“Nossos irmãos estão desnorteados
Entre o prazer e o dinheiro desorientados
Mulheres assumem a sua exploração
Usando o termo mulata como profissão
É mal.. (Chegou o Carnaval, Chegou o Carnaval)
Modelos brancas no destaque
As negras onde estão?
Desfilam no chão em segundo plano
Pouco original mais comercial a cada ano
O carnaval era a festa do povo
Era…mas alguns negros se venderam de novo
Brancos em cima negros em baixo
Ainda é normal, natural, 400 anos depois (…)
Bem vindos ao Brasil colonial e tal…”

Voz Ativa, Racionais Mc’s.

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Deve-se enegrecer/esclarecer a questão apresentada no verso dessa música que afirma que a mulher assume a sua exploração; é possível, sim, que ela assuma, mas não se trata de uma escolha deliberada ou livre, pois não existe escolha pura em uma sociedade onde as mulheres antes de se colocarem, ou se perceberem no mundo como indivíduos, são diretamente associadas a objetos para saciar o desejo masculino. Principalmente a mulher negra, que “assume” esse papel desde o tempo da escravidão até os dias de hoje. Logo, com essa questão resolvida, vamos ao trabalho árduo de pensar sobre o papel da mulher negra na mídia brasileira.

Acompanhando recentemente o concurso para eleger a nova Globeleza (mulher que deve representar a rede Globo no carnaval como a famosa “mulata” ícone do carnaval), tive duas reações primárias: primeiro me surpreendi com o número grande de negras na televisão, porque é algo que não acontece sempre e,segundo, percebi a total sexualização dos seus corpos, que se acentuou com a foto divulgada no instagram da atriz negra Sheron Menezes, onde ela exibe as mulheres de costas, apenas com a bunda em destaque quase como um troféu, como se a mulher só fosse isso: um corpo pra ser usado.

Alguns disseram: que bom, enfim o negro está adentrando a televisão. Outros, não ingênuos e mais acostumados com as artimanhas da rede Globo, não acharam algo tão bom assim. Porque, infelizmente, a mulher negra só aparece na televisão em dois momentos: ou é escrava/doméstica, ou é mulata no carnaval e nas duas visões ela está sendo colocada a serviço do homem branco. É bom que conheçam a raiz desse termo “mulata” e saibam que ele não é bom como muitos pensam. O termo ‘mulato’ vem das palavras em espanhol e português para a mula, que baseiam-se no termo em latim mulus que significa a mesma coisa. A mula é o produto resultante do cruzamento do cavalo com burra, ou seja, passou a aplicar-se ao filho de homem branco e mulher negra. O termo mulata tem raiz baseada em um animal, igualmente como o “criolo”, termo que se usava pra designar os negros antigamente, que também era o nome de uma raça de cavalo.

O ‘criolo’ não é mais usado tão livremente, mas se adotou o ‘mulata’ como um termo bonito e nada pejorativo. Não é só um nome porque é carregado de história, uma história que demonstra que a mulher negra está ali a serviço dos indivíduos que só a aceitam se ela estiver limpando seu chão, carregando carga, ou rebolando no seu colo, pois esse é o jeito que um bom animal domesticado deve agir. A mulher negra é tratada constantemente como um animal e um souvenir que o turista vem buscar no carnaval: “Venham turistas, temos mulheres negras gostosas para oferecer a vocês! Também temos boas empregadas pra limpar as suas sujeiras!”

Sim, sabemos que 125 anos se passaram e a escravidão acabou, porém as suas práticas continuam bem vindas e são aplaudidas por muitos de nós na novela das nove e no programa do Faustão, “pouco original, mas comercial a cada ano”. No tempo da escravidão, as mulheres negras eram constantemente estupradas pelo senhor branco e carregavam o papel daquela que deveria servir sexualmente sem reclamar, nem pestanejar e ainda deveria fingir que gostava da situação, pois esse era o seu dever. Hoje nós, mulheres negras, continuamos atreladas àquela visão racista do passado que dizia que só servíamos para o sexo e nada mais.

