O colorismo* ou a pigmentocracia é a discriminação pela cor da pele e é muito comum em países que sofreram a colonização européia e em países pós-escravocratas. De uma maneira simplificada, o termo quer dizer que, quanto mais pigmentada uma pessoa, mais exclusão e discriminação essa pessoa irá sofrer.

Ao contrário do racismo, que se orienta na identificação do sujeito como pertencente a certa raça para poder exercer a discriminação, o colorismo se orienta somente na cor da pele da pessoa. Isso quer dizer que, ainda que uma pessoa seja reconhecida como negra ou afrodescendente, a tonalidade de sua pele será decisiva para o tratamento que a sociedade dará a ela.

O colorismo dificulta e até mesmo impede completamente o acesso de pessoas de pele escura a certos lugares da sociedade, o que consequentemente dana ou impede o acesso delas à serviços que lhes são de direito, enquanto cidadãos brasileiros.

Apesar de se orientar na cor da pele, o colorismo no Brasil, apresenta uma peculiaridade; aspectos fenotípicos como cabelo crespo, nariz arredondado ou largo, dentre outros aspectos físicos, que a nossa cultura associa à descendência africana, também influenciam no processo de discriminação.

Mas por que ter a pele mais clara traz privilégios para a pessoa afrodescendente, se ela ainda assim não será identificada como branca? Porque ela, mesmo sendo identificada como “negra” pela sociedade racista, o que significaria que ela não poderia desfrutar dos mesmos direitos que uma pessoa branca, ainda assim é mais “agradável” aos olhos da branquitude e deve/pode por isso ser “tolerada” em seu meio. Esse é um aspecto muito importante no colorismo: a pessoa negra é tolerada, mas não aceita, pois aceitá-la seria reconhecer que a  diferença é existente e que vencer o preconceito que se tem sobre essa “diferença” tenha que ser vencido.

Na relação branquitude-pessoa negra de pele clara o importante não é convencer-se de que a pessoa seja na verdade branca, mas sim conseguir ignorar seus traços negros a ponto de conseguir imaginá-la branca, a ponto de poder suportar sua presença que, por causa do racismo, é vista como intrusa.

Na nossa sociedade a tolerância do sujeito negro é construída através do mimetismo**. O exemplo mais comum de mimetismo é o de insetos, como o caso da borboleta caligo memnon, cujas asas abertas se parecem com o rosto de uma coruja. Essa espécie de “camuflagem” a protege de possíveis predadores e é uma estratégia de sobrevivência.

Para serem toleradas na sociedade racista e discriminatória, as pessoas negras viram-se forçadas a praticar o mimetismo para terem acesso a espaços dos quais sempre foram excluídas. Os alisamentos capilares também nasceram dessa necessidade de “camuflar” a própria presença, de tornar-se menos “perceptível” para a branquitude e assim garantir a própria sobrevivência.

O colorismo funciona como um sistema de favores, no qual a branquitude permite a presença de sujeitos negros com identificação maior de traços físicos mais próximos do europeu, mas não os eleva ao mesmo patamar dos brancos, ela tolera esses “intrusos”, nos quais ela pode reconhecer-se em parte, e em cujo ato de imitar ela pode também reconhecer o domínio do seu ideal de humano no outro.

É importante salientar que aceitar esse “favor” não é uma opção para o sujeito negro. Rejeitar esse “acordo” acarretaria na sua exclusão. Um exemplo é o de mulheres negras de pele clara que enquanto alisavam os cabelos, sofriam menor perseguição racial no local de trabalho, mas que depois de abdicarem desse processo passaram a ser discriminadas abertamente. O que acontece é que a negritude dessas mulheres não podia mais ser ignorada e a reafirmação dela através da estética negra passou a ser  vista pela branquitude como uma ameaça, um sinal de insubordinação, que merecia retaliação e ou exclusão. No caso de mulheres de pele escura o abandono da estética branca pode significar a intensificação da exclusão social, da qual ela já vem sendo vítima inenterruptamente e em todos os espaços.

A presença de pessoas negras, cujos traços físicos são mais aceitos pela branquitude, em espaços que ela pretendia manter exclusivamente brancos, provoca a camuflagem do racismo ainda vigente na nossa sociedade.

Além disso, o colorismo cria a ilusão da inserção de toda a população negra, quando na verdade à população de pele escura é negada toda possibilidade de acesso. Uma pessoa de pele escura, será reconhecida como negra em todas as circunstâncias, a branquitude não reconhecerá nela traços com os quais possa se identificar e desse modo despertar sua empatia.

O colorismo contudo não é um problema exclusivo da interação entre a branquitude e o sujeito negro dos mais variados tons na sociedade, ele gera conflito também dentro da comunidade negra.

A tolerância do sujeito negro de pele clara pela branquitude (que privilegia, mas não o livra do racismo), cria por vezes uma rivalidade entre estes e os negros de pele escura, que têm que lutar por seu direito a mobilidade sem qualquer tipo de vantagem. Surge então, um sentimento de injustiça que pode intensificar a falsa ideia de que as pessoas de pele clara não seriam negras, já que têm o “mesmo” acesso e desfrutam da mesma liberdade de locomover-se em todos os espaços como as pessoas brancas. Esse acesso e tolerância levam também muitas pessoas negras de pele mais clara a duvidar de sua negritude, enquanto as pessoas negras de pele escura passam a entender suas vivências mais desveladas do racismo como uma reafirmação e prova da originalidade de sua negritude.

