TW (Aviso de gatilho): Gordofobia;

Era só pra ser mais um sábado de sol, daqueles em que fico o dia todo escrevendo, assistindo séries ou lendo. Mas resolvi ir a um evento próximo ao centro do Rio de Janeiro. E o que era pra ser um almoço vegano, se estendeu e virou uma happy night.

Encontrei alguns amigos, lanchamos, compramos coisas na feira de artesanato e resolvemos continuar a confraternização na casa de uma dessas pessoas, que morava praticamente na esquina do evento. Mas antes, claro, um bom vinho pra quem bebe. Fomos a uma loja especializada, a uns seis quarteirões dali. Voltamos com várias garrafas. No caminho, passando por uma das principais avenidas da cidade, um babaca (provavelmente de classe média, considerando o modelo do carro) põe a cabeça pra fora do veículo e grita bem alto: satanáááás! Ele e os amigos começam a rir dentro do carro. Meus amigos e eu achamos isso patético e infantil, obviamente, e comentamos algo como: “nossa, que panaca. Ele gritou satanás, que medo!” (ironia). Eles fingiram muito bem que não tinham entendido o porquê do xingamento, e a quem ele era direcionado. Bons amigos fazem isso.

Estendemos o programa até as nove da noite, mas pra mim ele acabou ali. Não por causa daquele idiota simplesmente, mas por conta de todas as ofensas que recebo. Por estar cansada de sofrer abusos verbais.

Não havia dúvida de que o satanás ali era eu. As demais pessoas presentes eram bonitas, do jeitinho que o padrão branco e magro impõe. Até havia outra mulher acima do peso no grupo, mas ela não era negra. A preta, gorda, com cabelo crespo e curto pro alto, horrorosa e com cara de demônio não poderia ser outra pessoa. Aquela que é hostilizada diariamente pela família, que recebe conselhos não solicitados sobre o seu peso, cor e cabelo até de estranhos, que é alvo de risadas no transporte público e que já foi agredida fisicamente na rua simplesmente por existir, é esta que vos fala.

Sempre tentei compensar a falta de atributos desejáveis de outras formas. Usei por muito tempo uma máscara de inteligente e esforçada. Me escondia atrás dos livros. Estudei de forma insana na faculdade e para diversos concursos. Estudava até altas horas da madrugada, ininterruptamente. Desobedecia meus pais quando eles mandavam eu ir dormir. Na falta de abajur, ia pro quarto e lia centenas de paginas apenas com a luz do Nokia lanterninha que tinha na época. Tive problemas de visão por causa disso. E como tudo que é feito “à força” não funciona, não consegui ser nomeada em nenhum cargo público durante os mais de dez anos de estudo, e não tive sorte na iniciativa privada. Parei de estudar feito louca quando tive uma crise de nervos e estafa em sala de aula, depois de ir pro cursinho durante uma semana com gastrite.

Tudo o que fiz pra ser aceita (ou pelo menos tolerada) deu errado: não consegui um emprego rentável, não sou bem sucedida. Muitas vezes penso que estou carregando uma maldição. Porque todos os dias são extremamente difíceis.

Adoeço todos os meses. Sinto dor todos os dias, desde o momento em que me levanto da cama até a hora de dormir. Minha família me considera menos que um zero à esquerda. Não sou convidada pra casamentos, natal, ano novo. Às vezes esquecem que existo. Às vezes agradeço por isso.

A maneira que encontrei pra fugir desta opressão que me persegue há mais de 20 anos é ficar cada vez dentro da bolha de proteção que eu mesma criei. Não sei se é saudável, se isso trará consequências a médio e longo prazo, mas (in)felizmente é o subterfúgio que tenho no momento.

Quem me conhece intimamente sabe que gasto uma parcela considerável do meu salário com táxis. Já me basta a rotina difícil e penosa de segunda a sexta. Moro próximo ao centro da cidade, e para lazer, em qualquer lugar que eu vá, eu recorro ao transporte particular. Economizo nas saídas, faço uma compra mensal super enxuta pra poder reservar uma parte do meu dinheiro pra ter sossego. Evito ao máximo ficar na rua “dando bobeira”. Em ponto de ônibus, em ruas movimentadas, em qualquer lugar. Sou um prato cheio para a humilhação.

Saio de casa para fazer coisas específicas e evito fazer hora (quanto mais tempo eu estiver exposta, pior). Se vou ao cinema no shopping, chego na hora da sessão, assisto e depois vou correndo pra casa. Quero voltar o mais rápido possível. Ao menos lá, estou protegida e cercada de pessoas maravilhosas que não me discriminam.

Se já xinguei e mandei à merda? Muitas vezes, e é ainda pior. Tenho medo de retrucar e receber um soco, uma facada, um tiro. De ser linchada na rua. Tenho vergonha das situações pelas quais passo. Vergonha de mim, ódio de quem pratica. Eu demonizo o preconceito com todas as minhas forças.