O mais problemático é que usam essa imagem do negro na televisão tentando nos enganar como se nos aceitassem, que estão nos colocando na televisão por boa vontade, que a mulher que está nessa situação “escolheu isso deliberadamente”. Mas esquecem de informar que nos concursos de beleza como Garota Fantástica, Musa do Brasileirão, Musa do caldeirão e etc. Concursos da mesma emissora, igualmente machistas e estúpidos, que representam a beleza padrão, não apresentavam nenhuma mulher negra entre as concorrentes. Por que será? Simplesmente porque a mulher negra não representa a beleza padrão, ela representa o sexo, o selvagem, o folclórico.

Se não for isso ela é invisível, se acaso ela não trabalhe por esses padrões pré-estabelecidos pela mídia. Até no carnaval, quando deixou de ser uma festa do povo, desde que eu me conheço por gente na verdade, raramente vejo uma mulher negra como destaque de escola de samba, apenas mulheres brancas, “famosas” que podem até, em sua maioria, nem saberem o que é carnaval, mas estão na avenida. Enquanto as negras que moram dentro da comunidade onde a escola trabalha seu show o ano inteiro, saem sem destaque, sem câmeras, sem atenção.

Todo o ano quando o carnaval está pra chegar, eu me preparo psicologicamente pra chuva de estereótipos, de encargos sociais e de hiperssexualização da mulher negra. Não me levem a mal, eu adoro o carnaval, mas nós como negros não podemos nos acomodar com esse tipo de representação, fazer como a “querida” Sheron Menezes e apoiar a exploração do corpo da mulher negra como se isso fosse algo normal. Temos que colocar o pé no chão, pois por mais que se pareça com, isso não é o Brasil Colônia e não somos mais escravos: é nossa vez de lutar contra o racismo de modo inteligente, não dando ibope para os racistas da rede globo, nem naturalizando o lugar do negro em lugar de inferioridade.

Zumbi, Dandara, Mandela e tantos outros lutaram para que o racismo não tenha voz em tempos consideravelmente mais pesados que esse. Então nesse momento é a nossa vez de dar as cartas e reverter o jogo. Como dizia o poema Oliveira Silveira: “Querem que a gente saiba que eles foram senhores e nós fomos escravos. Por isso te repito: eles foram senhores e nós fomos escravos. Eu disse fomos.” Não é a Globo, a Sheron, a novela, os turistas, ou o que seja, que vai nos dizer o contrário: não somos mais escravos, por isso, negros e negras, não aceitem essa colocação!

  • Clarisse Miranda

    Infelizmente nossa luta não terá fim enquanto nossos negros “de certa fama” não entenderem, se aceitarem e lutarem juntos! Uma lástima…

  • Eloísa Helena

    Muito boa essa reflexão! Não sou uma mulher negra, porém não concordo com esse mundo machista e racista em que vivemos. Estou fazendo a minha parte para reverter essa visão equivocada da mulher no nosso país, refletindo com meus alunos, amigos e familiares sempre que consigo. Reverter esse quadro com adolescentes negras é uma batalha gigantesca e dantesca! MAs vou espalhando a reflexão por onde passo. Parabéns, conte comigo!

  • Janaína

    Não podemos nos colocar a disposição do homem branco.

  • Concordo, mas a coisa não pára por aí, todas as mulheres (brancas, negras, enfim…) ou tem que ter bundão, peitão, etc ou precisam ser magérrimas a ponto de aparecerem até os ossos, se não, não são consideradas bonitas, são só normais… E infelizmente inúmeras mulheres se deixam enganar e ficam se matando em academias e cirurgias plásticas… Triste realidade

  • Gostei do texto e dos 4 F… 😉

  • Cesar Cunha

    Texto bem escrito e com boa argumentação expondo o que acontece hoje como resultado de um processo histórico. Há muito mais se nos aprofundarmos. Quanto ao discurso para não permitir o mau uso da imagem da mulher negra por não participação no discurso da mídia não resolverá a questão. Serão colocadas outras no lugar mediante um outro discurso que esconderá o negro. Vejo a aceitação da parte de algumas pessoas negras neste processo histórico como uma contraconduta, como estratégia. Uma vez visíveis e famosas podem mudar o discurso. Nadar contra a correnteza cansa e leva à morte. Nadar a favor dela dá para ver o que vem a frente e saber como sair dela ou usá-la a seu favor para continuar vivo.

    Quanto ao termo mulata, precisamos entender que todas as palavras tem uma origem. Se quisermos fazer um estudo etimológico poderemos nos assombrar. Nos estudos linguísticos devemos também levar em conta os estudos semânticos e pragmáticos. O termo mulata não tem mais o conceito original e muito depende do conceito que pragmaticamente queiramos dar. Enfim, tudo depende de um discurso.

