Tudo começou por causa de uma foto. Enviei o arquivo com a imagem de meus priminhos para várias páginas destinadas a divulgação da “beleza negra” em uma famosa rede social. Entretanto, para minha surpresa, nenhuma delas demonstrou interesse pelas crianças ou, sequer, retornou a mensagem.

Este fato chamou minha atenção e a suposta “rejeição fotográfica” surtiu efeito contrário. Em vez de me deixar ressentida, me fez refletir acerca do porquê desta atitude.

No primeiro momento, relatei as impressões do ocorrido aos administradores das respectivas fanpages e critiquei o modelo de beleza comumente reconhecido e divulgado. Mais uma vez, outra surpresa: tive pouquíssimo retorno. Para ser objetiva, somente três moderadores responderam o inbox. Em seguida, me peguei bastante pensativa, analisando todo aquele discurso ideológico veiculado por trás das fotos de negras consideradas “belíssimas”. E, é claro, lembrei-me também do perfil de mulher comumente celebrado nos posts que estampam nosso feed de notícias.

Daí, pude perceber que – lamentavelmente – as imagens contempladas traduzem a investida sistemática da sociedade racista com o propósito de reforçar o “embranquecimento” do negro. E ainda endosso: este movimento é decorrente do processo de negação da identidade étnico-racial a que a população preta foi submetida ao longo da História brasileira. É notório, na maioria das fotos em circulação na internet, que o interesse se dá apenas na promoção estética da “negra ideal”.

Por negra ideal se entende aquela que foi socialmente aceita porque é dotada de características fenotípicas em conformidade aos padrões eurocêntricos. É a preta alta, de lábio fino, nariz estreito, cabelo liso, rosto delgado e tom de pele claro (na maioria das vezes); uma negra considerada exótica em relação aos padrões vigentes. Essa sim, é a que tem espaço garantido nas páginas de beleza étnica da internet. E ponto final! É a #pretinhaestilosa, a #negralinda, a #pretinhapoderosa…

Afinal de contas, a beleza dos cânones bem “representaria” as demais. Linda mesmo “seriam” Beyoncé, Rihanna, Taís Araújo, Isabel Fillardis, Camila Pitanga, Valéria Valenssa, Cris Viana, Sheron Meneses, Juliana Alves, Quitéria Chagas, Ilde Silva, entre outras divas. E todas estas mulheres – de fato – são belíssimas.

Desejo ressaltar que, em momento algum, o propósito do texto é de ofendê-las ou a intenção das palavras é a de desqualificar a notável beleza que essas negras detêm. O objetivo da argumentação é somente o de lançar as bases para construção da seguinte linha reflexiva: por que somente o perfil deste tipo de preta é o socialmente aceitável e também o único a ser legitimamente considerado bonito?

Onde estão as outras mulheres, por vezes gordas; de estatura baixa ou mediana; rosto redondo; cabelo crespo e/ou encaracolado; olhos castanho-escuros; lábios grossos e de “nariz negro” (leia-se, no contexto explanado, “nariz feio”)? É esta a negra que cumpre dupla jornada de trabalho; que enfrenta, por dia, mais de quatro horas em seu deslocamento moradia-emprego e que possui, em média, baixo grau de escolaridade e limitado poder aquisitivo. Consequentemente, esta preta não preenche os requisitos necessários para merecer despontar em uma página de beleza na internet.

É óbvio que esta mulher não atende ao “padrão FIFA de qualidade” tanto no plano físico quanto no social! Assim, ela acaba por angariar a reprovação tácita do coletivo, visto que se torna indigna de ser admirada. Nessa altura do campeonato, paira no ar a seguinte pergunta: por que seria tão pioneiro e arrojado divulgar sua imagem nas redes sociais?

Desafio o leitor a se indagar a respeito!

Se a identidade étnico-racial da beleza negra é composta por negras X e negras Y, por que vemos propagado apenas um desdobramento possível do todo? Se X e Y são biunívocas, se o todo é belo, se X é bela e admirada, por que Y ainda é ignorada e esquecida? Por que Y ainda é considerada feia e não habilitada para ser vista e compartilhada amplamente no Facebook?

