Quero falar sobre alisamento com quem ainda alisa o cabelo. Acredite, você não é melhor nem pior que ninguém por causa disso e talvez só te falte conhecimento sobre a agressividade que você ainda pratica contra si mesmx. Um pouco de vontade de entender e guarda baixa e eu prometo que a compreensão se tornará fácil. Sei que existe uma parcela considerável de meninos que praticam alisamento nas madeixas, mas a opressão acontece com mais vigor pra cima do gênero feminino. Alisei os cabelos por 14 anos que me fizeram ter propriedade pra falar sobre essa rotina capilar opressora. Você sabia que o padrão de cabelo liso é europeu e nos é imposto? Sim, observe quantos salões brasileiros oferecem todas as formas de alisamentos possíveis e vivem lotados de meninas buscando tratamentos ilusórios para seus cabelos crespos.

A simbologia que isso nos trás é a de que: negue, alise sua raiz, aquele seu fio crespo que está começando a nascer resistente a quem te impõe o liso, é muito feio. O esconda. Você não consegue perceber isso, pois a mesma lógica opressora te faz responder que isso não é racismo, não é preconceito consigo mesma e que você só alisa o cabelo, pois é mais prático ou por que combina mais com você. Eu sei disso, visto que era a desculpa que eu sempre usava pra não reconhecer o quão errado e chato é se negar. Como é frustrante perceber que seu cabelo nunca vai ser igual aos anúncios racistas e que os produtos utilizados para alisar o seu cabelo só o detonam cada vez mais. Como acaba sendo cruel consigo mesma não dar visibilidade àquilo que é bonito. Sim, cabelos crespos são lindos, moça.

Eu concordo e defendo a bandeira de que o corpo é seu e de que você tem o direito de fazer o que quiser com ele, mas, por favor, reflita antes de tudo: O que você tem feito é por que você quer? Se você quer, o que te motiva a isso? Se no final, a resposta te levar a um padrão de opressão, tá tudo errado. Acredito que o mesmo vale pra quem tem o cabelo liso ou encaracolado e quer a todo custo “baixar” o volume. Quem foi que te disse que o volume precisa ser baixo? O alto é muito mais divertido. Não acredite que você precisa recorrer a produtos esdrúxulos periodicamente pra ter um cabelo legal. O padrão racista adotado na indústria cosmética não quer que você resista ou perceba o quanto ela oprime a nossa identidade.

O período de transição não é fácil, eu ainda estou nele, mas a delicia de sentir cada centímetro crescendo e dando volta é muito gratificante. Você se redescobre e se descobre diferente de quem ainda precisa correr da chuva, de quem ainda precisa ir ao salão pra esconder a raiz, de quem ainda estica e puxa no secador, de quem liga a chapa pra fritar o cabelo, de quem se nega e não resiste à opressão, você se descobre diferente de quem quer ser igual. Talvez um dia todas prestem atenção no racismo sutil e ainda forte por trás da indústria que ainda insiste em nos encaixar em um padrão que não nos visibiliza. Mas juntas, somos e seremos ainda mais fortes. Força e liberdade pra dentro e fora da cabeça.

  • karine

    Já sabemos que esse padrão não é apenas no cabelo, hoje em dia é a coisa mais normal fazer maquiagem para afinar o nariz, por exemplo, pois o nariz mais largo é tido como feio, por causa da ditadura europeia que ainda, infelizmente, seguimos. Isso é um absurdo! Entendo que muitas vezes não é fácil assumir o cabelo ou outras coisas na nossa sociedade, mas felizmente hoje em dia isso está mudando. Tenho o cabelo liso e vejo as meninas fazendo a transição, amando seus cabelos, procurando saber como melhor tratá-los (qualquer tipo de cabelo requer cuidados específicos) e acho lindo quando a menina ou mulher sai com orgulho dos cabelos… dá pra notar. E não é nem questão de querer “causar”, mas simplesmente ser como realmente é e se amar assim, porque só assim os outros acabam reconhecendo isso e MUDANDO A MANEIRA DE VER, na medida que o preconceito vai acabando. Conheça seu cabelo e assim encontrará a melhor forma de cuidar dele 🙂

  • Amanda Oliveira

    Adorei o texto! Andei pensando sobre isso durante 2 anos e agora, enfim, vou deixar de alisar os cabelos. Mas, é bem o que vc disse, esse período de transição não é nada fácil. Serão 6 meses esperando a raiz crescer livre para poder fazer um tratamento e ativar os cachos e serão 6 meses pesquisando bastante sobre o empoderamento negro pelo viés capilar.

