Esses dias li na internet uma nota dizendo que o jogador Neymar não se considera negro, tudo bem ate aí, pois entendo que identidade é algo construído a partir também de nossas vivências, como diz o poeta Sergio Vaz “nascer negro é consequência. Ser é consciência”. A partir dos comentários na matéria citada, falando do cabelo do jogador em questão e a respeito da nossa “mistura brasileira”, e de alguns outros textos lidos que versavam sobre nosso cabelo crespo, encaracolados, cacheados, de preto, enfim as várias falas referentes a esse que é um símbolo da negritude mundial, comecei a pensar em como tentam nos tirar tudo.

É fácil observar nas movimentações sociais da atualidade alguns componentes portando, com toda pomba, um cabelo black todo armado, mesmo a pessoa sendo branca como leite, ainda vemos com certa frequência o punho cerrado para cima em alusão ao gesto símbolo dos Panteras Negras na luta contra o racismo norte-americano e que ficou mundialmente conhecido graças aos atletas Tommie Smith e John Carlos, ouro e bronze nos 200 metros rasos nas Olimpíadas de 1968, que reproduziram o gesto no pódio em protesto contra a segregação dos negros nos EUA.

O que fico me perguntando é se essas pessoas tem noção do que estes “elementos” significam de fato para a luta do povo negro. Ok, o leitor pode me dizer, “é uma questão de identificação com a causa”, entendo que, realmente, a força que estes símbolos ganharam, de resistência e contestação atingiu um nível esplêndido, porem ninguém se “torna negro” sem vivenciar as lutas desse povo de alguma forma e tão pouco sem conhecer as literaturas que tratam do movimento negro. Além disso, os usos que se faz destes elementos símbolos são os mais diversos, temos Black Power em movimentos que estão longe de discutir e defender as reivindicações dos negros.

Como feminista, cientista social e pesquisadora que sou, observar é meu lugar comum, minha ferramenta de trabalho. Tenho cá minhas considerações em relação a movimentos que não conseguem agregar um grupo maior de pessoas simplesmente porque não dimensionam as diferentes mazelas que afligem uma população devido a sua cor ou etnia. Dessa forma, me causa certo incomodo ao ver pessoas ostentando os grandes símbolos da resistência negra apenas como forma de se legitimar dentro de um grupo político. Ou, pior ainda, para dizer que é contra a institucionalização de um padrão estético.

apropriação cultural

Ao me deparar com debates a cerca do alisamento dos nossos cabelos, não questiono quem o faz, pois ter cabelo afro só é problema para quem ainda não internalizou a beleza e a força que ele representa. O que mais me incomoda é ver pessoas fazendo uso dos elementos da nossa identidade étnica como fizeram com vários elementos da cultura negra, desvirtuando seus significados e se apoderando de algo que não lhes é legítimo. Dessa forma, a capoeira que era luta virou dança, Iemanjá virou estatua branca na maioria das praias brasileiras, a feijoada já conseguiu as mais diversas versões (light e até vegetariana), acarajé virou bolinho de Jesus e os turbantes se tornaram mais uma peça entre os vários acessórios da moda.

Fruto do nosso sincretismo, da nossa mistura, o brasileiro é um povo mestiço? O discurso é sempre o mesmo, bonito na teoria, pois passa a ideia de igualdade, de aceitação. A meu ver não é tão simples assim, acredito que essas “adaptações” servem muito mais para que a elite branca se aproprie da parte que melhor lhe cabe da cultura negra, ou seja, branquear Iemanjá a torna mais aceitável aos olhos dos brancos cristão que frequentam as praias nas férias. Posso parecer radical, mas não sou fundamentalista, todos tem a liberdade de fazer usos daquilo que lhes agrada. Para mim, ver uma negra loura e lisa é tão natural quanto ver uma branca usando Black, desde que ela não acredite que, ao fazer a escolha por este elemento étnico, esteja absorvendo todas as representações que eles traduzem, pois se referem a um povo e suas particularidades.

Dessa forma, alisar o cabelo não transforma ninguém em branco, bem como, usar Black Power não faz de ninguém um negro. Não basta ostentar uma “casa de cupim” na cabeça, achando que incorporou a atitude simbolizada nele, esta se constrói na prática consciente e ações que beneficiem uma população excluída dos mais diversos espaços. A força está na pessoa, à atitude esta nas suas práticas, usar os símbolos históricos da resistência negra não é um modismo, não precisamos de uma falsa representatividade, de uma pretensa identificação com a causa.

Tentam nos tirar tudo a todo o momento, ate nossa identidade histórica, seriam as velhas práticas advindas da época do tráfico negreiro que ainda povoa nossa sociedade?! Acredito que a harmonia ditada pela tal democracia racial só existe para aqueles que gostam de repetir frases feitas!

turbante

  • Júlia Pinheiro

    Desde criança fui ensinada que cabelo bom era cabelo liso, alisava então as medeixas, passava por todo aquele processo horroroso, com aqueles produtos que faltavam me ferir a alma. Aos 16 anos resolvi assumir meu cabelo, e eis que aos poucos meu black power maravilhoso surge, e não por esforço, não com permanentes, é naturalmente crespo, seco e volumoso. Tenho traços negros, tenho origens negras, com a miscigenação minha família foi embranquecendo, porém possuo inúmeras características, e esse texto não foi esclarecedor para mim, me identifico com a cultura negra, sou umbandista, e vem me falar que não posso usar da cultura? Não sou socialmente aceita como branca, muito menos como negra, o que sou afinal de contas?

  • Aline Franca

    Uma dúvida que pode ser bem idiota, mas não entendi mesmo o que a autora quis dizer sobre a feijoada. Ela não deveria ser adaptada e modificações são desrespeito com o movimento negro? Porque até onde sei a feijoada tem origem na Europa, com feijão branco, no Brasil foi adaptado a esta forma que conhecemos com feijão preto. Gostaria de entender o que isso tem a ver como símbolo de luta (não entendi mesmo, não quero soar ofensiva). Obrigada.

    Sobre a feijoada:

    http://super.abril.com.br/ciencia/a-feijoada-foi-criada-pelos-escravos

    https://www.petitgastro.com.br/a-historia-da-feijoada-e-sua-origem-de-berco-europeu/

  • Karina

    Este texto me reprenta!

  • Sou descendente de Brancos com Negros e declaradamente negro pois pertenço a Um Quilombo em Sergipe. Achei muito bom o texto pois como jornalista presencio esse tipo de ações quase todos os dias. Acho que entendi o texto de forma diferente ou algumas das meninas não entenderam direito.

    A apropriação que se fala no texto é no meu ponto de vista aquela feita por pessoas que, sem nenhuma noção da cultura negra usa o turbante apenas por achar bonito. Na Cultura Afro, o turbante esta diretamente ligado a religiosidade pois, quem é praticante do Candomblé (que teve sua negra mãe de todos Iemanjá transformada em branca) por exemplo ele é utilizado para esconder a cabeça do praticante, considerada a morada sagrada do orixá.

    Quando se olha por esse lado, (e essa é apenas uma das visões citadas no texto) o uso do turbante bem como de outros símbolos por pessoas quer sejam elas brancas ou negras que se negam a ser, deve ser repensado, pois esse uso esta sem proposito.