Nossos gostos e desejos são construídos simbolicamente com base em padrões sociais desenhados sob a égide da cultura. É um processo lento, inconsciente e complexo. Eles se revelam, por exemplo, no desejo sistemático pela loira (na maioria dos casos)… Verificam-se ainda na reprodução standard eurocêntrica insculpida na figura do negro exótico e assim por diante.

Quantas vezes, sem perceber, corrobora-se esse comportamento que reforça a negação de nossa identidade, escamoteando a fenotipia negra para se enxergar inserida nessa sociedade racista? Quantas vezes a negra “Y” se perde no processo de empoderamento da completude estética identitária da mulher negra?

Portanto, cara leitora, ao longo de nosso processo de autoaceitação e de exercício reflexivo-político acerca do que é se enxergar negra – sem deixar de render créditos às “negras ideais” (lembrando a você que por ideal se define o contexto já apresentado) – vamos aprender a nos deleitar com a beleza da mulher preta do nosso dia-a-dia.
Tão bela quanto à negra X é a preta de tranças, a mulher Black Power, àquela de nariz negro, a preta gorda e a mulher do cabelo crespo, curto e encaracolado! É maravilhosa a nossa pretinha de lábio grosso e de pele escura! Lindas somos todas nós, as negras reais.

Que a beleza da negra Y, a da negra real, a de Lupitas Niong’o e de Nayaras Justino possa, efetivamente, ser tão valorizada quanto à das negras X. Um brinde à tão desmerecida, porém não menos bela, negra real!

  • Luciana Moreira

    Muito bom o artigo e nos ajuda a refletir sobre essa questão dos padrões. Eu acho que as pessoas deveriam conseguir um espaço na mídia porque são talentosas e não por terem um rostinho bonito, ser branco ou negro com traços eurocêntricos. Mas a questão da beleza vai muito além disso, primeiramente é uma questão de auto-aceitação, de você se olhar no espelho e estar de bem com ele, independente de como sejam os seus traços e o seu corpo. Não tem como eu querer obrigar que as pessoas me achem bonita, eu encaixando ou não nos padrões, até porque não existe uma unanimidade quando se fala nesse assunto, até os símbolos de beleza feminina divergem opiniões, a beleza está no olhar de cada um e é muito subjetiva. Concordo quando você fala que a mulher real deve ser representada na mídia, deve-se acabar com esse padrão do bem aceito e estimular a pluralidade, deixando esse único padrão atual de lado. Mas mudar a percepção do belo que cada um tem do que vê é uma questão bem mais profunda, se eu conseguir me achar realmente linda como sou, que é o ponto mais difícil, a opinião do resto pouco importa.

  • Oi adorei o seu texto, realmente eles nunca valorizam o que eh real, eles sempre procuram negros que nao tenham tracos tao negros, uma negra com olho azul sim eh lindo, mais a maioria nao tem esse olho> Acho, nao eu tenho certeza, o brasileiro nao se enxerga como negro e tambem valoriza muito mais o que eh branco, ultimamente as coisas estao mudando e espero que nos mulheres negras do seculo xxi sejamos muito fortes e nao deixemos NUNCA mais ninguem e nada nos colocar para baixo, nem midia, nem tv, nem marido, namorado, amigos, NINGUEM, hj mesmo eu estava vendo a novela da Thalia eu acho ela uma mulher lindissima, ai eu fui tentar fazer uma make igual a dela e claro nao ficou igual kkk e tambem acho a tais linda e fiquei me olhando horas no espelho pra ver se pelo menos o branco do zoio parecia com o dela mais Nao parece, pq msmo eu sendo negra eu nao tenho a mesma beleza dela, eu sou unica! eu parei de me cobrar e comecei a me aceitar e dizer a mim mesma NOOSSA como vc eh linda!rsrsrs melhorei muuuito me sinto mais feliz!

