Por Luara Vieira para as Blogueiras Negras

Não é novidade que a estética negra – expressão entendida como conceitos e juízos de beleza baseada nas características da população negra – não é valorizada em nossa sociedade, diga-se de passagem, uma sociedade extremamente racista, que tenta a todo custo dissipar qualquer manifestação de negritude contida na mesma. Pois bem, estou passando por um momento muito importante para meu amadurecimento como mulher e negra, que é: transição dos cabelos. Há mais de um ano venho ensaiando essa mudança, que pra mim não é apenas uma mudança estética, é muito mais que isso, é um momento muito especial, em que me reconheço como negra, enxergo meu cabelo como bonito independente do que a sociedade considere como belo, amo meus traços, minha ancestralidade, enfim, enxergo-me negra para além da cor da pele.

Desde que o desejo de retornar ao meu cabelo natural começou a ficar forte, beirando às vezes ao desespero por vê-lo com duas texturas (meio crespo, meio alisado), passei a procurar na internet meios que me auxiliem na passagem desta fase, pois trata-se de uma escolha difícil e muitas vezes sofrida. Afinal, são dez anos usando química e uma vida inteira ouvindo o quão feio é meu cabelo. Além de procurar em blogs, vídeos e páginas, todas as alternativas possíveis para enfrentar esse momento, deparei-me com a falta de locais especializados no cuidado de cabelos crespos na cidade onde moro, Maringá-Paraná, fato que me causou uma grande decepção, pois, por tratar-se de uma cidade de médio porte acreditei que encontraria ao menos algumas opções de salões especializados. Triste engano.

Mesmo tendo conhecimento de que a estética negra é extremamente desvalorizada socialmente, a minha crença na existência de lugares especializados talvez tenha se dado pela necessidade de refugiar-me de uma estrutura violenta e opressora, principalmente, quando se trata dos cabelos. Não queria mais agredir minha estética, mas precisava me sentir auxiliada de certa forma. Da última vez que alisei meus cabelos, sai do salão com a certeza que nunca mais voltaria lá (pelo menos para fazer química), chorei o caminho todo até chegar em casa e passei muitos dias pensando como seria bom encontrar alguns lugares para cuidar dos meus cabelos e das demais meninas crespas que existem por aqui. Sinceramente, não sei explicar ao certo o porquê dessa esperança, visto que sou ciente da invisibilidade estética com que somos tratadas. De todo modo, a esperança manteve-se até o momento que percebi de fato não haver nenhum local especializado por aqui (pelo menos não encontrei até hoje).

Além de me entristecer, este fato me incitou uma reflexão diferente das que eu já havia feito, acerca da desvalorização estética da população negra e em especial do cabelo natural. Me pus a pensar o que faz com que sejamos tão invisibilizados dentro de uma sociedade, visto que, segundo o SAE ( Secretaria de Assuntos Estratégicos) dos 35 milhões de pessoas que ascenderam para a classe média, nós negras/os somamos 80% do total, ou seja, somos consumidores ativos como qualquer outro e no entanto temos nossas especificidades constantemente ignoradas, não nos vemos representados nas campanhas publicitárias, nas novelas e filmes, nas revistas etc. e quando por ventura aparecemos nesses locais somos retratados de modo negativo, carregados de estereótipos, vide a “bela homenagem” feita pelo estilista Ronaldo Fraga, colocando palhas de aço na cabeça de modelos brancas para retratar, segundo ele, a “representação da cultura negra”.

Diante disso, me pergunto constantemente por que nossa estética não é representada e o porquê de não encontramos lugares especializados em nossa beleza? Será que não somos bonitas/os? Ou não somos consumidores? As respostas a esses questionamentos são facilmente encontradas quando levamos em conta que vivemos em uma sociedade racista, sexista e elitista, onde pensar a estética negra parece ser o último dos esforços das empresas, dos publicitários e das mídias em geral, já que estão há séculos nos estereotipando, dizendo que não representamos o belo, adjetivando nossos cabelos ora de “cabelo de bombril” ora de “cabelo ruim”, tentando a todo custo ofuscar a beleza que trazemos em cada traço. Portanto, creio que a questão de resgatar e difundir a estética negra não seja meramente um ‘golpe’ comercial, há de fato uma luta política por trás disso, existem milhares de autoestimas sendo construídas ou reerguidas, principalmente a das mulheres negras, já que estas são as que mais sofrem com os pré-requisitos de uma “boa aparência” impostos de forma cruel por nossas sociedade, já que esses requisitos geralmente dizem respeito a jovialidade, brancura e cabelos lisos.

