De Katucha Bento para as Blogueiras Negras

Beyoncé tem sido criticada pelos mais diversos grupos, de brancos conservadores a feministas negras. Frente a tantos ultrajes, faço um protesto usando ingredientes do feminismo negro para contextualizar Super Bowl, Panteras Negras, Malcolm X, Black Lives Matter, Beyoncé e a minha noção de que corpo, emoção e capitalismo estão sempre envolvidos em toda essa história.

A última música da Beyoncé chamada “Formation” (Formação) causou um rebuliço na opinião pública. A letra da música já chega dando uma voadora, propondo um enfrentamento direto aos padrões brancos e o vídeo é ainda mais ousado com enaltecimento do cabelo afro de Blue Ivy (filha da cantora), carro da polícia afundando na alagada New Orleans, mas também com vestido Givenchy e jóias Roc.

Essa música foi levada à abertura do Super Bowl com coreografia e estilo típicos e esperados de Beyoncé. Quem se surpreendeu com a performance não entendeu nada do que a cantora é capaz (e digo isso com toda a parafernália problemática e glamourosa que vem junto). O impacto da carreira da Beyoncé internacionalmente se apresentando em um Super Bowl traz uma nova atmosfera ao debate. Super Bowl é um campeonato de futebol americano e, para a comemoração do 50º aniversário do evento, a abertura de 2016 foi transmitida a 180 países em 25 idiomas: mais de 100 milhões de telespectadores! Entre outros cantores, Beyoncé fez uma performance que foi muito criticada pelo público negro, questionando a representatividade da comunidade negra mundialmente; e pelo público branco, por puro recalque, mesmo porque eles não entenderam nada do cunho político disso tudo e, para ser sincera, mesmo se entenderam, continuam fazendo críticas negativas e meu único interesse de ouvi-las é para rir, acenar e usar para construir argumentos feministas negros contra eles.

Nota relevante: Brancas e brancos, entendam: vocês precisam aprender o momento de ficarem quietos na hora de criticar os protestos da comunidade negra. Obrigada.

Beyoncé e as dançarinas que a acompanhavam estavam caracterizadas de Panteras Negras, formaram um “X” fazendo alusão a Malcolm X, todas com o cabelo afro solto. Imagens fortes!!

Ironias à parte, toda a produção desta apresentação não foi coincidência. O Partido Panteras Negras para Auto-Defesa (Black Panther Party for Self Defense) completa 50 anos de formação em Outubro deste ano. Umas das principais filosofias que inspiraram o Partido Panteras Negras foram os escritos de Malcolm X. Os uniformes das dançarinas foram baseados na vestimenta que os Panteras usavam. Nem preciso lembrar que essa roupa se tornou um marcador de diferença nas décadas de 60 e 70 nos Estados Unidos e negros foram assassinados (principalmente pela polícia) pelo simples fato de vestirem roupas pretas e boina. Após a apresentação, as dançarinas fizeram um protesto a favor do movimento Black Lives Matter (BLM – Vidas Negras Importam) pedindo justiça pela morte de mais um negro assassinado pela polícia com 20 tiros. O Movimento BLM foi criado por três mulheres queer e ficou conhecido no protesto contra o assassinato de Michael Brown pela polícia em Ferguson, EUA, 2014.

Todas as mensagens levantadas a partir da representação da Beyoncé incomodam. Além de problemáticas, são contraditórias. Os Panteras defendiam uma ideologia revolucionária de auto defesa contra o sistema imperialista estabelecido pelos brancos e imposto aos negros, treinamento acadêmico e físico (armado) para se preparar a revolução. E a revolução só chegaria através da criação de um novo sistema, de uma nova sociedade, anti-capitalista inspirada em escritos comunistas. E isso nos leva à primeira contradição: o capitalismo. O Super Bowl, um show capitalista por si, considerando-se a movimentação e concentração de dinheiro que o futebol americano promove, os dirigentes, jogadores e artistas que se apresentam nas cerimônias do campeonato. Dentro desse contexto capitalista, Beyoncé se apresentou com dançarinas semi-nuas, mostrando o corpo, curvas e a forma de balançar a bunda, um estereótipo bem gasto na representatividade da mulher negra. Tudo isso vai contra os ideais dos Panteras Negras e o modelo hipersexualizado através do qual  a mulher negra é representada na mídia.