    Além disso, vale lembrar que nem tudo que foi feito para a cultura negra combina com a mistura de cultura que os brancos carregam como também da banquetude que muito negros tentam assimilar para se sentirem inseridos.

  • Teresa

    seria interessante que a autora do texto respondesse às indagações. me incomoda pensar que, por ser branca, não posso me envolver na luta pela igualdade entre os seres humanos.

  • Ana

    Sou branca de cabelos crespos! Sofri discriminações ao longo de toda minha vida e ainda sofro, não tinha amigos, sempre fiz trabalhos sozinha, ouvia todos os tipos de coisa: seu cabelo ruim, seu cabelo é sujo, porque vc não alisa, seu cabelo só vai chamar atenção na Europa, seu cabelo parece um ninho de rato, nossa vc deve ficar o dia todo no salão para escovar, você lava esse cabelo, é até bonita de corpo mas esse cabelo….! A única vez em que fui convidada para realizar uma apresentação na escola foi para ser a lourinha do cabelo bombril! Atualmente não sei o que sou, a que cultura pertenço! Se falo que uso black Power estou me apropriando de uma cultura, se aliso o cabelo não estou assumindo minhas raízes! E ai?

    • Gle

      Eu sou branca também e de cabelo crespo, fazer as tranças seria apropriação cultural?

  • Sou branca do cabelo liso e de família europeia e queria usar turbantes como um acessório de moda (até porque é lindo). Pode ou não pode?

    • Nênis Vieira

      Bonie, acredito que você mesma possa responder essa pergunta.
      Existem outros espaços aqui no blog e diversas autoras que lidam com a questão da apropriação. Talvez isso ajude a elucidar melhor.

  • Edilane

    Interessante repensar em acolher, querer ser respeitado e acolhido trás o valor de fazer o mesmo. Será que a segregação não parte de ambas as partes?!
    Sinto tristeza quando vejo que algumas pessoas mais repelem a vontade de outros de conhecer a cultura negra,isso só afasta mais as pessoas de se interessar por seus ideais…Falo isso porque presenciei uma discussão em que algm usou uma frase muito utilizada no Brasil rrelacionada ao negro e isso gerou uma discussão, onde os negros brigavam e reclamavam e a pessoa pedia desculpa por usar um termo racista sem saber. Por isso acabei tendo uma visão de que às vezes lutamos sem ouvir o outro, assim como fazem conosco. Um reflexo social que só perpetuamos, a antipatia entre sociedade que deveria se unir.

  • Bibiane

    Sou branca de nariz largo, lábios grossos, olhos grandes e cabelo black power. Descendente de escrava com índio e não me “apropriei” da estética negra. NASCI PRETA! NASCI BLACK POWER e sou lisonjeada por isso!

  • Julia

    Boa tarde! Passei o dia pesquisando e ainda não encontrei nenhum texto ou qualquer informação que ajude a responder uma pergunta que tenho faz tempo. Sou branca, e estou iniciando minha jornada no Rastafarianismo, que é uma cultura que originalmente é focada no povo negro, em sua história, em sua luta, que procura eliminar essa história errada e racista que é disseminada hoje em dia. Na verdade o Rastafarianismo é muito mais profundo do que isso,mas estou tentando dizer que ele é um movimento originalmente negro, e eu me identifico muito com os princípios e sua ideologia, mesmo sendo branca. Tenho dreadlocks, meu namorado também, e fomos “iniciados” na cultura rasta por um profeta bobo shanti, que também é branco. Queria saber qual é a visão de vocês nessa questão. Eu realmente valorizo muito a cultura africana e cada vez mais me apaixono pela ideologia Rastafari, mas por ser branca pode ser que considerem isso uma apropriação cultural, ou algo ilegítimo,eu não sei. E se isso for apropriação cultural,estou indo contra o movimento negro, entende? Infelizmente nos sites que visitei não encontrei nada a respeito, a única referência ao homem branco que encontro é falando sobre ser opressor,e nunca sobre ele poder fazer parte do movimento. Aliás encontrei muitas informações erradas sobre a cultura, aí fiquei com medo de acabar encontrando algo a respeito e também não ser tão correto. Aguardo respostas! Obrigada pela atenção.

  • Ana Rosa

    Sou branca. Sempre fui uma defensora das minorias, mas não falo por elas. Só empresto minha voz e meus braços.
    Justamente pq não sou negra e pq respeito muito a luta que estou agora sem saber como agir.
    Sou da curimba, do samba e sempre saí em defesa das causas feministas negras. Mas depois desse texto me sinto uma intrusa. Entendi que minha ajuda não é bem vinda. Vou digerir isso e repensar, pq prefiro ajudar não atrapalhando.

    Mas e a religião? Minha religião? Como fica? Me apropriei há mais de 15 anos sem volta. Me sinto mal agora.

    • Vanessa Braga

      Que depoimento triste. Religião onde há segregação?

    • Ana Rosa, acredito que não há problema algum na sua identificação com a cultura e as causas do povo negro. Se faça algumas perguntas sobre a sua atitude consigo mesma e entre os brancos que porventura venham a querer deslegitimar as reivindicações do negro. Você se cala ou reage? Pelo seu comentário, me parece ser a segunda opção porque se não for, não há aí uma identificação legítima inclusive com a religião. O importante é conhecer, não deslegitimar nossas causas, não querer nos calar. Você tendo consciência disso não tem porque se sentir mal e muito menos deixar a religião que você segue, afinal, seria um ato violento com você mesma. Abraços.

  • Gabi

    Esse já é o terceiro site que eu entro hoje. Tenho muitas dúvidas sobre a apropriação cultural. Ela também serve para estilos musicais, né? Por exemplo, uma pessoa branca dançando funk está apropriando a cultura negra, que deu origem ao estilo? Outra coisa, comer certas coisas é apropriação cultural? Não entendi muito bem a parte da feijoada, queria esclarecimentos. Obrigada.

  • Camila

    A autora Eliane, como interpretar a apropriação cultural dentro do ambiente religioso?! Você poderia me indicar alguma leitura, ou até mesmo produzir um texto sobre o assunto? Desde que passei a ter contato com o estudo das apropriações culturais tenho refletido bastante sobre todas as coisas que você disse no texto, mas ainda tenho questões em aberto no quesito religião. Gostaria de alguma ajuda, caso seja possível

    Um beijo e obrigada pelo texto.

  • Bárbara

    Virei fã do blog! Amei mesmo! Vc é de que estado? Bjsss

  • Maria

    Carnaval e feijoada foram trazidos ao Brasil pelos europeus. Turbante é de origem persa – a própria palavra “turbant” é de origem persa. Inúmeros povos usam turbante há milhares de anos, há várias pinturas da Idade Média representando euroupeus de turbantes. A primeira “onda da moda” de usar turbante no Brasil aconteceu em 1808, quando a Carlota Joaquina e outras nobres desembarcaram no Rio usando turbantes para abafar os piolhos que infestavam o navio. Vendo a princesa usando turbante as mulheres todas quiseram copiar e a moda se espalhou pela corte.
    Ojás são símbolos sagrados da cultura negra e esses não devem ser apropriados, mas não sào os ojás que estão na moda, são turbantes usados há séculos por vários povos, muito usados nos EUA entre os anos 30 e 50, de onde vem a inspiração da foto das atrizes, como se vê também pelos trajes de banho.

