Agora é que são elas. Nós por nós mesmas.

Estamos aqui, superando as estáticas, como sempre. Nós mulheres negras correspondemos a 25% da população brasileira. Historicamente fomos e somos violentadas e marginalizadas cotidianamente, por uma lógica perversa envolta numa ideologia racista, machista, sexista e  desigual, é a sociedade do capital. Uma sociedade que teima em determinar qual é o lugar do negro e qual será a posição subalternizada de nós, mulheres negras. Estamos aqui. Rompendo  estruturas históricas marcadas com o sangue dos nossos.

Nossos passos vêm de longe, já afirmou Giselle dos Anjos. Nós mulheres, negras da classe trabalhadora, somos a verdadeira representação do atlântico negro desenhado por Beatriz Nascimento. Em nossa travessia, sangue. Em nossa caminhada, chibata. Em nossa luta, morte, guerra, vitória, resistência.

Ora, ainda não sabe onde estão as mulheres negras? Estamos e somos RESISTÊNCIA. Estamos nos lugares aonde o engodo acadêmico não chega… Estamos nos espaço em que o discurso e a pratica de um feminismo real atua de fato. Na busca por vagas nas creches, nas filas dos hospitais públicos, nos presídios, grafadas nas paredes e portas dos banheiros universitários. Ironicamente, somos a maioria daquelas responsáveis por limpar a produção escatológica deste espaço do “saber intelectual”…

Hoje, correspondemos em média cerca de 61% da população carcerária feminina.Estamos nas periferias. Somos a maioria no setor de serviços, recebemos os piores salários, tanto em relação ao homem negro, como quando comparado a mulher branca e ao homem branco.

Estamos. Somos. RESISTIMOS. Somos mulheres negras.

Você ainda não nos viu? Pois é! Muitas vezes vocês não nós veem. Mas somos nós  quem sentimos e vivenciamos essas experiências. Nós somos o verdadeiro “nó” interseccional do qual falou Angela Davis, Patricia Hill Collins, bell hooks, Sueli Carneiro, Djamila Ribeiro, dentre tantas outras mulheres negras que não falam, mas sim, gritam nesses silencio colossal e secular que é a situação da mulher negra na sociedade dos países terceiro mundistas.

Mas veja! Quando tirar as vendas… Não se esqueça dos espaços que vimos conquistando. Nossos passos vêm de longe. Liderando quilombos como Teresa de Benguela, Dandara e Acotirene. Lideramos  grupos e organizamos revoltas  como Luiza Mahim, Anastacia. Fomos mulheres como Chica da silva. Atuamos em espaços de disputas sindicais como Laudelina de Campos Melo. Fomos e somos poetisas e escritoras como Maria Carolina de Jesus. Fomos  e somos acadêmicas e intelectuais negras como Beatriz Nascimento. Somos Lélia Gonzales, Teresa Santos, Sueli Carneiro, Djamila Ribeiro, Stephanie Ribeiro e tantas outras mulheres negras que “são” e “estão” todos os dias em embates, somos Marias, Sônia e Gloria. Somos Mulheres.

Somos Negras todos os dias em confronto, todos os dias num enfretamento cotidiano, fazendo feminismo na pratica, criando “Safe space” espaços seguros como disse Patricia Hill Collins.

Somo e estamos todos em dias em verdadeira Guerra. Em constante selvageria contra tudo e contra a todos que a cada passo nosso, tentam incessantemente nos silenciar.  

Onde estamos…

A pergunta correta seria… ONDE NÃO ESTAMOS, E PORQUE NÃO ESTAMOS?

Autoras

Tais Malkia Teles ( Tais Evandra de Carvalho Teles dos Santos – Graduada em Geografia pela UNESP- Presidente Prudente. Integra o Coletivo -Mulheres de Orí, e Coletivo Mãos Negras)

Analuta Maciel  ( Analu Maciel – Graduanda em Geografia pela UNESP- Presidente Prudente-SP, integra o coletivo Mulheres de Orí e Coletivo Mão Negras. Dançarina Afro, professora e Coreografa)

Obs: Integrantes do Coletivo Mulheres de Orí e Coletivo Mãos Negras  

Referencial Bibliográfico

COLLINS. P. H. Intersecting Oppressinos/ Patricia Hill Collins. Disponível em: http://uk.sagepub.com/sites/default/files/upm-binaries/13299_Chapter_16_Web_Byte_Patricia_Hill_Collins.pdf

HOLKS. bell. Luta de Classe Feminista. Disponível em: http://www.cabn.libertar.org/wp-content/uploads/2013/08/LutadeClassesFeminista.pdf

RATTS. Alex. Flavia. Lélia Gonzáles/ Alex Ratts, Flavia Rios. São Paulo: Selo Negro,2010.

RATTS. A. Eu sou Atlântica: Sobre a trajetória de vida de Beatriz Nascimento. Alexandro Alex Ratts. Ed: Imprensa Oficial. São Paulo-sp, 2006. p, 138.

SANTOS. Giselle, C, A. Somos todas rainhas/ Disponível em: http://www.afrika.org.br/publicacoes/somos-todas-rainha-1ed.pdf

SHUMAHER, Schuma; VITAL BRAZIL, Érico. Mulheres Negras do Brasil. Rio de Janeiro, Ed. Senac Nacional, 2007, p. 496

Emprego e Desemprego- Dieese. Disponível em: http://www.dieese.org.br/analiseped/2014/2014pednegrossao.pdf