  • Tô passando pela transição e sem dúvida, não há coisa melhor, mais maravilhosa do que sentir cada centímetro crescendo. A raiz enroladinha. Passei 5 anos alisando o cabelo, e me arrependo muito de ter iniciado esse processo. Hoje em dia estou um pouco mais madura e me aceitando um pouco mais. Adorei o blog, já lí quase todas as matérias!!!

  • Aclair

    Cabelo liso ou crespo é um assunto que só surge quando a militância ainda está na infância. Nos EUA, a militância é muito mais forte e madura e a mulherada manda ver no alisamento. Sem problemas.

  • Dany Lively

    Ah esqueci de falar que incontáveis vezes, tentei me aproximar de garotas negras pra amizade, mas fui terminantemente ignorada, só me deram atenção por um tempo, depois pufff, SUMIRAM DO MAPA! E não sou obrigada a ficar correndo atrás, pegando na mão de quem não quer minha amizade.

  • Dany Lively

    Pois eu também acho isso, não é pq eu sou negra que seja obrigada a deixar meu cabelo crespo se eu acho que não combina comigo, pq isso também é uma ditadura do suposto empoderamento, e na minha opinião, isso deve vir de dentro, não ser forçado, ou fica parecendo uma cosia hipócrita (pelo menos da minha parte). Oras, não vou sair por ae pregando algo que não acredito, pois é desonesto comigo mesma. Pra me empoderar não significa que devo gostar de tudo que está relacionado à etnia negra, assim como enquanto católica não sou obrigada a concordar com tudo em 100%, isso faz de mim menos cristã? Eu acho que não. Também discordo de ter que me relacionar apenas com pessoas negras por achar que não sofrerei racismo, SE esse não for realmente meu desejo, não se esqueçam que mesmo entre pessoas negras há disputa de superioridade, preocupações sobre quem tem um status sócio-financeiro melhor que o outro, e principalmente entre mulheres tem a velha disputa com relação à estética, e aí seria bem pior no caso de mulheres bi ou lésbicas, onde que se não houver um sentimento verdadeiro e vontade real por parte DAS DUAS de permanecerem juntas, vai ter disputa e vai chegar uma hora que uma vai tentar empurrar a outra pra baixo. Essa moça que te criticou pelo seu cabelo alisado é um exemplo de tentativa de rebaixamento, de tentar impor a ideia de que o estilo dela é o mais “certo” pra vc , pra nós. Acho que cada uma usa o estilo que se sentir mais bonita, e alisar o cabelo NUNCA fará alguém mais branca, e acho lindo negras de cabelo liso, pois é um contraste e um empoderamento diferente, pois do meu ponto de vista mostra que não somos obrigadas a nos limitar a usar o cabelo como “deveríamos” pq “é esse o nosso lugar e nosso verdadeiro visual”, não sou menos verdadeira por gostar de alisar o cabelo, apenas não me vejo usando um black power, só isso, simples assim.

  • Nem me fale nisso! Nos meus 18 anos, 7 foram de alisamentos. Hoje já passei (desde o ano passado) pela transição, e estou feliz da vida. Não tem coisa melhor do que olhar para o espelho e ser você mesma.

    Aos 11 anos sofria tanto com o meu cabelo natural. O bullying que sofria por ele me fez alisá-lo para diminuir as ofensas. Mas hoje esfrego ele na cara da sociedade!

    Ah e tenho uma dica para as meninas que estão em transição: faça tranças nagô! Sim, não quebra o cabelo (tá quebra um pouco, vai) mas ajuda MUITOO!