    • Giullia

      Quando a família real embarcou no Brasil, não foi com perucas?

    • Marina

      Ok, só uma coisa me estranhou nesse comentário: Feijoada foi trazida ao Brasil pelos europeus?
      Como assim?
      O historicamente aceito é que foi inventada pelos negros nas senzalas com os restos de comida que tinham disponíveis para comer.

    • Oiola

      Quantos tapas na cara. Boqueira chora sangue.

    • Pequena

      O que a Maria disse é sustentável. Basta dar uma pesquisada.
      Links:
      http://romaalimentos.com.br/10601/11501.html
      http://revistagosto.com.br/feijoada-preferencia-nacional/

      Turbante:
      http://historiahoje.com/?p=4910

      E não, os portugueses não desembarcaram de perucas 😉

    • Gigi

      Tb concordo com vc em relação ao turbante; acho lindo,mas como meu cabelo está curto agora,acho q não fica bem (em mim). Acredito que tudo relacionado à outra cultura sendo deste ou de outro país,deve ser usado sem o fim de “se afirmar” (nada contra quem queira),mas se perdermos tempo apontando q fulana branca usa turbante e sicrano negro alisou o cabelo,vamos acabar perdendo nossa própria identidade de ser humano. Não seria melhor cada um usar o que desejar,comer o que quiser e ser quem quiser sem ter medo de ser rotulado ou julgado pelas suas ações? Liberdade de ser quem se quiser acima de tudo!

  • Helen

    O que me parece ao ler o texto é apropriação cultural é algo que ocorre no mundo todo, devido a mistura de raças e etnias. Afinal, vivemos em um muno globalizado, A moda contribui muito para que isso ocorra, quando decide utilizar elementos culturais em padronagens de tecido, por exemplo. Fiquei de certa forma constrangida, com a questão dos turbantes. As atrizes estão lindas na foto e não vejo ofensa alguma no uso de tal elemento. Independentemente de saber a origem do “pano amarrado na cabeça”. Acho que os negros deveriam deixar de “lutar tanto” e passar a “viver mais”. E com leveza, por favor!!!

    • Nênis Vieira

      Helen, por favor.
      Tente ser negra e viver com leveza vendo suas raízes serem destruídas e sua família assassinada.

  • Luiza M.

    Sobre o punho cerrado, acho coisa de americano dizer que se refere apenas aos panteras negras. É um símbolo de luta e foi/é utilizado por comunistas e por feministas também. Então acho que mulheres e comunistas podem usá-lo.

  • Camila

    Confesso que fiquei bem confusa. Sempre li de outras militantes que é aceitável uma branca usar os elementos da cultura negra desde que haja consciência da importância da cultura e da luta, desde que a branca em questão seja defensora e dê espaço para a luta. Eu como branca, quando uso algum elemento, não acredito que seja por apropriação, mas por orgulho da cultura que eu mais admiro no mundo. Não sei, fiquei confusa.

    • Luana 100% boa

      Eu como branca, também.

  • Achei bem interessante os pontos colocados e defendidos pela Eliane. De fato quem melhor pode falar sobre algo do que alguém que vive “de dentro” todas essas questões. A verdade é que a sociedade capitalista de consumo transforma tudo em mercadoria, até mesmo questões mais profundas como artefatos relacionados à religião ou símbolos da luta do povo negro, como é o caso da matéria. A verdade é que precisamos nos levantar e apontar, questionar e provocar reflexões. E não naturalizar as coisas, como se não fossem os seres humanos que construíssem essas praticas e as reproduzissem.

  • Malu

    Poxa, interessante o texto. Mas fiquei com algumas dúvidas… Tipo, a comida… Não é errado modificar uma comida, uma vez que todo tipo de culinária é modificada da sua receita original, principalmente as que contem carne. Isso acontece com a culinária de todas as culturas, não acredito que isso seja algo a ser questionado. Na verdade, era esse o questionamento mesmo =P
    Com o resto do texto, concordo com a maior parte =)

  • Mari

    Bom, então me parece que por ter a cor de pele branca (apesar da minha afro descendência ) eu devo alisar meu cabelo. Fico triste q as pessoas pensem q passo horas no salão cacheando meus cabelos que parecem uma casa de cupim, só pra ostentar alguma coisa ou querer me identificar com as causas do povo negro.
    Pq realmente existe mto mestiços no Brasil e minha avó negra se casou com um italiano branco de olhos azuis. Oq resultou na minha mãe ser branca de cabelos crespos , motivo pelo qual ela sofreu mto racismo na infância ficou extremamente traumatizada.
    Obviamente que me identifico com o povo negro pela história de minha família. Agora, como isso não transparece na minha aparência, devo alisar meus cabelos pra ser mais coerente com a cor da minha pele. É oq parece pelo q li aqui.

    • Nênis Vieira

      Mari, muito pelo contrário. A apropriação cultural se faz exatamente da forma que o texto expõe.
      Você sabe do significado? Sabe da sua indentificação? Então você não está se apropriando, você está fazendo uso de algo que é pertencente à você e seus familiares, mesmo que você tenha pele clara, você é afrodescentente e se reconhece como uma. Alisar seus cabelos não mudará o que você é, ou mudará?

    • fer

      aff leia o texto de novo

  • Sou branca, para começar, sei de apenas uma negra na minha linhagem, a que mais tenho orgulho de descender, e era escrava. Enfim, conheço gente que tem o tal do cabelo loiro black power e eh branca como leite, no entanto a cor da pele não diz tudo sobre a descendência. Conheço uma garota filha de pai pardo, mãe negra de olhos verdes e a garota eh branca, loira e de olhos verdes: de uma cabeleira cacheada maravilhosa, com todo o volume que tiver… A descendência esta ali… Mas porque um gene não manifestou a cor da pele, então não tem propriedade da história que descende e que eh sua? Negritude não eh só a cor da pele, me desculpem, mas reconheço como um povo dotado de histórias e que isto tambem o forma negro, a consciência de sua descendência, como esta era e se manifestava… Enfim, nem sempre filho de negro, negrinho é.

  • Evy

    Oi Eliane, achei interessante o texto e concordo que é desrespeitoso pegar elementos de uma cultura e modifica-los pra nós, mas tenho duas considerações: no caso do turbante, não é um item usado por várias culturas? inclusive a oriental? Não acho que seja exclusivo do negro, antigamente as pessoas usavam turbantes para proteger do sol, ainda mais os povos que viviam no deserto tanto que vemos turbantes também sendo utilizados por indianos e árabes.Também vi problema na feijoada, a feijoada tem origem em Portugal e foi adaptada no Brasil utilizando carnes, é questionável afirmar que o prato tem origem negra e não existe nada que comprove que foram os negros que adaptaram o prato, enfim concordo em partes com o texto.