  • flavinho

    Douglas ……. Sem palavra

  • Ana Carolina M. Khouri

    Achei o texto um tanto quanto “pesado”. Sou negra, jovem, bonita e doutora! Ralei desde cedo pq sabia que a vida não seria fácil. Hj posso frequentar lugares requintados e nunca sofri preconceito, não por que ele não exista e sim porque não permito que ele chegue até mim!!! Vivo de cabeça erguida e feliz…

    • Ana Oliveira

      Querida, fico feliz em saber que o preconceito nunca chegou até você de forma explícita. No entanto, no Brasil esta prática ocorre todos os dias, nas formas mais singelas e silenciosas, por meio, por exemplo, de “brincadeiras” que temos de aceitar. Apenas o fato de você ter de lutar para que o preconceito nao chegue até você mostra a real necessidade de se discutir a questao abertamente, sem tabus e hipocrisias, sendo este o primeiro passo para que ocorra a verdadeira abolição. Esse texto cumpre fielmente esse papel. Não vamos fechar os olhos pra isso.

    • Márcio

      Pesado sim, mentiroso não. Infelizmente é a realidade. Basta olhar para os lados. Acho terrível olhar os músicos baianos, terra mais negra do Brasil, e ver que só os brancos atingem grande sucesso. Queria saber qual a relação de artistas baianos brancos para negros, pois na música moderna, pensando rapidamente, só lembro de Carlinhos Brown e Margarete Menezes, que não passam nem perto da aceitação de Ivete Sangalo e Cláudia Leite. Somos ou não um país racista?!

    • ACMK

      Óbvio que é um país racista! Mas não vou ficar me lamentando por algo que sempre existiu, sempre existirá e mto pouco posso fazer a respeito!! Fiz o que cabe a cada negro desse país fazer… Trabalhar muito duro e conquistar seu lugar ao sol com dignidade! Que haverá dificuldade? Claro, inúmeras!!! Hj posso falar com propriedade que o preconceito social supera o racial… Negros bem-sucedidos (infelizmente) sofrem bem menos.

    • Gleice

      Desculpa mais entao vc nao vive no brasil,e tem serios problemas de audicao e visao,pra quem e negro e nao sentiu em nenhum momento na pele o preconceito…É meio dificil de acreditar.

  • Zenaide

    Excelente reflexão, somos envolvidos por esta mídia asquerosas e qdo. nos damos conta já perdemos a compreensão de muitos fatos gritantes…..

  • Sheila

    Excelente esse texto! Não sabia do significado de mulata! Nunca mais falo isso! Que vergonha tive de mim agora! A escravidão acabou somente no papel, mais continua na cabeça e nas atitudes dos brasileiros.

    • O texto é excelente, mas quanto ao uso do termo mulata eu penso que em nossa era ele já não carrega o peso de sua origem. A língua é dinâmica, se atualiza sempre e duvido que alguém que não saiba a origem do nome faça esta associação.

  • Debora

    Parabéns pelo texto. Uma verdadeira mudança na sociedade em direção a tratamentos mais igualitários e respeitosos com a diversidade, realçando suas virtudes e enfraquecendo os estereótipos construídos e sedimentados no senso comum por séculos de massificação, só será possível através de informação histórica, sociológica e cultural. Na era da internet, temos o dever de nos informar segundo fontes seguras, de gente pensante e ponderada. Gosto muito de autores como Darcy Rubeuro, Florestan Fernandes, Sergio Buarque de Holanda e Manoel Bonfim; autores que retrataram bem o Brasil, desde a sua formação e revelam, senão todos, muitos dos processos pelos quais formamos nossa identidade como povo brasileiro, As mazelas, preconceitos, estereótipos, tão recorrentes em nossa sociedade, podem ser entendidos como reflexos da sua formação conturbada, injusta e cruel. Seu texto mostra bem isso e gostei muito da sua visão de que a mídia mais prejudica do que ajuda nesse esforço de tratamentos mais justos. Me lembro daquela novela “Escrava Isaura”, em que todo o drama da escravidão no Brasil foi romanceado e açucarado, ao ponto da protagonista da estória, a escrava, ser uma branca! Tenho vergonha da nossa mídia elitista e preconceituosa.