No campo afetivo, como o ideal dentro dessa hierarquia de cores e tons é atingir a branquitude e eliminar ou rejeitar a negritude, as mulheres negras estão ambas, tanto as de pele clara, quanto as de pele escura, constantemente expostas à rejeição.

No envolvimento afetivo da mulher negra de pele clara com um homem, ela será vista como segunda opção ou nenhuma em detrimento de uma mulher branca, e no caso da mulher negra de pele escura, ela não será nem mesmo uma opção ou será a terceira opção, depois da mulher negra mais clara e da mulher branca, nessa ordem. Isso ocorre porque na nossa sociedade patriarcal a mulher continua sendo considerada como propriedade do homem e como parte dos bens, com os quais ele define sua posição na sociedade; e dentro da nossa sociedade racista a mulher negra não traz status algum.

No caso do homem negro as restrições ligadas a mobilidade e inserção permanecem idênticas às das mulheres negras, diferenciando-se somente nas questões de gênero. Através das relações afetivas, porém, o homem negro não importa de que tonalidade, consegue inserir-se em espaços previstos para a branquitude através do envolvimento amoroso com uma mulher branca. Isso explica em parte, a preferência majoritária de homens negros que ascenderam financeiramente pelo envolvimento afetivo com mulheres brancas, de preferência aquelas, cuja aparência reforcem ao máximo o ideal de beleza eurocêntrica na nossa sociedade.

O machismo na nossa sociedade define que o “valor” de uma mulher depende de sua “beleza”. Por causa do racismo a mulher negra encontra-se em constante desvantagem em comparação à mulher branca, já que a branquitude entende que ser belo é ser branco. O colorismo é nesse aspecto, um agravante dessa discriminação, pois estigmatiza a imagem já carregada de estereótipos da mulher negra, dividindo-as em negras que servem para serem desejadas ou hipersexualizadas e as que não merecem ser desejadas, criando assim, uma situação de “exclusão da exclusão”.  Nós vemos aqui uma comprovação do título do texto de Alice Walker que introduz o termo colorismo “Se o presente se parece com o passado, como será o futuro?” (“If the Present Looks Like the Past, What Does the Future Look Like?”), já que vemos ainda hoje, que a sociedade brasileira ainda considera que, “a branca é para casar, a mulata para fornicar e a preta para trabalhar”.

Seguindo esse pensamento, o homem negro, mesmo sem ascensão social encontra-se em uma posição privilegiada em relação às mulheres negras, pois ser negro não o impede de relacionar-se afetivamente com mulheres negras, enquanto a mulher negra por causa do machismo e por causa do racismo encontra, cada vez menos, quem com ela queira relacionar-se. Vemos acontecer no Brasil, uma situação que Melissa Harris-Perry descreve em seu livro “Irmã Cidadã – Vergonha, Estereótipos e Mulheres Negras na América” (“Sister Citizen – Shame, Stereotypes and Black Women in America“), no qual a autora afirma que “a solidão na vida da mulher negra é algo que se inicia na infância com o abandono paterno e se estende por toda vida através do preterimento nas relações amorosas”.***

Essa pequena introdução dos efeitos do colorismo nas vidas das pessoas negras no Brasil mostra como ele afeta horrendamente a autoestima, os relacionamentos afetivos e a exerção de uma cidadania plena das pessoas negras. Além disso, ele é um instrumento muito importante da sociedade racista na manutenção de espaços exclusivamente brancos.

 

Imagem destacada: Reprodução Web

*O termo colorismo foi usado pela primeira vez pela escritora Alice Walker no ensaio “If the Present Looks Like the Past, What Does the Future Look Like?”, que foi publicado no livro “In Search of Our Mothers’ Garden” em 1982.

** María do Mar Castro Varela & Nikita Dhawan discutem o mimetismo e a obssessão pela brancura nas ex-colonias europeias no texto “Of Mimicry and (Wo)Man: Desiring Whiteness in Postcolonialism” publicado no livro “Kritische Weißseinforschung in Deutschland” – Mythen, Subjekte, Masken de 2005.

*** Harris-Perry, Melissa V. . “Sister Citizen – Shame, Stereotypes and Black Women in America”. Yale University Print 2013.

 

  • Dário Fernandes

    Gostei muito do texto, realmente muito esclarecedor, desconhecia sinceramente deste termo, foi realmente muito elucidativo.

  • Que tema incrível! Muitas coisas passaram a fazer sentido… vou pesquisar mais sobre o tema. Muito obrigada!

  • Débora

    Texto maravilhoso. Aprendi muito!

  • Lorraine

    Nossa Aline, estou maravilhada com esses texto e consequentemente com os depoimentos. Me encontrei neles. Parabéns por expor o assunto de forma clara e com conteudo !

  • Dandára Fanfa

    Aline, muito obrigada pelo texto! Estou fazendo um projeto de seminário sobre isso e me ajudou muito no desenvolvimento do assunto.

  • Regina

    Obrigada pelo texto 🙂

  • regk a

    Obrigada pelo texto <3

  • K.Rocha

    Você tocou em um ponto delicado, não quero te expor mas é engraçado como as pessoas que nunca pensaram muito sobre sua negritude logo pensam no assunto quanto pensam em concorrer à vagas para cotistas.

  • Maryangela

    Texto maravilhoso… explica muito coisa.