Minha autoestima é péssima, não me relaciono fisicamente com ninguém há mais de um ano, tenho poucas pessoas no meu círculo social e a tendência é diminuir cada vez mais, ao menor sinal de rejeição. Desenvolvi depressão, síndrome do pânico e sinto que emburreci. Demoro demasiadamente pra aprender coisas novas no trabalho e noto que já perceberam isso. Não me surpreenderei se a qualquer momento receber um aviso de demissão.

Produzo mal no trabalho e quase sempre minha cabeça está longe dali. Nem os nove anos de terapia resolveram. Tenho 30 anos e sinto como se dentro de mim morasse uma velhinha de 90, que a única coisa que espera da vida é a passagem dos dias.

Não tenho forças pra correr atrás dos meus sonhos e melhorar de vida. Frequentemente escuto que é só uma questão de esforço. Mas quem perdeu a graça pela vida, já cogitou o suicídio e dorme pra fugir da vida não consegue mover uma palha, quem dirá um grande projeto.

Não vou compartilhar esse texto nas redes sociais e em nenhum outro lugar da internet. Não quero que mais pessoas saibam da miséria que vivo todos os dias.

Essa sociedade hipócrita e execrável conseguiu transformar a maior das micareteiras na pior das antissociais. E na mais desesperançosa das pessoas.

Sou aquela que em vez de agradecer, entristece por mais um dia.


 

MILITANTE SOLITÁRIA – uma mulher negra e gorda que está tão cansada das capitais, vida, das pessoas e de ser rechaçada, que preferiu não se identificar.

  • Juliana

    Primeira vez que entrei aqui pra ler um texto na íntegra, confesso que sou displicente e até um tanto preguiçosa para textos grandes (uma vergonha, eu sei!) e seu texto, primeiro me deu um alívio, era como se uma luz em neon enorme piscasse na minha timeline dizendo “você não é a única!” , mas ao mesmo tempo me entristece. Primeiro porque você e nenhum ser humano precisa passar por isso, nunca! E em segundo lugar porque você está se prejudicando e adoecendo em função disso e isso é muito ruim.
    Sinta-se abraçada e te desejo força pra lutar pela sua vida, pelo seu bem estar e pela sua felicidade!
    Beijos!

  • Lu P.

    Eu sinto muito que você tenha que passar por tudo isso.
    E eu desejo do fundo do meu coração que você crie forças para sair mais de casa e expandir seu círculo de amigos. E que os novos amigos sejam tão ou mais legais quanto os que ignoraram a piada imbecil merda que os playboys fizeram.
    E que, nesse processo, que sua auto-estima vá melhorando, vá aumentando.
    Desejo também que você consiga o emprego que você tanto deseja.
    E eu te desejo muito amor.
    Muito amor de amigos e de você para você mesma.
    E, sim, eu desejo que você encontre alguém com quem se relacionar física e emocionalmente.

    Talvez você leia esse comentário todo cheio de “desejo” e pense “Mais uma com a vida boa me desejando coisas que só acontecem pros outros, coisas que não acontecem pra mim.”
    Mas não é isso. Tirando a parte de ser gorda (e os relacionados), tudo que você disse são coisas que eu também estou enfrentando (poucos amigos, emprego ruim, depressão, falta de amor, auto-estima inexistente, vontade de me matar).
    Tudo que eu te desejei mais acima é o que eu desejo para mim.
    Então é o que eu vou desejar para você também.

    Boa sorte pra gente.

  • Viviane souza

    Lendo o seu texto fique surpresa, triste, admirada e finalmente chateada. Pegando uma deixa do que foi explanado por uma leitora do blog vou apresentar-me: Sou preta, meu cabelo é crespo, meu nariz é de batata e estou acima do peso. Sim, já sofri com comentários maldosos e depreciativos. Quando era mais nova isso me afetou deveras, inclusive tive algumas atitudes similares a sua, mas inconsciente me protegia, pois é difícil admitirmos para nós mesmo que fomos excluídos ou rejeitados por nossa cor, aparência ou classe social. Quando entrei na faculdade tinha certo receio de dizer que era bolsista, mas isso acabou no primeiro semestre, depois comecei a ter orgulho de dizer que o fruto meu esforço e conquista. Já fui a feia do grupo, a estranha, desajeitada, a que se escondia. O autoconhecimento e o respeito a me mesma me fizeram mudar, não de personalidade, mas de perspectiva. Deixei meu cabelo crescer crespo (SE FOR PRA SER FELIZ E SE SENTI MELHOR ALISE), pintei de vermelho (QUE CHOQUE PARA ALGUMAS PESSOAS) e comecei usar batom de cor (ANTERIORMENTE ISSO NUNCA ACONTECIA, AINDA MAIS COM MEUS LÁBIOS GROSSOS, VERMELHO NEM PENSA. PARA UMA SOCIEDADE MACHISTA É COISA DE PUTA E SE FOR NEGRA, DEUS ME LIVRE). Parei de reclamar de quem eu era e passei a exercer o papel de que eu quero ser, a me mostrar, a incomoda e aceitar como eu sou. Cheia de falha limitações, mas uma pessoa dedicada, esforçada, bonita, corajosa e inteligente. O preconceito, o racismo e a intolerância não vão acaba da noite para o dia e talvez nunca acabe. VOCÊ FOI EXTREMAMENTE CORAJOSA , SEJA MAIS AINDA , OUSE. NÃO ACEITE ESSE PAPEL QUE A SOCIEDADE TE IMPÕE. MENINAS SEJAM CORAJOSAS, O OPRESSOR NUNCA ESTÁ CERTO E QUE TAL LUTAR CONTRA O PAPEL DE OPRIMIDO? SEI O QUE É CONVIVER COM O RACISMO.