    • martima

      Cada turbante tem um significado, dá pra ver já na forma de amarrar e no momento que é utilizado a diferença entre os turbantes africanos, os indianos, os árabes. Desconheço de qualquer utilização de turbante pelos europeus, pelo menos que tenha sentido de modo de vida e religiosidade.
      sobre a feijoada, o feijão era comido pelos europeus, feijoada com os restos da casa grande (as carnes) é somente brasileira.

  • Giselle

    Concordo com tudo dito, so n entendi a critica quanto a comidas serem vegetarianas, eu sou negra e vegana, gosto dessas comidas mas n quero colaborar com a objetificacao animal. Tranformar comida do povo em gourmet que eh o pecado, vegetariano n eh gourmet eh uma ideologia forte e de luta.

    • Ricky Fernandes

      Não sou negro, mas também sou vegano e me deparei com o mesmo questionamento exposto por você, Giselle.

    • Mas o veganismo em sim é gourmet, você nunca vai ver uma família pobre que luta pra ter pelo menos um peito de frango em um das refeições ser vegana.

    • Lucas

      Poxa Giselle, você transmitiu exatamente o que senti quando li o texto. Especismo é opressão e nenhuma opressão vai passar!

    • Victor Linhares

      Não li esse trecho do texto como uma crítica. Penso que a autora só quis exemplificar uma “modificação” de uma tradição.

    • Luciana

      Me deparei com o mesmo questionamento. Não sou negra, mas sou vegetariana.
      Até entendi o que a autora quis dizer com “feijoada vegetariana”. Essa combinação é estranha aos ouvidos por todo o arcabouço histórico que a feijoada possui. Existir escravos vegetarianos naqueles tempos é inimaginável, uma vez que dependiam das sobras dos brancos para terem o que comer.
      Mas também é estranho para os ouvidos um sarcasmo se referindo ao vegetarianismo/veganismo. Ambos têm suas lutas e reivindicações.
      E, indo contra uma opinião expressa aí em cima, não acredito que o vegetarianismo/veganismo seja em si gourmet. Talvez fosse nos tempos de escravidão, quando pensamos em uma “feijoada vegetariana”, mas nos tempos atuais isso não se encaixa. Até porque não sou nem um pouco gourmet e minhas refeições vegetarianas são nutritivas o suficiente. É um pré-conceito de muita gente achar que só é vegetariano/vegano quem tem dinheiro. E isso eu falo por experiência de causa 😉

    • Mohammad

      Apropriação de cultura árabe muçulmana: tá tendo!

  • Hugo

    Concordo em partes com o texto que foi muito bem redigido, porém você não acredita que também está se apoderando de elementos que talvez não seja só dos negros? Como por exemplo o turbante (não é somente da cultura negra esse tipo de acessório, a cultura islâmica também faz uso desse acessório). E mesmo que a sociedade se “apodere” desses símbolos não se pode fazê-lo apenas por gostar da estética, como por exemplo ter o cabelo preso e usá-lo dessa maneira mesmo sendo branco porque se sente bem assim, ou utilizar o turbante porque gosta do acessório?

    • Ellen

      Concordo! Agora acessórios negros não podem ser usados por outros? Sou negra, aliso meu cabelo por quero e gosto e não vejo mal algum as pessoas utilizarem desses acessórios. SE for assim, vão considerar tudo que não for de negros, de brancos, e assim não poderíamos usar.

    • martima

      Nunca vi ninguém usar porque acha bonito moderno e da moda turbante islâmico nem indiano. Não se usa inclusive pra mim é uma falta de respeito uma caricatura do que é diferente de ti. Que sofre opressão por estes símbolos todos os dias.

  • Carla

    Eu sou branca, filha de pai branco e mãe mulata, e eu cresci tendo a cultura negra muito proxima de mim, sendo branca e tendo uma identificaçao direta com a cultura negra e entendendo ela como parte do que me faz um individuo, isso é apropriaçao cultural?
    Desculpem minha ignorancia.

    • Carol Leonardi

      Carla,
      Nos Estados Unidos se fala mais do que aqui, eu acho, que a identidade negra não tem especificamente a ver com a cor da pele. Um filho albino de pais negros… é negro! Foi criado em meio a cultura, símbolos e lutas negras e, se as abraça como suas, tem todo direito de se dizer negro. Da mesma forma, os filhos de casais birraciais tem dificuldade de determinar sua identificação.

      Se a cultura negra faz parte de você como indivíduo, como você mesma disse, não é apropriação cultural, é apropriação absolutamente legítima da sua própria identidade 🙂

    • O termo “mulato” é racista. É uma forma pejorativa de classificar um negro relacionada a inferiorização do seu intelecto. Mulato na realidade é resultado do cruzamento de cavalo com burra ou jumento com égua. ´Vem do idioma espanhol, que por sua vez vem do latim que traduzindo significa o animal em questão. Portanto, sua mãe não é uma mulata. O problema da apropriação cultural é o uso dos pertences de um determinado povo e a desvalorização desse mesmo povo enquanto ser humano. As pessoas exaltam todas as referencias culturais dos japoneses e asiáticos, usando e abusando, mas dão aos seus descendentes o devido valor. Não há resquícios de inferiorização desse povo e de italianos, espanhóis etc. O mesmo não acontece com o negro e com o indígena. Usam nossa cultura, deturpam (como fizeram com a feijoada há tempos atrás atribuindo aos franceses a invenção) e nos matam e subestimam de todas as formas o tempo todo. Você sendo uma descendente direta de negros por parte da sua mãe, desde que desconstrua teu racismo e passe a se informar sobre suas raízes tomando o cuidado de fortalecer e empoderar sua porção afro, não está fazendo nada de errado. Não é que os negros querem criar um sistema de monopólio absoluto de seus pertences culturais. Queremos ser respeitados e valorizados e não usurpados e subestimados como vem fazendo a sociedade racista sistematicamente, Espero ter contribuído em algo. Abraços.

  • Joana

    Foi a primeira vez que li sobre esse assunto. Fiquei muito confusa, o texto não me esclareceu. Estou cheia de dúvidas. É obvio que o protagonismo do movimento e da cultura negra é dos negros. Mas é só a isso que o texto se refere? Se um branco é capoeirista, tem super identificação com ela, respeito pela sua história, é apropriação? É errado? Ou a crítica é só voltada a apropriação da mídia?

    • Mari

      Gostei muito do texto, mas tb me deixou confusa no mesmo ponto: a crítica é a mídia que banaliza tudo ou a qualquer pessoa que use?

  • Henrique

    Lmbrei disso quando li o 5° parágrafo:
    Um dia minha mãe assistia um programa de culinária do GNT no qual o ator Rodrigo Hilbert (marido da Fernanda Lima) apresenta, e eu o ouvi dizendo; “vou ensinar a receita da verdadeira feijoada”, pensei; “?!?!?!?!?!”. Vou colocar o link, não do vídeo, porque não achei, mas do site do GNT onde tá escrito “Rodrigo Hilbert ensina a preparar uma feijoada completa e tradicional no programa “Tempero de família”.”
    Será que ele realmente sabe como surgiu a feijoada?!

