.T.Y. começou uma conversa na comunidade negra sobre a violência e agressão contra as mulheres. Ela também estabeleceu que as mulheres negras rappers tinha uma voz poderosa em um campo dominado por homens.

Desde o início do hip hop no Bronx, em Nova Iorque na década de 1970, as mulheres têm estado na vanguarda na formação da cultura através da arte do grafite, break e rap. O rap tornou-se o gênero de maior bilheteria da indústria fonográfica, mas as conquistas femininas foram muitas vezes esquecidas. O rap tornou-se mais conhecido por sua obsessão com a riqueza e glamour e objetificação das mulheres , o oposto de suas raízes que era a crítica social.

No Brasil, também por volta de 1995, alguns grupos de rap destacaram-se, com letras diretas sobre a condição do negro, o crime na favela e outras críticas sociais. O Racionais MC´s faz sucesso no cenário musical do país; o MRN (Movimento e Ritmo Negro) falando sobre a vida na favela; o DMN (Defensores do Movimento Negro), grupo paulista fortemente politizado com letras de autovalorização negra; O GOG de Brasília; o Faces do Subúrbio de Recife; o Sistema Negro de Campinas; Potencial 3; e continuando suas carreiras, Thaíde e DJ Hum.

É na década de 1990 que o rap de improviso ou freestyle começa a se desenvolver com toda força no Brasil com a formação da Academia Brasileira de Rimas. Tem início as batalhas de improviso entre MCs. MC Marechal, Emicida, Gil, Aori, entre outros, produzem as rimas sobre algum assunto lançado no desafio.

Não obstante tamanho sucesso, neste cenário predominantemente masculino, não demorou muito para que a crítica social cedesse espaço para rimas machistas, sexistas e que objetificavam a mulher.

Felizmente, a exemplo do que ocorreu em 1995 com Queen Latifah, que abriu caminho para que Lauryn Hill, Erykah Badu, India Arie e Zap Mama pudessem usar o hip hop para capacitar e empoderar não só as mulheres negras, mas todas as mulheres ao redor do globo, em meio à realidade masculina do hip hop brasileiro surgiram também mulheres para cantar muito mais do que um suposto papel de submissão, ou seu lugar de “namorada do MC”. Luana Hansen é uma destas mulheres diante do triplo desafio, enfrentar o mundo rap sendo mulher, negra e lésbica.

Conversamos com Luana sobre sua trajetória, sua vida, sobre se assumir lésbica, os preconceitos e dificuldades para levar a sua voz (e a nossa) adiante. Confiram a entrevista e sua parte 01:

 

 

Esse texto faz parte da 1ª Semana de Blogagem Coletiva pelo Dia da Visibilidade Lésbica e Bissexual, convocada pelo True Love