  • Gabriela Fonseca

    A única ressalva que faço à esse texto é que ele tratou com muita superficialidade o colorismo dos negros de pele mais escura com os negros de pele mais clara. No meu caso particular, é o mais presente. O Movimento Negro não se sente representado pelos negros de pele mais clara ou sem traços característicos. Olha que minha pele não é clara! Sou tão negra quanto uma brasileira pode ser (praticamente não há negros puros no Brasil). Depois de ouvir alguns ‘mas seu cabelo não é duro’ ou ‘mas você nem é tão negra’ me senti excluída. Na verdade, me sinto mais incluída entre as ‘pessoas comuns’ do que entre as ‘pessoas engajadas’. Também não passei pela solidão da mulher negra, tão presente na vida da maioria, não fiquei mais tempo sozinha do que queria. Tive alguns namorados negros e só um branco. Ah! Nem vou me aprofundar no fato de ter casado com um homem branco. Eu achava que tinha casado com um homem caseiro (nada de baladeiros pra mim, obrigada), carinhoso e habilidoso em serviços manuais. Ele achava que estava casando com uma mulher inteligente, bem humorada e que sabe cozinhar. O problema é que muitos só enxergam que eu sou negra e ele branco. Isso é muito triste. Qual conselho você pode me dar para que me senta incluída? Conhece algum núcleo do movimento, no Rio de Janeiro, que não seja colorista?

    • Aline Djokic

      Olá Gabriela Fonseca!

      O colorismo dentro da comunidade negra não foi explorado porque esse foi um texto introdutório, para quem nem sabe que o colorismo existe. Esse capítulo dentro da comunidade negra precisa ser tratado à parte, pois vai preencher muitas linhas também. Quando eu tiver mais tempo, prometo escrever sobre isso 🙂
      Quanto à sua escolha amorosa, nós devemos saber (e eu acho que está faltando muito esse discernimento na hora de falar/escrever sobre relacionamentos interraciais na internet no momento) que as teorias, os textos, as conclusões, explicam o sistema e como ele funciona. No entanto elas não substituem a subjetividade de cada decisão, elas não são os indivíduos em todas as suas complexidades. O racismo pode, e muito provavelmente influenciará as nossas decisões, inclusive as do campo afetivo, mas ele não é o único motivo para se decidir por um parceiro ou não. Quando estamos falando de mulheres decidindo com quem irão se relacionar, a coisa complica muito mais, pela questão do poder de escolha etc… Mas esse é também um capítulo à parte.
      Infelizmente não posso te fazer nenhuma indicação de organização, pois não moro no RJ, mas vou entrar em contato com quem é e perguntar se ela pode lhe ajudar.
      Quanto a ser incluída… Não se preocupe muito com isso, quero dizer, com o ser aceita. Como vc mesma comentou, mesmo a gente “preenchendo” todos os quesitos, a disputa e a falta de união, pode distorcer os fatos. Porém, eu espero que vc possa sim encontrar um lugar onde possa estar em comunhão com gente que lhe entende e que pensa como você. Isso é possível, às vezes num outro lugar que difere do nosso ideal.
      Tudo de bom e um abraço,

      Aline

  • Aline Djokic

    Olá, Alyne!

    Eu não posso dizer, se você pode considerar-se negra ou não. Eu me entendo como uma mulher negra de pele clara, com certeza há quem tenha a pele até mesmo mais clara que eu e já ouvi de uma mulher negra que eu era “alva”. Veja bem, essa mulher vem do nordeste onde ela foi extremamente discriminada e onde ser mais clara que ela já é considerar-se “branco”. Como o texto expõe, é óbvio que todo mundo sabe que a pessoa em questão não é branca, deixá-la acreditar nisso porém traz benefícios para o sistema discriminatório.
    Então, restaria descobrir se a miscigenação faz com que você seja compreendida como branca, ou seja, faz com que vc possa passar-se por branca, mas que é lembrada constantemente de que deveria almejar uma aparência ainda mais próxima do ideal branco brasileiro; ou se as pessoas ao seu redor insistem em negar a sua negritude porque não suportariam adimitir uma pessoa negra no seu meio?
    Espero que possa ter ajudado!

  • Aline Djokic

    Oi, Milena!

    A sua posição é uma posição super difícil, pois eu posso imaginar que entre uma família e a outra haja várias disputas e conflitos imputados pelo cotidiano racista e pela vivência diferenciada que cada parte vai ter dentro desse contexto. Então cada um pode querer ver você do seu lado ou querer jogar você para o lado oposto, dependendo do contexto de uma conflito e outro.
    Num caso como esse só há uma saída, você decide com a menor influência possível das famílias como você se vê. O como “você se vê” vai depender tanto do que você recebeu fisicamente das duas famílias, quanto do que você recebeu historicamente e socialmente, combinados com o como a sociedade “vê você”, que pode ser medido nas vivências de racismo do seu cotidiano.

    Um abraço!

  • Aline Djokic

    Olá Heloisa,

    Pelo que pude entender, você sabe que é branca, não resta dúvida. Você pode descender diretamente de uma pessoa negra, ou ter uma descendência mais longinqua, isso não apaga sua descendência. Agora se você vai ser reconhecida como descendente de pessoas negras ou não, isso vai depender de seu fenótipo. E como o texto explicou, quanto mais próximo do negro, mais “negro”, você será tratada.
    Você não precisa se reconhecer negra, somente porque se parece com sua mãe, que é a parte negra da sua família. Uma coisa não depende da outra. Meu filho por exemplo, é a minha cara, e é ainda assim, branco. Uma amiga querida minha, que é branca, tem um filho negro, que é a cara dela. Os laços familiares não são quebrados pelo fenótipo que ele tem, mas sim pelo racismo.
    Um abraço!

