“A carne mais barata do mercado é a carne negra…”

Ontem, 15 de Julho de 2015, cinco mulheres foram brutalmente assassinadas numa cidadezinha chamada Itajá, situada no interior do Rio Grande do Norte a 200 km da capital do Estado. Mesmo com todo silêncio e medo, as informações do entorno da comunidade rural Quilombo é que as balas e as armas vieram em mãos de homens encapuzados. O que sabemos é que aquelas mulheres, deitadas em seus colchões, descansando depois do dia de trabalho, não mais poderão acordar. Elas não puderam comemorar o tal dia do homem. Foram mortas por eles.

Feminicídio, Machismo, Lesbofobia, Racismo, Genocídio foi o que aconteceu neste dia 15 na pequena cidade do interior do Nordeste. Infelizmente esse não é um caso pontual e isolado no nosso país, todos os dias e a todo momento nos deparamos com casos de violência contra as mulheres, fato que se agrava bastante se essas mulheres forem pretas, pobres e em situação de vulnerabilidade como a prostituição.

Nós, mulheres negras, trabalhadoras rurais e urbanas, militantes feministas do campo e da cidade. Nós, mulheres da classe trabalhadora desse país sabemos por que sentimos na pele o desafio de encarar todos os dias uma sociedade que “camufla” o racismo para com a nossa ancestralidade e o machismo nos tratando como mercadorias. Ser mulher pobre e negra aqui é ter a certeza do risco de vida, é mais: é ser condenada nessa mesma vida, por uma sociedade que unifica Capitalismo, Patriarcado e Racismo.

Por casos como esse que desumaniza, que nega o direito à vida, que segrega, que nos equipara a animais e por isso legitima e naturaliza a violência, o machismo, o racismo e outras tantas formas de preconceito é que viemos por meio desta nota prestar solidariedade as amigas e amigos e familiares de Patricia Regina Nunes, Maria Daiane Batista, Menininha, Ceiça e a jovem Cássia Raiane de apenas 17 anos, assassinadas na madrugada de ontem no município de Itajá, Rio Grande do Norte.

Ressaltamos também o nosso profundo repúdio à forma sensacionalista como parte da imprensa local está abordando o caso, violando a imagem das mulheres e desmerecendo a situação, ora por algumas serem lésbicas, ora por estarem na situação de prostituição. As “brincadeiras” veiculadas na mídia local nada mais são que o reflexo de uma sociedade intolerante e culturalmente construída com alicerces grossos de classimo, racismo, machismo e lesbofobia contra um povo que tem classe social, cor e gênero e orientação/identidade sexual.

Ainda por cima, vivemos uma atual conjuntura que clama por encarceramento de jovens, que nega a liberdade da juventude negra, que aprisiona a esperança de uma vida que acabou de começar. Enchemos celas de adolescentes negros e pobres ao mesmo tempo que legamos a esses mesmos jovens situações como da menina Cássia. Não podemos nos calar diante de tamanha desumanidade, desigualdade e, o DES de destruição de um povo que luta todos os dias por condições melhores, mais dignas.

Repudiamos a violência contra as companheiras Patricia Regina Nunes, Maria Daiane Batista, Menininha, Ceiça e Cássia Raiane, mulheres trabalhadoras e dignas de usufruírem o direito a vida como todas.  Repudiamos o machismo e lgbtfobia. Repudiamos o racismo e o extermínio do povo negro. Exigimos urgência de políticas públicas para as mulheres em situação de prostituição. Exigimos também o máximo de empenho na apuração dos fatos, de modo que os executores sejam responsabilizados, e respeito à memória dessas mulheres.

FORTALECER A LUTA EM DEFESA DA VIDA!

 Assinam:

Movimento de Mulheres Camponesas (MMC)

Blogueiras Negras

Coletivo Enegrecer

Marcha Mundial de Mulheres (MMM)

Comitê Impulsor Marcha das Mulheres Negras do Pará

Associação Afro-religiosa Ilê Yabá Omi (Aciyomi)

Coletivo Manifesto Crespo

Comissão da Diversidade Sexual e Combate à Homofobia da OAB/PA

 

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