O país está em crise; uma das marcas que vendemos resolveu acionar judicialmente um grupo no Facebook com milhares de pessoas, o que levou a uma avalanche negativa na internet; junho e julho são historicamente difíceis para o comércio, mas, nossos passos veem de longe e a gente não desiste.

A gente não desiste e como boas brasileiras nos divertimos com nossas próprias dificuldades e buscamos soluções criativas para nossos problemas.

Temos um pequeno comércio de cosméticos, onde os produtos são selecionados criteriosamente para atender a diversidade étnica da beleza brasileira. Isso significa que trabalhamos para atender cada tipo de pele e cabelo em sua particularidade. Também nos esforçamos muito para ampliar, a cada mês, a quantidade e variedade de produtos fabricados por indústrias que não fazem testes em animais, por exemplo.

Mas, ainda que seja um negócio promissor e que o nicho da beleza ainda se mantenha em uma curva ascendente, que amigos e familiares ajudem, sim, passamos por dificuldades mês a mês para fechar nossas contas e contamos apenas com nossos investimentos pessoais que são bem estreitos.

Além do bom humor e da constante aposta em um sonho cor de rosa – talvez lilás, percebemos que o caminho para o sucesso, ou ao menos para fechar as contas do mês está em nós mesmas.

Isso não significa que não estudamos, que não passamos noites em claro lendo textos sobre negócios, gestão, economia. Mas, ao fim, percebemos nesses poucos meses de portas abertas que quem compra conosco, possivelmente faz isso, porque acredita no nosso trabalho, na nossa proposta, ou porque simplesmente tomou a decisão de comprar produtos onde se enxerga e com pessoas onde se vê.

Em um dia desses bem difíceis uma cliente negra entrou na loja, comprou algumas coisas e enquanto conversávamos ela disse: “Temos que nos fortalecer”. Olhamos uma para o rosto da outra e pronto, uma conexão foi estabelecida naquele momento.

Outro dia uma família branca também esteve na loja. Mãe, pai e uma criança de colo. Também compraram algumas coisas e a moça disse: “Gostei da proposta de vocês, nós mulheres precisamos mesmo nos empoderar”. Olhamos uma para o rosto da outra e pronto, uma conexão foi estabelecida naquele momento, exatamente como no caso citado acima.

Chegamos a conclusão que ainda temos um grande caminho pela frente, mas, contamos com a experiência herdada das mulheres que vieram antes de nós. Contamos com a empatia daquelas que se enxergam na gente, na nossa história, nos nossos objetivos e temos a certeza, de que no final venceremos e, com o cabelo lindo e com a autoestima elevada.

Imagem de destaque- Mme Noire