    • Henrique

      http://gnt.globo.com/…/Feijoada-brasileira-completa.shtml

    • Olá Henrique, existe muita polêmica sobre o surgimento da feijoada. Muitos historiadores afirmam que, diferentes do que se acredita, a feijoada surgiu na europa. O que chamamos de “carnes pouco nobres” sempre foram e são até hoje apreciadas por europeus (vide caussolet ou puchero).
      Além do mais, os africanos eram formados grande parte por islamitas, que não consumiam carne. Tem também indícios que escravos eram alimentados com agua e farinha, eventualmente outra coisa para não morrerem,mas, a princípio essas chamadas “carnes pouco nobres” eram comidas por donos de escravos e nao por eles. Nao sei dizer nada disso com precisao, mas ja fiz algumas pesquisas a respeito e me parece fazer bastante sentido.

      Natália.

    • Alexandre

      A receita da feijoada é muito simples, basta um tipo de grão cozinhável e restos de carne. A feijoada provavelmente já foi “inventada” em várias partes do mundo. No Brasil os responsáveis por esse tipo de prato provavelmente foram os negros mesmos, mas dai pra descobrir quem é o inventor é impossível. Dá pra seguir a mesma linha de raciocínio que alguém postou sobre os turbantes não estarem presentes apenas na cultura Africana. Na Índia ele também é usado, por exemplo.

  • Regina Almeida

    Sou mulher negra, mãe solteira,professora de Língua Portuguesa e faço movimento negro.Estudo a história do povo negro desde a diáspora…compreendo o que tá implícito no texto postado e faço coro…Mas está sim muito mal elaborado, justificativa com pouca argumentação, tentando desmontar uma supremacia branca usando o mesmo teor preconceituoso que a sociedade “branca” faz!Não se combate o preconceito fazendo uso das mesmas armas que o “inimigo”. Ficou muito confuso e dá sim múltiplas interpretações. O desconforto está na construção do texto.

  • EXCELENTE texto, excelente discussão. Eu tinha vagas ideias sobre essa questão, mas entendo tudo muito melhor agora, que venho assumindo meu cabelo crespo e minhas raízes negras com mais convicção e consciência. Parabéns!

  • Camila

    Gostei do que li, infelizmente as pessoas só aceitam as diferenças em teoria. Tenho meu cabelo crespo, mas quando (raramente) faço uma escova, acreditem as pessoas dizem que fiquei mais bonita. É um jeito simpático de dizer seu crespo é feio. Não tenho nada contra as pessoas que alisam, minha irmã mesma sempre faz e mantêm ele liso, pois ela gosta e sente-se bem.
    Outra coisa que querem tirar nós, são “as cotas em faculdades”, querem cada dia mais fazer com que nós negros não aceitemos essa diferença, isso não significa que não somos capazes de ter notas tão boas quanto os brancos, mas vejam é a única coisa boa que temos o direito de exigir. Alguém sofreu e lutou para que nós pudêssemos ter este direito.

  • ana flavia

    maravilhoso seu texto. e vem aí a maior apropriação cultural da elite branca na minha opiniao, o carnaval! fico possessa com isso.

    • Desculpe se eu estiver errada, mas o Carnaval não é um feriado cristão trago pelos imigrantes europeus?

  • alexandre

    Boa tarde! Gostei muito do seu texto, apesar de primeira mão, parecer um pouco radical, após uma segunda leitura entendo muito bem o que a autora quer dizer, além de saber que só sente na pele quem sofre. Não sou mulher, porém como “conscientemente” negro sei o que é ser incomodado por ter o cabelo fora dos padrões aceitos pela sociedade. Ouvir um famoso “seu cabelo é ruim ” é foda. Ver as pessoas se apropriano de uma cultura ou uma atitude que você conhece e sempre lutou só porque virou moda é foda.

  • Priscilla

    só uma dúvida. Eu por exemplo, fiquei carecona por conta da quimio e me deram vários lenços, usava esses turbantes as vezes porque é bem difícil sair sem cabelo (é diferente de careca, eu realmente não tinha um fio de cabelo), as pessoas te encaram MUITO e as vezes fica muito desconfortável. Dai usava vários estilos de lenços, não queria fazer uma apropriação, estava tentando apenas tornar minha saída nas ruas menos constrangedoras. Acho que várias meninas que fazem quimio devem partilhar do mesmo problema que eu tive, é muito difícil mesmo perder todos os cabelos do seu corpo e o lenço/turbante é uma ótima saída pra gente. Como fica essa questão, nessa situação? Também é apropriação?

    • Iva

      Obrigada, Priscilla! Exatamente o que eu pensei. Ainda fiquei confusa pois sou branca e gosto de muitos elementos de “moda” que vêm da cultura negra, mas assim também gosto muito da cultura japonesa, que é completamente diferente (embora eu não use nada, porque me falta $. mas acho bonito.) Porém a foto das atrizes me deixou horrorizada, pois senti que fizeram uma verdadeira “branquificação” dos elementos, mesmo que eu não esteja legitimada para falar disso. Percebi. No entanto, gostaria de entender se sempre é ofensivo quando uma pessoa de outra etnia usa um símbolo marcado pela história negra, como um objeto estético. Por curiosidade, mesmo. Sei que muitos hindus se ofendem com a apropriação estética do terceiro olho, pela cultura branca. respeito isso! assim como as japonesas acham ridículo quando os ocidentais usam hashis no cabelo, pois seria o mesmo que usar um garfo no cabelo. o que vocês acham disso?

  • Mai

    Esse texto me fez refletir muito.
    Tá de parabens!
    Uma situação que lembrei, a partir da leitura, foi daquela polêmica do bombril usado como cabelo em modelos brancas ou “perucas black” em modelos brancas, também, em desfiles de “moda afro”, com “estampas africanas”, etc (não entendo esses termos malucos). Acho que serve como exemplificação pra quem entendeu como ofensa e veio com respostas do tipo “sou branca, mas tenho cabelo afro, etc etc, e agora?”. Enfim, curti muito o texto, o racismo está mascarado em muitos discursos por aí.

  • Ana Margarida

    Agradeço a dica da minha camarada e mais nova integrante do “grupo” Angoleiras da Paraíba!

  • Não vou mentir, não está sendo fácil digerir este texto não.

    Eu digitei um comentário imenso e mal educado para postar rs, mas depois apaguei e resolvi reler com calma.

    E dois comentários aqui foram de suma importância e estão lentamente abrindo minha mente.

    São eles:

    Da Maria Rita

    Você “branca” não é o problema. Você de turbante não é o problema. Você comer um prato adaptado para o seu gosto e consciência não é o problema. O problema é uma pessoa branca definir o que é legitimo ou não na vida de uma pessoa negra. Definir o que é racismo, definir o que é opressão, definir o que doí e o que não doí. É problema não saber sequer de onde vem ou o significado de uma indumentária, é problema uma passarela de moda étnica não ter uma representante negra, é problema usar dreads sem saber nada sobre a cultura rastafári. É problema o seu black ser aceito e bonito e o nosso ser sujo, feio e anti-higiênico.

    Quando você não nos escuta é você quem segrega, releia o texto sem esta lente de ego, é provável que você finalmente entenda que não é sobre você

    E o da Aline

    Meu conselho: se não desceu, poe de lado e vai mastigando por um bom tempo, até ter sensibilidade suficiente para aprender. Quem aprendeu que pode sempre meter a mão em prato alheio, se assusta qdo ouve um „não“ pela primeira vez.