  • Ana Cristina Santos

    Em muitos momentos do seu texto achei que estivesse falando de mim. Sou filha de um negro e uma loira de olhos azuis, ambos já falecidos. Minha mãe morreu quando eu era criança e, depois que meu pai também se foi, passei a ser tratada como lixo pela família dela, pessoas com quem sempre convivi. Até expulsa da casa onde cresci eu fui. Hoje percebo que era discriminada por eles desde a mais tenra idade como quando um tio me oferecia insistentemente um par de brincos para que eu aceitasse cortar meu cabelo africano, mesmo ele estando SEMPRE trançado. E os comentários sobre meu físico? Eles tentaram, mas, não sei por que, nunca conseguiram matar minha autoestima. Um dia, quando não tinha mais nada, nem família, nem casa, nem trabalho, nem dinheiro, conheci um homem que me trouxe um pouco de emoção e prazer. Em seis meses estava grávida e meu filho está hoje com 1 ano e 10 meses. Não sou casada, afinal mulheres como nós não são para casar, não é? Mas isso é o de menos. Tenho minha casa, meu filho e a distância daqueles que me magoaram. Meu bebê é loiro de olhos azuis como o pai e todos os dias me pergunto como farei para que ele reconheça, respeite e ame suas raízes negras. Ainda tenho muito que lutar, mas meu Miguel me salvou do vazio, me tirou da beira do abismo. Foi um presente que Deus me deu e que salvou a minha vida. Tenha FÉ. Foi o que me fez ficar viva.

  • Maria Antonia

    Emocionada, indentificada e abatida… Sinto muito por tudo isso, por todas nós.

  • Mariana

    Procurei algo sobre gordas empoderadas e estrias (sim, ainda tenho problemas com isso), acabei caindo aqui e me interessei pelo texto, portanto terminei de o ler. E, poxa, sua carga emocional de vida é muito parecida com a minha.
    Quando eu estava na sexta série, comecei a participar de um programa social que na oitava série me colocou num colégio particular. Foram 4 anos de tortura e estilhaçamento emocional. Primeiramente, dentro de casa, a linguagem foi sempre ódio, minha mãe nunca fez a linha amorosa. Depois, a psicóloga do programa veio com uma conversa de que eu deveria emagrecer, pois se não ia perder todos os processos que uma garota “normal” (porque sim, eu era o et) passaria, tipo primeiro beijo, meninos e afins.
    Eu sabia que era gorda, mas eu amava cada centímetro do meu corpo e me relacionava muito bem com as pessoas. Sem neuras. Eu já havia dado meu primeiro beijo aos 11 anos, inclusive. Foi ela dar o recado e as aulas começarem, que minha autoimagem foi desmoronando. No meio dos riquinhos (maioria plásticos e misóginos – só não digo todos não porquê ainda) que eu comecei a sentir que eu estava errada em ser quem eu era. Ninguém conversava comigo naquele lugar, ninguém demonstrava um mísero interesse. Eu comecei a me isolar, e mudei bruscamente com as pessoas. Eu me transformei em puro ódio e apatia.
    No primeiro ano, surgiram uns boatos de mim numa festa, algo como sexo (o que pra aqueles misóginos era demais), e eu sabia que devia desmentir tudo, porém aproveitei a mentira pra manter a bolha ao meu redor. E assim, foram 3 anos de total isolamento.
    Depois que saí do colégio, entrei na universidade. Estou no segundo ano ainda, era pra eu estar no terceiro. Ano passado, meu computador quebrou e como não me dou bem com ninguém (era em dupla), fiquei sem entregar meus trabalhos, além de deixar de ir às aulas de um professor por atitudes grosseiras da parte dele – problemas comigo mesma também.
    Eu moro em uma cidade pequena, com uma mentalidade conservadora, e lotada de brancos racistas. Dessa forma, sofri não apenas por ser gorda, como também pela minha pele. Eu só não fui mais motivo de piada, por causa do meu casulo.
    Tipo, hoje, eu percebo que tenho que mudar, ser positiva. As críticas vem pra todo mundo. Ninguém recebe só elogios. E isso tem mudado o mundo pra mim. Eu olho pra tudo que eu vivi, e embora enquanto eu estivesse vivendo isso tudo tenha sido penoso, eu faria tudo igualmente.
    Eu olho pro meu corpo e embora ele não seja a projeção ideal da sociedade, eu sei valorizar cada pedaço dele. E quem me diz que ele não é legal, assim como eu, eu digo massa. E saio andando. Nem me dar ao trabalho de trocar xingamento eu me dou mais. Eu sou perfeita e preciso de amor. Você não pode me dar? Pois bem, dane-se.
    Ahh, a palavra foda-se mudou meu mundo também. Hahaha. E eu queria dizer pra você, que não importa o quão desajustada você pareça aos outros, ninguém tem o direito de lhe dizer que não merece ser amada. A começar por você! Ame muito seu corpo negro, sua barriga redondinha, seus pés de pãozinho, seu queixo duplo, porque você é um dna único na Terra, e sua história vale muito. Linda <3