Solange Knowles

Solange Knowles

Para comprovarmos a existência desses pré-requisitos basta observarmos os anúncios de trabalho e nos depararmos com a exigência de fotos nos currículos, usadas geralmente como quesito eliminatório para aquelas/es que apresentem sua estética fora dos padrões estabelecidos. Desse modo, a exigência de uma visibilidade estética é mais que o consumo de produtos e serviços que sejam específicos pra nossas características, mas é, sem dúvidas um resgate a nossa ancestralidade. O cabelo e seus penteados sempre possuíram uma grande importância para o povo africano, pois, através dele demonstram a ocupação de cada pessoa da nação, sua inserção em novos períodos de vida, dentre inúmeros significados que não chegaram a nós.

Portanto, manter e resgatar o cabelo crespo demonstra um resgate da memória, da cultura e espiritualidade ancestrais do negro. Para Lody (2004) o cabelo é uma marca de procedência e é através dele que o negro marca sua estética perante a sociedade, constituindo também um posicionamento político.

Por isso, precisamos sim nos vermos retratados em todos os âmbitos sociais, pois, representamos uma grande parcela consumidora, movimentamos os diferentes mercados, seja consumindo ou trabalhando. Temos o direito de vermos nossa estética tratada com respeito, para que nossas crianças cresçam com uma autoestima elevada, percebendo desde de cedo que ser negro é lindo e que nossos cabelos crespos, ao contrário do querem que acreditemos, é bom.

É pela necessidade de construirmos uma autoestima desde cedo, que se faz necessário romper com esse padrão estético racista e a todo momento lutar contra a invisibilidade com que somos tratados, para que essa sociedade entenda, com muito amor, de uma vez todas: O NOSSO CABELO CRESPO NÃO É RUIM.

Referências:

LODY, Raul Giovanni. Cabelos de axé: identidade e resistência. Rio de Janeiro: Ed. SENAC. Nacional, 2004. p. 119 e 123

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  • Hariadyne

    Luara, como suas palavras representam tão bem o que nós mulheres negras sentimos ao que se refere a estética/ mulher neste país…
    A decisão de assumir o cabelo crespo é sem dúvida umas das maiores “batalhas” que enfrentamos, pois o que seu direito fica a mercê do julgamento cruel e preconceito do outro.
    Parabéns pelo texto.

  • Jennifer Engracio

    Maravilhosa. Fica calma, em breve meu instituto vai estar ai pra dar todo esse suporte a nossa ancestralidade e estética maravilhosa que a mídia racista e esse capitalismo caucasiano ta querendo dissipar. Já já vai ter representatividade da minha parte nessa area!! Aguarde!obrigada por esse texto maravilhoso!

  • Amei o texto.
    Parabéns!!!

  • Raíssa

    Luara, adorei o texto, bem argumentado e consistente.
    Você acha possível que uma mulher negra tenha o cabelo liso ( após os rigorosos tratamentos para tal) por opção e gosto pessoal e não por padrões estabelecidos? Acha possível uma mulher negra ter orgulho de si mesma e ainda assim procurar por meio de modifcar aspectos estéticos?
    Bjs
    Raíssa

  • sandra candially

    Me identifiquei com o texto .Estou há um ano sem química não sofro discriminação pq tho personalidade fort.msd vejo como as pessoas me olham.mas o que me importa é que eu me sinto bem e estou feliz assim. ….fo além do mais eu sou LINDA…….kkkkk

  • Ana Carolina

    Nossa, super me identifiquei, belo texto, expôs de forma sucinta o que de fato enfrentamos, parabéns! Moro em Apucarana/PR, sou oriunda do RJ, decidi largar a química em março de 2014, sendo que em fevereiro do mesmo ano havia me mudado para o paraná, a estudo. Desespero total, não há lugar especializado para nossos cabelos aqui, e inacreditavelmente, nas lojinhas não sabem o que é turbante. Ma enfim, gostaria muito que fizessem algum movimento de crespas/cacheadas por aqui, o que achas?