  • Eduardo

    Ótimo texto… Porém, reflexão necessária, chega de alienação… Pois, somos quase 50% da população, temos que fazer isso valer, de verdade!!!

  • Gabriel

    É engraçado que, através destas colocações, até parece que estas mulheres estão ali porque foram forçadas a fazer isso. Não, não foram. Elas estão ali porque querem, e se de alguma forma isso denigre a imagem da mulher ou do negro, é puramente por escolha delas. Ou todas as mulheres negras se submetem a estas situações? Acredito que não. As pessoas têm sua individualidade e podem fazer o que quiser. Hoje em dia a gente costuma teorizar demais as coisas.

    • Nênis Vieira

      Antes de fazer este comentário você pensou a razão de mulheres negras se submeterem a tal coisa?
      Acho que não é teorizar absolutamente nada, Gabriel, e sim ter uma melhor percepção de UMA MULHER NEGRA.
      Como você não é mulher, acho complicado.

  • Luis Oliveira

    Acredito que a questão do racismo do preconceito e da discriminação no Brasil só será resolvida quando a sociedade iniciar esta discussão a partir da educação… Revendo o ensino de história, sociologia, filosofia e outras disciplinas que tenham afinidade com o tema. Modificando a maneira que os futuros cidadãos deste pais encarem esta temática tão complexa, delicada e importante.

  • Marici Nicioli

    Não sei como expor o meu pensamento sobre tudo isso, mas vamos lá: Isso não é um problema da mulher negra apenas, a mulher que se sujeita a esse tipo de concurso já está se colocando na posição de um objeto sexual vendável, seja ela negra, amarela, vermelha ou branca. Aliás todas brigam ainda mais pelos concursos e as dispustas para papéis em destaques, baterias e capas de revista. Não sei, estou em reflexão.

  • aparecida couto

    concordo com absolutamente tudo. E em tempos passados já havia escrito sobre isso. A mulher negra só tem destaque na televisão no carnaval e como escrava do sexo…e doméstica. Agora a Sheron Meneses está nesse meio porque é produto disso também, acredito que se não lerem a cartilha da globo…não terão emprego. Essa emissora é ditadora, adora mostrar seu poder e controle sob as pessoas. Ainda bem que em termos de mídia o povo já percebeu quem é a rede globo. Com relação as mulatas…há muito que se fazer e ensinar e aprender para que os negros tenham orgulho de sua cor e de seu passado. A negra não é mais produto, mercadoria nem escrava do sexo.

  • Célia regina Bonifácio

    Tudo isso e muito complicado porque o proprio negro tem vergonha de ser teria que conscientizar os negros . E por a mão na massa fazer algo diferente para nós sabe fico pensativa porque tudo para nossa pele e mais caro. Sou negra tenho orgulho da pessoa que sou cada um de nós que temos que fazer a diferença.

  • Jesus TerraCabral

    Concordo com 95% do texto , só não concordo quando se faz uma campanha direcionada à um único canal de comunicação , porque toda mídia tem a mesma prática , mesmo porque eles mostram aquilo que o povo mais quer ver, prova disso são os números das pesquisas de audiência . A verdade é que fazemos parte de uma sociedade historicamente , racista e preconceituosa .

    • dayane

      Bom a globo,por sua vez eh uma bosta,nao serve para nada,soh serve para influenciar,coisas negativas para a sociedade,,quer mostrar que temos que consumir,que ter objetos ,das novelas,que se nao tivermos,nao fazemos parte de uma sociedade,e assim vai cada. Vez mais as pessoas se matando pra compra uma roupa,da novela,etc…a globo…eh uma emissora de interesses d brancos,e olha que sou branca…mas eh tao poderosa ao ponto de fazer lagagem cerebral,e os trouxas adodarem este canal..nao assisto,sou contra,a realidade eh outra e nao da globo,outras emissoras sao mais realistas mostram a verdade como ela eh ,sem esconder nada da populacao,algo q a globo nao eh,nao mostra a verdade,por exemplo do q acontece no planalto central,pq eh paga pra esconder…falaria muito mais mais…

  • Maria Clara

    Ótimo texto!!!