    Eu tirei faz 15 dias e cortei as partes lisas. Estou feliz da vida.

    madessy.blogspot.com.br

  • Fernanda

    Olá Rebeca. Li seu texto e, antes de tudo, quero dizer que gostei da sua abordagem e principalmente que respeito sua opinião. Gostaria de citar uma experiência pela qual passei e abordar uma outra visão sobre o assunto. Sou filha de um pai negro e uma mãe branca. Na minha família nunca houveram distinções por conta da raça, cresci convivendo com pessoas negras e brancas que se tratam de forma respeitosa e igualitária. Minha mãe adora os meus cabelos cacheados, mas eu gosto de alisa-los. Uso os cabelos lisos e com luzes, por mera questão de gosto. Para mim é como optar por determinada roupa, determinado sapato. Cada um tem um gosto, e isso nem sempre é sinônimo de preconceito ou falta de aceitação. Amo minha cor, sou muito feliz sendo negra. Mas gosto de usar os cabelos lisos. Em um determinado evento, conversando com uma amiga negra, ela se referiu ao meu cabelo de modo pejorativo, pois uso os fios lisos. Disse que era feio. Que eu estava tentando ser branca. Será que isso também não é preconceito? Então, pelo simples fato de ser negra, tenho obrigação de usar o cabelo crespo? Não seria também uma forma de limitar minha liberdade? Acho que todo mundo tem o direito de ser feliz, e principalmente de ser respeitado, independente do tipo de cabelo, da cor da pele ou da classe social. Me senti discriminada por uma pessoa da minha própria raça. Isso é muito triste, toda forma de preconceito deve ser combatida. Somos todos iguais. Repito que respeito todas as opiniões contrárias, apenas quis contar essa experiência para mostrar uma visão diferente sobre o tema.

    Beijos, Fernanda

    • denise

      FERNANDA, me identifiquei exatamente com você, pois já passei por essa situação de pessoas me criticarem por eu alisar o cabelo. Tb já me criticaram por não ter nenhuma tatuagem tribal (!!!), e por ter escolhido não menstruar mais também. De que vale todo esse avanço e essa possibilidade de escolhas que alcançamos se não for para usufruir delas?

      Comecei a alisar com 21, hoje tenho 34. Nesse meio de tempo já retornei aos cachos (para lembrar como era e se iria gostar) e realmente eu prefiro liso, do mesmo jeito que não uso salto nem roupa vermelha… pra mim é só uma questão estética, como você disse. Não, eu não acho que que tem que estar carimbado “roots” na minha cara em pleno século 21, onde roupas com estampas étnicas estão à venda em todas as lojas de fast fashion. Se a minha vizinha chinesa pode usar onça, pq eu não posso alisar o cabelo?

      E meu cabelo é terrivelmente lindo e bem tratado, vale dizer. Cabelo alisado não é sinônimo de feio. Dá trabalho e custa uma grana, mas somos muito felizes juntos *coramão*

      Vivemos na era da informação! qualquer um pode fazer qualquer coisa.

    • Ana

      Eu também me identifico com vc Fernanda. Eu me acho tão bonita e sexy com os cabelos alisados que eu tenho certeza que não seria nem um pouco libertador assumir meu cabelo 4c hoje. Eu aceito que essa sensação que eu tenho é resultado de logica opressora, mas eu estou em minha zona de conforto e, por enquanto, não vou sair dela. É uma opção que me faz feliz. Diria que é a mesma coisa das pessoas que se dizem felizes enquanto estão de dieta e malhando pra caramba! Isso pra mim não faz o menor sentido e também é resultado de uma lógica opressora pela estética.

      Nós sabemos que a nossa luta como mulheres negras é difícil. Eu queria muito dizer que na carreira que escolhi, por exemplo, ninguém vai ligar para o meu penteado. Eu queria dizer que não vai influenciar na minha próxima promoção. Mas eu não posso. Já é tão difícil ser a única mulher negra no meio de tantos executivos. Na boa, não vejo motivos para deixar de escolher o confortável, o que considero bonito e me faz bem! Até que eu mude de ideia 🙂