    __________________________________________________________________________________________

    Eu sou branca de cabelo crespo, e embora me identifique d+ com a causa negra e me considere não racista, sei que não tenho o direito de falar para um negro como ele deve ou não expressar sua dor e sua revolta.

    Ademais tenho que confessar, para a sociedade é levemente mais fácil aceitar meu cabelo por mais armado que ele fique, isso unica e exclusivamente porque sou branca, só acho.

    Além do mais sempre me vem uma frase que não me lembro de quem é.

    O problema não é você não ser racista mas você ter atitudes racistas.

    Será que eu não cometo nenhuma atitude racista no meu dia a dia, mesmo se perceber?

    Não entendo como se daria isso na prática, tipo, como “proteger” as coisas da apropriação indevida, ou “ensinar” as pessoas a não fazerem isso, espero que num próximo texto isso seja esclarecido.

    E obrigada por proporcionar essa reflexão dolorida e sem rodeios, é nessas horas que a gente percebe que ainda ha um looongo caminho a percorrer.

  • Eliane Oliveira

    Ofendam-me, me chamem de arrogante, de racista ao inverso, de segregacionista e afins, a unica coisa que tenho a dizer a quem pensa que me ofende com criticas ao meu texto é que sou negra, sou mulher, sou mãe solteira, sou marginalizada a todo instante, tenho que provar meu valor e capacidade a todo momento. Não vai ser uma branca, marrom, amarela, azul, cor de rosa que vai me dizer sobre o que devo falar, analisar, pesquisar, criticar. Sei muito bem meu lugar nessa sociedade e é justamente onde eu quiser. Para as pessoas que comentaram e entenderam, mesmo não concordando com alguns pontos, meus respeitos. Para as ofendidas, sugiro que façam uma auto critica, de repente esse texto sim, foi feito pra você!

  • simplesmente amei o texto, nunca havia prestado atenção nisso, mto bom mesmo!

  • Gente achando o texto bruto. Muita gente ofendida,mas alguém parou para pensar o que ofendeu? Será tão complicado entender que quando a moda se apropria dos elementos negros normalmente ela exclui o próprio negro de suas passarelas, que esta moda o torna invisível na grande maioria das situações, são sempre homenagens equivocadas e fora de qualquer contexto histórico ou simbólico. O texto apenas fala que existe um significado para o povo negro e pelos comentários deixados pela web a respeito do texto percebe-se bem como e quem se incomoda com a associação destes elementos e seus significados aos negros. Existe aqui uma clara critica de quem se apropria de elementos e não faz ideia de onde eles vem ou que significam. No mais, quando a culinária altera o elemento de um prato original o prato passa a ter outro nome, simples assim. A “feijoada” deixa de ser feijoada sem o porco , super simples. Assim como uma galinhada sem galinha é só arroz. Acho que antes de colocar pra fora um racismo “aceitável” disfarçado de indignação é necessário entender porque quando uma pessoa negra reafirma, se orgulha e defende o que são suas raízes causa todo este incomodo.Não há em nenhum parágrafo do texto algo que afirme que “brancos não podem isso”, “vegetarianos não podem aquilo”. Adaptações são possíveis sempre desde que se valorize de onde vem, porque e como está sendo adaptado e qual o significado para a fonte de origem do “objeto” adaptado.Eliane texto incrível, parabéns.

    • Jacqueline

      Bem, Maria Rita, eu vou colocar os trechos do texto que eu considero ofensivos e vocẽ me diz se sou eu quem está cometendo um “racismo aceitável”, pois, pelo visto, estamos lendo textos diferentes ou uma de nós duas tem um grande problema com interpretação de textos – lembrando que um texto pode fomentar outras argumentações, mas o que estamos falando aqui é o que está escrito nele, ou a opinião que está sendo expressa.

      “É fácil observar nas movimentações sociais da atualidade alguns componentes portando, com toda pomba, um cabelo black todo armado, mesmo a pessoa sendo branca como leite (…)”
      “Dessa forma, me causa certo incomodo ao ver pessoas ostentando os grandes símbolos da resistência negra apenas como forma de se legitimar dentro de um grupo político. Ou, pior ainda, para dizer que é contra a institucionalização de um padrão estético.”

      Agora vamos lá. Eu tenho cabelo enrolado, curto, e sempre armado. Sou a típica cabocla filha de nordestinos retirantes em SP e participo de vários grupos de ação política. Meu cabelo e minha ação política causa incomodo à autora, tudo porque, segundo as próprias palavras dela, eu sou “contra a institucionalização de um padrão estético”. Então, para não incomodar mais as negras pró segregação e estratificação, eu tenho que alisar meu cabelo para fazer jus à minha história social e minha vida não ser mais um motivo de incomodo à autora, em especial.

      Sou eu, uma “branca” com cabelo black o real problema? É me atacando que a opressão será diminuída? Se usou essa imagem como abertura do texto, porque não criticou o uso de mulheres brancas para simbolizar a cultura negra? Porque não explica os verdadeiros motivos pelos quais a representação negra é escondida sou substituída pela branca no imaginário social nacional?

      Achei muito fraco o texto, porém pertinentes as análises que estão sendo feitas nos comentários. Entretanto, como disse na abertura do meu comentário, uma coisa é a opinião expressa que quase forma uma falsa simetria racista, outra coisa são os argumentos que debateriam muito melhor esse tema que realmente anula o papel social da mulher negra.

    • Jaqueline,

      Se você se sentiu ofendida com este paragrafo é porque você não entendeu nem o texto nem o meu comentário.
      Por acaso você já foi discriminada exclusivamente pelo seu black? Você é uma destas pessoas que não sabe o significado do black para as pessoas negras? Você é discriminada todos os dias por ostentar o seu black?

      Em momento algum o texto diz que não se pode de maneira alguma fazer uso do black, ou criar e comer a tal feijoada vegetariana. Acontece que sua dor, sua ofensa só existe por causa do lugar em que você está que ainda é um lugar privilegiado.

      Você já passou pela situação de usar dreads junto com sua amiga branca e dizerem que em você o cabelo parece papelão? Já te pediram para cortar seus cachos porque são impossíveis de pentear? porque são anti higiênicos?

      Participar de grupos políticos não significa que você entenda todas as opressões. Reveja seus privilégios.

      Você “branca” não é o problema. Você de turbante não é o problema. Você comer um prato adaptado para o seu gosto e consciência não é o problema. O problema é uma pessoa branca definir o que é legitimo ou não na vida de uma pessoa negra. Definir o que é racismo, definir o que é opressão, definir o que doí e o que não doí. É problema não saber sequer de onde vem ou o significado de uma indumentária, é problema uma passarela de moda étnica não ter uma representante negra, é problema usar dreads sem saber nada sobre a cultura rastafári. É problema o seu black ser aceito e bonito e o nosso ser sujo, feio e anti-higiênico.

