Vai completar um ano que não saio de casa com qualquer tipo de alegria, de vontade ou sem medo. Não é medo de assalto, de estupro, de me perder, os dois primeiros obviamente existem, o terceiro confesso que de vez em quando. Meu medo, pavor, desespero, angustia é do olhar alheio sobre meu corpo.

Fui gorda a vida toda, não o novo plus size, não acima do peso, não gordinha, eu sempre fui gorda. Nunca tive um real problema de não gostar do meu corpo, mas ficava maluca de ódio por não conseguir me vestir da forma como gostaria porque as roupas simplesmente não eram feitas pra mim.

As ofensas, poxa, são tantas, desde tão cedo que mal consigo concatenar quantas vezes as pessoas foram cruéis apenas na intensão de ser cruel mesmo. Uma mulher negra e gorda é um alvo em qualquer ambiente, seja escolar, familiar ou corporativo.

Somos eleitas as mais feias na infância, a baleia, a rolha de poço, nos acostumamos com o risinho histérico das demais crianças na louca expectativa de que uma cadeira ou banco quebre quando a gente senta. As últimas escolhidas nas brincadeiras, as últimas escolhidas para dançar (na real não existem danças). Nos acostumamos a ser as engraçadas, inteligentes, e um dia isso rouba a nossa personalidade, passamos a viver o escudo que criamos.

Conquistar um emprego é uma dureza, somos o estereótipo, não vamos aguentar um dia todo de trabalho, precisaremos parar para vários cafezinhos, não passamos o tempo todo em pé e se precisar correr obviamente seremos julgadas como incapazes, mas essa lógica sobre quem somos surge sempre quando o entrevistador/selecionador nos vê diante de seus olhos, mas não raro o que lhe chamou atenção num currículo é apagado pela “figura da gorda”.

Nossa família insiste que mais magras seremos mais bonitas, que não vamos conseguir conquistar ninguém gordas, que nosso destino será cruel e fatal por sermos gordas. Ouvimos as mesmas ladainhas de médicos, de professores. O corpo gordo serve para ser humilhado, é um corpo preguiçoso, não desejado e sendo esta atrocidade não pode ser provido de qualquer sentimento certo? ERRADO.

Não se fala sobre gordofobia e o quanto isto afeta o psicológico de pessoas que não estão fazendo nada demais, estão apenas existindo. A cultura da magreza extrema é um fato, assim como a cultura eurocêntrica que nos embranquece a qualquer custo, mas sobre as inúmeras doenças causadas pela cobrança do corpo magro não queremos dialogar com o mesmo afinco que dialogamos outras opressões, mas porque será? Será que todos escondemos nossos preconceitos menos sujos embaixo do tapete? Acredito que sim.

Nas ultimas três semanas inúmeros ataques a pessoas gordas ocorreram com os mesmos requintes de crueldade das crianças. Mulheres que ousaram amar seus corpos exatamente como são foram expostas, ridicularizadas e agredidas diante do “grande” público servindo como entretenimento barato de uma massa que considera esta prática uma diversão. Homens em sua grande maioria, mas aplaudidos e orientados por inúmeras mulheres. Pessoas que não sabem absolutamente nada da vida das envolvidas em seus comentários horrendos, pessoas que sequer tem ideia de quantas pessoas são atingidas com a prática da trolagem (Trolls  na gíria da internet, designa uma pessoa cujo comportamento tende sistematicamente a desestabilizar uma discussão e a provocar e enfurecer as pessoas nela envolvidas) ou talvez tenham, mas uma vez que estão escondidas pelo falso anonimato proporcionado pela internet extrapolam os limites, levam pessoas a desencadearem doenças , levam as pessoas à morte. Não está na hora de uma consciência maior sobre a prática de trolagem e de bullying? Sobre a gravidade da agressão verbal tão ignorada por todos?

Vivemos na sociedade da opinião, onde a necessidade é opinar mesmo que não se saiba uma linha sobre o assunto. Neste ponto a internet é maravilhosa porque dá a liberdade de qualquer um, em qualquer lugar contar uma história, fazer uma denúncia, promover encontro de iguais, mas ao mesmo tempo que liberta para o bem comum ou pessoal, liberta pra todo tipo de maldade possível, afinal basta ocultar publicações de familiares e companheiros de trabalho ou encontrar um grupo (e existem vários) que aplaudam e parabenizem por cada vez que um membro do grupéco destrua um desconhecido e está tudo certo, a pessoa escapa de julgamentos, de lições de moral e está em segurança para seguir cometendo seu delito e acreditando que é apenas um humorista exercendo seu direito a “opinar”.