  • Alyne

    Eu tenho 17 anos , agr que pensei em entrar na faculdade algumas pessoas me questionaram sobre eu entrar com as cotas, disseram que não devia pq sou clara d+ pra isso, eu tenho cabelos crespos um nariz mais arredondado igual o do meu pai e lábios grossos, mas minha pele é mais clara q dele, eu tinha conseguido uma bolsa em uma escola particular e lá eu percebi q n era tao branca como TDs apontaram, eu me considero negra pelos meus traços, pq dizem q entrar na cota racial seria um erro pela minha pele ser mais clara.

  • Irene Cibelle

    Adorei seu texto e fiquei bastante comovida com a mulheres que não são aceitas nem pela branquitude, nem pelo movimento negro… Será que é necessário criar uma terceira definição e outro movimento onde as pessoas de sintam representas… ou será que o movimento negro pode refletir sobre esse fato, e com sua vivência de luta contra a opressão não pode incluir essa ir mas no.movimento?!!! Acho que esse é um ponto passivo discurssao…

  • Heloisa

    Adored o texto mas ainda fica com duvida, minha mãe é negra de pele muito clara mas traços negros, meu pai é branco descendente de europeus, eu nasci loira de olhos verdes, com a pele mais clara que do meu pai, cabelos mais crespos que os da minha mãe e traços mais europeus que os dela, porém, todo mundo diz que eu me pareço com ela apesar de ser muito mais clara. Enfim tenho dificuldade de ne definir como negra ou branca, apesar de ter muitas características brancas ainda me vejo mais parecida com a minha mãe e sinto que se eu me declarar branca estaria negando minha afro-descendência da qual eu tenho orgulho, ao mesmo tempo quando eu falo pras pessoas que não conhecem minha família que sou descendente de negros ninguém acredita, já tive que mostrar fotos de família pra provar. Então se alguém poder me ajudar é realmente por uma questão de identidade e consciência que eu queria saber se sou negra de pele branca ou sou só branca afro-descente mesmo.

  • Milena

    Todos os texto e os comentários me ajudaram um pouco mas no fim eu me senti nadando nadando e morrendo na praia rs
    Eu sou uma sarará, e ainda assim no meio dos mesmos eu não sou bem vinda. Mas também não me chamam de branca e muito menos de negra. Me sinto no meio disso tudo sem saber reconhecer minha real identidade.
    Meu pai e a família dele é completamente negra. Já a família de minha mãe é ~parda~. Apesar da pele clara eu tenho muitas das características fisicas do meu pai e nenhuma da minha mãe, mas isso tampouco me ajudou na descoberta da minha identidade.
    Espero um dia conseguir lucidez pra conseguir me definir e ter paz em relação a isso.

  • Excelente Texto… As pessoas me deixam muito confusas a respeito da minha etnia. Sou mistura de negro com pardo, quando digo q sou negra as pessoas riem, por que minha pele é mais clara “parda”, e meus traços são finos… mas meu cabelo é crespo. de todos da minha família nasci com a pele mais clara. Até minha família faz piadas falando que fui “abençoada” pela pele mais clara da família, e por isso eu estudei e fui mais aceita na sociedade. Eu não gosto de negar minha origem negra, meu cabeço crespo, usar turbante. Digo sim que sou negra, e esse texto me ajudou muito a ter ainda mais segurança em afirmar isso! Parabéns

  • Oi aline, Ótimo texto! Estou começando a estudar sobre racismo agora e assim como outras meninas não sei me definir. Meu pai é branco de descendência italiana/holandesa. Minha mãe é uma mistura de India com Português. Eu tenho a pele morena tipo Beyonce, cabelos extremamente lisos castanho claro, e nariz batatinha. Quem sou eu?

    • karina

      Vc é única… Isso te torna maravilhosa! Quanto maior a mistura, melhor. Tenha orgulho disso 😉

  • daniela

    Ótimo texto!

  • isa

    Olá. Tenho dúvidas semelhantes ao dos comentaristas que postaram anteriormente. Primeiramente, vou deixar claro que não sou afrodescendente- não tenho conhecimento de nenhum antepassado negro nem por parte da família da minha mãe nem por parte da família do meu pai, e se tiver, seria muito distante, tipo um tetra-avó.
    Entretanto, sou bisneta de índia que foi pega em uma tribo. Disso resultou uma pele morena-clara- tipo o da Isis Valverdde. Mas aí que eu fico confusa: dos meus 8 bisavós só uma era não branca(índia), 6 eram brasileiros com maior parte de sangue branco ,1 era português.
    Por isso, me pergunto se sou branca ou parda, já que tenho a pele levemente morena, mas tenho todos os traços de uma pessoa branca:cabelo ondulado, rosto fino e comprido, lábios e nariz fino.

    • Aline Djokic

      Olá Isa!
      É claro que você é branca! Para algumas pessoas a sua pergunta pode parecer meio absurda, mas ela não é. Apesar do Brasil se gabar de ter uma sociedade altamente miscigenada, o racismo criou um padrão de branquitude que é bem próximo do ideal nazista. Simplificando, na cabeça do brasileiro ser branco “verdadeiro” é ser loiro de olhos azuis, no máximo de olhos verdes. Isso porém é um equívoco, há diversas etnias brancas (europeias), assim como há diversas etnias africanas, asiáticas e indígenas. Há etnias européias com gente que tem a pele amorenada, minha amiga catalã, “pega cor” no verão e fica da minha cor, por exemplo.
      Aliás foram essas etnias do mar mediterrâneo que vieram para o Brasil em grande número, do sul da Itália, de Portugal e também da Espanha etc., e elas se afastam bem desse ideal loiro de branquitude. Enquanto a branquitude brasileira não superar esse complexo de inferioridade racial que ela tem, as pessoas vão continuar achando que não são brancos, somente por não serem a cópia da Xuxa.
      Espero que a resposta tenha lhe ajudado!