  • Danielle

    Olá Amanda Beatriz!
    Primeira vez que “passeio” pelo blog e já estou encantada. Sério! Estou devorando cada post como se não houvesse amanhã, rs. Identifiquei-me muito com seu texto, afinal realmente existe um “Padrão de Beleza Negra”.
    Já ouvi várias vezes pessoas me dizendo: “Nossa, você é moreninha”; “Você é uma pretinha da pele mais clara”; ou até mesmo “Você é a preta mais bonitinha que já conheci”. São esses tipos de indagações que me tiram do sério. EU SOU NEGRA E PRONTO! Existem negras da pele mais escura, mais clara, do cabelo mais crespo, do mais cacheado.. E todas são lindas na sua maneira! É difícil para sociedade aceitar uma “negra que foge dos padrões da branquitude” . Sou estudante de Direito como você e quero parabenizá-la pelo texto e pelo blog.

    • Querida Danielle, são depoimentos como estes que me impulsionam a escrever para nós -mulheres negras-. Fico feliz que não só tenha se agradado, mas que também tenha se identificado com a problemática abordada na reflexão. Um grande abraço!

  • Carolina

    Oi! Primeiramente, muito obrigada por essa página existir. E adorei o seu texto, me lembrou muito o que meus familiares e colegas diziam no momento em que comecei a me ver como negra. “Mas tu não é negra, é morena clara.” “Teu nariz não é de gente preta, teu cabelo não é crespo, é ondulado.” E tudo isso doía, me sentia reprimida não só no colégio, mas até em casa. Às vezes dava vontade de sumir. Porque ninguém me achava bonita do jeito que sou, e mesmo recentemente, não ouvi nenhum elogio, a não ser “qual é a desse cabelo? volta a deixar teu cabelo liso…”
    Que bom que essa página existe, do contrário, continuaria tentando me “embranquecer” (passei pela transição capilar há pouco tempo, mas ainda bem, agora sinto que sou eu mesma). Muito obrigada (de novo!), vocês não sabem a coragem que brota em mim toda vez que passeio por aqui.

    • Querida Carolina, eu é que agradeço por você ter descrito aqui na página sua bela história. É maravilhoso contribuir um pouquinho para o processo de empoderamento das nossas irmãs; elevando a autoestima de tantas meninas negras. Um grande beijo!

    • denise

      Oi, Carolina!

      Olha só… acabei de responder um post defendendo quem alisa o cabelo (eu aliso), e tb me identifiquei com o oq você disse, de nao gostar de ser chamada de “morena”… não sei de onde isso veio em mim, mas nunca, desde criança aceitei ser chamada de “moreninha” e afins… uma vez numa entrevista de emprego chamei a atenção da entrevistadora pq ela nem olhou meu curriculum, só disse q eles queriam uma “negra bonita pra alegrar o ambiente”… o tempo fechou.

      Amanda, no meu meio mais próximo, isso realmente não acontece. Prefiro ter perto de mim pessoas de cabeça mais aberta, sabe? Sinto muito que isso tenha acontecido com você. Ninguém merece ser diminuído por características intrínsecas. Uma pessoa deve sim, ter vergonha por não ter caráter! (mas essas não tem! haha!).

      Mas acho que isso é inerente ao ser humano. Sempre procurando algo para subjugar o outro. Frequento uma escola de samba e lá, pode ter certeza, você é o padrão e nota mil! Lá as pessoas me olham meio assim pq eu não vou supermontada/maquiada/de salto que é o que se espera nesse ambiente, mas os mais próximos já se acostumaram e assim a vida segue.

      Como tudo na vida, o que importa é como você se sente!