  • mariana fernandes de freitas

    Desde que assumi meus cachos….nao achei um local pra me ajudar a cuidar dele….pelo contrário os salões de beleza me mAndam alisar!
    Mas eu me libertei, não sou escrava da chapinha….agora meu cabelo e eu temos uma relação de amor!

    • Nênis Vieira

      Mariana, seu contato com a internet é frequente?
      Já vi vários videos que ajudam a cuidar do cabelo crespo, sendo ele bem crespinho ou com os cachos mais abertos também.
      Além de algumas meninas estarem com canais especiais pro cabelo crespo.

  • Ótima reflexão.

  • Me identifiquei muito com o seu texto. Tenho 16 anos, sou de São Paulo-SP e sofro bullying por ter cabelos crespos. Desde o início da minha adolescência todos me dizem para alisar os meus cabelos, que assim eu ficaria “mais bonita”. Fazem-me de referência com outros cabelos, intuindo que eu me ofendesse. Fico extremamente chateadas com as ofensas de baixo calão. Me entristece por ver que a nossa sociedade, principalmente a juventude, é tão preconceituosa com as raízes africanas, seja cabelo, religião etc. Apesar de ser constantemente insultada por conta de meus cabelos, não tenho em mente alisa-los, muda-los, nada, pois os amo do jeito que são. Como diz o rapper Emicida:

    “GRITO BEM ALTO SIM: QUAL FOI O DIIOTA QUE CONCLUIU QUE MEU CABELO É RUIM? QUAL FOI O OTÁRIO EQUIVOCADO QUE DECIDIU ESTAR ERRADO O MEU CABELO ENROLADO? RUIM PRA QUÊ? RUIM PRA QUEM? INFELIZ O POVO QUE NÃO SABE DE ONDE VEM…”

  • Adorei seu texto..inspirou.me verdadeiramente.
    Escrevi um texto na página do facebook *movimento afro*, inspirada no seu.. visita!..
    Bjs parabéns

  • Rhaila

    Texto consciente e esclarecedor. Parabéns pela escolha. E só pra constar: você e seu cabelo são lindos.

  • maria cristina

    Me identifiquei completamenteeeeeeeeee com o texto em todos os sentidos. Tambem estou em processo de transição, e, as vezes tenho vontade de chorar, mas esta valendo a pena. Moro em Goiania, e aqui também não existe um unico salão expecializado em cabelos crespos…uma pena. Sempre procuro os sites que possam me ajudar, O que me deixa mais triste e saber que a maioria das cabeleireiras pensam que entende tudo de cabelo, mas não sabem tratar um cabelo afro, falta de se especialisar. Mas continuo na busca por um cabelo maravilhoso, pois decidir que quimica no meu cabelo: nunca mais!

  • Eu adorei o texto, e também o blog. Sinceramente eu acho meu cabelo ruim, tento deixar ele enrolado mas não consigo. Sou super tímida e insegura e o tanto que me apontavam e me xingavam na escola (em que eu tinha 8 á 12 anos, agora tenho 17) por eu ser negra, me fez ficar com medo de usar o meu cabelo enrolado. Minha mãe e minha tia tem o cabelo enrolado e é muito lindo, elas sempre me encorajam a deixar meu cabelo natural.
    Eu ainda estou com medo, tenho muito: e se ficar feio?, e se começarem a me zoar de novo?.

    • Oie, cabelo crespo quando cuidado do jeito certo (nao pentear fora do chuveiro, leave in e corte pra cabelo crespo e nao aquele corte v q só funciona em cabelo liso) fica, com certeza, lindo. E se te disserem que ta feio: pode cagar pra opinião da pessoa à vontade q ta liberado (e observar q ela é racista sim). E eu sei q quando tu tiver teus cachos de volta, tua auto estima vai tar tao elevada q tu vai dar uma chicotada de caracóis na pessoa q ela vai se sentir até mal e estúpida por ter te dito tal coisa. Experiência própria, nao sou negra mas meu cabelo é bem crespo. Arraso corações, estereótipos e padrões, recebo elogios pelos meus cachos todos os dias (sendo q eles nem sao tao bem cuidados assim). Faz a transição ou big chop, vai ser tua melhor escolha. Nao consigo mais passar na frente de salao de beleza e sentir aquele cheiro de formol sem torcer o nariz e querer pixar o lugar todo hahahha bj linda boa sorte na mudança.