Mulheres e homens com corpos que não são o padrão de beleza cultuado tem enfrentado uma jornada pela aceitação e pela possibilidade de uma vida normal. O argumento de que a prática da crueldade contra pessoas gordas é uma preocupação com sua saúde, ou que ao aceitar corpos gordos a sociedade vivera uma epidemia mortal que nos dizimará, é de uma desonestidade única, já que não há a menor preocupação destas mesmas pessoas em preservar a saúde mental dos atacados, de médicos em prestar um atendimento investigativo para seus diagnósticos que não raro são limitados a observar o tamanho da pessoa e prescrever que emagreça ou a preocupação com relação a quantidade de pessoas neuro-atípicas que são produzidas pelo inferno que são os outros.

Além de distúrbios como depressão e bulimia, a anorexia nervosa é uma doença que teve um crescimento de mais de 100% de 1999 a 2011.

A anorexia nervosa e a bulimia são distúrbios alimentares que afetam pessoas de todas as classes sociais. O número de casos vem aumentando entre homens e mulheres de todas as idades, mas especialmente em adolescentes do sexo feminino e crianças. Distúrbios psicológicos e psiquiátricos podem contribuir para reforçar a cultura da magreza corporal como padrão de beleza, assim como o bullyng, e o cyberbulling.

A anorexia nervosa é uma condição onde a pessoa não ingere uma quantidade de alimentos para suprir as necessidades nutricionais de calorias, proteínas, vitaminas e minerais. Geralmente, diminuem o número de refeições e preferem alimentos com baixa caloria ou permanecem em jejum por tempo prolongado. O resultado final é a perda excessiva de peso com grandes consequências psicológicas e no funcionamento do organismo. Se não tratada corretamente tem alta probabilidade de evolução para a morte.

As pessoas com anorexia veem sua imagem corporal distorcida e, mesmo estando extremamente magras, sempre se percebem gordas. Isso justifica para elas a restrição alimentar cada vez mais rigorosa e o abuso de drogas laxativas e inibidoras do apetite.

A bulimia nervosa parece ser mais comum que a anorexia, mas não compromete tanto o estado nutricional como na anorexia. O jovem pode manter o peso dentro da normalidade ou mesmo estar acima do peso, tornando a distorção do tamanho corpóreo menor do que aquele observado na anorexia nervosa, o que de forma alguma significa que a pessoa está saudável ou que é algum comportamento que permita o bem estar.

Para além de estados neuro-atípicos, quantos não são os que cometem ou consideram o suicídio?

 

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Ashley Graham para a campanha #ImNoAngel”

 

Quantas de nós, mulheres gordas não consideram qualquer um dos itens acima para encaixar num padrão absurdo, que considera o plus size algo próximo da foto acima, ou na tentativa de acabar com um sofrimento invisível tido como brincadeira? E quando é que nós como sociedade vamos nos responsabilizar pelas atitudes do todo? Porque escolas não ensinam a não ser racista, machista, homofobico, lesbofóbico, transfóbico, GORDOFÓBICO? Porque não há responsabilidade da parte de ninguém ou do todo sobre aquilo que obviamente não traz nada de positivo, não é comédia, não é humor, não é saudável é só cruel e criminoso?

Desde de julho de 2015 a Nova Zelândia criminaliza casos de Cyberbulling e Trollagem na internet. Na Inglaterra empresas anunciantes boicotaram o ASK.FM por permitir a prática da Trollagem e do Cyberbulling até levar pessoas ao suicídio. Aqui grupos criados com o objetivo de ataques conjuntos apenas crescem e alimentam a ideia de que a violência verbal, escrita, não tem peso. Até quando vamos permitir isto?

