Aconteceu na última sexta feira (25) Dia Internacional da Mulher Negra e Latino-Caribenha, Dia Nacional de Tereza de Benguela e também da Mulher Negra, o lançamento oficial da Marcha Nacional de Mulheres Negras 2015 no Estado de São Paulo, que teve como base entender a trajetória de nossas mulheres negras de luta, que foram e são essenciais para a história do feminismo negro, sendo apresentadas em uma linha do tempo, principalmente no que se refere à Carolina Maria de Jesus, uma grande escritora brasileira negra. Homenageando assim seu Centenário (Leia a linha do tempo na íntegra).

O evento contou com a presença de diversas militantes e lideranças negras de São Paulo, entre elas, Leci Brandão e Janete Pietá, que fazem a discussão racial no congresso nacional, e sentem o quanto é essencial a presença de mulheres negras na política. “Sou a segunda mulher negra a ocupar um lugar na Assembleia Legislativa de São Paulo. Além de mais representantes, precisamos de condições para exercer nosso papel com dignidade e igualdade”, afirma Brandão.

O lançamento além de apresentar o manifesto do Núcleo Impulsor do Estado de São Paulo, fazer parte do processo de mobilização, enquanto evento que antecede a marcha que acontecerá em 2015, em Brasília.Também teve como proposta suscitar reflexões a cerca da maternidade da mulher negra e periférica, com a intervenção “Dei, Dou e Darei” da atriz e militante feminista, Dina Alves.

Para mais uma vez homenagearmos essa grande escritora negra, que foi e continua sendo referência para o movimento negro e feminista, disponibilizamos aqui uma breve biografia de Carolina de Jesus, interpretada pela grande atriz negra Ruth de Souza:

Acredito que, nós enquanto mulheres negras, em algum momento de nossa vida, sentimos intrinsecamente nossa negritude, enquanto resistência política, ao ponto de despertarmos para a luta de nos perceber empoderadas, de querermos nos ver libertas do racismo institucional e de todo patriarcado que nos subjuga, quando sofremos na pele toda mazela que passamos por ter a pele negra. Segue relato particular, sobre como foi minha percepção, quando mais nova, sobre o que é ser uma mulher negra e porque eu marcho e continuarei marchando:

O dia em que Maria se deixou ser Maria …

“Entre cabelos crespos, pele negra e nariz chato, eis que então cansou de se sujeitar à amores escassos, tão condicionados e castos. Assim se pôs a amar, mas a si mesma, sem firulas e incertezas, se amou e assim se fez amada. Dos cabelos escovados, nasceu seu Black estilizado em meio a tanta negritude reprimida … Se assumiu Maria, paradoxal e clandestina.

Uma semana atrás lhe disseram que ela era uma morena linda, de traços finos e corpo belo, ela sorriu um sorriso amarelo, mas na verdade chorou, e num ímpeto gritou, se pôs a gritar incessantemente … É que Maria deixou de ser Carolina, se deixou ser Maria, só Maria, e foi –se embora. Deixando toda aquela gente a olhar sem entender ou entendendo, tentando se enxergar.

É que como outras meninas, desde pequena acreditava ser princesa, tipo Cinderela, mas esqueceram de lhe dizer, que na favela gata borralheira não virava donzela, parecia que ser negra era sua mazela.

Foi nesse dia que o negro tornou-se intrínseco à Maria, que de tanto o ouvir, se enegreceu, exalando um político-gineceu em meio à poesia, se arrefeceu e aprendeu que Maria Bonita que é de verdade, que Maria também é liberdade.”

E você? Apoie a Marcha e nos diga porque você marcha?