  • Karin

    Militante solitária, gostaria de te dizer que você é uma pessoa muito inteligente de grande valor e que não pode e não deve se deixar abater de maneira nenhuma. Tenho uma filha com problemas semelhantes aos seus. Gostaria muito que você me ajudasse e que nós criássemos um grupo para ajudar todas as pessoas que tem esse tipo de problema e as dificuldades que você encontrou na sua jornada diária. Por favor não desista de você mesma e pense com carinho na minha sugestão. Luto diariamente para que minha filha se aceite e não é fácil…

  • Oi! Triste realidade que o seu texto desnuda de forma tão forte que dá vontade de que seja somente ficção 🙁 …
    Não… Não sei o que você está passando ou passou, sou mulher, negra, pobre, nascida na baixada fluminense, gorda… mas aprendi cedo que cada dor é única!
    Quando quiser… Quando precisar… Quando desacreditar… Me chama!!! Vamos chorar… sorrir… gritar… brigar por essa Vida… #sóderaiva

  • Cléo

    Idem!!

  • Que força e que lição suas palavras expressam. Sinto uma afinidade imensa com a situação, mas ao mesmo tempo cresce em mim um desejo de empoderamento, uma vontade imensa de exigir respeito por nossos corpos, pela nossa individualidade, por nossa diferença. Precisamos lutar e reagir frente a esse abuso e a essa violência simbólica que cada vez mais nos ceifa a vontade de viver

  • Olá, anônima! Me identifiquei muito com seu texto! Sou como vc, negra, obesa, cabelo pra cima pq desisti de ser escrava de progressivas e… TIVE A OUSADIA de ser Mãe Solteira, do qual me orgulho MUITO e digo… Foi a melhor coisa que fiz da vida. Ousar. Esse ano, especialmente, foi difícil. . Pq decidi que não queria mais me ESCONDER. TEM QUE HAVER um espaço pra mim nesse mundo. Acho que temos muito a trocar e se vc quiser me adicionar ao Face, vou ficar muito feliz. Pq creio mesmo que Unidas somos mais. Um abraço apertado e um beijo no seu coração!

  • Ananda

    Você é linda <3

  • Pâm

    Você sem dúvida é de grande importância,tenha certeza disso.Esse seu depoimento irá fortalecer muitas pessoas e não há contribuição melhor no mundo!
    Tenho 18 anos,digamos que não estou muito acima do peso,mas me identifiquei fortemente com o seu texto! Vi muito de você em minha pessoa,passei por muita situação parecida com as suas.
    Também me escondi através de livros e dos estudos,sou excluída em grande parte das ocasiões,ofendida por minhas características físicas e meu modo de ser por desconhecidos e familiares o que também me tornou uma pessoa retraída de pouquíssimos amigos. Não obtenho êxito em grande parte de tudo que faço,até agora a minha vida só andou para trás! também criei meu mundo e me escondi.
    Algo de que agora estou convicta é que não posso me entregar e que temos que nos libertar primeiramente e florescer! depois de ser reconstruída temos que quebrar os dogmas dessa sociedade suja e conquistar nosso espaço.Não se esconda mais,não deixe que pessoas medíocres à domine, não dê poder a eles!
    Saiba que você não está sozinha ótima iniciativa em compartilhar sua luta e belo texto.

  • Eu sei como é isso, e sei que todos esses comentários gigantescos vão fazer a diferença mas não vão entender completamente quem tu é e o que sente. Se quiser conversar me chama por inbox. Bjs <3

  • Camila

    Autora do texto:
    Sou mais uma a quem tuas palavras se transformaram em lágrimas nos meus olhos, e uma dor tremenda no peito. Mais uma que não vai cometer o deslize de dizer que “te entende perfeitamente”, porque não sou negra, não tive tua vivência, mas que fui chamada de diversos termos pejorativos desde a infância por sofrer da “maldição” de não me encaixar no padrão.
    Teu isolamento falou com o meu; tua dor de existir me lembra a minha. E fico pensando sobre como essa dor de pessoas e vivências diferentes podem ser tão próximas em intensidade.
    Não imagino como é sofrer racismo, mas tenho certeza de que é terrível, e sinto vontade de morrer de vergonha cada vez que lembro de alguma vez que falei ou pensei algo racista, mesmo sem ter noção por não ter a vivência de ser negra.
    Da mesma forma, por estar desconstruindo o racismo em mim internalizado, sinto vontade de morrer quando o ouço e o percebo em outras pessoas, muitas vezes próximas a mim, e sempre que possível, tento conscientizar a pessoa do erro que ela está reproduzindo.
    Torno a repetir que não tenho a vivência negra, mas me solidarizo pela tua história e choro contigo, pois enquanto mulher e gorda, sofremos com a imposição de um padrão que não nos representa, e por nossos nervos não serem de aço, não conseguirmos ser fortes o bastante para enfrentar o que nos oprime no dia a dia, o que nos faz definhar de dentro pra fora dolorosamente.
    Militante solitária, eu vejo você. E tudo o que queria nesse momento era te abraçar e dizer que você não está sozinha.
    <3