  • Luciene Pereira

    O texto e muito bom,conscientizaçao tambem porem o termo negro tambem e um sentido de ofensa,preto e a palavra que simboliza uma cor ,apenas uma cor sem o peso do navio de doenças chamado negreiro,para indicar oque havia la dentro junto com a peste! ” Negros”

  • Muito bom o texto! Chamo atenção para a seguinte frase usada: “A mula é o produto resultante do cruzamento do cavalo com burra”

    Na verdade a mula é a burra, irmã do burro. São frutos do cruzamento do jumento com a égua ou do cavalo com a jumenta, animais de duas espécies diferentes, portanto mula e burro não são férteis.
    Verifiquem isso, por favor…

    Abraços!

  • Eudineia

    Esse texto merece destaque em todas as mídias. “Fomos escravos’, não somos mais, hoje somos sujeitos da nossa história. E agora o que vamos deixar registrado sobre nós?

  • claudia

    Muito bom o texto. Que tal as moças que participam do concurso, as selecionadas assim como as centenas de outras que se inscrevem se conscientizarem e boicotar tal concurso? Se não concordo não deveria participar certo? Morei no exterior 10 anos e foi distribuído um material de publicidade turistica do Brasil… adivinhem? Mulheres semi nuas no carnaval, na praia, no calçadão, corpos femininos por todos os lados… Chegou a hora de todas nós BRASILEIRAS dizermos não a essa exploração, seja oriental, negra, branca, indígena… Deve partir de nós o BASTA a esse “comercio” da mulher brasileira. É o que EU acho. Abraços.

  • Como eu não assisto TV, pensei que era uma foto de algum programa das antigas. É incrível persistir uma violência deste tipo nos dias de hoje.
    Parabéns pelo texto! Fica cada vez mais evidente que a escravidão como instituição informal nunca acabou, só mudou as formas de atuação. Eu só acho um paradoxo, mesmo com uma história atroz que foi a escravidão, nunca pensamos noutra coisa senão num mundo de igualdade, mas com certeza com esse sistema não vai acontecer. Enquanto quisermos ter um modo de vida igual a do branco da TV, todos os discursos e análises serão invalidados. O que precisamos de forma urgente é a criação de um novo sistema, mais justo e igualitário. Qualquer minoria, majoritária ou não, não pode achar que qualquer ideal de vida e sociedade está relacionado com o capitalismo. Não há nada na história que comprove uma guinada de ascensão para os negros dentro do sistema capitalista. Nem nos Estados Unidos, e as recentes mortes de jovens negros país negros comprova isso.
    Novamente, parabéns pelo texto. E a luta continua!

  • Ótimo texto,e uma triste realidade que deve ser mudada;temos que repensar nossos valores principalmente as mulheres negras,conscientizar que cor Não é sinônimo de caráter e nem de inferioridade.

  • Mariana Parra

    Cara, essa foto com a Sheron Menezes parece que foi tirada, sei lá, de um filme, poderia ser a imagem de alguma obra do cinema pra mostrar como é grotesca a forma como tratam a mulher negra no Brasil…
    É uma pena ela agir dessa forma, acho que valeria tentar dialogar com ela, de repente ela se ‘converte’ para a causa….

  • Sem dúvida um belo post. Espero que muitas negras e negros façam a leitura e reflitam mais sobre temas do gênero. Já passou passou da hora do despertar…

    Louvável sua exposição, Mara! Forte abraço!

  • Parabéns pelo texto, muito bem escrito!
    DEMAISSSSSS!

  • damiao

    voces viram ontem o mundo segundo os brasileiros , uma mulata linda estava em um local em portugal que existe poucos negros e dois protugueses e convesaram com ela e uma amiga no fim o portugues disse : voce é meia negra e ela : não sou totalmente . e ele: mais existem pior!
    que absurdo como tem fdp no mundo , minha vô é negra e eu sou meio indio por causa da mistura enfim , até quando essa palhaçada .
    Como as pessoas sao racistas
    desculpe a falta de pontuação!

  • marcelo

    Ótimo retrato da realidade

  • Sheyla de Paula

    Fico feliz em saber que as questões étnicas raciais vem sendo debatida com mais intensidade em nosso país que se diz democrático no requisito da diversidade étnica.Entretanto, percebo que o racismo no Brasil é velado tornando mais difícil conscientizar a sociedade principalmente negra da qual faço parte. Parabéns, adorei este artigo e precisamos de fato mostrar o nosso valor!