    • mariana fernandes de freitas

      Bruna
      As pessoas sempre vão tentar nos colocar pra baixo….pois todos os dia somos obrigadas a seguir padrões, que nunca conseguiremos alcançar!
      E eu acredito que há milhões de formas de beleza!
      Se liberte da chapinha. …
      Se ame mais…
      Deixe a insegurança de lado e solta esse lindo cabelo…..
      Não é fácil. …mas compensa!
      Beijos e muita força pra você

  • Romina Borba

    Luara,
    sou branca e ruiva tingida, num sei o que é na pele, na carne, no sangue, mas tenho amigas e alunas negras. Sempre falo pras meninas deixarem o cabelo como quiserem. Tenho algumas alunas que pararam de alisar depois que contei que no tempo da escravidão a mulherada passava o cabelo no ferro de passar roupa. Sinto o maior orgulho do mundo por elas. E fico feliz também por vc.
    Quanto aos produtos: meus cabelos são enooooorrrrmes e ruivos, cacheados nas pontas e ondulados. Eu mesma uso produtos pra cabelos afro. Vc vai achar. E se quiser, aqui em Campinas, tem salões que cuidam de cabelos afro tb. Ok?
    Beijocas.

  • Queee texto foda!

  • zanele

    Também assumi meu crespo a alguns anos… já ouvi alguns comentários chatos na empresa onde trabalho, mas continuo firme, forte e com força na peruca!
    Realmente é difícil achar que entenda realmente de cabelo crespo, primeiro porque a variedade é bem grande, segundo porque há despreparo mesmo dos profissionais. Sempre tive dificuldade em achar um profissional que respeitasse minha decisão de cuidar dos meus cabelos, sem alisá-los. Mas acho que já foi pior, quando era criança a disponibilidade de cremes hidratantes sem enxágue era bem pouca e sempre tinha que prender meu cabelo, agora a opção de cremes é maior e dá até para cuidar dos cabelos em casa.
    Parabéns e abraços!

  • Iara Mendes

    Olá, Luana

    Quero lhe parabenizar,agradecer e dizer que Li, compartilhei e me emocionei com seu texto, você soube de uma forma linda expressar todo período de transição que tenho passado este ano. Quando decidi me libertar e assumir meus cabelos, foi muito mais que uma mudança de visual , foi um processo de reflexão interna, do porque durante anos eu tinha optado por econd~e-los. E hoje tenho a sensação de ter nascido uma nova mulher, empoderada e orgulhosa do que vejo no espelho. Grata também a minhã mãe uma mulher branca, apaixonada pela raça negra, que me ensinou desde pequena exaltar minhas características.Obrigada, por partilhar desse sentimento e retratar essa fase linda da nossa transformação, somos mulheres negras,lindas e fortes !

  • Carol Bonifácio

    Olá! Você teria o texto indicado na bibliografia pra disponibilizar? Por favor! 🙂

  • Sou mulata, com cabelos que, naturais, são iguais aos da Solange, da foto.
    Lembro-me com tristeza como, já em casa, entre a família, tentavam “prender e esconder” meus cabelos e insinuavam que ele era feio, uma maldição, “ruim”. E lembro com raiva dos apelidos racistas na escola, exatamente os mencionados, “cabelo ruim”, “cabelo de bombril”, o quanto os coleguinhas sempre diziam que eram feias as meninas mulatas e negras da sala e viviam babando pelas loiras. E lembro daquela triste cena, que não mudou: as pessoas entram numa sala de aula, com VÁRIAS crianças e, ao ver aquela que tem olhos claros e/ou é loira, logo toca no rosto dela, com olhos brilhantes, dizendo “Ah, olha que olhos lindos!”.X(
    Também estou na transição de cabelos com relaxamento (coisa destrutiva!) para cabelos naturais e por ora estou fazendo hidratações que soltam os fios, para amenizar a fase. Até minha própria cabeleireira prefere me ver com cabelos sempre “chapados” =/. Só ‘topou’ parar com o relaxamento e ir para “tratamentos” não-agressivos quando, além de ver que gosto de cachos e praticamente não faço chapinha, viu que o relaxamento não ficava bom. A essa altura, eu já estava quase indo procurar outro salão. Agora tenho 14 cm de cabelos cacheadinhos ^^ e o resto liso e sem forma 🙁 . Vou logo cortar :).