  • ola , li seu texto , muitas das situaçoes que vc passou eu tbm passei , vejo que vc é inteligente e fez bastante terapia, vc e forte sempre busca sair com suas proprias forças de situaçoes ruins,igual a min , mais sei que e fragil cada instante de nossas vidas, o auto estima varia muito uma dica que eu dou e o seguinte algo que aprendi nas artes marciais : quanto mais enfrentamos a situaçao mais fortes ficamos e quanto mais fugimos da situaçao maior e mais forte é o ataque do adversario,oss!! nao fuja , enfrente nao eles mais sim vc mesmo va a lugares publicos cada vez mais que vc for hostilizada volte la mais vezes ate vc for forte o bastante de que as hostilidades nao ti afetam nao fuja do ataque do adversario oss!!

  • Amanda Martins

    Mana,

    Aqui vos fala uma negra, pobre, cansada do racismo,do preconceito e da discriminação,oferecidos de graça por uma sociedade racista, desigual, hipócrita, com vendas nos olhos, pobre de espírito por aderir o sistema de exclusão,racista, preconceituoso e capitalista, imposto,sem ao menos questionar.

    Sofro todos os dias com os olhares de nojo, de repúdio, reprovação daqueles que me veem como um nada,sofro preconceito por morar na baixada, por ser uma negra e pobre fazendo faculdade em Direito, e a todo momento, escuto: Você é abusada,isso não vai dar em nada!
    E coisas assim, me dão forças para me impor e ajudar o povo negro a empoderar-se, para galgar espaços, quebrar tabus, padrões e barreiras.

    Me identifiquei muito com o seu testemunho e vos digo que não está sozinha.Sou militante, faço parte de um Coletivo chamado Justiça Negra- Luiz Gama, ontem foi a nossa primeira palestra realizada na CAARJ e após estávamos conversando sobre a condição da mulher negra na sociedade e uma irmã do coletivo, expôs a dificuldade que é para uma negra, gorda, de black e pobre sobreviver em meio a essa sociedade , e ela disse as mesmas coisas que você, apresentou as mesmas dificuldades,então saiba que não está só.

    Unidos somos mais fortes, você é um ser humano ímpar, dotada de luz, e tem um caminho árduo e promissor a percorrer.Te digo, não desista, pois a sociedade está aguardando o abaixar de nossas cabeças, e isso não podemos dar jamais.Me dói, me emociona, me deixa com raiva, com ódio, o seu relato, mas podemos fazer mais do que chorar.

    Procure o Coletivo Justiça Negra-Luiz Gama no facebook, lá há vários irmãos para te acolher e lutar junto com você.

    Estou contigo e não abro.Beijos da mana nega maluca,sedenta por justiça e igualdade racial.

  • Que mulher de fibra você é. Quanta coragem eu vi no seu texto…

    Veja bem, a sociedade não está preparada pra mulheres como nós, eu digo nós; porque você não está sozinha. Preta, gorda, do cabelo crespo, curto e pra cima… eu também me vi ali. Eu também já fui alvo dessas humilhações ridículas… Se olha ali no espelho e vê só como você é linda.
    Eu vivi só 25 anos, não estou à altura de dar conselhos pra ninguém, mas se me permite: pare de acreditar no que dizem. Quem sabe de você, do seu potencial, da sua beleza, da mulher incrível que você é… não é ninguém além de você. Então aos poucos, deixa esse mulherão sair. É difícil? Ô… eu demorei um bocado. Mas de pouquinho em pouquinho a gente se solta. Cê vai ver…

    Muita força pra você, além do que já tens… Nós todas estamos aqui por você, flor.