Particularmente, acho esse debate muito interessante. Chegou a pegar fogo em uma conversa em que Janet Mock (transsexual negra e apresentadora do talk show chamado “So Popular!”) diz ter Beyoncé como um ícone importante para seu processo de liberação e bell hooks (feminista negra, cujo nome não é o seu de batismo, mas o nome de sua avó usado para assinar seus textos e atualmente o utiliza em todos os lugares. Sua grafia é em letra minúscula, forma de diferenciar do nome de sua avó e fazer repúdio aos padrões masculinos) rebate dizendo que Beyoncé é uma terrorista popular devido ao exemplo que dá para meninas negras. bell disse que a imagem da Beyoncé tem tanto glamour e fama porque ela é rica, caso contrário, seria apenas mais uma mulher negra semi nua tentando rebolar para ganhar algum.

Sim. Esse debate é interessante.

bell hooks é rainha e pode dizer quase tudo o que ela quiser. Ela me ensinou muitas coisas da minha vida pessoal, emocional e intelectual que me ajudaram a entender a mim mesma e meu universo de escrita. E é através dos ensinamentos de bell hooks que hoje vou contra esse argumento, porque não vejo onde está a novidade em chamar uma mulher negra de terrorista – esse foi o adjetivo usado pelo presidente Nixon para falar da militância da Angela Davis no Partido Panteras Negras. Já somos marginalizadas, criminalizadas, assassinadas e simplesmente não ajuda quando uma outra sister (feminista negra) demoniza e desmoraliza a outra. Simplesmente não ajuda. A crítica não precisa ir por essa via. Podemos questionar e debater as contradições das nossas interseccionalidades de uma outra forma.

O segundo ponto que quero destacar é a hipersexualização. Me preocupa que a galera, principalmente homens feministas (muito bem vindos, por sinal), veja a mulher negra de biquíni, nua, com decote apenas como um símbolo hiperssexualizado. Que tal um outro olhar para a mulher negra para além de concentrar nos nossos quadris? Eles já foram hipersexualizados na senzala, pela indústria fonográfica, nos ambientes de trabalho e fora deles pela branquidade. Um olhar (decolonial) seria recolocar esses quadris em um outro contexto, com um novo olhar.

Quando falamos de agência, estamos falando do poder que a mulher tem sobre o seu próprio corpo e sua liberdade de decidir como usá-lo. Acredito piamente que o processo de liberação tão clamado nas práticas e teorias feministas está ligado à forma em que o corpo é usado e como nossos discursos são envoltos pelas nossas emoções. A emoção de ser negra, feia para os padrões de beleza impostos, de ser parte de uma comunidade historicamente marginalizada, fazem parte das nossas formas de agir. A performance da Beyoncé leva a um outro nível esse ser sexy. E mesmo que a tua identidade de mulher negra não passe pela representação da Beyoncé na mídia, vejo cada vez mais garotas e mulheres negras em seu processo de liberação valorizando seus corpos, o nu, o decote. E com isso, os símbolos do nosso capitalismo: o batom colorido, o glitter, o sapato, as unhas. Tudo contextualizado com a importância de sentir-se bem, bonita, “empoderada”.

O corpo da Beyoncé incomoda por ter curvas dentro de um padrão aceito de beleza. Incomodaria se fosse um corpo tamanho G, incomodaria sem decotes, incomodaria de qualquer maneira porque é um corpo negro.

O terceiro ponto que quero abordar é sobre como o poder é centralizado. Por que a bunda, figurino e coreografia na apresentação da Beyoncé causaram tanto incômodo?

Bem, primeiro precisamos considerar que o ambiente do futebol americano estadunidense tem figurantes cheias de tetas com silicone, roupas curtas e decotadas, coreografias sexy. Entretanto, o papel de coadjuvante das líderes de torcida respeitam uma certa ordem de onde o poder é centralizado. Quando o entretenimento leva mensagem de protesto e foge ao padrão estabelecido, coloca os holofotes em outro tema e estremece as normativas. Isso coloca em risco duas coisas fundamentais nos privilégios da branquidade e, nesse caso, dos brancos: quem escolhe a pauta do dia e o fato de que nem tudo é para e sobre eles. Assim, Beyoncé incomodou com sua negritude, sua feminilidade, o rebolado sexy, seu posicionamento político e seu cabelo afro.