    • Etelvina Cardoso

      Concordo plenamente consigo. Bjs

  • Cara, me identifiquei demais com esse post ! faz aprox. quase um mês que larguei a chapinha e 3 ou mais que larguei os alisamentos e me sinto muito “livre”. Assim ,meu cabelo tinha aqueles cachinhos pequenininhos , não era exatamente crespo , infelizmente após muita falta de conscientização por parte da minha mãe e até mesmo influencia dela eu comecei a usar produtos desde nova :/ e isso reduziu meu cabelo a pouquíssimos fios retos e sem graça. Certa vez eu molhei o cabelo e esqueci de pranchar , o “pé” do meu cabelo tinha caído e estava crescendo ondulado (eu vi ali uma resistência , e a partir desse dia pensei ” Ele nunca vai ser liso) e após isso fui me acostumando a lavá-lo todos os dias. Estou querendo achar uma forma de cachear a parte reta,mas por ele ser fino é um pouco difícil ! tive vontade de raspar ,mas, cadê a coragem? rs. Gente , eu não quero influenciar na decisão de ninguém , mas, não sintam-se presas a coisas que farão mal a vocês algum dia !! Química estraga o cabelo , dá uma beleza momentânea , contudo sai com água . Se alguém tem de gostar de vocês é do jeito que você é , pelas suas idéias e não pelo que você projeta para se adequar aos padrões . Beijo amigas ! Parabéns pelo post.

  • Ellen

    Obrigada por responder, Karla. Inclusive já pesquisei sobre fitagem em vários sites e no youtube depois que citaram aqui. Mas particularmente, não gostei muito do método, pois a raíz de um cabelo crespo mesmo, é muito rebelde, tem que ter alguma química para ajudar no desembaraço e no balanço.

    Em relação ao texto, a questão toda, é apenas o preço que se paga pelas químicas nas idas ao salão (abusivas) principalmente no meu caso, q tenho cabelo comprido.Mas a minha opinião é bem concreta. A mulher negra, se quiser usar produtos químicos nos cabelos, sejam eles para soltar os cachos ou mesmo alisar, ela deve usar….a mulher negra tem que que se sentir livre de qualquer peso na consciência ou culpa simplesmente por querer ter um cabelo diferente do que nasceu. Negras têm direito de serem felizes como quiserem, com o cabelo que quiserem !!!
    Quem gosta de alisar os cabelos, passar químicas se tiverem condições para fazer nas mãos de um bom profissional, que o façam. Vale a pena se sentir bem com o cabelo do jeito que quiser ter!

  • Ellen

    Tatiana Ferreira,

    Essa fitagem que você citou, eu particularmente só achei bonito em cabelos cacheados naturalmente. Já em cabelos mais crespos achei que fica sem balanço, sem movimento. Se você puder me indicar outra alternativa, ficarei grata.

    • Karla

      Ellen,

      Você pediu sugestões para a Tatiana Ferreira, mas vou também tentar ajudar. Além da fitagem, há outros métodos de texturização de cabelos, que deixam inclusive cabelos bem crespos bem bonitos, tais como os twists (que nada mais são que tranças que você mesma pode fazer) e knots (pequenos coques por todo o cabelo). Há um site, pena que é em inglês, que fala de vários outros métodos: o naturallycurly, mas é fácil de entender. A fitagem também ajuda muito cabelos muito crespos a dar definição. Há uma moça no YouTube, a Maraisa Fidelis, ela faz fitagem no cabelo dela que é bem crespo, e fica muito bonito, bem definido. E hidratação, muita hidratação é que ajuda o cabelo crespo natural a ficar bonito.

  • Viviane Oliveira

    Adorei seu texto. Demorei muito para me auto aceitar. Pra ver que aquela não era eu, era o que queriam que eu fosse.
    A mudança quando chega do lado de fora, é porque já terminou lá dentro.
    Passei por 6 meses em transição. Cortei joãzinho, me olhei muitas vezes no espelho, me estranhei, mas a sensação de se ver como é, e sobretudo aceitar é impagável.