  • pedro paulo de santana filho

    Belo texto, parabens!

  • Andreia Lira

    Parabéns pela matéria, gostaria de deixar aqui uma contribuição. A etimologia da palavra criolo não está correta.
    Criolo, que também é usado para designar uma pessoa de raça negra, é o de “descendente de colonizadores, já nativo de um lugar”. Por isso q se usa até hj em toda América Latina a palavra CRIOLLA p identificar a música,a arte e etc feita pelos descendentes dos colonizadores. Bjs

    • Obrigada pela contribuição, Andreia. A etimologia que apresentei no texto é bem regional, aqui onde eu moro no Rio Grande do Sul Criolo é uma raça de cavalo e no tempo da escravatura os senhores de escravos gaúchos usavam criolo para denominar os negros, com a mesma intenção que se fazia com os cavalos. Mas a tua contribuição é muito bem vinda, eu realmente não sabia desse outro lado. abraços

    • Márcio Arruda

      Olá, não sei como logar ainda aqui, bom….
      Gostei do texto, mas… tive a mesma observação da autora do texto do blog, realmente essa é ‘a hora e a vez’ da mulher negra aparecer na televisão, ou seja, somente quando é concurso globeleza ou de rainha de carnaval, de bateria de carnaval (sei lá) exibido pela rede Grobu de televisão no programa do Rúki. É uma lástima…

      Tô torcendo para a nova garota do tempo (creio), das manhãs do Bom Dia Brasil, e outro programa matutino que não me recordo agora o nome, pra ela passar a apresentar sobre o tempo no Jornal Nacional, porque além de bonita que essa garota do tempo é, o Brasil está mais que precisando que mostrar sua verdadeira nação, ou seja, em grande maioria afro-descendente.

      Outra coisa, tanto a palavra mulata como criolo trazem em si muito mais coisas historicamente do que foi citado aqui.
      Não me recordo agora, mas vou buscar para tentar contribuir aqui com a descontrução de esteriótipos ou estigmas, tanto que (sem neuras, ok!), quando menciono algo em relação à mulher negra, não uso mais a palavra mulata ou mulato, caso seja para o homem.
      É isso ae, tentando repassar esse texto adiante…

  • Elza Mello Ribeiro

    Excelente!!!
    Uma perspectiva reflexiva que há mt não lia.
    Parabéns!!!

  • anna

    Olá Mara!
    Ontem escrevi um comentário lúcido, crítico e questionador, que em momento algum teve a intenção de ofender ou desrespeitar, mas sim de lançar um debate e analisar os dois lados da moeda, esperando obter alguma resposta interessante e também respeitosa.
    No entanto, percebi que você o censurou. Não entendi o porquê da censura já que, como já foi mencionado, me interesso muito pelo tema e faço inúmeras leituras a respeito dele. Me pergunto qual seria o motivo. Você se sentiu ofendida? Caso sim, desde já peço perdão. Você poderia ao menos me dizer do que você discorda? Não seria interessante falar sobre o assunto ao invés de tapar os ouvidos (ou olhos, nesse caso) e apenas aceitar comentários sem senso crítico, do tipo “que texto maravilho”,”que coisa incrível”, etc? De que adianta ser “apaixonadíssima por Feminismo, Filosofia, Foucault e Frida Kahlo” como você se apresenta, e não conseguir argumentar com um leitor de seu blog?
    Acho realmente triste um blog que parece ser tão interessante não dar espaço a debates e discussões.

    Fica a dica.

    Passar bem.

    • Anna não recebemos nenhum comentário seu, mas pode envia-lo novamente 😉

    • Dany

      Também tive meus comentários censurados e nem sei o pq, não me foi informado o motivo, até email pra administração de comentarios enviei mas não obtive nenhuma resposta, aguardei mais um pouco e nada, pensei q estivesse pendente por causa do fim de ano, mas vejo q não, e me senti completamente sem chance de dar opiniões e argumentações, foi no tópico da “Síndrome de Cirilo” eu relatava sobre minhas experiências ,desabafando com pessoas que passavam por situações parecidas. Quero saber qual é o problema? Eu sou negra também, acho que o blog deveria autorizar certos comentarios, mesmo q seus pontos de vista sejam diferentes, ou não provoquei ninguem, nem incitei a discórdia, eu gostaria de ter meus comentários aceitos no blog, ou assim fica difici continuar a participar. Quero uma justificativa, senão por aqui, através do meu email, mas acoh injusto tê-los excluidos sem uma justa causa e nem um argumento, e acho q deveria ficar claro ao final de cada post TUDO q NÃO É PERMITIDO nas postagens para evitar que isso aconteça, pq é desagradável. Falam do preconceito constantemente, mas sinto que estou sendo julgada em meus comentários tambem. Será q eu tambem terei o direito de enviar outra vez? Seria possivel dizer e deixar claros os critérios para aceitação das bem mensagens?