Vamos além, para incomodar em todos os níveis das nossas interseccionalidades.

Falemos então das nossas contradições. Desafio aqui uma pessoa que não tenha nenhuma contradição em suas interseccionalidades. Conheço ativistas do movimento negro socialista com projetos socialistas, mas que usam seus celulares para gravar seus vídeos no youtube de dentro dos seus carros. E aí? Vamos jogar tudo fora e desvalidar todos os seus projetos e feitos? E por que a Beyoncé é o alvo das críticas quando seu marido, Jay Z, fala nas letras de suas músicas sobre dinheiro, sexo em um estilo de gangster? Por que os homens negros do hip hop e o “swag” que eles representam relacionados ao crime, dinheiro e mulheres não são contestados e ridicularizados com tanta frequência? A minha primeira resposta, e talvez a mais óbvia, é que isso é o aceito e o esperado dos homens. A representação masculina não é meu objetivo aqui, mas serve para contrapor as razões pelas quais levam a Beyoncé a ser o alvo de críticas entre negras e brancas sobre suas performances.

A mensagem da Beyoncé em sua música pode não representar toda a população negra em termos performáticos (coreografia, figurino, maquiagem, local da apresentação). Sinceramente a minha identidade de mulher negra não passa pela Beyoncé: eu venho do samba. Mesmo considerando toda a música black (do jazz ao samba rock) como influência fundamental para a minha referência negra, confirmo que a Beyonce está lá, mas não protagonizando absolutamente nada importante para o meu processo de liberação. Por outro lado, sou consciente que ela será presença, modelo e referência para outras garotas negras que não teriam essa mesma oportunidade se tivessem crescido nas gerações anteriores a esta.

E por mais que Beyoncé não faça parte daquilo o que você escolhe como categorias de identidade, não há como negar que usar heróis negros para fazer uma performance em um dos maiores eventos esportivos do ano com alcance internacional falando de racismo foi f.o.d.a. E não porque Beyoncé canta uma música que provoca, usa a linguagem e a gíria local negra estadunidense, faz ironia aos estereótipos contra o povo negro, e manda um recado de apoio à comunidade negra. Em nenhum desses aspectos Beyoncé está fazendo revolução. Mas a comunidade negra, pra quem ela politicamente dedicou essa performance, está! E eu estou revolucionariamente satisfeita pelo incômodo provocado. Estou revolucionariamente disposta a colocar as minhas contradições em jogo para incomodar em todos os espaços [brancos e capitalistas] que eu estou aprendendo a ocupar.

Vamos, garotas! Vamos nos colocar em formação.

A revolução será com as mulheres negras, ou não será.

ERRATA, 20/02/2016, 2310h: Como bem observou Amanda: Super Bowl é a final de um campeonato de futebol americano.

  • Mirna Biosse

    Wow! Grande resposta!!!! Minha salva de palmas.

  • Rebecca

    Olá! Gostei muito do seu texto, muito bem escrito e que aponta coisas muito importantes. Por que não traduzir para o inglês para que tenha um alcance maior, principalmente no que se refere a Bell hooks? 🙂 só uma sugestão!

  • Adriana Alves

    Olha sou feminista e confesso que a Beyoncé sempre me incomodou. Mas vê-la dando voadora no peito da nação inteira foi emocionante, de arrepiar. É preciso muita coragem. A discussão por lá está anos luz à frente da nossa. Não imagino nenhuma das poucas celebridades negras brasileiras protagonizando um ato tão emblemático como vi naquele super bowl…
    Certamente vou passar o clipe pra minha filha que ainda não nasceu: o dia em que quadris hipersexualizados falaram a um país inteiro…

    • Obrigada pelo comentário, Adriana. Só um cuidado: a Beyoncé não colocou seu império a risco para fazer essa apresentação. Ao parecer “corajosa”, ela ganha a mídia, o marketing e os contratos que ela quer e precisa para sua carreira.
      Mas sem dúvida, ela traz um elemento importante sobre agência da mulher negra!
      Um abraço!