  • Lud e Angela, de fato, nossa resistência diária é, por vezes, desgastante. A construção social abordada no texto é bastante deletéria para quem não se encaixa no perfil do socialmente aprovado. Só mesmo através da militância e da conscientização conseguiremos, a longo prazo, enfraquecer o preconceito. Beijos

    • Lud

      Então, há tempos venho tentando digerir comentários do tipo “vc não tem traços de negro”.
      Lendo seu post, descobri que o comentário é uma MENTIRA! Um caucasiano nao tem nariz como o meu, um cabelo como o meu, um corpo como o meu…
      E as mulheres que vc citou (Beyoncé, Rihanna, Taís Araújo, Isabel Fillardis, Camila Pitanga, Valéria Valenssa, Cris Viana, Sheron Meneses, Juliana Alves, Quitéria Chagas, Ilde Silva) representam SIM a negra na mídia, e não são “embranquecidas” como sempre querem reafirmar.
      É que pro branco é difícil aceitar que ELE VIU E ACEITOU A BELEZA EM NÓS. Então ele passou a dizer que BELEZA é característica DE BRANCO. Logo, se acho belo, é branco, é menos negro porque é BELO.
      As moças foram escolhidas por serem bonitas (como acontece com as brancas escolhidas para a mídia em detrimento da branca considerada feia, mas isso é outro debate).
      A partir de hoje não aceite mais que digam que vc tem traços ‘de branco’. Se quiserem elogiar, aceitem que estão elogiando uma beleza negra.

  • Natália e Hanayrá, obrigada pelo apoio, meninxs! A nossa luta em prol da divulgação de nossas questões é muito importante. Muito me alegra saber que o texto é significativo para todas nós e que o mesmo traduz o sentimento de inúmeras meninxs negras. Bjkas

  • Lud

    Nem a negras reais nem as brancas reais têm vez na mídia brasileira. Nas nossas novelas, por exemplo, as mulheres de 30 anos fazem papel de mães das de 20. É a sociedade brasileira atrasada e ignorante!
    Lupita N’iongo não seria digna nem de “bom-dia” no Brasil. Falo isso pq eu muitas vezes não sou merecedora de um “bom-dia” em vários ambientes onde transito, e onde as pessoas dão bom-dia quase que por instinto.

    • Luciana Moreira

      Concordo com o que a Lud disse, sou negra, mas vejo que a mídia impõe um padrão de beleza que até para a maioria das brancas é difícil de se alcançar, porque nem todas possuem aqueles cabelos macios, pele brilhante e corpo perfeito. E os negros de uma maneira geral não encontram nem espaço na mídia para mostrar o seu trabalho pelo simples fato de ser negro, dessa forma estão mais longe ainda do padrão estabelecido.

  • Angela

    Sou de Salvador na Bahia e infelizmente aqui existe muito preconceito de padrões de beleza. Fico muito triste pois estou passando por isso já alisei meus cabelos por trabalhar em uma empresa que me exigia isso e hoje tento voltar os cachos e não conseguir ainda e minha família não aceita acha que vou sofrer preconceito como antes porque vou estar fora do ” padrão” para trabalhar, meu namorado me apoia porém me mostra os dois lados porque perdi um trabalho como gerente por não ” ter perfil dentro dos padrões da empresa”, é complicado o nosso país !!!

  • Hanayrá Negreiros

    Texto justíssimo Amanda! Lutando a favor do [re]conhecimento de beleza de todas as pretas, sem rótulos e títulos que não nos pertence. Obrigada pelas palavras!

  • Natália

    Pois é… já que falamos em Beyoncé… vejo pessoas falando do dela como sendo uma vitória para os negros; que seu sucesso é uma vitória para nós. Não é. Talvez seu sucesso seja um progresso, mas não uma vitória pra todos porque ela faz sucesso sendo exatamente o que tantas pessoas acreditam que as negras são ‘mais’: sensuais, voluptuosas. Percebo que há nela uma bela e bem treinada voz, muito condicionamento físico e infinito trabalho, mas, admita-se, a maior marca e maior motivo de sucesso dela vem da sensualidade. E, ela está naqueles padrões: a ‘pele negra clara’, olhos claros, alta, magra, o corpo, os cabelos lisos. Quem quiser ser fã, claro, que seja, não a desmerecerei como profissional.
    E uma coisa que noto na mídia como um todo é que, dentre várias pessoas na novela ou no comercial há UM mulato, e raramente em papel que esteja em evidência. Raramente há negros de pele escura; e nunca com o cabelo crespíssimo ao natural. Eu sei que se eu enfrento racismo sendo mulata, quem é negro enfrenta ainda mais. E se for gordo, aí é banido da sociedade ¬¬

