Pra quem não sabe, o Incra (Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária) é responsável por demarcar e reconhecer legalmente os quilombos, assentamentos e territórios indígenas, não isentando a responsabilidade funcional de mesmo peso da Fundação Cultural Palmares. É de responsabilidade da administração pública brasileira atender e resolver as demandas atribuídas em torno, além de manter a sustentabilidade desses territórios.

Acontece que se os territórios não são demarcados e reconhecidos, a gestão pública se “isenta” das responsabilidades de sustentabilidade desses territórios. O mesmo ocorre quando o serviço é terceirizado (e isso tem ocorrido com frequência nos estados).

Acontece um sistemático déficit no Brasil em questão de reconhecimento dessas terras por diversos interesses, aonde o principal inimigo de quem luta por esse reconhecimento, historicamente, são os ruralistas. Até ai, sem novidade. Na verdade, nada nesse texto é novo.

A situação só se agrava nos quilombos! Ainda se luta pelo básico (saúde e segurança) e o Estado continua fazendo vista grossa aos manifestos populares e coletivos de frente.

De uma forma ou de outra escondem cada vez mais a importância cultural, ancestral e identitária que representam para nossas comunidades negras e indígenas, silenciando e negligenciando.

Tendo como exemplo as manifestações de ódio contra religiões de matriz africana, que historicamente, nós negros e negras já vimos, ouvimos, passamos ou presenciamos por aqui. Vejo cada vez mais a multiplicação e adaptação do racismo através dessa e outras ferramentas coloniais. -e não só- Há muitos exemplos de quilombos autenticados que tem sua segurança burlada por fanáticos religiosos em todas as regiões do país, infelizmente a autenticação das terras não trás bom senso nem o verdadeiro sentido da palavra “Laico”.

Mesmo mapeado pelo Incra, vivem a margem, com os mesmos problemas do passado. Ou seja, depois da demarcação, se enfrenta basicamente as mesmas situações em torno de sustentabilidade.

Engraçado… não ouço barulho de panelas! Ouço apenas o som de barrigas roncando e não, não é da classe média paulistana. Quilombolas, Indígenas e camponeses (foto) esteve em greve de fome que começou com 26 representantes e apenas 8 continuaram (os demais passaram mal e sobre acompanhamento médico deixaram o protesto), a comunidade de Santa Helena-MA já existe há 150 anos e buscam por melhorias, além da demarcação das terras. A greve se deu inicio no dia 08/06 e obteve resposta da Presidenta Dilma na manhã do dia 23/06, que assinou a regularização de dez quilombos, dentre os dez o de Santa Helena. Porém, as histórias de um modo geral, nem sempre terminam com final feliz em quilombos, ainda são muitos que passam por esse processo em busca de seus direitos territoriais.

quilombolaindigenacamponeses

A mídia? Não da voz, querem fazer como se não existissem, querem sucumbi-los.

Um dos principais movimentos que luta contra tudo isso é o MST (Movimento Sem Terra) e diversas frentes do Movimento Negro e indígena, todo manifesto é repercutido na mídia em forma de marginalização e hostilidade, quando é.

Nunca tivemos uma real oportunidade de voz, nunca tivemos nossa real história contada em rede nacional. Os que sabem, e pela constituição são responsáveis, não o fazem.

Qual o próximo passo? Deixar os latifundiários reinar? Não. Jamais. Não sem luta! Aqui jaz Zumbi e Dandara! lutaram e morreram por liberdade, pelo direito a terra e dignidade e não foi em vão!

O uso é capião, não é dos capitão!

Imagem destacada: Reaja ou Será Morto Reaja ou Será Morta Page.