Eu, não raro, vivo o conflito entre amar meu corpo (algo que não tenho conseguido ultimamente) e emagrecer. Me sinto traindo o que eu acredito, que é preciso amar quem se é para poder levar uma vida plena, e aquilo que imagino me faria bem. Engordei 23 quilos em dois anos por conta do uso de corticoides para a cura de uma suposta alergia, que há pouco se revelou uma psoríase nervosa. Gostaria de não ter esses 23 quilos pois mal me reconheço no espelho, mas mesmo que perdesse os 23 ainda manteria mais de 80 kg num corpo de 1,59, permaneceria gorda, mesmo sabendo que poderia chegar aos 60, 50 ou apelar para uma nada saudável cirurgia bariátrica, que me emagreceria, é fato, mas jamais me daria uma vida “normal”. Porque é quem eu sou, é quem eu fui a vida toda e é como sou feliz, sou feliz (e sim SAUDÁVEL)  gorda, não fofinha, não acima do peso, GORDA. Além do conflito entre crença e ação, além da pressão para uma perfeição inexistente, de encarar a saída de casa, a humilhação de ver pessoas deixando o banco ao meu lado no ônibus sempre vazio por mais que o ônibus esteja lotado, além do julgamento no mercado de trabalho, do julgamento e do pavor de comer em público — porque claro pessoas gordas comem até morrer, não é o que a mídia diz e usa para fazer chacota? — ainda é necessário passar pelo julgamento do outro, do desconhecido. Observar pessoas de corpos iguais ao seu sendo massacradas pela opinião alheia. Opinião que ninguém pediu, ninguém quer e a real é que nem é opinião, é só um comportamento violento apoiado por um secto de ignorantes. O ataque a essas mulheres me atinge diretamente, me afunda, me destrói e eu admiro o trabalho e a coragem de quem felizmente diante de tanta desgraça, aposta no body positive, que incentiva que a gente ame nossos próprios corpos, que se expõe e que incomodam se amando e sendo amadas independente da agressividade de quem não suporta o tamanho da sua insignificância diante do poder dessas mulheres.

Eu ainda vou patinando rumo a lidar comigo, com meu corpo, com o voltar a ver beleza e me sentir confortável na minha própria pele, mas posso dizer que diante da positividade de eventos como o Ocupação GGG, de blogs como o Grandes Mulheres, Gorda não é uma palavra Ruim e o Gorda e Sapatão é que vou seguindo, vou aprendendo a me amar (de novo) e a permitir ser amada.

Não será o amargo das palavras dos outros que vão nos tirar do caminho, somos muitas, não aceitaremos mais a margem e cada dia mais tomamos consciência da nossa beleza. Já nos tiram tantas coisas diariamente, nos tomam, e ainda acreditam poder nos derrubar, mas não vão.

Que mais pessoas se atentem para a nocividade de determinadas atitudes, que mais pessoas denunciem sendo ou não a vitima de ataques virtuais, quem cala consente. Que as denuncias sejam acolhidas e cheguem as autoridades, as famílias, aos empregos dos agressores. Que empresas sejam responsabilizadas pelo comportamento criminoso de seus funcionários (porque trabalhos educacionais são SEMPRE possíveis) que exista o boicote a marcas, pessoas e locais que permitam a agressão motivada por gordofobia. Piada boa é quando faz todo mundo rir, quando não fere, quando não mata.

Parem de nos adoecer, parem de nos matar. E mulheres gordas, sigamos, pois somos lindas e a única opinião que importa sobre nosso corpo é a nossa e de mais ninguém, então que a gente aprenda a se amar, porque amor também se ensina.

Sobre Cyberbulling e denúncias “O primeiro passo é guardar o material que pode servir de prova em caso de intervenção de alguma entidade especializada. O indicado é arquivar a página da internet, usando o comando Print Screen do computador. Faça um registro em cartório extrajudicial da página. É importante também ter um laudo de um psicólogo para avaliar os danos psicológicos que foram desencadeados pelo cyberbullying. Após reunir estes documentos, procure um advogado de sua confiança para a abertura de processo na justiça por meio de uma Ação Indenizatória por Reparação de Danos Morais”. – Cláudio Andrade, Advogado.

Hoje a agressão de uma companheira de luta, de uma amiga querida me acerta aqui dentro de casa, debaixo das cobertas, enquanto troladores se divertem por hora em seu suposto anonimato. Até quando? E você, já reviu suas “piadinhas”, sua “questão de gosto”, seus conceitos de certo ou errado? Já pensou no que suas falas e comportamentos contribuem para a manutenção de uma sociedade de horror? Reveja seus conceitos parça, e dê sua opinião só quando alguém te pedir 😉

 

Referências:

Rede Ebc – Anorexia e bulimia afetam cada vez mais crianças

Marie Claire – Anorexia: de quem é a culpa

Terra – Anunciantes britânicos boicotam rede social Ask.fm após jovem sofrer bullying e cometer suicídio.

