Desde quando passar as mãos em alguém sem seu consentimento é algo justificável? Como algo deste gênero pode ser passável e menos importante do que um soco na cara ou uma paulada? Até quando os corpos femininos serão tratados como objetos , como artigo de menor valor?

No dia 08 de fevereiro, quatro mulheres foram agredidas no terminal Sacomã, zona Sul de São Paulo.  A agressão ocorreu durante uma discussão iniciada depois que um cidadão se achou no direito de “passar a mão” em uma delas.   O  agressor nega os fatos e alega ter sido vítima das mulheres que teriam agredido o moço gratuitamente.  Ele ainda informa que tomou tal atitude porque as mulheres atrapalhavam o caminho.

Como tudo que é ruim ainda pode piorar, quando percebeu que entre as mulheres existia um casal de lésbicas, passou então para ofensas lesbofóbicas.

Dois boletins de ocorrência foram registrados, um da parte das mulheres agredidas e outro da parte do agressor, que registrou queixa de racismo, alegando que foi chamado de macaco pelas mulheres.

Ver uma acusação desta surgir de maneira leviana para justificar um crime é minimamente asqueroso. Não perceber que a atitude racista ficaria bem fora de contexto uma vez que as pessoas acusadas são NEGRAS é bem equivocado também.

Este caso esfrega na nossa cara o poder do machismo, a necessidade de aprovação e implementação de leis que nos protejam da lesbofobia, da violência de gênero. Na grande mídia a manchete era “Lésbicas DIZEM QUE foram agredidas”. Elas dizem que mas pode não ser real. Agora um homem que alegue ter sido agredido é fato e nem precisa de testemunhas. Já pode parar o mundo que eu quero descer.

Apenas: Homens, brancos, negros, indígenas, asiáticos… homens, qualquer agressão contra a mulher seja ela cis, trans, negra, branca, QUALQUER MULHER é crime e NÃO PASSARÁ. Uma opressão não justifica uma atitude opressora.

Foto: stranger by Katherine Evans no sxc.hu. Alguns direitos reservados

Foto: stranger by Katherine Evans no sxc.hu.
Alguns direitos reservados

Abro espaço para a nota de repúdio de uma das mulheres envolvidas no caso.

Nota em repúdio ao caso:

“Algumas palavras em repúdio ao nosso agressor.

Bem provável que você nem veja o que aqui escrevo, porém necessito expurgar uma revoltar enorme que está dentro de mim.
Ele falava que nós não somos normais, falava que nem sabia o que eramos e agora respondo: Somos mulheres que lutamos contra esse sistema patriarcal que nos impede de viver livremente, que nos impede de contestar o porquê uma amiga foi assediada.

Ele falava que nós não somos normais, falava que nem sabia o que eramos e agora respondo: Eu e minha companheira, somos homossexuais mulheres que lutamos pelo direito de expor nosso afeto sem a possibilidade de sermos agredidas; as outras mulheres que estavam comigo são heterossexuais que lutam pelo zelo dos homossexuais, lutam por serem mulheres.

Ele falava que somos macho-fêmea do caralho, que ele tem pinto e eu respondo: Todo ser humano é macho-fêmea, por uma questão de energia, temos polaridades Ying Yang, portanto você também é macho-fêmea e ter pinto não te faz melhor, isso foi provado no primeiro soco que você me deu e ao deixar minha irmã com olho roxo.

Ele falou que chamamos ele de macaco e eu respondo: Somos do mesmo lugar meu amigo, eu sou negra, minha irmã é negra, minha companheira é indígena, nós sofremos repressão histórica da mesma forma e não venha colocar no meu boletim de ocorrência que eu e minha irmã somos brancas e o agressor é pardo, isso não é verdade. Eu sei de minhas origens, sei que meu pai é negro, minha avó é negra, ninguém contesta minha negritude! NINGUÉM! Sou negra em minhas origens, sou negra de sangue ,de cabelo, de boca, de olhos, de alma e ninguém vai me (nos) acusar de racismo! EU REPUDIO RACISTAS.

E por fim ele falava que não somos normais e eu respondia no ato da agressão: VOCÊ TAMBÉM É MINORIA.”