Um ano que abriu com chave de ouro e que pretendemos fechar assim também. Apesar das notícias não tão boas, das tretas e dos golpes, queremos contar o que fizemos de melhor – nós, as mulheres negras dentro e fora da web. Constatamos que são QUATRO anos na labuta de construir uma lista de mulheres negras incríveis! Opinião da comunidade, observância dos talentos da web e além dela: A lista foi, é e sempre será composta por pretas da web, das artes, da música, da academia e da comunidade.

O trabalho é grande porque a ideia é sempre mostrar aquelas que, como nós, deram o gás pra ter o seu talento visibilizado, sua arte ganhando valor, seus corres reconhecidos. Não precisamos nem dizer que não é fácil, porque pra gente é três vezes mais difícil, mas mulher negra é especialista em black girl magic e a gente tira leite de pedra, faz brilhar nosso talento com o reflexo do nosso suor.

Como gostamos sempre de lembrar, esse não é um ranking – as mulheres aqui citadas não estão em ordem de importância – e a lista não pretende hierarquizar trabalhos ou destacar uma em detrimento da outra. São mulheres que inspiram, todas elas! São elas com que quem queremos trabalhar juntas ou apenas nos espelhar – reflexos bons do poder e da capacidade individual que dá orgulho coletivo.

Lembramos também que a nossa comunidade indicou muitas dessas mulheres e como somos muitíssimas, precisamos deixar algumas de fora. São #25WebNegras que poderiam virar 50 facinho, mas o tempo ainda não nos deixou fazer – aliás, ano que vem teremos mais!!!

Neste ano em que perdemos muitas mulheres negras, queremos dedicar nosso trabalho e essa lista a nossa eterna Luiza Bairros. Foi ela quem nos ensinou que nós somos aquelas que lideramos e lideraremos esse país; que somos nós aquelas que tem todas as condições para encabeçar as revoluções necessárias. À Luiza Bairros e a todas as nossas ancestrais que partiram esse ano – nosso respeito, admiração e lembrança, agô!

Às #25WebNegras desejamos um ano bom, novos ares e muita energia boa. Que possamos estar juntas, mesmo com nossas diversidades, peculiaridades e até mesmo divergências. E como não podia faltar temos novidades – uma lista especial como a cereja do bolo. Vem com a gente e conheça quem são as maravilhoses deste ano.

Ana Almeida

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Carioca de 23 anos, essa preta é estudante de design, artista visual e usa a metodologia do desenho industrial aplicada à diversas plataformas e projetos, tem trabalhos incríveis e uma carreira promissora pela frente.

Se você não sabe ela é responsável pela direção de arte do curta-metragem do ano, o Kbela, além da identidade visual do Editorial do Rock in Rio 2013. A menina broca muito! Recentemente participou conosco do Webinário “Mulheres Negras e Cibeartivismo” organizado por Criola e contou da sua experiência com a direção de arte do filme e de como as estratégias de comunicação e de todas as áreas integradas contribuíram para o sucesso daquele filme.

Os trabalhos de Ana estão concentrados aqui e aqui se você tinha dúvida de que existia ou não ou vivia dizendo que não conhecia mulher preta designer, apesar de elas serem tantas, agora você não vai esquecer. Ana Almeida, brilhe muito pelo mundo afora, preta!

Lilian Almeida

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Ouvir Lilian é inclinar a cabeça para o lado, como quem ouve uma griô falando. Essa soteropolitana é a cabeça, corpo e membros por trás do projeto AfrikanaBahia: o lugar onde ela mostra suas descobertas para além da culinária, porque sim, essa chefe autodidata que passou os últimos onze anos por várias praças e setores da cozinha de grandes restaurantes e chefes em Salvador e São Paulo, não se deu por contente e voou longe. Enquanto trabalhava, concluiu sua pesquisa científica e se afirmou como mulher negra, agente modificador de si e do seu entorno.

Não há como negar que o que ela tocar virará ouro negro – seja ele dendê ou palavras. Ao que ela nos diz:

“Conhecer a história do meu povo, e perceber o imenso potencial humano (intelectual, científico, psicológico, físico, político, filosófico, artístico, culinário, etc) que meus ancestrais trouxeram com eles, e que trago no meu sangue, me fez reconhecer e desabrochar em potencialidades. Conhecer sobre a minha origem me faz perceber que somos sim os principais povoadores e contribuintes socio-culturais deste país. O que não nos foi omitido, foi contado de forma mentirosa. Estamos aqui agora para abrir espaço à verdade, à reconstrução e à manutenção de uma nova autoestima, baseada na realidade.”

Lilian é uma das #25WebNegras que extrapola fronteiras e nos mostra que é possível. E pra você ver que delícia de jornada essa preta está galgando, veja aqui seu depoimento para a série Consciência Negra do Instituto Federal da Bahia. Brilhante, Lilian!