PPLWare – Cyberbullying passou a ser crime na Nova Zelândia

  • Eloisa

    Querida,
    Obrigada por ter dividido e postado texto tão corajoso e que revela que as suas aflições não são, só suas, ela atinge a um número grande de pessoas que se identificam e vivem esses estigmas sociais que giram em torno do corpo. Sua história é igual a minha, a das que foram postadas das que irão postar e das milhares que não terão a mesma oportunidade. Afinal só queremos ser aceitas e amada, ou não temos esse direito?

    Só depois de muitos anos, esconderijos, ausências , desistências, autoflagelação, auto piedade, de auto sonegação mesmo, descobri que tudo aquilo que me falavam, só serviu para me fazer infeliz e o pior, é que eu havia aceitado tudo como verdades, porque acreditava que as pessoas queriam o meu bem e eu que não era suficientemente boa para ser perfeita, como a perfeição definida pelos outros.
    Precisei sair dessas pessoas isso inclui familiares, ir para longe, para poder me enxergar de outra maneira. Cortar a dependência afetiva que achava que me sustentava e me dava segurança e vi que na verdade, elas me impuseram um peso negativo grande, principalmente por tecer comparações com outras meninas que eram tomadas com a beleza ideal.
    Hoje com o balde chutado bem para longe, pouco em importar o que as pessoas pensam ou falam a respeito do meu corpo, que aprendi a gostar dele, principalmente por ele ser fartamente arredondado.
    E tento o máximo possível evitar que esse tipo de maldade que se impõe a uma menina negra e gorda na infância seja repetido, pois é incalculável o estrago que esse tipo de violência pode causar na vida de uma mulher.
    Falo isso porque até hoje me dói, lembrar alguém que amo muito me dizer que eu nasci horrível, eu era muito gorda e ao nascer com o circular de cordão e o médico tentando todos os procedimentos para me reanimar, dizendo :” é uma pena perder um criança tão bonita” e depois das manobras no primeiro choro a ser mostrada para a mãe ela disse: ” cruz credo que criança horrível”, assim foi a minhas boas- vindas ao mundo, daí para frente foi só adjetivação do mesmo nível ou melhor variação sobre o mesmo tema.
    Vamos tocando em frente, por que a beleza encontra-se no olhar, só consegue ver beleza quem conhece a beleza, caso contrário..

  • Mônica

    É dolorido ler esse texto. Somos muito ignorantes em julgar uma mulher por ser gorda e é incrível como nas escolas não ensinam a não machucar emocionalmente os colegas. Infelizmente gordo ainda é motivo de chacota.
    Eu não percebia isso em minha adolescência… percebi isso já adulta quando convidei uma priminha de 8 anos para vir em casa para usar a piscina e dormir e ela me respondeu com lágrimas nos olhos: – Não posso usar a piscina, pois sou gorda.
    Quando questionei ela por não querer dormir em minha casa, ela respondeu que só dormiria se a cama fosse box, pois ela tem medo de quebrar a cama.
    Ela tem 8 anos, não deveria se preocupar o que irão pensar sobre o corpo dela por ela aproveitar a piscina num dia de sol, ou de se preocupar se a cama aguentará o peso para ela não passar vergonha.
    Quem deveria se envergonhar, somos nós. Devemos desculpas aos gordinhos por contribuir ou nos calar enquanto presenciamos cenas de bullying na infância.
    Hoje tenho uma filha, ela é magra, mas costumo ensiná-la que ter aparência diferente é normal. Que pessoas são pessoas, independente da cor. Que negras são lindas e poderosas. Que magro, gordo ou fitness, todos somos bonitos.

    Voltando ao assunto de aceitar nosso corpo como ele é. Minha mãe na minha infância me dizia que eu era feia e esquisita pois era muita branca e magra, sem corpo. Ela me falava isso com frequência, e eu cresci acreditando que eu deveria engordar e ficar bronzeada. Resultado: tive problemas no pâncreas de tanta gordura que comia e tive insolação por ficar muito tempo no sol. Não engordei e não fiquei bronzeada. Eu não usava calças para não mostrar a brancura e a fineza das minhas pernas.

    Comecei a usar shorts aos 17 anos quando meu namorado começou a fazer minha cabeça que isso tudo era besteira. Sempre que eu ia a praia, usava shorts e blusinha, não ficava de biquíni, porque alguém feio ~ na minha cabeça ~ não podia ficar a vontade na praia e se divertir.

    Hoje estou com 26 anos e graças a todos esses textos de nos aceitar como somos e nos amar, independente se estamos dentro de padrão ou não, serviu como uma libertação para mim.