  • Marcos

    Creio que nós negros devemos nos unir mais,agregar valores a nossa cultura e investirmos mais em nós.Só assim para mudarmos esse preconceito racista que vemos por ai.

  • Raquel

    Li um outro texto aqui do blog que mencionou a modelo negra Alek Wek. Ela é linda, mas todas suas fotos são sem cabelo. Ela tem o cabelo raspado. É assim que a indústria da moda coloca as (poucas) negras na passarela: elas entram, o cabelo crespo não. Veja tantas outras modelos negras com cabelo liso ou raspado. Raríssimas são as que tem cabelo afro mesmo.
    Vocês poderiam fazer uma espécie de levantamento, via facebook mesmo, pedindo para as leitoras informarem de que cidade são, e se na cidade delas elas tem conhecimento de algum salão de beleza especializado em cabelos e penteados afro.

  • Eu tenho pele escura e cabelos crespos , eu sou linda!!!!!!!!!!!!!

  • Fui lendo me identificando com o texto até o momento que li que você é de Maringá-PR, aí sim me encontrei no texto de verdade. Estou morando aqui há pouco mais de 6 meses, vinda de Salvador – BA (a cidade mais negra fora da África do mundo) e tenho me chocado constantemente com o racismo e falta de serviços especializados dessa cidade. Aqui encontrei ruas tranquilas, ar fresco e belezas naturai, mas confesso que ainda busco a qualidade de dias para a minha vida. Ainda me sinto um peixe fora d’água e é interessante saber que a minha sensação é compartilhada com outras.
    Estamos juntas!

  • Oi, gente! Obrigada pelos comentários e dicas! (procurarei todos os links) 🙂
    Que bom que gostaram do texto e compartilham de alguma forma a ideia, seguimos na luta!
    Sobre a utilização da expressão “cabelo ruim” Camila, eu a utilizei para retratar o que ouço cotidianamente acerca dos cabelos crespos, de forma alguma essa expressão faz parte do meu discurso. Mas, é muito recorrente na sociedade, visto, que o padrão estético vigente por aqui é o eurocêntrico. Assim como você, espero que essa expressão seja abolida do discurso de todos!
    Abraços,
    Luara Vieira

    • Roseni

      Moro em Salvador-BA e temos muitos locais e especialistas em cabelos crespos. Mas ainda sofro com o racismo e a desvalorização da estética negra. Recentemente fui alvo de atitude preconceituosa com relação ao meu cabelo. Mas isso não me fez desistir de deixá-lo como está, pois estou feliz e satisfeita pela liberdade que tenho, diferente de quando eu usava chapinha. Luara os profissionais que cuidaram de meu cabelo frequentente viajam para outras cidades e estados para dar aula. Quem sabe seja interessante fazer contato com eles a fim de em sua cidade. O salão se chama Belezza Black e eatá localizado na Ladeira do Paiva-Cidade Nova, aqui em Salvador.Coloque no google que aparece o blog. Bjs!!!

  • Jussara reis

    Ola meninas adorei esse blog !
    Sou negra e no meu caso é diferente meus cabelos são Dread’s locks e muitooooo bem cuidado! diferente do que todo mundo pensa,o Cabelos com dreads o cuidado tem que ser em dobro
    todo mundo me olha torto,ninguém senta do meu lado no Onibus Lotado ! mas e o retrato da sociedade em que vivemos

  • Jhessica

    Laura, assim como você, também questiono o porquê da beleza negra ser tão subestimada em nossa sociedade. Infelizmente é bastante explícito o preconceito, basta sair às ruas e olhar os outdoors para se ter uma ideia do padrão de beleza imposto. Quando vejo algum negro em uma campanha publicitária noto que geralmente há apenas um, como se fosse uma certa obrigação colocá-lo, apenas para que a empresa não pareça racista.
    Não sou negra (mas tenho ascendência), no entanto também sinto uma forte pressão da sociedade na imposição de um padrão de beleza. Tenho cabelos cacheados, uso óculos e não penso em mudar. Estava até pensando em cortar os cabelos. Não quero ter de seguir o que é estabelecido pelas pessoas. Você é do PR, né? Bacana, também sou 🙂

  • Interessante ler esse post, pois acaba de passar na TV pela milésima vez uma propaganda do Boticário que se pretende enaltecer a beleza carioca e não há uma negra sequer no comercial. É chocante a sub-representação do negro na propaganda, enfim, em produtos midiáticos de uma forma geral.