  • Laura

    Eu olho no espelho e não me identifico nem como negra nem como branca, meu cabelo nem é crespo nem é liso, meu nariz o septo é alto e muito fino já a bolinha é mais gordinha, lábios não são grossos nem finos, pele é mais clara que a da camila pitanga e sou adotada, meus pais adotivos são brancos. Enfim me considero negra, as pessoas falam você não é negra você é parda, que isso parda?

    • Aline Djokic

      Olá Laura!

      Pardo ou parda, é usado para descrever uma pessoa que descendente da mistura de várias denominações racias e é uma denominação muito usada para se referir a pessoas afrodescendentes, que não têm um número grande de traços que se associa às etnias africanas trazidas para o Brasil durante o período da escravidão. Geralmente as pessoas no cotidiano usam essa expressão para deixar claro para a pessoa que ela “ainda não é branca suficiente e que ainda dá pra perceber que ela tem descendência negra”.
      Meio confuso, não é? Mas expressa bem o incômodo que muitas pessoas têm com a negritude no Brasil.
      Historicamente o termo pardo surgiu no período escravagista para se referir a pessoas negras forras (livres), com o final da escravidão um grande número de pessoas negras adotaram o termo, numa tentativa de se livrar do “estigma” da escravidão. Por isso mesmo, o termo permanece até hoje, no meio negro, como um termo ligado à negação da negritude.

  • Paula Estrela

    Eu cito esse texto em muitas situações. Ele realmente tem um embasamento pra que a gente debata racismo. Mas uma outra questão é que muitas pessoas que nunca sofreram racismo, não tem fenótipo de que sofrem com qualquer discriminação de seus traços e ainda sim entram com discursos vitimistas. A própria questão dos cabelos cacheados x crespos se sustenta nessa colocação. Acredito que o debate seja amplo, mas cabe também a cada um se perceber dentro de seus privilégios pra realmente se perceber como negro. Eu mesma sofro críticas de pessoas que dizem que sou branca. E só tenho a pele clara. Apenas. Sou totalmente negra em todas as minhas características e minha vida de batalhas me mostra também que eu não tenho privilégios, mas é bem difícil aceitar que cabelos de raiz lisa com cachos largos queiram falar sobre transição e resistência do negro através deste esteriótipo que em nada sofre com a discriminação. Esse assunto vem me perturbando e tenho feito algumas análises e conversado com as irmãs sobre. Esse tipo de posicionamento precisa ser colocado nessa balança do colorismo também. Oportunismo também se faz com a causa alheia.

  • Maíra P.

    Apesar do texto ser extremamente claro, ainda existem algumas dúvidas que permeiam meu pensamento. Sou filha de uma muher negra descendente de indígenas/negros/e brancos, sendo que seu principal traço é a pele escura. Por outro lado, meu pai é branco bisneto de Italianos, e até a minha geração, não houve nenhuma miscigenação, era branco com branco e acabou! Obviamente minha aparência é a mistura de ambos, tenho o nariz “batatinha” e pele negra clara, por outro lado meus cabelos são lisos, como o dos indígenas. Esta situação é bastante embaraçosa pois as pessoas me categorizam como “parda, morena”, o que não faz o menor sentido. E me assumindo como negra, por outro lado não estou negando minhas outras origens?
    E o pior, o sentimento de pertencimento é mínimo, visto que tenho a pele clara e negra, e traços “brancos” de meu pai. -ajuda-

    • Aline Djokic

      Olá Maíra,

      obviamente eu não posso lhe dizer se você é negra ou branca, ou como você deve se declarar. É importante lembrar que nem mesmo às pessoas com traços claramente negros e sem miscigenação com brancos é permitida realmente a declaração negra. O racismo trabalha em prol de uma alienação total, onde todo indivíduo afrodescendete deve negar sua descendência. No seu caso porém de miscigenação pode ocorrer ambiguidades, talvez seu fenótipo (sua aparência física) seja ambígua, cabe a você construir a sua identidade, analisando a sua interação com o seu meio e a sua herança genética e sua herança histórica. Isso ninguém pode “definir” por você, você tem que encontrar a resposta sozinha, respeitando as informações que eu citei na frase anterior.
      Não se preocupe, você simplesmente não pode estar “negando” a sua descendência branca, porque você não tem poder para isso. Nem mesmo se descendesse exclusivamente de pessoas brancas. Na nossa sociedade a branquitude é quem tem poder de decisão, e como ela é racista ela por exemplo decide que só ela é legítima, todas as outras denominações racias devem ser negadas, oprimidas e aceitar a condição de inferiores. Por isso mesmo é que, é importante para uma pessoa negra ou indígena ou cigana se declarar como tal, para legitimar sua existência. Então quando nós falamoss de “orgulho negro” nós não estamos falando do mesmo orgulho que a branquitude, não estamos falando que nossa “raça” é superior, nós estamos falando que ela é tão boa quanto a branca, nem mais nem menos. No dia em que as pessoas negras forem tratadas como as pessoas brancas, sem discriminação nenhuma, essa necessidade de se auto-reconhecer, de se auto-declarar deixa de existir.
      Nesse sentido, você deve parar para pensar “não quero me declarar como negra porque meus traços não são suficientes para ser reconhecida como tal, ou porque eu não quero ser negra?” As pessoas ao seu redor, conseguem “ler” a sua descendência não-branca e como o nosso país é extremamente racista, ela faz questão de lhe “lembrar” que ainda há o que “expurgar” no seu sangue (ironia). Até você conseguir resolver essa questão, procure se apegar à sua mãe, procure se aproximar da cultura negra e indígena, conhecê-las melhor, de maneira que elas se tornem fonte de orgulho, não importando se vc chegar a conclusão de que realmente não é negra. É sempre importante saber de onde se veio.