    Sou magrela, branquela ~ esquisita, como dizia minha mãe ~ e fui mãe, tenho estrias pelo corpo, mas não ligo. O número de pessoas fora do padrão é muito maior dos que se encaixam dentro do padrão imposto pela mídia. E a praia não são apenas dos Fitness.

    Pessoas com complexos, vamos mesmo nos aceitar como somos. E ser felizes, é isso que importa!

  • Excelente texto eu descriminou qualquer tipo de preconceito seja ele com quem for tenho dois filhos um puxou o pai bem gordinho o outro a mim magrelo ele sempre ofendia o irmão com apelido feios como baleia godao entre outras eu não gostei e o corrigi não aceito isso nem com o irmão nem com ninguém todos sabemos q crianças uma põe apelidos na outra mais tento fazer minha parte como mãe e corrigi-lo acredito q assim vamos ter um mundo melhor acho q vai muito da educação em q a criança tmb é criada pq se os pai veem o filho apelidando um colega ou até MSM um irmão e não faz nada ele ta aceitando a situação. Parabéns pelo texto

  • Poooxa! Senti que esse texto tirou algo de mim, eu me aceito do jeito q sou, mas é mto difícil viver em uma sociedade q não aceita o que é fora do padrão. Tbm me pego questionando isso. As vezes é complicado msm, até penso ” será que a bariátrica resolveria o problema?” …mas aí du lembro q o problema não sou eu mas sim as pessoas que querem tomar conta da minha vida. Já ouvi várias vezes ” ta de quantos meses?” ou ” se vc emagrecer vai ficar tão bonita” ou ” seu rosto é tão lindo, pq VC não faz uma dieta” , as pessoas não sabem o quanto esse tipo de comentário mágoa. Sinto o msm q VC, mas tbm penso o quanto eu sou bonita ,saudável e original! Você é linda e original não se esqueça disso!!!!

  • Simone

    Perfeito seu texto! É um convite para que todos tenham mais humanidade, para que tratem o outro com mais empatia e que entenda de uma vez por todas que não somos obrigados a viver de acordo com o que a sociedade dita como bonito, mais do que entender, é se emponderar disso, para seguir rumo ao enfrentamento. É não permitir mais as tais “brincadeiras” carregadas de maldade, onde apenas um lado se diverte e o outro sofre. Essa luta é de todos nós, e quanto mais falarmos sobre isso, abriremos espaços para que as pessoas reflitam mais sobre esses comportamentos cristalizados e naturalizados pela sociedade.

  • Ah eu nem sei por onde começar! Acho que, antes de qualquer coisa, eu queria te dar um abraço e dizer muito obrigada por me deixar entrar um pouco na sua vida e te ajudar; muito obrigada por você também ser uma mulher forte que abraçou a missão de lutar por igualdade e de dar voz a minorias oprimidas – que eu nem sei se são minorias, na realidade.

    Fazia tempo que eu não lia um texto com tanta alma, tanta entrega e eu te entendo porque, assim como você, é assim que eu escrevo. Eu me derramo naquelas linhas porque quero que sintam a minha essência e você fez isso maravilhosamente bem. Continue nesta sua missão e conte comigo! Foi um privilégio enorme ser citada em seu texto!

    Beijo grande e tamo junto <3

  • Nina Rocha

    Eu me vi bastante em sua narrativa. Fiz bariátrica mas deixar de ser gorda não é só emagrecer. As marcas do preconceito continuam na alma por mais que eu emagreça.

  • Isabela

    Que texto maravilhoso! Me senti muito representada. A vida é uma luta diária para entender que quem deve amar a minha aparência sou somente eu, e que devo me rodear apenas de pessoas que respeitem meu corpo e minhas opções (principalmente a opção de não querer emagrecer).
    Obrigada pelas palavras!

    Ah, e o nome da modelo da foto é Ashley Graham (Lane Bryant é o nome da marca que criou a campanha).

  • Bem, sou homem e branco, e sei que já tenho muitos benefícios por isso. Mas sempre fui gordo, e sempre sofri muito. Até hoje no trabalho. Principalmente porque lido com eventos esportivos, e todos esperam que um dia eu ‘Tome jeito’. E sempre parabenizando aqueles que emagrecem. É uma merda. A questão de comprar roupas… Sempre me deprime. Esses dias procurando uma roupa pensava ‘se eu que só quero uma calça to deprimido imagina alguém que realmente busca se vestir legal ou uma mulher que quer apenas poder usar um vestido bacana, etc..’