Nós, mulheres negras, estamos sempre na luta: nas nossas casas, no trabalho, na rua, na vida.

Em todas as vezes que buscamos soluções, válvulas de escape, caminhos, somos minadas pelo machismo, racismo e todas as opressões que veem em combo dadas por essa sociedade estruturalmente opressora.

Sabemos como essas atitudes se manifestam e como afetam nossa vida, inclusive nos fazendo mais vulneráveis a doenças psíquicas, expostas a fragilidades emocionais e consequentemente perdas e danos materiais. O racismo na sociedade brasileira está camuflado nas atitudes mesquinhas e sutis em todas as esferas, sejam elas privadas ou públicas.

Nos deparamos cotidianamente com homens dizendo como devemos nos comportar, instituições ditando padrões de beleza na seleção de emprego, empresas e seus mecanismos de nos segregar até no lazer, numa mera ida ao shopping ou praia.

Resistimos, tentando construir em nossas militâncias espaços – mesmo que virtuais – seguros, empoderadores e cheios de representatividade positiva. Tentado, eu disse, porque a missão é árdua, cheia de obstáculos e claro, povoada de racismo e racistas!

Recentemente temos presenciado uma onda de ataques a páginas online, incluindo as Blogueiras Negras, em diferentes redes sociais onde mulheres negras estão sendo expostas, agredidas e sofrendo. Vimos o que Jéssica Ipólito, do blog Gorda & Sapatão sofreu ao publicar fotos maravilhosas em seus perfis sociais. Temos relatos de páginas que caíram por apoiá-la, como foi o caso das Mulheres Negras em Rede, de Belém do Pará.

Temos conhecimento de ataques raivosos e racistas em páginas como Preta e Acadêmica, A Central das Divas, dentre tantas outras que sofrem, caem e se reerguem sem nem termos conhecimento. Sim, porque a internet tem por característica a rapidez e agilidade, a fluidez e astúcia de quem precisa estar conectada, atenta. Infelizmente isso, às vezes, nos falta. Não por nada, mas por sempre estarmos divididas entre as tantas atividades que demandam a nossa atenção, afinal somos nós as que estão nos trabalhos, nos supermercados, nas cozinhas, nas ruas e também ocupando os espaços virtuais.

O último ataque de que temos notícias é a página Meu Turbante Minha Coroa que há mais ou menos uma semana vem recebendo comentários racistas e de ódio, expondo, ridicularizando e ameaçando a sua administradora, Beatriz Caixeta. São comentários onde a militância, a idoneidade e até a vida particular de Bea são questionadas.

Esses são nítidos ataques de ódio, dignos de punição e de repúdio. Racistas que se escondem por meio de fakes para destilar seus argumentos e ainda se manterem isentos e impunes.

Se eles não descansam em nos tirar a paz, a tranquilidade e sanidade, nós não descansaremos, não abaixaremos a aguarda nem iremos nos calar.

Nossos espaços, sejam eles on ou offline nos são caros, conquistados com muito suor, com muita luta, aprendizado, estudo e discussão. Nos fortalecemos entre nós, conversamos, trocamos ideias, nos damos assistência e não será nenhum racista, nem transfóbico ou gordofóbico que irá nos fazer desistir. Audre Lorde já havia nos alertado “Não esperavam que sobrevivêssemos”, por isso mesmo nunca desistiremos. Resistiremos!

E aqui, nesta nota, reiteramos todo nosso apoio as mulheres negras que estão sendo atacadas cotidianamente. Reiteramos nosso apoio à Bea Caixeta e sua página Meu Turbante, Minha Coroa que tem sido alvo de comentários racistas violentos, de mensagens de ódio e incitações de “racismo reverso”.

Repudiamos todos os ataques racistas, transfóbicos e elitistas que temos recebido em nossas redes – twitter e facebook – e reafirmamos que não desistiremos destes espaços, das nossas lutas, das nossas.

Racistas nunca, jamais passarão!