  • Sis (como as negras americanas se chamam), ao ler seu texto-desabafo passei por inúmeras sensações. Tive dó, pena, ódio dos babacas, raiva de você por se colocar tão pra baixo, compreensão, ansiedade, medo, tristeza, inconformação e por fim compaixão. Assim como você sou negra, sou “bem nascida” como dizem, fui bailarina clássica e jogadora de futebol o que me rendeu um corpo bacana (fora dos padrões de magreza extrema mas próximo ao de uma passista qualquer), meu rosto também é considerado por muitos muito bonito, já fiz trabalho de modelo quando mais nova. Minha querida, falando assim parece que minha vida é bem diferente da sua, que somos opostas, simplesmente por sermos diferentes fisicamente, mas existe algo que nos torna idênticas, a cor da pele. Se você acha que se fosse magra e atendesse aos ridículos padrões de beleza sua vida seria diferente? Não, não seria. Assim como você fui diversas vezes hostilizada, na época de colégio então, nossa, coitada. Sempre faziam piadas do tipo: “Nossa, anoiteceu, vai ficar difícil achar a Lari” Ou “gente não esquece o flash, senão a Lari não aparece” ou “Ah, se precisar bater em alguém, a gente chama a Lari”, essa última é a mais engraçada de todas, nunca bati em ninguém, mas acredito que por ser a única negra da escola eu “metia” medo nazinimiga. Sabe o que que eu fiz com tudo isso? Construí uma muralha dentro de mim, depois de tanto ficar chateada e sofrer e chorar e me lamentar da vida, coitado do meu ursinho de pelúcia, passou maus bocados comigo. Sis, sabia que na terra do Tio Sam, aquela que dizem que todos os brasileiros pagam pau, a maioria das mulheres são gordas? Sabia que as mulheres gordas, fartas, com cabelo natural são muito valorizadas? Sabia que lá, existe sim racismo, preconceito e tudo o que ser humano é capaz de produzir, de ruim ou de bom, mas lá existe respeito. Então, não se oculte, não se envergonhe de você, quem deve sentir vergonha são as pessoas que te julgam, que te humilham e te desprezam, se você se amar, todos vão te amar, o respeito a gente conquista assim como amor e carinho. Seja forte, você é negra, linda, gorda, inteligente e por quê a opinião das pessoas de fere tanto? Seja você, se orgulhe de ser quem você é, quando você se assumir pra si mesma, ninguém mais vai te ofender, porque você não vai ligar, e aí o objetivo de quem faz isso, não vai ser alcançado. Aceite-se, infelizmente é mais fácil mudar uma pessoa do o que o resto do mundo, então comece pela pessoa mais importante, VOCÊ. Beijos SIS. Seja Feliz!

  • Júlia de Oliveira

    Irmã, só sinto muita raiva dessa sociedade racista, machista e gordofóbica de merda por ter feito isso com você, de jeitos diferentes, com a gente. Mas saiba que não está sozinha, procure bons amigos pra conversar e LUTE. Eu sei que às vezes cansa, que não é sua culpa e você não fez nada de errado, mas a única coisa que a gente pode fazer é lutar, impor nossa presença e eles vão ter que engolir.

  • natalia

    Minha querida,
    Sou branca e mais ou menos dentro do padrão. Opsss, bastante fora, pois já tenho 50 anos e padrão mesmo é ser jovem. Sou uma mistura de italiano, português e africano. Meus cabelos sempre foram rebeldes e faz muito tempo que os relaxo ou aliso (nada contra quem assume a cabeleira natural). Tirando o cabelo, sou aparentemente branca e desde a adolescência tenho um corpo bonito, mantido mais ou menos até hoje, quando tenho 50 anos. Então, estou na média, nem bonita nem feia. Mas o que isso tem a ver com você? Tem a ver que você diz que evita ao máximo se expor, não sai de casa, pois tem medo de ser humilhada. Ocorre que, pelo menos uma vez por ano, viajo para as praias do nordeste ou parques aquáticos. E por mais que a mídia divulgue que só corpos esculturais podem ser mostrados não é isso que vejo ao vivo. Tem muita gente nesses locais que não está nem aí com barrigas enormes, celulites, estrias (homens e mulheres), muito gordos ou muito magros, etc. Tem para todos os gostos. Agem como quem diz: tô pagando, tenho direito de usufruir dessa beleza da mesma forma que você. E estão corretos, ninguém tem que ter um corpo considerado ok para se sentir bem.
    Isto é válido para todo o mundo. O medo a gente vence enfrentando ele. Se não tem coragem de sair sozinha, saia com amigos. E se ouvir alguma coisa desagradável no caminho, continue firme até o fim do que foi programado. Se cerque de pessoas que gostam de você. Se a sua família não está nem aí para você, ignore-os também. Não é porque é da família que a gente tem que gostar de quem não gosta da gente.
    Vamos lá minha querida, enfrente o medo, saia à rua: mostre seu corpo, mostre seu ser, permita que mais gente lhe conheça. Nem todo mundo é imbecil.

  • Maria Beatriz Santos Coelho

    Irmã, amiga, brother, colega etc eu poderia deixar aqui várias palavras para dizer o quanto você está proxima de mim. Mas não como aquela vizinha que mal nós cumprimenta no elevador ou aquele colega de trabalho que sempre acorda de mal humor…
    Você está próxima de mim porque senti a sua dor! Tive aquele momento de empatia ,sabe quando você vê alguém que não conhece mas sente que conhece desde outros tempos …
    Nossa eu quero dizer ou melhor gritar para você: Amiga eu te amo!
    Não te conheço mas danem-se as convenções, aquelas mesmo que nos dizem olhe não fale eu te amo antes do rapaz/mulher se declarar.. Ou não vá transar no primeiro encontro….
    Ahh Amiga, Eu te amo por ser quem você é.
    Quando a gente se sente acolhida, Amada!
    Não tem medo.
    Ok tem sim mas se arrisca se joga bonita na vida!
    Não tenha medo de pegar o ônibus.
    Não tenha medo do que a sua família diz.
    Não tenha medo de não passar em um concurso público.
    Irmã porra!!! Não tenha medo de ser feliz!
    De ser diferente!!
    Ponha uma roupa que mostre o seu corpo se abrace e grite para o mundo!
    Eu me Amo. Demônios sãos os outros!