  • antonia ceva

    Amanda, sou pesquisadora das relações étnico raciais e de gênero. Acompanho as postagens das blogueiras negras. Acredito que o tema da estética negra deva ser bem explorado por vocês, pois o “ideal de brancura” se traduz muito fortemente na estética, com os alisamentos de cabelos e outros recursos utilizados para estar em consonância com o padrão europeu. Eu admiro muito os artigos e textos da professora Nilma Lino Gomes que discutem a estética negra associada a uma perspectiva política e histórica. Enfim… não vou me estender. Eu achei muito interessante sua reflexão. Antonia Ceva.

    • Olá, Antonia Cerva. Obrigada pela participação aqui nos comentários e também pela sugestão de referência acadêmica. Irei pesquisar o conteúdo das publicações da professora Nilma Gomes! Abraços, minha querida.

  • Fernnandah, Jeff e Izabel agradeço muito pelos comentários pertinentes e, também, pela participação de vocês aqui no Blogueiras Negras. Espero que o texto sirva como um instrumento reflexivo para todos nós acerca das nuances existentes na construção social abordada e que, por vezes, nos passam despercebidas! Um grande beijo a todxs!

  • Muito bem articulado e reflexivo a proposta deste texto de trazer a leitura a realidade da “negra ideal”. Muitas vezes a reprodução deste comportamento está ausente da leitura excludente e racista de que a diversidade de mulheres negras no todo, estão muito além daquelas que conseguiram se projetar na mídia, mas que muitas vezes estão excluídas dos holofotes sociais para que sejam vistas como referências.

  • É exatamente esse o ponto crítico da situação,Amandinha. Eu, particularmente, não tenho problemas com o quesito beleza se, caráter é o que realmente importa.

  • Seu texto reflete tudo, absolutamente tudo o que penso. Já havia notado isto, a negra bela é aquela que se encaixa com perfeição sem sobrar nem faltar, naquele padrão esperado, quando na verdade bela mesmo deveriam ser todas, com todas as suas variadas características.

  • Amanda, olá!
    Sou assíduo leitor deste site, mas farei uma ressalva. Vi um programa na BBC que falava sobre o que é beleza. Bebês de 1 ano são capazes de de identificar o que é belo ou não (pelo menos era isso que dizia o programa). E isso foi feito com vários bebês de várias etinias. Descobriu-se que para eles não é a cor da pele, nem se o nariz é largo ou fino, ou se os lábios são grossos ou não. O fator preponderante é a estrutura óssea da face e de que forma isso se harmoniza como um todo. Isso significa, pode parecer um pouco chocante, pelo menos foi a conclusão que tirei do programa que vi, que a beleza existe independente da etinia, mas existe sim um fator preponderante em todos os casos, OSSATURA. Beleza é ossatura. Quem teve uma boa alimentação na infância em geral tende a ter uma estrutura óssea melhor desenvolvida (há exceções, é claro).
    Conclusão, da qual vocês podem discordar, para crianças muito pequenas e para cirurgiões plásticos, beleza é ossatura. Uma mação do rosto bem formada (cheek bones) é um fator de beleza em uma mulher mongol, russa, americana, sudanesa, etíope, somaliana, não importa.
    Gostei do seu artigo. Este é um assunto que me fascina. Estudo-o há vários anos.