  • Cristina

    Tenho uma dúvida,li sobre o texto a um tempo pois me preocupo ;sou negra casada com um homem branco.Hoje temos uma linda bebê de seis meses.Conversei sobre este assunto com meu esposo e com base nisto a nossa filha seria denominada como negra,apesar da pele dela ser mais clara como a minha mas não tão branca quanto a dele.Mas ele não entendeu porque ela seria apenas negra e sua “parte” branca seria ignorada.Aí percebi que ainda tenho dúvidas,preciso entender pois quero que a minha pequena saiba bem quem ela é sem ter vergonha disso como muitas crianças que conheci por achar que ser negro é ruim e viver criando motivos pra “clariar”.

    • Aline Djokic

      Olá Cristina!
      Eu sou filha de pai branco e mãe negra. Seria possível que eu nascesse sem traço nenhum negro, isso já aconteceu com primas minhas, mas eu, apesar de ter a pele mais clara que a minha mãe, não sou uma pessoa branca e jamais fui reconhecida como tal. Se a sua filha se encaixa nesse quesito, vc deve sim escolher a denominação negra. Porque isso deve ser assim? Porque essa é a identidade que ela terá politicamente, ou seja, a que terá peso para a convivência dela na sociedade em que ela vive. Isso também é importante porque as politicas públicas brasileiras privilegiam primordialmente homens brancos, seguidos de mulheres brancas e só depois vêm as pessoas negras, mas os homens negros acabam tendo vantagem por causa do machismo, mesmo existindo a questão racial que une o homem negro e a mulher negra. E é por isso que é importante declarar-se mulher negra, para que tenhamos representação política, senão a única coisa que acaba restando pra gente é a discriminação racial cotidiana.
      Outro aspecto é o que você citou, que é que, nossa gente passou tanto tempo tendo que se esconder e sendo ludibriada pelo discurso de “miscigenação” que é importante para afrodescendentes essa auto-declaração. Agora sua filha está protegidinha por vocês, por uma áurea utópica familiar, mas a partir do momento em que ela entrar em interação com outras crianças na nossa sociedade que é racista, ela vai precisar saber porque ela é “tratada diferente” de crianças brancas e ter sabido que ela é negra e que ser negro é lindo desde pequena vai poupar muitas dores, acredite em mim.
      O seu marido deve entender que, não poder optar por uma espécie de dupla identificação racial, é uma necessidade política à qual a pessoa identificada como negra no nosso país necessita por causa do racismo e do qual nem você, nem ele, nem a vossa filha, apesar de, e mesmo com todo o amor que vocês possam dar, não poderão protegê-la. E é por isso que vocês conscientes dessa situação, devem explicar quem ela é e como a sociedade a vê.
      Por que vocês não estão negando a parte branca da identidade dela ao declará-la negra? Porque identidade não é só a identificação política de um sujeito, identidade também é aquilo que a gente recebe da família, dos vizinhos, da região, do país e até mesmo do continente onde a gente cresceu. Identidade é também troca de experiências e vivências com pessoas que têm importância na nossa vida e desenvolvimento, e nesse quesito vai entrar a colaboração “branca” do seu marido. Eu considero essa parte a mais importante na construção da identidade de uma pessoa. E por isso mesmo o seu marido deveria se informar, ou melhor aceitar, esses fatos sobre a história conjunta de pretos e brancos no Brasil e deixar de acreditar nessa espécie de “racismo inverso”, que sabemos muito bem, não existe.
      Parabéns, pela pequena e muita saúde e felicidade para todos!

  • Agatha

    O texto me esclareceu muita coisa mas ainda tenho medo de declarar que sou negra. Não pelo racismo porque isso declarando ou não já sofro mas pelas negras da pele escura vir dizer que não sou negra, sou branca, ou sou parda, morena, mulata, que não tenho o direito de me considerar negra… Eu fico meio desencaixada, tem hora que eu nem como definir quem eu sou, qual a cor da minha pele… Difícil!

    • Vitória

      Eu também passo o pela mesma coisa, as pessoas dizem pra mim que sou branca ou morena clara. Mas eu nunca soube definir minha cor.
      Eu tenho alguns traços que me define como negra (lábios e o nariz), mas como as pessoas dizem que sou morena clara ou amerela, parda; eu nuca sei como realmente definir minha cor.
      E fico com medo também de me definir como negra e as pessoas com a pele negra mais escura dizerem que não sou,e também de ver isso como uma ofensa.
      Eu nunca sofri nem um tipo de racismo, até porque como diz no texto a sociedade declarou que existem pessoas morenas claras, pardas, e isso é uma forma de camuflar o racismo e aceitar as pessoas que assim como eu são mais claras no tom de pele, mas mesmo assim traz alguns traços negros.
      Então queria saber se posso me declarar como negra? E se isso não ofenderia as pessoas negras de pele mais escura?