  • Concordei do início ao fim, ótimo texto!

  • Deloise

    Katucha,seu texto é maravilhoso. Representa, com uma construção muito elegante e madura, exatamente o que eu sinto com essa avalanche de discussões provocadas pelo posicionamento da Bey. Obrigada por ele!

  • Gabriel

    Achei muito interessante como vc discorre sobre a contradição entre o discurso de liberdade racial ou sexual e o capitalismo.
    Os clipes e apresentações da Beyoncè frequentemente levantam o debate da hipersexualização x empoderamento, e acho esse tema interessante.
    O jogo de opressores x oprimidos acontece em situações de tantas naturezas diferentes, que é praticamente impossível não cair em contradições quando se aborda o assunto. É o que rola com a Beyoncè nesse último vídeo e em tantos outros.
    Senti falta, no penúltimo parágrafo, de uma atenção para a enorme contradição que é ter o samba como formador de identidade da mulher negra; sendo o samba reflexo de uma cultura historicamente machista e racista.
    Abraço!

    • Obrigada pelo seu comentário, Gabriel. Eu discordo que o samba seja uma cultura historicamente racista e machista e acredito que essa é uma visão ocidental que aprendemos a ter sobre manifestações que vem de continentes ditos “primitivos”. Mas esse talvez seria um debate para outro artigo.

  • “Nota relevante: Brancas e brancos, entendam: vocês precisam aprender o momento de ficarem quietos na hora de criticar os protestos da comunidade negra. Obrigada.”

    Nota de uma branca: Por favor, não generalize. Não cale outras bocas.

    Eu sou uma mulher branca, traços simétricos, magra (de forma negativa, inclusive), cabelos lisos, ensino em escola particular a vida toda, faculdade pública, plano de saúde, classe média, casa grande… A típica “privilegiada”.

    No entanto, desde muito pequena sentia uma intensa angústia ao ver um amiguinho sendo chamado de macaco, feijão, neguinho, crioulo. Observava os integrantes das minhas turmas e não conseguia entender porque que nas raras vezes que tinha um negro na sala de aula, era apenas um. Professor então, só o de física, no ensino médio. Conforme fui envelhecendo e estudando a história (bem superficial) ensinada na escola, entendi que a maioria branca na minha sala e no resto da escola, vinha de muito atrás, de uma história que começou tão longe que parecia ter acontecido em um outro universo. E era uma história tão incompreensível e triste pra minha cabeça de 6, 8, 10, 27 anos, que muitas e muitas vezes eu questionei o meu lugar, me comparei, e me entristeci por entender que a minha vida era um privilégio. Que drama uma branca ficar triste porque é privilegiada, não?
    Uma criança pode se sentir verdadeiramente triste por enxergar a estupidez e injustiça do mundo e da posição que ela ocupa, ou também não, pois é uma criança branca?

    Eu tenho 27 anos. Durante tempo li livros, vi filmes, documentários, relatos, conversei com meus amigos negros, com minha psicóloga negra (que é um presente na minha vida), com uma grande amiga negra, com uma mulher negra com quem fiquei uma vez, com meus alunos negros (tantos! Que alegria pra mim)… E posso dizer que não sei 1% do sofrimento dessas pessoas. Sei um pouco da história, do Luther King (sobre quem dei uma aula e foi provavelmente a aula mais excitante pra mim), enfim… Sei quase nada. Talvez eu deva me calar por minha absurda ignorância.

    Mas me deixe ouvir, ler, entender mais 1%, apoiar essa luta de tantos anos e tantas mortes…

    Continue escrevendo, publicando, abrindo meus olhos. Escreva também pra mim, pra branca privilegiada, pra quem sabe que pisa em ouro e detesta essa posição, e sabe de onde o ouro vem.

    Eu quero poder estar com vocês. Não generalizem, por favor. Não excluam. Explodam a cabeça dos brancos críticos que falam e falam sem saber de nada… Explodam com seus fatos, suas experiências, suas dificuldades e maravilhas. Já que eles não aprenderam a se calar, com paciência podem aprender a ouvir antes de opinar. O silêncio pode ser o maior dos incomodos.