  • Isso me corta o coração. Porque todos os dias tentam me afastar de minhas irmãs negras. Dizem que não sou negra, que não posso lutar por nós, que eu nunca sofri racismo( como se ser chamada de abelo duro, e zé bob em “homenagem” ao bob marley não tivesse um pingo de racismo) Até hoje carrego cicatizes emocionais e físicas, minha mente me castigou e meus pulsos lembram o porque. Eu só queria poder abraçá la e dizer que não está sozinha.

  • Não vou cometer o exagero de dizer “te entendo perfeitamente”, porque a minha vivência não é a mesma que a sua. Mas entendo algumas coisas sim e, como as outras pessoas comentaram, em alguns momentos me vi nas tuas palavras também.
    Não vou cometer a leviandade de te dizer que “vai passar”, porque eu realmente não sei se vai ou não. Mas com certeza é isso o que eu espero.
    Gostaria de poder olhar nos teus olhos e te dar um abração, de partilhar um silêncio mutuamente compreensivo (porque, sim, cada qual com a sua dor), e quaisquer palavras que viessem a calhar.
    De uma certa forma você não está sozinha…

  • Beatriz Araújo

    Olá. Sou eu em você ou é vc em mim. tAMBÉM SOU PRETA, GORDA, CABELO CRESPO E ALTO. Não fui chamada de satanás, mas fui hostilizada por 4 homens no meio da rua e isso me derrubou. Tem dias que amanhecemos com uma força inabalável, mas tem outros que o que mais queremos é nos esconder e nos proteger de tanto preconceito e discurso de ódio. Você não está sozinha, não está. É difícil lutar contra isso, eu entendo bem. Queria poder lhe dar um abraço e, mesmo sendo vítima dessa desumanidade humana, queria pedir pra vc não desistir. Vc é melhor que isso e o mundo nunca entenderá você, nem os que tem “seu sangue”. A ignorância é uma tomada de partido e tem gente muito partidária dessa atitude hoje em dia. Não deixem que lhe diminuam e n se permita diminuir. Exista pra vc, exista! Não desista! Não sei quem você é, mas minhas orações, energias, torcidas irão para você também. Espero que vc fique bem.
    UM GRANDE ABRAÇO.

  • Irmã… Eu te amo!

    Sou um homem negro, nunca saberei o que você passa enquanto mulher, mas minhas lágrimas foram a resposta a leitura seu desabafo.

    Por favor, não desista!

    Sou gordo, viado, pobre… Fui discriminado e preterido por diversas vezes: na escola, na balada, na rede social, nos sites de pegação, nos grupos de amigos, etc, mas tenho resistido. Mesmo que a lagrimas.

    Me apego no pouco de esperança que tenho e me coloco revoltado a tudo que venha a me oprimir me agrupando entre aqueles que sentem o mesmo. Assim é mais fácil de combater as dores. E re índico o mesmo.

    Estou aqui! As negras do bloggue também!

    Irmã! Não desista, por favor! Nós te amamos e vamos nos ajudando.

  • A esta guerreira:
    Sei que nunca nos vimos, mas posso dizer que compreendo suas angústias, pois eu também sou uma mulher, negra, gorda e periférica. Entendo o quanto dói ser motivo de chacota na rua, pois diariamente tem sempre um ser que torce o pescoço com a minha camiseta do Cannibal Corpse e minhas belas tranças azuis. Compreendo a insegurança com o seu corpo, pois já cansei de contar quantas vezes minha barriga, celulites e estrias foram motivos para me ultrajar, desde os tempos escolares. A coisa foi tão feia que houve uma época na minha vida, onde só transava de luz apagada ou no máximo meia luz. Compreendo seu medo de simplesmente andar na rua, porque sempre tem um que te xinga de “Free Willy”, “gorilona” e entre outras tosqueiras totalmente insensíveis, também desde que me conheço como gente.
    Compreendo seu fracasso ao refugiar nos estudos, pois eu também tive isso e pior: descobri que estava na faculdade errada quando estava no topo. Entendo sua insatisfação pessoal, pois já fui rejeitada de cargos bons, mesmo tendo um bom currículo, por ser uma humilde negra gorda e periférica, porém aprendi as duras custas a não me abalar.

    Tudo começou bizarramente por um relacionamento. Sim, eu tive um relacionamento amoroso onde meu parceiro sempre me valorizou, mas nunca conseguia entender o que ele via em mim. Até um dia, ele me dar um “Acorda para a vida. Se ame como você é, porra! Você é linda como uma deusa africana: com suas curvas, celulites, estrias, peitos caídos, dentinhos da frente separados, cabelos crespos, sua genética, sua inteligência e, acima de tudo, por você ser você mesma. Eu te amo, mas, por favor, se ame.” tão cru, direto, que chorei por semanas. Em seguida, vieram meus amigos, novos amigos, vieram pessoas que reforçaram esse “sacode” dele, apresentaram um pouco do movimento negro para mim, este blog… e principalmente veio eu. Veio a vontade de ser a imperatriz africana de mim mesma, a vontade de fazer parte daquelas negras assumidas, ser poderosa. Me empoderar. Empoderar aqueles que ainda não conseguiram ficar em paz consigo mesmos. Criar uma auto estima que nunca permitiram eu ter. O famoso “Renascer”, o “Rebirth” que uma música de uma banda querida no meu coração bradava.
    O verso final da mesma música “Time to fly…” . Era a minha hora de voar.