  • Ellen

    Continuando com a minha postagem….Concordo com o seu ponto de vista, Rebeca, mas é muito complicado para uma mulher negra, que não tem acesso aos melhores profissionais, ter opções boas e menos agressivas para os seus cabelos. É complicado, e não é só uma questão de se aceitar, sim acredito que existam muitas mulheres que sofrem complexadas, mas não é o meu caso. Graças a Deus rsrs !!! O cabelo crespo é muito trabalhoso para arrumar e o alisamento, se torna, muitas vezes, uma das poucas (ou única) opção de tratamento para aliviar o trabalho que dá. Mas a minha indignação é mesmo em relação aos preços absurdos que são cobrados em salões quando é para tratar de um cabelo afro. Já ouvi de um dono de salão que depois que ele começou a trabalhar com cabelos afros quadriplicou os ganhos….e todo esse ganho $$$ é como você mesma citou, Rebeca…a troco de muita química que acaba detonando os nossos cabelos !!!
    Isso é justo??? Tenho certeza que não !

    • Ellen

      Discordo da tese que cabelo crespo é mais trabalhoso. Eu tenho cabelo crespo e repeti esse mantra por anos para poder justificar, o que no final das contas, é um conceito derivado do próprio padrão imposto. Era mais fácil alisar dizendo que me poupava trabalho, do que reconhecer que eu alisava por medo de não ser aceita. Não, cabelos crespos não são mais trabalhosos, requerem cuidados específicos, inclusive técnicas de modelagem como fitagem que não levam mais do que 15 minutos para serem executadas. Eu me recuso ir a salão, todo profissional que eu tive o desprazer de conhecer, por mais especialista em crespo que ele se declare quer colocar uma química milagrosa em seu cabelo para faciliar o seu trabalho. E eu acho isso ultrajante, porque eles simplesmente não ensina a cuidar, apenas criam dependência de suas técnicas questionáveis. Essa é minha experiência com salão, reconheço que devem ter outros profissionais que não se utilizam desse artifício, mas eu ainda não conheci e confesso que desisti. Hoje em dia existe muita informação na rede sobre a forma mais adequada de se cuidar e modelar os cachinhos. Depois que a gente aprende, percebemos o quanto é rápido, fácil e, acima de tudo, libertador.

    • Karla

      Concordo com a Tatiana Ferreira. Cabelo crespo NÃO é mais difícil de cuidar. Ele só é difícil se você tenta lidar com ele da mesma forma como se faz com um cabelo liso. Desde pequenas nós aprendemos que o cabelo deve estar sempre com os fios “no lugar”, por isso tentamos controlar o volume, penteamos ele seco, tentamos prendê-lo para que nenhum fio rebelde escape. Graças à Internet podemos trocar informações e aprender as melhores formas de lidar com os fios crespos, sem química. Mas a maior mudança realmente parte de dentro de você: aceite seu cabelo, mesmo que seja o tipo de crespo que não forma cachos (pois infelizmente também há uma ditadura dos cachos entre as crespas). Eu uso o meu cabelo crespo natural hoje com muito orgulho. Olho no espelho e vejo uma mulher negra bonita, livre e feliz. Mais uma vez: aceite seu cabelo como é, pode ter certeza que se você tratá-lo da forma como ele é realmente você verá que é o que mais combina com você, e danem-se os outros que não concordam com você. E outra coisa importantíssima: tenha em mente que a questão do cabelo crespo é muito além da estética. É um ato de resistência, de empoderamento perante o racismo dessa nossa sociedade doente.