    • Blogueiras Negras

      Dany, o único comentántário que consta em nosso sistema foi feito no post “Deixar de ser racista”, recebido no dia 30 de dezembro.
      Também não recebemos seu email, por favor sinta-se à vontade para enviar novamente. Nosso endereço é blogueirasnegras ARROBA gmail.com
      Por favor, visite nossa politica de comentários que se encontra aqui – http://blogueirasnegras.org/comentarios/

      Obrigada pela audiência e estamos à disposição.

    • Oi, Anna. não censurei nenhum comentário teu, na verdade eu nem tenho esse poder aqui no blog. Tem certeza que não foi algum problema na publicação? Envia ele de novo, sou super aberta ao dialogo e com certeza aberta a críticas. Abraços

  • Muito bom, adorei, me identifiquei completamente. Isso não ocorre somente na Globo, no mundo corporativo também é muito comum. Já tive muitos problemas com funcionários brancos e pardos que não me aceitavam enquanto chefia, por eu ser negra.
    http://muipoderosa.blogspot.com.br/

  • Parabens pelo texto. Concordo com quase tudo.

  • Gente, alguém poderia chegar na Sheron com esse texto, né? Gostaria muito de saber a reação dela. E esse http://blogueirasnegras.org/2013/12/13/sagrado-profano-mulatas-racismo/ também!

  • Mariana

    Otimó texto , porém deve-se atentar que o termo mulata foi criado em um outro contexto , é injusto julga-lo com o contexto atual .

  • Marília de Souza Neves

    Parabéns pelas palavras grafadas! Pessoas como você fazem a diferença em nosso país! Continue a plantar sementes de sabedoria… Mesmo que os frutos demorem a surgir, um dia, virão!

  • Lisiê Farias

    Muito bom!

  • Lorena

    Mara vc foi referência na minha monografia. Mto boa a matéria!

  • Bárbara

    Perfeito o texto!!! Instrutivo, atual e mais que tudo: ESCLARECEDOR!!! Até mesmo para nós, mulheres negras, que nos maravilhamos com as belas negras na tv e, ingenuamente, nos sentimos representadas e, por vezes, esquecemos das verdadeiras intenções dos meios de comunicação de massa!!! PARABÉNS!!!

  • Margareth

    Luto bravamente contra a exploração da mulher negra e concordo plenamente contigo. Parabéns pelo texto!

  • Mara, fiquei sem respirar.

  • ana paula da silva neves dos santos

    Amei tudo que foi escrito, mas precisa ser mais divulgado para que juntos possamos protestar afinal a rede globo é uma emissora racista, pena que os negros não perceba isso.Vamos compartilhar mais assim abriremos a mente e os olhos da nossa população negra.gostaria de ter compartilhado o texto.

  • Diana

    Sou branca e há tempos não me identificava tanto com um texto. Amei mesmo.

  • Muito bom!

  • Leonardo Pires

    Arrasou!!!

  • Thainá

    Maravilhoso texto!

  • vamos protestar nas ruas contra estas palhaçadas da globo e protestar na frente da globo de todo o brasil .

  • Luanda

    estupendo!!!

  • PERFEITO!!!

  • Fernando

    Lindo texto, inspirador.
    Parabéns.

  • cara eu aprendo muito lendo vocês
    demais!!!!!!!!!!!!!!!! realmente não temos que nso calar
    não somos mais escravos.

    • Gostei muito do texto, as pessoas realmente precisam abrir os olhos para as mensagens incutidas nos lixos televisivos. Contudo quero ressaltar uma coisa , eu apesar de ser branca, muitas vezes , quero dizer, inúmeras vezes eu me sinto muito mal com a forma com que a mulher num geral é usada como conteúdo degustativo em comerciais ou novelas . O que me faz não mais assistir.