    E voei. O primeiro ato foi abandonar a progressiva e fazer minha primeira trança enraizada. Após deixar o cabelo liso como opção, fui para o meu peso. Descobri o poder do meu olhar falso inocente, meu rosto falso jovem, minha voz de “garotinha fofa moe kawaii desu dos animes que tanto adoro”, minha cintura marcada, minha barriga não tão alta, minhas grossas coxas contrastando minhas panturrilhas finas, minha genitália ser bem desejável, meus longos dedos, meus pequenos pés e o quanto aquele conjunto que todos insistem ser disformes ser bonito justamente em sua singularidade. Agora estou partindo para finalmente mergulhar em minhas raízes como se deve, minhas irmãs de resistência, adquirir o conhecimento para reforçar o que já faço – em um mundo onde “a regra” é uma mulher negra, gorda e periférica é não ter auto estima ou identidade, eu sou a empoderada que grita sua identidade para o mundo.

    Posso não ter o melhor emprego do mundo, posso estar lutando até hoje para me formar em Letras, posso estar solteira por opção minha, mas, acima de tudo, eu sou a imperatriz negra de mim mesma e não aceito nenhuma contradição, opressão ou negação disso, pois eu demorei 25 anos para, finalmente, me amar como sou e ter um baita orgulho de ser o que sou. De ser Priscilla, de ser a dona do meu ego, das minhas caminhadas. De resistir até o fim com um sorriso no rosto e muito amor, açúcar, afeto e empoderamento.

    Assim como me empoderei e estou até hoje nesse processo da total consolidação da minha identidade como uma mulher negra e gorda. peço para que abram passagem a nova imperatriz anônima, pois ela, assim como eu, é uma negra linda, empoderada e com uma auto estima de fazer essa sociedade preconceituosa curvar aos seus pés na marra.

    Força na luta, irmã!

    • Anne

      Só sorri. E ainda estou sorrindo. Vc mulher, é linda. De verdade! Obrigada por essa aula.

    • naiara escobar

      Força mana! Obg banger!!!

  • Paola Nunes

    Eu li seu texto e me senti pessima, pessima em ver como as pessoas podem ser crueis por um motivo tão fùtil e infame que é a aparencia, e pensar que a bem pouco tempo atrás eu tbm já reproduzi preconceito, mas não ofendendo ninguém assim, todos nos carregamos algum tipo de preconceito, mas é a maneira que colocamos isso pra fora que pode magoar alguém, seja forte, desejo de coração que vc se compadeça dessas pobres almas infelizes !!

  • Companheira, eu sempre leio os artigos deste site e os comentários dos artigos que leio. Mas o seu é o primeiro que me deu coragem p comentar (sou meio tímida para determinadas coisas) e pra falar a verdade, eu não sei o que dizer. Sei que meu meu comentário não irá tirar sua dor, não vai me fazer viver o que você viveu. E por mais que eu fale “eu te entendo” não será uma plena compreensão, pois foram as dores que você passou na vida é que te fizeram escrever e transmitir um terço do seu sofrimento. Única coisa que posso te transmitir é força. As pessoas (acéfalas e pseudo-humanas) responsáveis por criar em você esse medo, não merecem a vitória que elas estão tendo em te derrotar. Força irmã!

  • Eu gostaria de falar pra essa autora: eu te amo.
    Pode parecer clichê, a lá V de Vingança, e talvez até seja, mas por uns poucos minutos, enquanto eu lia suas linhas, eu te amava.
    Sua coragem em acordar em um mundo assim está além das palavras. Sair de casa, ou mesmo em casa, enfrentar um mundo machista, sexista e cruel não é pra qualquer um(a).
    Não posso dizer que não estás sozinha, porque talvez esteja, ou talvez tenha bons amigos, talvez ainda tenha um pouco de apoio. O que eu sei é que eu no seu lugar já teria entregado os pontos. Muitas vezes entreguei, em situações menores.
    Mas eu, sei lá, vi tantas pessoas diferentes no seu texto. Vi minha mãe, vi muitas amigas, vi uma ex namorada, vi tanta gente se representando. Não querendo diminuir sua luta, já que é uma vivência pessoal, mas em algumas linhas eu me vi.
    Mas não importa quem você seja, eu te amo.

  • Lígia Rodrigues

    Querida irmã, não se sinta só, pq você não está.
    Sinto tanto por você e não vou falar que imagino o que você passa pq, isso é impossível, só você sabe…mas, entendo sua revolta pq já presenciei esses ataques e o ódio que cresce na gente é tão grande quanto a repugnância, eu sei…

    Obrigada por compartilhar seus sentimentos, por nos fazer ver mais um vez que não estamos na luta atoa, que quando tentam diminuir nossos motivos, eles estão errados.
    Obrigada pela coragem de expôr seus sentimentos, mesmo que anonimamente. Você é digna de muito orgulho, NÃO DESISTA!