    Sobre produtos específicos para cabelos crespos, sei que no Rio de Janeiro há uma cadeia de salões especializados, tive duas colegas de trabalho negras que utilizavam o produto que essa rede de salões comercializava e os cabelos delas ficavam bem hidratados e bastante saudáveis. Li uma vez no jornal que eles abriram uma filial no Espírito Santo e tinha excursão de moças de Minas Gerais que iam até lá nos fins de semana.

    • Lembro desse comercial, reparei nisso e fiquei com uma raiva! Pra não dizer que não, dentre as cerca de 7 modelos há apenas uma mulata (e nenhuma negra) e, claro ela está o tempo TODO lá no fundo, no último lugar na fila, enquanto filmam as pessoas ‘mais brancas’ na frente.
      Pra quem não sentiu o racismo na pele, o que estamos falando aqui pode parecer só complexo e “mimimi”, mas nós sabemos como é; como sempre foi.
      Deve estar falando deste comercial: http://www.youtube.com/watch?v=Pj1NMOGr-o0

  • Ana Hope

    Olá, Luana!

    Meu nome é Ana, tenho 25 anos e sou estudante de Cinema aqui em Curitiba.
    Cheguei ao seu post navegando por entre compartilhamentos no facebook e achei interessante a sincronia, em função de eu estar elaborando um documentário com esta temática.
    Peço a gentileza de que dê uma olhada neste link que contém a página que criei pra divulgar o projeto http://opentequetepenteia.wix.com/opentenquetepenteia
    Achei interessante compartilhar a ideia com vocês.

    Até logo,

    Ana Hope

  • daniblack

    Eu cuido do meu cabelo sozinha porque proximo e bem longe do proximo não tem nenhum salâo com algum profissional que saiba cuidar do meu cabelo.

  • O Chris Rock fez um documentário sobre a indústria do cabelo das mulheres negras nos Estados Unidos. Só vi o trailer, mas parece bem interessante:

    http://www.youtube.com/watch?v=1m-4qxz08So

  • Sidélia Silva

    Ah esse video é de uma ativista Chimamanda. assisti uma vez e achei sensacional e fala um pouco sobre a questão de reconhecimento de identidade: http://tedxproject.wordpress.com/2010/05/05/chimamanda-adichie-the-danger-of-a-single-story-3/

    Se puder assisti. Tenho lido muito o blog, porém só comento algumas coisas. Continuem com isso aqui 😉

  • Sidélia Silva

    Eu concordo com vc, mas acho que perpassa por outra questão, o reconhecimento da identidade pela própria negra. Eu sempre achei o meu cabelo lindo todo crespo, solto, até que alisei pq quis ter o cabelo chanel naquela época, me arrependi, deixei crescer e agora estou bem e meu cabelo lindo também obrigada 😀 ! O problema é o mercado que não oferece produtos ou a quantidade de negras que procuram esse serviço é reduzido a ponto de formar um mercado? Ter poder de compra ou ascensão social sem identidade, faz com que se consuma a revista que é branca, a novela que tem o cabelo liso! Como criar uma identidade a partir do que observamos? A questão de reconhecimento pela própria população negra de que ela é negra e do que se passa politicamente quando uma pessoa se afirma como tal é muito mais latente do que o mercado não oferecer produtos adequados. Até mesmo as negras que fazem sucesso como a Beyonce aparece com o cabelo liso na maioria das vezes, embora mantenha o cabelo enrolado, e digo mais, Beyonce aparece loira! A realidade é que além da dificuldade de reconhecimento do próprio negro há também a falta de quem se “espelhar”. E pensar também que o branqueamento da população que começou com a imigração ainda continua, hoje os colonizadores somos nós, negros. E não por acaso, existe uma hierarquia social no Brasil, além do próprio racismo: quanto mais caracteristicas brancas um negro tem, mais previlégios de brancos eles alcançam. Sim, é a triste realidade do Brasil e digo sem doses homeopáticas. Acho que fatores determinantes para a construção de espaços que englobem a nossa diversidade perpassa necessariamente pelo reconhecimento de identidade do próprio negro.

  • AND Venancio

    Apoiada, Marina! Liberdade de escolha também é uma questão de evolução, avanço, aceitação.