    • Agatha, também sofro como você: por ser de pele clara, cabelo crespo e não ter o nariz de batatinha há negros que dizem que não sou negra. Mas metade da minha família É negra.

  • natalia ferreira

    gente estou muito mal e preciso da ajuda de vocês: estava eu dentro do movimento negro ao qual CUSTEI a me aceitar, pq alisava cabelo, não tomava sol, atém pregador eu coloquei no nariz na infancia pra ver se diminuia. aí me encontei aqui nesse texto do colorismo. sim sou negra, NÃO SOU MULATA, NEM MORENA ( como me chamam). ai ao dizer isso no movimento, me chamaram de “NAO BRANCA” e falaram que colorismo é uma mentira e não se aplica ao Brasil. Estou muito mal, pq não me disseram onde eu me encaixo, me disseram só que eu nao me encaixo no movimento negro, pq sou “não-branca”. AI EU PERGUTEI mais algumas de vcs me denominaram “”””negra de pele clara””” e qual é a diferença para não-negra, e nao souberam ou não quiseram me explicar, só me pediram pra sair.
    eu preciso de ajuda, porque quando eu finalmente me encontro, onde eu pertenço onde as mulheres sofreram como eu: sendo tratadas como preta demais-pra-casar, quando sou hipersexualizada, quando sou chamada de cabelo duro, macaca, boca preta, ai vem as pessoas que eu achei que me acolheriam e me explicariam, e elas simplesmente me enxotam. estou muito mal, queria a ajuda de vocês.

    • Aline Djokic

      Olá Natália!
      Eu espero que você entenda que eu não posso dizer daqui em qual categoria racial você se encaixa, isso é algo que você vai descobrindo e construindo. Mas uma das primeiras perguntas é seus pais biológicos são negros, ou pelo menos uma parte deles? Ter alguns traços que a branquitude taxa como de “preto” não faz de ninguém negro, será que está dando pra me entender? Então se ocupar da sua hist´ria familiar vai te ajudar muito a entender a sua prórpia história e lugar no mundo.
      Quanto ao movimento negro que você procurou, eu acho quase cômico eles dizerem que colorismo não existe no Brasil, mas usarem o termo não-branca, que é um sinônimo de “pessoa de cor” e que no Brasil teria tanto “lugar” quanto o colorismo. As pessoas têm que entender que a sociedade muda, a percepção que ela tem de si mesma muda.
      Enquanto houver racismo teremos sempre que desconstruir, se a pessoa diz que colorismo não existe, ela tem também que explicar porque isso não é possível.
      Porém nem tudo é colorismo de branco para negro, há realmente pessoas brancas que sofrem colorismo por outras pessoas brancas, já que existem várias etnias brancas e o ideal máximo entre elas é o nórdico.
      Espero que você encontre a sua resposta.

    • Natália Ferreira, estive também em um movimento negro este ano e me senti excluída também, por não ter o nariz “batatinha” e nem a pele negra, pois neste movimento, em uma palestra, fizeram uns comentários sobre essa questão, de não sermos consideradas negras pelo fato de termos pele muito clara nem o nariz bolinha, mas o movimento era sobre cabelos crespos!! Eu não tenho culpa se nasci desse jeito, com os crespos da minha mãe NEGRA e a pele clara do meu pai BRANCO. Quando pensei que fosse ser acolhida também pelo movimento, me senti excluída.

  • Priscila Barbosa

    Não quero aqui fazer nenhuma comparação entre sofrimento das mulheres negras com minhas experiências, de forma alguma. Sou branca, pele bem clara, filha de mulher negra e homem branco, do negro tenho na aparência só o cabelo crespo, que lutei e muito pra aceitar e entender o quanto ele é lindo, não o alisava, mas mantinha sempre preso ou bem curto, até o momento que me envolvi no movimento negro, e passei a estudar e entender em parte tudo o que meu cabelo representava, e o assumi e o amei. Mas aí iniciou-se uma resposta social muito preconceituosa e racista, onde me diziam: “Alisa esse cabelo afinal vc é branca”, “Nunca vi branca com cabelo de preta”, “Seu cabelo é peruca??”, chegando ao ponto de ser abordada na rua por uma cabeleireira branca que achou que precisava me avisar que existem produtos que alisam o cabelo e ficam naturais. Muitas tantas vezes fui motivo de piada, de risada escancarada em ônibus, de cochicho quando eu passava,e hostilidade por assumir meu Black. Alisei, caí em tentação e pequei, e aí não havia mais comentários quando eu passava, e nem risadas, nem crianças rindo, fazendo piadas. Percebi nos meus círculos sociais uma diferença de tratamento absurda. O racismo está tão entranhado na sociedade brasileira, que qualquer traço que lembre o Negro, é suficiente pra descriminar alguém. Depois de passar por um longo processo de transição capilar, fiz o BC e voltei pro meu crespo que tanto amo e logo logo ele será um belo, enorme e afrontoso BLACK, que diz muito de quem sou e da onde vim com muito orgulho!! E tudo isso foi só um desabafo, de alguém que é fruto do racismo e do abuso, que cresceu vendo sua mãe solteira, negra, pobre, humilde, trabalhadora, honesta, forte, guerreira, sofrer racismo e solidão da mulher negra, o desabafo de alguém que deseja fazer algo pela humanidade, por minha mãe e todas as suas irmãs, minhas irmãs.

