Jasmine Richards acabou de sair da prisão, mas não está sendo fácil.

A líder do Black Lives Matter (Vidas Negras Importam) Pasadena, uma mulher negra lésbica, foi libertada depois de passar um mês atrás das grades por causa de sua condenação em junho por um crime que era, até recentemente , conhecido como “crime de linchamento”. Shaun King, o ativista e escritor do New York Daily News, a chamou  de “a primeira prisioneira política do movimento negro Black Lives Matter”.

Richards diz que ainda está sofrendo de transtorno de estresse pós -traumático decorrente do seu tempo como prisioneira, disse ao The Advocate. Ela também está se sentindo “em estado de choque” por ter sido confinada sozinha numa cela, apesar de a mesma ser destinada a duas presas .

“Há larvas e mosquitos na água, não estão apenas nos matando, reprimindo e nos mantendo presos e confinados, estão também nos matando com a comida na cadeia, com a água na cadeia”, disse Richards em um evento do Black Lives Matter fora da sede do Departamento de Polícia de Los Angeles.

Richards chamou a atenção da mídia nacional quando condenada em primeiro de junho por “crime de linchamento ” decorrente de sua tentativa de intervir no que ela e outros ativistas acreditavam que era a prisão injusta de uma mulher negra no ano passado.

Embora ela não desconheça confrontos tensos com policiais, Richards ficou apreensiva no retorno à linha de frente do movimento por vidas negras depois de ter sido libertada da prisão.

“Eu estava com medo”, admitiu Richards nas adjacências do prédio da LAPD. “Mas me lembrei do que Angela Davis me disse.”

Richards ficou frente a frente com Davis em maio, quando a professora, ativista e escritora falou em um Fórum de Estudos Panafricanos na Universidade do Estado da Califórnia, Los Angeles. Richards e Davis compartilham várias características: ambas são negras e lésbicas, ambas foram prisioneiras políticas.

Davis tem sido uma defensora do movimento por vidas negras. Em junho, a Universidade da Califórnia  Santa Cruz, a professora aceitou o Primeiro Prêmio Sackler Center, administrado a mulheres extraordinárias que ultrapassaram barreiras em seus campos de atuação. Durante a cerimônia em Nova York, Davis foi acompanhado no palco pelo ativista feminista e escritora Gloria Steinem, que lhe pediu para falar sobre o movimento Black Lives Matter.

“Black Lives Matter é o que estávamos esperando “, disse Davis à plateia . “Esta é uma conjuntura histórica em que todos os ingredientes se reuniram em uma forma incrível e Opal, Patrisse e Alicia (as três mulheres que fundaram o movimento) foram capazes de ler e entender que isso é o que precisamos neste momento . “

Durante o fórum na Cal State Los Angeles, Richards perguntou à professora o que a manteve motivada durante seu próprio tempo na cadeia.

“Ela disse, ‘Sabia que havia pessoas lutando por mim, como eu não poderia lutar por elas e por mim ?'”, lembrou Richards.

Essas palavras permaneceram com Richards quando ela conheceu Marcus Vaughn, marido de Redel Jones, uma mulher negra, morto por agentes da polícia de Los Angeles em 215. Eles ecoavam em sua mente quando conheceu a família de Wakeisha Wilson, uma mulher negra que segundo as reivindicações LAPD cometeu suicídio enquanto estava sob custódia no início deste ano – mas muitas questões precisam ser enegrecidas para que sua família acredite que ela tirou a própria vida. Quando Richards conheceu a família de Keith Bursey, um homem morto a tiros pela polícia além da região sul de Los Angeles numa loja de bebidas em junho, ela ainda estava pensando nas palavras de Davis.

Ser parte do movimento e ver as pessoas que saindo para te apoiar “me mostra que eu não posso parar e eu não vou parar, porque o trabalho que estamos fazendo é de vital importância”, disse Richards. “É de vital importância, se eu parasse, poderia morrer.”

Publicado originalmente por Orien Givens como Here’s the Advice Angela Davis Gave a Queer Black Lives Matter Activist.

Imagem de destaque – Angela Davis e Jasmine Richards por Yesmin Vilarreal.