      Quando você não nos escuta é você quem segrega, releia o texto sem esta lente de ego, é provável que você finalmente entenda que não é sobre você 😉

    • Concordo com vc Maria Rita e acho que temos que ter um pouco mais de sensibilidade ao se referir às outras, pois acho que este espaço seja um lugar de construção e como dizia minha vó, ” a humildade é mãe da sabedoria, do aprendizado”. Politicamente em algumas instancias é nítido perceber que é uma estrategia politica se aliar ao movimento popular e preto, tão somente para futuramente garantir votos plantando uma falso movimento de luta! AGENTE SABE, AGENTE SANGRA! Parabéns Eliana, isso acontece todo dia, TEM GENTE QUE ESTA DO NOSSO LADO, MAS NÃO TA NA MESMA LUTA!

  • Aline Djokic

    Parabéns pelo texto! É necessário refletir a todo momento. A cultura eurocêntrica está tão acostumada a usurpar, que para muitas pessoas questionar esses atos torna-se uma ofensa. Meu conselho: se não desceu, poe de lado e vai mastigando por um bom tempo, até ter sensibilidade suficiente para aprender. Quem aprendeu que pode sempre meter a mão em prato alheio, se assusta qdo ouve um „não“ pela primeira vez. E eu não estou falando da boca pra fora, não. Sou mulher negra, descendente de africanos escravizados, a minha história é muito próxima a de muitos jamaicanos. Porém durante um passeio eu trajava um boné com as cores da bandeira da Jamaica. Um jamaicano muito simpático ao me indagar e logo após perceber que eu não era jamaicano, ficou muito bravo, porque em seu entendimento eu estava me apropriando de algo que era dele. E ele tinha e tem toda razão de se zangar! Quem não é capaz de reconhecer isso tem horrenda dificuldade de desenvolver empatia e respeito pelo próximo. Ah! E outra coisa, um detalhezinho bem insignificante: símbolos se esvaziam, qdo são tirados do seu contexto.

  • Samira

    Concordo com o texto. São questões realmente muito profundas, que sempre notamos, mas por medo ou por qualquer outro motivo não falamos.
    Não é uma questão de gosto pessoal, como vejo muita gente defendendo, é uma questão de apropriação.
    Parabéns pelo belo texto.

  • Adorei parabéns

  • Sandra Munira

    O bom de tudo isso é provocar, discutir, refletir e respeitar.

  • Zaíra Pires

    Vc falando do bolinho de Jesus me lembrou que tem uma galera evangélica que chama aquele limão rosa, conhecido como limão “capeta”, de limão de Deus.

    Não tá fácio, amiga, mas bora resistir sempre!

  • Prezada Eliane, penso que não podemos conter as apropriações culturais que ocorrem o tempo todo na interação humana. É bem verdade que com a indústria cultural, essas apropriações ocorrem de forma sistematizada partindo dos formadores de opinião e lançadores de tendências. Esse é um fenômeno recente na história da aventura humana neste planeta, mas ainda assim faz parte do construto das trocas e apropriações culturais. Podemos não gostar e criticar, mas não negar-lhe a vinculação à fenomenologia cultural. Jamais conseguiremos traçar a origem primeva de hábitos culturais tão antigos. E agora me ocorreu que fazer do turbante um símbolo de luta também me parece uma apropriação cultural distinta de seu uso como peça de adorno feminino – lindíssimo, por sinal! – em países africanos. Foi lendo esse seu post que publiquei uma pequena entrada no meu Facebook.

    Talvez haja alguma provocação ali, mas a intenção não é de forma alguma ofensiva, apenas uma forma de fomentar a discussão.

    Parabéns pelo Blog

  • Jacqueline

    Esse documentário que anexo nessa discussão levanta um ponto que não foi debatido nesse texto e que acho fundamental para explicar a existência dessa maldita foto: a exclusão da figura no negro em contar sua própria história ou mostrar sua cultura nas novelas brasileiras.

    • Acho que chegamos ao ponto. Lendo o texto, eu, mesmo mulata de cabelos crespos, tenho a impressão de que o que é dito é “Se você não é negro, não use relativos à nossa cultura, porque isso é somente nosso e você não tem ideia do que passamos e de nossa luta”.
      Mas agora você trouxe a questão fundamental e realmente ofensiva, de que em nosso país, quando decidem fazer “homenagens” ao negro e sua cultura, colocam pessoas brancas com estes símbolos e raramente negros escuros, especialmente na televisão. Quando há na novela uma quantia de negros e mulatos proporcional à que o Brasil REALMENTE tem, é pra apanhar de chicote.

    • esse documentário é excelente e acredito que merece até um post à parte!

  • Ana Paula

    Eu tenho uma pergunta sincera, se alguém puder me responder, eu agradeço.. Conheço uma moça que tem a pele branca, bem branca, e ela tem cabelo Black Power. O cabelo é naturalmente assim, ela não fez nada pra mudá-lo.. Nesse caso, ela estaria de apropriando dos símbolos da luta negra? O que ela deveria fazer?

    A pergunta pode parecer idiota, mas fiquei com essa dúvida, mesmo. Não estou querendo questionar o texto nem nada.

    • a apropriação dita no texto, de acordo com a minha interpretação, parte do momento em que uma pessoa branca encrespa o cabelo ou usa um turbante simplesmente pra se sentir inclusa na luta dos movimentos negros. eu vejo isso acontecendo quando umx conhecidx demonstra a necessidade frequente de se mostrar um admirador do rap, do funk como se isso o fizesse menos opressor ou menos preconceituoso. é aquele lance de “comer uma mulata não te faz menos racista”, entende?

      qto à sua conhecida, acredito que ela está no total direito de usar o cabelo naturalmente crespo. não é uma apropriação porque já é algo próprio dela.

  • Nathalia

    Concordo completamente com as questões de apropriação cultural, mas ficou só uma dúvida: o que seria um ‘black’ pra uma branca? A pessoa branca que tem cabelo crespo deixá-lo natural?

  • Tiane

    Injustiça sempre será errado. Eu concordo que não é correto usar símbolos da identidade negra de forma desrespeitosa. Entretanto, nem todo use e variações desses símbolos – por pessoas da mesma ou de outras identidades – é abuso e/ou desapropriação da cultura negra. Muitas vezes é sinal de respeito e valorização. ‘Divide and rule’ criou e continua criando injustiças no mundo. Nós não vamos superar obstáculos e alcançar verdadeira justiça criando mais divisas. A melhor ‘arma’ para alcançar justiça é educação. A África e o povo de descendência africana tem um história imensa e rica a ser dividida. Dividir esta história é o melhor caminho para acabar com a ignorância que gera injustiças.

    • Sandra Munira

      Tenho a mesma impressão que “Nós não vamos superar obstáculos… criando mais divisas”. Só tenho minhas dúvidas se a educação é a melhor arma para alcançar justiça. Educação formal é uma “fórmula” elaborada para manter a supremacia de quem esteve e continua oprimindo pelo poder, pela posse. A Educação pode ser usado para o “bem” e para o “mal”, sozinha ela não resolve nada. Se resolvesse, bastava construir mais escolas, universidades e formar mais pedagogos e professores. A Educação depende do educador e do educando.

    • martima

      Antes de querer “dividir” a cultura negra, os brancos TEM que rever seus privilégios.

    • Ka

      Concordo muito!

