Um dos elementos imprescindíveis para a formação integral no âmbito da educação e da cultura brasileira é o estudo da história e da cultura africana, estas, por sua vez, atuam como instrumentos capazes de desconstruir os estigmas discriminatórios ao longo da história e legitimam o importante papel do negro na identidade nacional.

Atualmente, nas escolas brasileiras, o protagonismo negro perpassa no estudo da história colonial nos tempos sombrios da escravidão no Brasil, bem como as respectivas leis emancipacionistas ao logo das décadas – Lei Euzébio de Queirós, Lei do Ventre Livre, Lei dos Sexagenários e Lei Áurea; não há, portanto, um estudo aprofundado dos autores africanos e afrodescendentes em que, no papel central de suas obras, há o negro como protagonista da história.

Por este ângulo, a afrobetização nas escolas tende à tornar o ator negro substancial no cenário histórico brasileiro; o estudo das personalidades africanas e afro-descendentes, inseridas no contexto histórico, dará visibilidade ao ator negro que, em muitas vezes, fora subjugado e posto à margem. Ademais, a afrobetização tende à tangenciar estudos de gêneros, questões de autoestima e desconstrução do preconceito racial na sociedade brasileira.

A lei 10.639/03 legitima o estudo da história e da cultura africana nas escolas brasileiras, no entanto, é possível notar que, nestes espaços, há poucos docentes instruídos capazes de auxiliar na formação de seus discentes neste âmbito. Por outro lado, muitos dos educadores consideram a formação histórica africana imprescindível para a educação dos discentes, ainda que haja poucos docentes capazes de atuarem neste aspecto.

Nesse sentido, é viável pensar em docentes capazes de auxiliar na formação dos discentes; em muitos casos, os educadores não possuem um diploma que legitima o seu estudo ao longo dos anos, em contrapartida, o empirismo, isto é, a experiência dos preceptores aliada aos estudos autodidata ou  extracurriculares são, da mesma maneira, componentes importantes na formação do educando. Para além da formação diplomática, devemos levar em consideração o empirismo dos mestres da cultura africana, tangenciando, pois, os dois polos imprescindíveis para a formação: o conhecimento teórico e o conhecido prático.

A disciplina que tange a inclusão da educação africana atua como formadora da identidade nacional, esta, por sua vez, permaneceria incompleta sem o estudo da cultura africana, indígena e europeia no processo de identificação nacional; esta identidade, no que lhe concerne, fora construída com os europeus no papel central da história. O Brasil é constituído majoritariamente por afro-descentes e indígenas nota-se, por conseguinte, uma multiculturalidade; nesse contexto, a educação vigente – que dá protagonismo ao europeu – é inviável.

Aprofundando, portanto, os estudos da formação do Estado brasileiro, é notória a participação dos diferentes atores sociais no processo de formação da sociedade brasileira; assim a educação no Brasil deve fazer-se fiel à própria história contemplando os diferentes grupos sociais, dando visibilidade, sobretudo, à cultura africana e à cultura indígena. Nesse contexto, a escola atua como importante instituição que visa à pluralidade e, portanto, deve exercitar a alteridade, isto é, o reconhecimento do outro como portador de direitos iguais, visando, desta maneira, a identidade individual, construindo o coletivo respeitando as origens individuais de cada povo.

A educação antirracista nas escolas visa, sobretudo, atores negros no processo de formação da sociedade, portanto, para integrá-la à grade curricular é preciso, antes, formar educadores capazes. Mediante cursos obrigatórios com disciplinas como história, literatura e cinematografia africana, os docentes se formam e formam discentes inclusivos capazes de atuarem na sociedade brasileira futura.

Imagem – Reprodução web