  • Jéssica A.

    Ótimo texto Luara! Parabéns.
    Estou passando por essa transição também, apesar de já ter feito o Big Chop (grande corte pra retirar toda a química dos cabelos) e desde o momento que decidi assumir meu cabelo crespo, percebi o quão excludente é a sociedade acerca disso. Sim, somos invisíveis de todas as formas possíveis em qualquer meio, desde propagandas até na hora de comprar os produtos para nossos cabelos.
    Essa transição significa muito mais que estética, como você disse, porque ela significa uma mudança principalmente interna. A partir do momento que eu me questionei do porquê eu alisava meus cabelos – se era por gosto pessoal ou imposição do meio -, comecei a refletir e percebi que isso era algo que não me fazia bem. Estava sim encaixada nos moldes da sociedade, mas isso não me deixava feliz.
    De uns anos pra cá, sempre batia uma saudade do meu cabelo, do meu fuá, do meu cabelo armado, do meu cabelo seco – como diziam. E infelizmente quem mais dizia isso eram familiares. Via minha irmã, que agora tem 5 anos, com aqueles cachinhos, e eu achava tão lindo que me perguntei: Como alguém pode dizer que isso é feio? Esse cabelo é bonito, combina conosco e desde então resolvi assumir os meus também. Não só por mim, mas pela minha irmã. Queria que ela tivesse uma referência, alguém que diga à ela o quão linda ela é, o quão lindo seu cabelo é – e que todos são bonitos, cada qual com sua característica. Seria meio hipócrita eu dizer que o cabelo dela é lindo tendo os meus alisados… Seria meio que: Sim, o seu é bonito, MAS os outros afros não. (aliás, qualquer discurso que seja assim, que acha só o que tem contato aceitável e o restante não, não me representa).
    Hoje, com 9 meses de cabelo natural e 2 (quase 3) que estão totalmente livres, me sinto livre. Pelo menos nessa questão. Sim, é uma sensação libertadora quando você se olha e vê aquele cabelo que por tantos anos você renegou, tentou esconder. Você consegue se enxergar no espelho. Me amo a cada dia mais, amo meu cabelo e essa luta diária pra reconstruir a autoestima é tortuosa, mas vale a pena. Vale a pena você ser quem é, ser o que quer ser, enfim, ser livre pra decidir o que fazer com sua vida sem que ninguém imponha nada.
    Desconstruir preconceitos e abrir nossa visão pra diversidade (seja capilar ou qualquer outra) é algo necessário e que precisa ser feito diariamente, para que a nova geração entenda que a diversidade é bela e a liberdade é incrível.
    Tenho 19 anos e espero que a cada dia eu me liberte mais. Um grande abraço de uma pessoa que quer acreditar numa humanidade mais humana.

  • Anna Maria Nunes Lopes Cançado

    Realmente como Afro Descendente,também sofrido muito com a questão do meu cabelo ,vejo que temos poucos salões que oferecem alternativas para tratarmos dos cabelos crespos ou muitos encaracolados mas vejo que os Afro descendentes,já tem muito orgulho de seu cabelo!
    Ainda bem!

  • Mara

    Assumi meu cabelo Crespo e estou muito feliz! Coragem meninas a aceitação começa em nosso interior primeiramente. Precisamos nos impor em meio a ditadura do liso. Cabelo
    Crespo é belo!

  • Camila

    Achei o texto ótimo. Só um comentário, espero que não me interprete mal. Me incomoda um pouco toda hora ler “cabelo bom cabelo ruim”….as vezes fico pensando será que o cabelo bom é aquele que faz caridade para as pessoas e cabelo ruim é aquele que fica falando mal dos outros por ai ? Eu retirei esse tipo de discurso do meu vocabulário já faz um tempo….não existe cabelo bom ou ruim, existe os bem cuidados e os mal cuidados, só. Eu sei que muita gente ainda faz esse tipo de referência quando vai falar do cabelo….mas tenho esperança, e sempre que alguém tenta adjetivar o cabelo dessa forma, faço o mesmo questionamento. O que é um cabelo bom? O que é um cabelo ruim?