    • Olá, Netdaniels. Eu desconhecia esta informação que você relatou aqui nos comentários. É bem interessante; não duvido de que seja procedente. Bebês são muito sensíveis e têm uma percepção de mundo bastante diferenciada daquela dos adultos.
      Entretanto, creio que o alcance da abordagem acerca do que é o belo relatado por você e o que foi desenvolvido em minha reflexão possuem naturezas distintas.
      A sua, a meu ver, seria algo mais empírico – não sei se aqui estou utilizando a melhor palavra-. Quero dizer que, soa mais “behaviorista”, talvez. Lembrando a você, que em relação a experiência com os bebês, não tenho embasamento para opinar criticamente, pois sou estudante de Direito e não tenho formação na área da Psicologia.
      Entretanto, no mundo dos adultos, à medida que este bebezinho cresce em sociedade, posso te dizer, com toda clareza solar, que o gosto/padrão do belo é uma verdade totalmente questionável; sendo a mesma construída no âmbito das relações sociais. Pessoal e subjetiva, a definição da beleza vem sendo discutida ao longo dos séculos por artistas, pesquisadores e filósofos.
      A revista “Filosofia – Ciência e Vida” da Editora Escala, em seu Ano I, Nº 8, dedica sua matéria de capa ao tema, das páginas 16 a 23. É um texto inteligente, muito bem escrito, acadêmico e maravilhoso em que fica bastante evidente a tese de que nos são incutidos padrões estéticos e mais, no caso do meu texto, ainda há aquele que é visto como o único socialmente aceitável -o padrão hegemônico- em detrimento de outros modelos de beleza existentes.
      Agradeço fortemente pela sua participação; acho significativo e proveitoso a troca de experiências, além, é claro, da importância de ouvir respeitosa e criticamente as impressões, opiniões e vivências de outras pessoas.
      Sua contribuição foi muito interessante.
      Obrigada!

  • Amanda Beatriz

    Meninxs, agradeço pelos elogios e fico muito feliz em saber que tenho o apoio de minhas irmãs de luta!
    Esta é uma questão – dentre as muitas concernentes a nossa pauta de reflexão identitária – que se faz urgente ser discutida por todas nós. Bjkas para todxs.

  • Eu vejo claramente esse padrão X de beleza…a unica coisa no texto que não entendi muito bem foi fazer o paralelo da mulher Y com a mulher pobre, a Y é simplesmente a mulher sem os traços “desejados” e, assim temos X e Y em todas as classes sociais e cientes do peso do dinheiro na estética essa comparação entre classes obviamente deixa as que tem mais dinheiro em vantagem. Mas respeitadas as possibilidades financeiras é gritante como algumas são “negras lindas” e outras são “negrinhas”.

  • Eu sou exatamente assim: De estatura baixa, rosto redondo cabelo crespo, olhos negros, lábios grossos e de nariz achatado (negra com pedigri). Segundo o texto estou fora dos padrões vigentes de beleza negra. Ressalto “Eu me acho um arraso, pretinha estilosa, negra linda, pretinha poderosa etc…Detalhe não só eu penso assim, outras pessoas também fazem questão de salientar minha beleza negra.
    Infelizmente muitas pessoas da raça negra *sofrem de sindrome-complexo de inferioridade branca*. Que pena! Negam a própria identidade étnico-racial.

  • Barbara

    Oi Amanda, parabéns pelo texto, é excelente. Venho ha alguns dias pensando sobre isso e inclusive pensei em escrever, apenas pensei, mas vc foi lá e fez. É o que vemos sendo disseminado em comunidades sociais voltadas para moda e beleza de mulheres Negras. É algo reproduzido quase que inconscientemente por nós. Um texto coerente com a nossa triste realidade.
    Bjs.

  • Amanda Beatriz, adorei o texto! É uma reflexão muito pertinente e que eu já havia me questionado, sobre as “negras reais”. Axé!

  • E de dar nojo mesmo. Nas branquinhas quanto mais carnudo os lábios, mais lindas lhes parecem, mas a negra que tem lábios carnudos acham feio.Isso quer dizer que nem lábios carnudos os negros podem ter mais?? Só as branquinhas?? Vou te contar, sou branca e fico muito braba e triste com esse preconceito todo!!!!

    • Dany

      :O !!!!