O projeto de “reorganização” foi construído a toque de caixa, sem qualquer consulta às comunidades, sem audiências efetivamente públicas, sem tempo hábil de se fazer o real debate sobre as necessidades das escolas e o mérito da iniciativa. Como tem sido demonstrado em muitos estudos que contestam o projeto, suas justificativas são muito frágeis ou questionáveis. Não por acaso, em sua versão oficial que acaba de ser publicada, a reorganização foi baixada por decreto, sequer apresentada aos parlamentares estaduais.

(Fonte, Página “Não fechem minha escola”)

Vendo o noticiário ao lado de dois senhores brancos no restaurante, ouvi um deles explicar de forma leiga do que se tratava a matéria global que anunciava “estudantes bloqueiam ruas de São Paulo em manifestação”.

O que as pessoas não sabem é do que se tratam os protestos no contexto político que estamos vivendo. Fechar escolas arbitrariamente sem diálogo, sem acordos e sem ouvir os que são e serão os prejudicados, caso essa “reorganização” aconteça.

Depois de quase um mês dos estudantes ocuparem mais de 200 (até o dia 01/12 eram 205) escolas na capital e no interior de São Paulo, vazaram áudios e conversas sobre a ação truculenta que o Estado capitanearia contra as ocupações. Ação que está sendo cumprida.

Hoje pela manhã durante o protesto nas Zona Sul e Zona Oeste de São Paulo, – na Marginal do Pinheiros, sentido Interlagos, altura da Ponte Eusébio Matoso e também nas Avenidas Prof. Francisco Morato, João Dias, e M’Boi Mirimvários dos que protestavam entraram em confronto com a polícia que atacou com bombas de gás lacrimogênio e muita porrada. Duas mulheres negras que apoiavam os estudantes foram presas arbitrariamente: Isabella Barboza e Andreza Delgado. Duas de nós, duas Blogueiras Negras.

A “cara das manifestações” como gente que bate panela gosta de chamar, Marcelinha, foi arrastada e retirada do chão sendo puxada pelos cabelos. outros vários adolescentes sendo agredidos de todas as formas possíveis, sendo arrastados, apanhando com cadeiras, sendo atingidos por gás.

Não existe uma LUTA BONITA, não há beleza na guerra, na violência, não se engane. O que fazem os secundaristas é lutar por aquilo que acreditam, lutar por educação, algo que a maioria de nós não esta fazendo. Toda esta violência é REAL, são mais do que fotos.

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Através desta nota, DENUNCIAMOS a ação covarde e racista da polícia militar do Estado de São Paulo que prende sem NENHUMA acusação as duas mulheres negras.

REPUDIAMOS a ação do Governador do Estado de São Paulo, o Sr. Geraldo Alckimin, que ditatorialmente permitiu ações de guerra para lidar com os estudante em luta.

REIVINDICAMOS uma atitude transparente e lícita dos batalhões da PM e CHOQUE, que tem mandado para as escolas ocupadas oficiais sem identificação, impedindo assim a tomada de quaisquer medidas legais junto a corregedoria da polícia.

REPUDIAMOS essa gestão que  mantém o decreto de autorizar a reorganização das escolas secundaristas, atingindo mais de 300 mil estudantes em todo Estado, mesmo depois das decisões contrárias nas instâncias judiciais.

PRESTAMOS nossa solidariedade, apoio e emprestamos nossas vozes e RESISTÊNCIA às duas das nossas que sofreram violência policial nesta manhã e tarde. Apoiamos a luta dos estudantes, sobretudo a batalha das adolescentes e dos meninos negros nas ocupações que tem trabalhado de maneira horizontal, coletiva e resistente. Tratando de assuntos dos mais variados (desde matemática à filosofia, feminismo e história), utilizando seu tempo para limpar, reconstruir, estudar e aprender juntos. À todos os estudantes que tem enfrentado a truculência e violência real do Estado: TODO APOIO.

ESPERAMOS que toda a revolta recaia sobre quem de fato é merecedor, e se trata do senhor Governador de São Paulo, que o estado pare, que todos nós tenhamos o lampejo de sobrevivência nos olhos e saiamos TODOS as ruas até que o mesmo Recue de suas decisões despropositadas.

À Andreza e Isabella, estamos com vocês!