No ultimo mês tivemos um prato cheio de intolerância vindas de todos os lados, ações direcionadas a quem busca espaço, liberdade e respeito. Isso nunca foi tão evidente, nos noticiários está lá a historia de, mais uma clandestina, mais uma mulher que morreu por ser marginalizada por escolher não ser mãe.

Até quando mulheres vão morrer por causa de um aborto em um país que deveria ser livre, mas que, no entanto possui uma sociedade conservadora cristã, que nos governa e está sempre pronta para julgar e condenar tais mulheres. Só que vivemos em um Estado Laico, ou pelo menos diante da Constituição Federal de 1988, artigo 19, vivemos. Esse artigo que diz o seguinte:

“É vedado à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios: I – estabelecer cultos religiosos ou igrejas, subvencioná-los, embaraçar-lhes o funcionamento ou manter com eles ou suas representantes relações de dependência ou aliança, ressalvada, na forma da lei, a colaboração de interesse público”.

Na pratica é dada a denominação de “Estado Laico” que nada mais é quando oficialmente o poder Estado se apresentar neutro diante de questões religiosas. Mas será que o estado é realmente laico?

Ninguém é a favor do aborto, mas a favor da vida de mulheres adultas que possuem o direito de escolha, que tem uma história para seguir. No entanto elas são julgas criminalizadas também por conta de um discurso religioso e conservador. Em meio a isso não dá para negligenciar o direito que a mulher tem de fazer o que quiser com o próprio corpo, com o direito de ser ou não mãe.

Mas parece que fecham os olhos diante do que já ocorre sem a mínima segurança. Essa questão é tratada como se apenas uma ou duas mulheres abortassem, mas são várias mulheres todos os dias, adolescentes, “mães de família”, mulheres de todas as classes. Estimasse que seja 20 milhões de abortos inseguros sendo praticados no mundo, segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS). E mesmo que fossem “duas” elas possuem o direito a liberdade de escolha e a vida.

Mas até lá, quantas terão que recorrer a um aborto clandestino e ainda quantas Jandiras irão morrer, pois são criminalizadas? Infelizmente, várias ate o dia que a sociedade for menos hipócrita. Até o dia que a vida de uma mulher for mais importante que uma convenção, e resolverem respeitar a liberdade de escolha da mulher. E esse dia só vai chegar com luta!

Imagem de destaque – reprodução web