  • anonima

    turbante é lindo! as estampas étnicas, que estão em todas as vitrines, também são.
    mas usa-los não te torna nem mais nem menos consciente, politizada ou preconceituosa.
    é isso?

  • Excelente texto! Devemos sim pensar, refletir e discutir o que é esse apadrinhamentoo de culturas e para que/quem ele serve.

  • Jacqueline

    Na minha opinião, a autora deveria se atentar mais para os conflitos existentes no estabelecimento das relações de poder entre as culturas brancas e negras – ou europeias e africanas, como preferir, do que ficar aí toda ofendida com as transformações, adaptações e com o sincretismo que nunca deixará de existir entre elas.

    • camila

      Apoiado.

    • Mariana Parra

      Concordo com você. Na verdade eu sinceramente não entendi qual o ponto do texto. Pelo que a autora está se revoltando exatamente? Eu tenho uma amiga branca que ama dança afro, ama música afro, participa de um grupo de dança, e adora, transcende com aquilo. Ela está se apropriando indevidamente da cultura negra?

      Claro que existem apropriações indevidas e opressoras. Em Israel é moda gostar de cultura árabe, gostar de narguile, gostar de comida árabe, achá-los bonitinhos, enquanto cometem genocídio diário dos palestinos. Pensando nessa comparação até posso entender essa revolta, já que seria essa elite branca que também suporta o genocídio dos negros e pobres no Brasil se apropriando da cultura negra, mas aí o texto teria que direcionar sua revolta para essa apropriação opressora, e não para qualquer pessoa que admira a cultura afro, e pode ser consciente da causa, pode ser contra a opressão.

      E chego a achar muito estranho não se ter um olhar positivo quando traços da cultura negra são disseminados, de uma maneira positiva. Qual o objetivo, isolar-se? Pra mim esse texto traz essa ideia, de querer se isolar, uma atitude que por um lado deve ser analisada, já que é uma resposta diante de tanta opressão e racismo, mas que obviamente leva a um caminho bem ruim, como vários exemplos históricos mostram….. (o exemplo do país acima se encaixa bem, mas do opressor).

    • Tatiana

      Jacqueline, concordo com esse e seu outro comentário. Acho que o texto apenas esta mal escrito. Escreve uma coisa, conclui com outra. Concordo tb que um branco não pode definir o que é racismo ou não, porém todos tem direito e devem lutar contra o racismo. Eu e ninguem deveria querer viver num mundo racista. Uma coisa é a luta contra a moda e a publicidade que se apropriam da cultura negra, outra coisa são pessoas reais que estão deixando de viver em busca de um padrão estético inalcansável e querem ser o que são (como em sã consciência alguem critíca isso? Se a autora acha que a pessoa esta sendo “falsa” em criticar isso é uma questão de percepção (errada) dela. Ela precisa acreditar mais nas pessoas. Não existe isso de achar que uma pessoa branca que usa black é falso só pq ela acha que é falso, sem conhecer). O problema do texto na minha opinião é essa: Não deixa claro quem é o foco da crítica, que na minha opinião é a PUBLICIDADE/MODA/MÍDIA. Isso sim merece critica pesada mesmo. Pode esculachar.

    • Aline Djokic

      Jacqueline,

      A sua observação me deixou curiosa… Por favor, me dê um exemplo na história das colonizações em que, as por vocês citadas transformações, adaptações e sincretismo, ocorreram através da harmoniosa junção das culturas e costumes.

  • Amo feijoada vegana.

    Sou contra qualquer opressão. Seja por cor de pele, gênero ou espécie.

    • Estamos juntas nessas então! Contra o racismo, o sexismo e o especismo!

  • Catherine

    Uma dúvida que eu tenho mas nunca perguntei: tem então, um jeito de usar algo de outra cultura (seja ela negra, oriental) sem fazer essa apropriação cultural “errada”?

    • Mariana

      também gostaria de saber isso, já que é um assunto muito complexo e interessante. Não gostaria de fazer uma apropriação errada, seja ela de qualquer cultura.

    • Tem. Penso que fazer esta pergunta que você fez é o primeiro passo. Isso serve para mim que sou negra também, se for conhecer tradições da Bahia, de outros lugares do país e do mundo, preciso chegar com respeito. Só o fato de questionar nosso posicionamento frente ao outro, se é apropriação indevida ou não, faz uma grande diferença. Grata por seu questionamento.

  • Excelente texto! Semana passada vi várias mulheres brancas participando duma oficina de turbantes e dreads aqui em São Paulo. Aqui me deixou tão irritada ><
    Companheiras feministas de luta usando os símbolos de resistência das mulheres negras como um acessório de moda, uma tendência….

    • Erica J.

      rs é verdade irmã, soube dessa oficina. É a chamada “culpa branca” não é mesmo? Elxs se apropriam da nossa cultura pois tem vergonha de seus ancestrais racistas, aí essa necessidade de usar nossos simbolos, para se livrar dessa culpa. Aqui em curitiba me incomoda que grupos de Maracatu sejam formados, em sua maioria, por pessoas brancas. rs

    • purplehika

      Erica
      Em Curitiba há muita gente branca por causa da colonização europeia, mas não quer dizer que não tenham ancestrais negros. Sou curitibana, branca de olhos verdes, e meu avô paterno era negro. Então não poderia gostar de maracatu só por causa da cor da minha pele, mesmo me identificando? Até pode ser que uma parte dos integrantes do grupo esteja ali só pela modinha, mas você não pode falar nada se não conhece as pessoas e a história delas.

  • Acredito que seja aquela história de assimilar para enfraquecer, fazer a luta perder o sentido!

  • Muito Obrigada Eliane, andei refletindo muito sobre as apropriações culturais feitas pelos brancos nos últimos tempos e esse texto foi uma luz. Obrigada mesmo.

  • Olá! Gostei muito do texto, que me fez refletir bastante sobre várias coisas. Assim como Neymar, meu pai é negro mas se considera “pardo”. Acho isso muito estranho. Parece que assumir uma identidade negra nessa sociedade pode ser algo até perigoso para a pessoa. Talvez a pessoa que não se considere negra mesmo sendo, tenha medo de que, assumindo sua etnia, suas raízes, seja vista de forma negativa pela sociedade. O apagamento da identidade negra é uma crueldade. Tiro isso pela minha história. Eu sei muito sobre meus ancestrais holandeses e italianos, mas quase nada sobre minhas raízes negras, que vêm da parte do meu pai, que é baiano.
    Mas uma coisa que eu fiquei em dúvida, foi sobre o símbolo do punho fechado. Já vi esse símbolo sendo usado em movimentos feministas (como na Marcha das Vadias). Isso seria errado? Ou significa que esses movimentos também incorporam as lutas contra o racismo? Obrigada!

  • Márcia Regina

    No incio do post fiquei pouco receosa sobre essa coisa de ¨tira a mão do que é nosso¨ mas entendi sua mensagem e mais eu gostei dela!
    É verdade nossa cultura é linda ,mas cercada de dor.Seria muito bom se as pessoas soubesse que o que tira sorriso de satisfação por parte delas tem um passado de sofrimento e muita resistência. Ótima reflexão.