  • Ellen

    Adorei o blog e adorei ainda mais o texto. Suas palavras foram muito bem colocadas. Me identifiquei com tudo. E me questiono sempre porque a indústria da beleza é tão cruel com as mulheres que tem cabelo afro? Por que somos sempre nós que temos como obrigação desembolsar mais nos salões? Por que utilizamos químicas? Acho injusto !!!
    vou contar um pouco da minha história.
    Tenho cabelo crespo e comecei a buscar alternativas que facilitassem lidar com ele, comecei com o henê por indicação da minha mãe. Tinha 11 anos e cheguei a utilizá-lo apenas 2 vezes porque percebi que era um produto muito forte, e naquela época haviam poucas alternativas de alisantes no mercado. Mais tarde, com 17 anos descobri uma cabeleireira que para mim era um ANJO. Ela me ofereceu um relaxamento em que meu cabelo ficava cacheado, cheio e com balanço. Tinha apenas que retocar a raiz de 3 em 3 meses e hidratações (cada retoque desembolsava R$ 120,00 a R$ 150,00 reais) mas ficava muito feliz pois estava livre daquela tortura quase diária de chapinha, secador…minha alegria durou pouco. A cabeleireira resolveu trocar o produto porém me garantiu que a base era a mesma (mas não era) e na primeira aplicação meus cabelos desabaram e junto com eles foram também tanto dinheiro gasto em manutenção (hidratação), sobrando apenas 5 cm !!! Fiquei arrasada, chorei muito, meus cabelos estava longos, imagina o choque?….começava alí uma nova saga para procurar outro salão, com bom profissional e que tivesse o mesmo produto que cacheava com perfeição…cheguei a encontrar, mas nenhum deles me ofereceu os cabelos cacheados lindamente como a cabeleireira desastrosa havia oferecido. Então, cansada de procurar, resolvi me “simpatizar” com a progressiva. Gosto do resultado, mas claro que gostaria de ter menos trabalho, pois não consigo fazer escova no meu próprio cabelo e tenho que recorrer ao salão que cobra um absurdo pra fazer escova, hidratação, progressiva . como os meus cabelos são longos, no mínimo pago R$ 150,00 reais.

  • Ruth

    Entendi muito bem oque você quis dizer, sempre me fiz a tal pergunta e nunca cheguei à respostas opressoras. Sempre preferi cabelos amarrados ou cacheados e sempre debochavam de mim por isso, mas preferi o arrumadinho para trás porque é mais prático no meu dia a dia e isso foi uma escolha minha, sempre achei bonito o cabelo black e por ser negra me sinto um pouco frustrada por ter um cabelo que não enrola e não fica em um formato para fazer um black power e fica escorrido!!! Não gosto de me negar, outro motivo que adotei o liso foi questão de saúde, eu por ter sinusite crônica que me levou a ser internada e fazer vários exames fui proibida de manter meus cabelo molhados por muito tempo e por ter fortes dores de cabeça cada vez que molhava… queria um black (seco), mas oq fazr quando o cabelo por mais cortes que dou não fica black? Gostava de tranças, mas oq fazer quando minhas tranças desmancham? Eu preciso de ajuda!!! Apelo pro implante? Me sinto muito frustrada quando vejo negras com aquelas cabelos enroladinhos (embora não seja obrigação) e sempre tive vontade de ter, mas meu cabelo é teimoso, a raiz não é crespa, mas o restante do cabelo é seco. me ajudeeeeeeeeem.

  • Inaura Santos

    Adorei seu texto, estou na transição tbm e vendo vídeos e lendo alguns blogs comecei a enxergar o qto esse padrão de blz nos eh impostos goela abaixo. Eu tenho cabelo crespo e nunca deixei de ter, mas eu sempe relaxava, justamente pra tirar volume. Agora me libertei \o

  • Socorro Lima

    Interessante que se divulgue esse discurso, relaxo meus cabelos há muitos anos, também ,hj percebo que mais pelos outros do que por mim, minha mãe achava os cabelos de negro feio, os namorados , mesmo os negros, fazem muita alusão positiva aos cabelos lisos e louros, especialmente e eu no meio desse tiroteio de informações querendo ser aceita, amada, desejada e as pessoas ao meu redor valorizando e exaltando um biótipo que eu não tinha. Depois de muito ler e observar as culturas, as formas de prisão psicossocial que se impõe ao que chamam de diferentes.

  • Vaal

    Oi Rebeca, tudo bem ?
    Primeiramente quero dizer que amo este site sempre que posso dou um passada por aqui as matérias de vocês simplesmente dizem tudo que acredito.
    Bom vamos lá tenho 26 anos e desde que me conheço por gente aliso meu cabelo, já tentei me livrar dessa maldita química que me faz refém dela e não consegui sei lá talvez por falta de vontade ou vergonha de mostrar como sou de verdade.
    Acho lindo cabelo crespo porém o meu em particular não gosto, ele não tem forma nenhuma e isso me deixa muito triste e me faz voltar a química, vivo me perguntando se estou sendo racista comigo mesmo por adotar esse tipo de cabelo, mas o natural não me agrada e não porque falaram é porque não gostei mesmo.
    Se possível gostaria que me ajudasse com essa questão.

    Beijos, Vaal.