Esse foi um ano maravilhoso para as Blogueiras Negras, desde A invisibilidade dos outros dias de Larissa Santiago, publicamos mais de 200 textos em sua esmagadora maioria inéditos, feitos por/para e sobre mulheres negras. Hoje gostaríamos de republicar cada um deles, claro. Mas o tempo é escasso e iremos homenagear nosso time espetacular  com os 20 textos mais lidos de 2013. É preta power até amanhã de manhã.

Mulheres negras de tecl ado e pena produzindo informação pra fazer a cabeça!

Mulheres negras de teclado e pena produzindo informação pra fazer a cabeça!

MULHERES NEGRAS PRODUZINDO INFORMAÇÃO PRA FAZER A CABEÇA,  RESISTÊNCIA E VISIBILIDADE

O racismo, infância e consumo foram destaque em Não fique calmo. Sobre racismo na infância e Gostoso como um abraço?, ambos de Maria Rita Casagrande. Ana Preta Cristina de Almeira celebrou o Desfile de moda com modelos negras plus size surpreende na semana de moda em Paris e Eliane Oliveira exigiu que Tirem as mãos dos nossos símbolos de luta! Silvia Nascimento falou sobre a necessidade de ações de marketing que nos deem visibilidade em Te quero, mas não te assumo. E Anitta, embranquecimento e elitização, de Jarid Arraes, denunciou a sutileza dos processos de embranquecimento na industria da música.

Sobre afetividade, Mabia Barros escreveu sobre Síndrome de Cirilo e a solidão da mulher negra. Charô Nunes cantou a bola em Deixar de ser racista, meu amor, não é comer uma mulata! e Trabalho doméstico: ‘ela é da família’ não é amor, é navalha na carne, sobre a necessidade de combatermos o discurso do afeto e dos favores quando deveríamos falar de direitos trabalhistas. Sobre mulatas, O Sagrado e o Profano: as Mulatas e o Racismo de Mariana Assis denunciou sua exposição “como as criaturas sem alma.

Lidar com o racismo foi uma questão que esteve presente em todo o conjunto de textos e em especial na pena de Cris Oliveira. Não somos apenas um projeto antirracismo, mas também. Lugar de negro é na cozinha: cotas na universidade pública de Mara Gomes trouxe e educação para o debate. A branquitude está nua de Ana Maria Gonçalves fez política com seu olhar minucioso sobre o racismo velado para com Joaquim Barbosa.

Com muita alegria publicamos os textos de Djamila Ribeiro que não hesitou em escrever Afasta de mim esse cálice (cale-se): o silenciamento de mulheres negras em espaços de militância quando queriam-na calada. Obrigada a Danielle Anatólio que gritou bem alto Sou trepadeira, gozar não é privilégio masculino e a parceria de Zaíra Pires e Larissa Santiago que reforçou a mensagem com Emicida: fazer música é brincadeira?

Foram muitos os posts sobre autoestima. Em Não nasci pra ser bonita: a autoestima da mulher negra Thais Vieira convida as mulheres negras a não deixarem “que o racismo e o machismo nos abale, somos lindas, somos negras” . Em Um relato sobre cabelos crespos quimicamente tratados Letícia Maria diz que sente “negra e linda, não porque alguém me disse, mas porque estou convencida disso!”. Mabia Barros diz em nome de todas um Viva o (tardio) Movimento Natural!. Porque pra gente, e pra Luara Oliveira, A invisibilidade da estética negra: a dor do racismo sobre nossos cabelos é coisa bem séria.

É claro que nós queremos ouvir você. Conte pra gente que texto mexeu com seu coração, mudou seu modo de pensar ou falou tudo aquilo que você queria dizer? 

MUITO MAIS

Charô Nunes e Maria Rita Casagrande fizeram uma série de entrevistas com mulheres negras e suas impressões sobre a Conapir. Destacamos a entrevista emocionante de Creuza Oliveira, a luta quilombola representada por Emília Moreira e o reconhecimento de Benedita da Silva. Verônica Rocha participou de Mulher negra construindo visibilidade. Estivemos também, à convite dos organizadores da parada gay de Uberlândia, na mesa “Tríplice Preconceito: Mulher, lésbica e negra” com Maria Rita Casagrande e Zaíra Pires. Larissa Santiago compôs a mesa Novembro Negro, organizada pela Marcha das Vadias de Recife.

E é claro, o momento amor com nosso encontro em São Paulo, na Cozinha da Matilde, aberta pra gente com muito carinho pela aliada Letícia Massula. Ali percebemos, mais que nunca, como a luta está em cada corpo, em cada momento do dia, em cada fala da mulher negra. Percebemos mais que nunca que nossos passos vem de longe e que nossa caminhada há de continuar em 2014. Há em nossas mentes e corações ideias e projetos fervilhando. Aguardem vai ser babado, gritaria e confusão!

Esse também é o momento de agradecer cada uma das 25.000 pessoas que curtiram nossa página no facebook, as mais de 850 mulheres que integram nossa comunidade.  Muito obrigada aqueles que nos acompanham pelo twitter, pinterest, tumblr, google mais, youtube e assinam nosso feed. Agradecemos cada mensagem de carinho, compreensão e desabafo que recebemos de mulheres que se identificam com a luta. Mulheres que após ler nossos textos, se sentiram empoderadas, mais belas, corajosas, rainhas. Esse é o nosso propósito, somos mulheres negras produzindo informação pra fazer a cabeça, resistência e visibilidade.

Um abraço a todxs vocês leitorxs, em nome da equipe de facilitadoras, autoras e de nossa comunidade de discussão.