    • Jessica

      não é a autora do texto q está classificando cabelo como bom e ruim, nós crespas crescemos achando q nosso cabelo é ruim pq foi assim q fomos ensinadas a pensar, cabe a nós mesmas reeducarmos nossas mentes e descobrirmos q tudo q aprendemos está errado

  • Luciana Guimaraes

    Luara,
    Eu moro nos Estados Unidos e aqui descobri o chamado “Curly Girl Method” que é para pessoas com cabelos cacheados, crespos ou ondulados. Tem uma seção somente para afrodescendentes, ressaltando a importância de não violar mais o cabelo – e a sua saúde – com químicas, além de enfatizar que os nossos tipos de cabelo que citei não precisam usar xampu com parabeno, álcool e outras substâncias agressivas. Estou seguindo esse método há 3 meses e meu cabelo está muito saudável e cheio de cachos. Há 3 meses, por causa dessas informações preciosas, só lavo meu cabelo com condicionador que não tenha químicos que acabem com os nossos cabelos. Você deixa de ser dependente de mil cremes sem enxágüe, de mil produtos, para usar somente um condicionador e um gel com formulas boas. Lá há dicas sobre as substâncias que maltratam o cabelo não liso. Boa sorte!

  • Araci

    Luara, no facebook há uma página “Cacheadas em transição” e tem várias dicas pra que passa por essa fase.
    Já passei por isso e ainda é muito difícil encontrar produtos para o dia-a-dia.
    Força!

    Abraços

    • Jéssica A.

      Recomendo essa página também, pois lá há diversas dicas e pessoas que estão aprendendo a amar seus cabelos do jeito que são.
      Quando eu comecei a pesquisar sobre como cuidar de cabelos crespos (já que é complicado achar um salão específico aqui onde moro – interior de MG), tive que buscar e aprender sozinha. Hoje já sei do que meu cabelo gosta, do que não o faz bem e o grupo foi de grande valia para isso, além de blogs, vlogs, etc.
      Abraço! 🙂

  • Marina

    Eu, sinceramente, adoro o cabelo crespo/cacheado e concordo que devemos lutar pra mudar a idéia de que nosso cabelo é ruim. Mas não gosto de comentários que sugerem que por eu alisar meu cabelo, eu esteja negando minhas raízes. Acredito que qualquer pessoa tem o direito de fazer a mudança que quiser em si, não por achar nossas características são feias/erradas, mas por querer se ver diferente. Se uma mulher branca alisa ou pinta seu cabelo, nunca é vista de tal maneira e nós também devemos ter a liberdade de nos reinventarmos, claro que não pela imposição da cultura do cabelo liso.

    • Jessica

      O q acontece é q o “alisar o cabelo” se dá por conta de um racismo q foi enraizado aqui pelos colonizadores, faz parte do processo de embranquecimento q os europeus impuseram aos africanos aqui escravizados, a miscigenacão no Brasil se deu por conta disso, eles queriam acabar com os negros, com a raca negra, clarear o Brasil, e fizeram isso com o nosso cabelo também, já tentaram até passar água sanitária pra nos clarear, muitos negros não são ensinados a gostar de seus cabelos e acham q é ruim por isso, pq os europeus plantaram a ditadura do cabelo crespo e ruim, vc nao ve uma pessoa branca sendo criticada qnd pinta seu cabelo ou alisa seu cabelo pq brancos nao tem q se assumir como brancos, eles já nasceram numa sociedade embranquecida, se vc gosta tanto de cabelo crespo, pq nao se assumir como 100% negra com todas as suas características afro descendentes? Minha posicão pode parecer radical, mas acho q nao devemos contribuir para a alimentacão do racismo até os dias de hoje, pq se uma pessoa discrimina o cabelo crespo q é do negro, ela está sendo racista

  • Monalissa

    Vc tem razão, pra q fotos em currículos? Padrões estéticos são eliminatórios e não a capacidade profissional?

  • Otavia Carla de Oliveira

    Moro em Santa Catarina e ainda chega mais ao extremo! Meu sobrinho (que tem cabelos mais crespos), quando nos mudamos para cá não encontrou nenhum salão que soubesse cortar no estilo que ele cortava em nossa antiga cidade (São Vicente -SP).
    E na época pensei bem isso, e as mulheres, normalmente muito mais vaidosas que os homens) onde as negras daqui arrumam seus cabelos, seus cachos? E depois de três anos aqui, ainda não sei, ou melhor acho que todas se deixaram levar pela industria e pelo preconceito e alisaram seus cabelos! Pena, que pena!