    Seu texto é maravilhoso, me tocou profundamente, e agradeço. Aprendo muito por aqui. OBRIGADA !!!!

    • Priscila, achei sua história muito legal. Infelizmente é o que passam a maioria de nós. Mas, mesmo tendo a pele clara, se sua mãe é negra e seu cabelo é crespo, você não é branca.

    • Aline Djokic

      Olá Priscila!
      Muito obrigada pelo seu depoimento! É muito difícil ler declarações tão lúcidas, principalmente quando o assunto é colorismo. Ao contrário da Karina Santos, eu não considero o fato isolado de ter um pai ou uma mãe negra suficiente para dizer se uma pessoa é negra ou não. Porque ser negra também depende de ser reconhecida como tal e não só saber no seu íntimo que se é. A gente não pode esquecer de que até quem é incontestavelmente negro tem às vezes que se reconhecer como tal, tanto para si quanto para a sociedade.
      Fico muito feliz que você tenha alcançado a paz espiritual com as suas raízes, que te deram de presente o black para que você pudesse sempre se lembrar delas, Vamos espalhar sabedoria, informação e respeito pela nossa ancestralidade, não importa qual lugar os traços dela tenham nos dado nessa sociedade!

  • Janine

    Ótimo texto! Estou tentando me encontrar nesta sociedade. Qro entender melhor tudo isso!

  • Gostei muito do texto. Vivenciei, muitas vezes, estas situações ligadas ao colorismo. Deixo apenas uma dica: antes de publicar, seria bom pedir a alguém para fazer revisão do texto. Há alguns erros de pontuação, gramática e frases mal formuladas. Um texto impecável como este merece um português tão impecável quanto.
    Um abraço

  • Bruna

    Esse texto é daqueles que te deixa um pouco mais em paz com suas experiências. Uma coisa que eu sempre achei complicado para mim era qual a minha situação frente ao movimento negro (do qual – ainda – não faço parte). Sempre entendi que não sou branca. Não tinha a cor, os cabelos, os traços, os namoradinhos das minhas amigas brancas. Mas onde isso me deixava? Só muitíssimo recentemente é que o elemento racial se tornou inevitável pra mim. E só tive coragem de me autodeclarar negra depois que uma companheira negra, de um movimento social parceiro, se referiu a mim como negra de pele claea, me tomando como exemplo de como a história e a identidade negra tem sido pulverizada, desarticulada, tomada de nós.

    Foi o estopim para que eu enxergasse o óbvio, mas o meu medo era a falta de legitimidade para essa declaração. E eu compreendo a falta de paciência dxs companheirxs negrxs de pele escura, que nunca tiveram dúvida de que são negros, porque a todo momento eram relembrados pela exclusão e opressão do racismo. Não desfrutaram dos privilégios que o mimetismo me oferece, sendo eu uma negra de pele mais clara. Como detentora de um “privilégio” (não sei bem se faz sentido usar essa expressão neste contexto), quase que me incomodo em repetir a minha história, porque sinto que a afirmação da minha identidade pode vir de outras formas, do meu ser negra e estar em espaços de luta. Sinto que ainda preciso silenciar e ouvir a voz e história das companheiras negras de pele escura. Mas devo admitir que quando leio estes textos – esclarecedores, pacientes, acolhedores – fico muito feliz de me sentir mais próxima das companheiras com quem eu, hoje, acho que preciso construir essa luta. Descobrir-se negrx é descortinar grande parte do seu passado, e dizer não a qualquer tentativa de embraquecimento, e fazer isso em conjunto é muito mais forte e engradecedor. Obrigada!

  • Michel

    Excelente texto

  • Marianne Teixeira

    Texto excelente! Já vi todas as situações descritas acima. Por exemplo, vi uma negra, casada com um branco (filho negro de pele mais clara, portanto), dizendo: “filho meu tem que limpar a família!”. Assim como ouvi uma outra mulher (negra) dizendo: “Minha filha é negra, mas é bonita. Porque negro é muito feio, né?”
    É uma lavagem cerebral intensa, na qual o negro aprende que ele é “feio” e “ruim”.
    Mais um motivo que torna teu texto maravilhoso, já que aponta muitas coisas veladas.

  • Val Matos

    Aline você é foda!

  • Priscila

    Obrigada Aline por esse texto maravilhoso que vc nos proporcionou, é impressionante como vc escreve, me sinto acolhida nesse texto sobre colorismo me abriu a cabeça pra diversas situações que já passei e ficava sempre triste pq abalava meu emocional, é incrível como as pessoas querem que nos fazer sentir menores por sermos negros, nossa sou negra mas de pele clara e por muitas vezes duvidei da minha negritude, mas sempre soube que não era totalmente aceita em espaços marjoritariamente brancos. Obrigada pelo texto.

  • Jacqueline

    Caramba que baita texto incrível!
    Simplesmente explicou tudo que tento dizer para as pessoas e não consigo.
    Sou parda, tenho a pele “clara”. Meus cabelos são crespos e o nariz largo. Todos me dizem que sou branca, pois tenho a pele clara, mas ninguém me “trata” como branca.
    É impressionante ler seu texto e perceber que ele descreve minha vida, das minhas irmãs, mãe e tias.
    Somos “toleradas” no convívio, “mimetizadas” na paisagem , mas nunca vistas como iguais.
    Muito obrigada!