    Eu, de criança até hoje, me faço a mesma pergunta: Por que isso tudo acontece com eles se eles são tão mais fortes?

    • Beatriz, obrigada pelo comentário sincero e aberto.
      Eu vou te responder em pontos procurando cobrir as coisas que você diz na tentativa de fazer esse diálogo funcionar.
      1) Você já começa o texto falando dos seus privilégios e se descreve como mulher “simétrica”, sugere que é magra, classe média, faz terapia com uma negra (como se isso fosse um grande feito. Parece que quando se descobrem profissionais negrxs é um salto na cadeira, uma libertação da possibilidade de se ser racista). Se você coloca tudo isso junto é porque, de certa forma, aceita a normativa e o padrão de se ver “simétrica”. Essa perspectiva já mostra que você aceita essa auto descrição, mesmo sabendo que é isso que estigmatiza, inferioriza, marginaliza e criminaliza quem não é assim: a assimétrica, a pobre, aquela que quando faz terapia é normalmente oferecido pelo SUS por algum trauma grave -porque não se fala da saúde mental da população negra, a gorda, a negra. Cuidado com essas armadilhas que seus privilégios podem deixar você cair e não enxergar que você reproduz tudo aquilo que a gente luta contra.

      2) Teu incomodo sobre o fato de que brancxs precisam aprender a ficar quietos em momento de protagonismo negro vem justamente do fato de que os espaços de privilégio te impedem de aceitar que nem tudo é feito para brancxs. E explico: tudo o que está na biblioteca, as músicas que são consideradas “de qualidade”, os programas de televisão, as propagandas de produtos E os produtos, enfim, o que conhecemos no mundo ocidental já é feito para pessoas brancas como você. Brancos protagonizam em todo o cenário social, político, artístico (me refiro à indústria midiática).
      Portanto, na luta contra o racismo em que os negros estão denunciando seus sofrimentos (o que você bem disse que não entende muito porque nunca sentiu ou sentirá) é preciso entender que é a hora de nós (negrxs) sermos ouvidos. E ponto final. A história sempre está contada através da narrativa do branco e isso precisa ser criticado e “abolido”!!! Fato: tem lugar pra todo mundo, mas espaços de negritude ficam encurralados num canto pra ser mais fácil de ser abatido pela polícia (metáfora sobre todos os espaços de negritude sendo constantemente criticados em debates controversos). Incomoda que estamos tomando as ruas e o cenário. Essa é a intenção.

      3) Sobre suas leituras e interesse sobre a população não branca, sobretudo a negra (coloco assim porque também me refiro à população indígena da A.L., muçulmana, oriental).
      Eu (e muitxs colegas negrxs) não escrevo pensando na população branca que vai ler. Não produzo pra população branca. Não dedicarei a minha carreira para isso, sinceramente. Escrevo pensando nas garotas das comunidades não brancas (sobretudo as negras). O teu papel é procurar aprender a escutar narrativas diferentes da que você está acostumada e procurar se educar sobre esse tema.
      Minhas sugestões: TODOS os artigos publicados neste blog te ajudarão a pensar sobre isso. Já que você é privilegiada de escola particular, assumo que possa ler em inglês ou espanhol. Gayatri Spivak (Can the Subaltern Speak?), Frantz Fanon (The Wretched of The Earth), Angela Davis (qualquer livro dela, essa mulher é demais).

      4) Somos mais fortes? Não é bem assim… Não podemos nem mostrar nossas fragilidades já que somos massacrados todos os dias. E aí volto ao primeiro ponto sobre as armadilhas do privilégio não te permitirem enxergar os estereótipos -mesmo que positivos- da população negra.

      5) Sobre tudo isso, não entenda que queremos excluir pessoas brancas do debate ou da luta. Mas explicar que há espaços de protagonismo negro em que vocês precisam respeitar. Nossos espaços para brilhar, sofrer e protestar. O papel dxs brancxs é apoiar, não tomar o megafone de nossas mãos.

  • Amanda

    Super Bowl não é o campeonato, é só a final. O campeonato é a NFL, National Football League.

    • Thiane Neves Barros

      Amanda, correção feita. Obrigada!!!