Zelinda Barros

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Soteropolitana, sorridente, a Profª Zelinda Barros tem um currículo lattes pra ninguém botar defeito: Antropóloga, Ciberativista, Doutora em Estudos Étnicos Africanos pela Universidade Federal da Bahia, Mestre em Ciências Sociais pela mesma Universidade e especialista em Educação à Distância pelo SENAC. Ufa, né? Ela também é Pesquisadora do Coletivo Angela Davis – Grupo de Estudos de Gênero, Raça e Subalternidade da Universidade Federal do Recôncavo da Bahia e Membra da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC) e da Associação Brasileira de Pesquisadores Negros (ABPN).

Zelinda é das nossas e em meio a tudo isso, ainda tem tempo de alimentar seus blogs: sim, a professora tem 11 blogs – alguns sem texto recente – que tem uma variedade de assuntos de dar inveja: desde Cursos Grátis até um blog com tudo dentro. Uma mulher multi!

Se você ainda não tinha ouvido falar dessa ancestral viva, seguem algumas indicações de textos e publicações:

Nubia Moreira

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A cada avanço dos feminismos e da sua difusão no seio da sociedade, podemos visualizar a melhoria na vida das mulheres em todos os setores (…) Mas isso não significa o fim da opressão”.

A feminista negra, doutora em sociologia pela Universidade Brasília (UNB) e professora adjunta da Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia (UESB) acredita que hoje não há um feminismo, mas vários. E foi exatamente por causa dos seus pensamentos, estudos e trajetória que esta mulher negra foi indicada a compor a nossa lista. Nubia Regina Moreira recentemente nos presenteou com sua fala brilhante num Café Filosófico [sim, aquele mesmo famoso da TV Cultura] sobre o Movimento Feminista Negro no Brasil: lúcida e esclarecedora, a preta afirma que o feminismo negro não é uma denominação largamente aceita e corrente pelo conjunto do movimento de mulheres negras, ou seja, ela reconhece nossa diversidade e multiplicidade de lutas.

O Pretas da Dió, movimento impulsionado por Nubia dentro da UESB publica textos incríveis e também dicas de eventos negros de música, arte e outras expressões.

E como não podia de deixar de ser, Nubia nos traz seus pensamentos por escrito na publicação A Organização das Feministas Negras no Brasil (2011) que é livro de cabeceira das feministas negras! Deixamos aqui pra você o Café Filosófico Movimento Feminista Negro no Brasil: pegue a pipoca, o caderno de notas e boa reflexão.

Camila Neves

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Fluminense de Niterói, Mila Neves é uma das mulheres negras articuladas no coletivo da Ocupação Preta na Universidade Federal Fluminense, no Rio de Janeiro. Organizada dentro da Ocupação da UFF, as atividades do grupo tem foco nas questões de raça e gênero e tem promovido um debate incrível dentro da Universidade: exibição de filmes, oficinas de baile charme, conversas sobre mídia e ativismo na favela – tudo isso e muito mais (rs) e a Ocupação Preta conseguiu realizar, provocar, mesmo dentro de um ambiente hostil e pouco acolhedor como são geralmente as Universidades.

Camila também participou recentemente do Webinário Ciberativismo e Mulheres Negras, de Criola, e contou sua história vivida na ocupação. Uma preta jovem que você não pode deixar de trombar pelos corredores da UFF, muito menos nas esquinas da vida. Juntas, Mila!

Thamires Vieira

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Um abraço dessa preta é um acalanto! Thamires Vieira, baiana de Salvador é cineasta herdeira direta do legado das cineastas negras brasileiras, como Adélia Sampaio.

Graduanda de Cinema e Audiovisual na Universidade Federal do Recôncavo, em Cachoeira/BA e com formação em Vídeo pela Oi Kabum: Escola de Arte e Tecnologia, Thamires é uma jovem preta, mas que já tem um extenso currículo atrelado ao seu nome: diretora do filme “O dia que ele decidiu sair”, seu segundo documentário. Dirigiu também o documentário “Dona Toinha”, produziu “Cinzas”, de Larissa Fulana de Tal.

Tem, também, vasta experiência em Produção Cultural, fazendo parte da equipe de produção de eventos como o Cachoeira Doc – Festival de Documentários de Cachoeira; O Paisagem Sonora – Mostra de Arte Eletrônica do Recôncavo e o Panorama Internacional Coisa de Cinema.

Além disso, arranjou tempo para, no cinema, co-dirigir com Jean Chagas e Felipe Brito o filme “Ao Mar” (2011 – Oi Kabum), produzir os filmes “Pior que o beijo mais amargo” (Ulisses Arthur – 2013), “Materno” (Alequine Sampaio e Ruy Dutra – 2013) e “Além dos Muros” (Elen Linth – 2014 / Dois Arroz) e dirigir o curta-metragem de ficção “O Beco”.

Ah, esqueci de dizer que ela também está organizada coletivamente no movimento Tela Preta. Se liguem nessa preta, colem nela que todo mundo passa de ano. Thamires, obrigada!

Rosa Luz

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“Rosa Luz é uma mulher da vida” cujo trabalho é voltado para “vivências periféricas enquanto mulher transexual, negra e afro-latina em movimento!”. Ela não quer “ser princesa pois eu sou é clandestina”. Ela é “rainha afro-latina você sabe que sou linda” e põe o dedo na ferida pra dizer “de que adianta me fuder se tu não sustenta o meu rolê?” Ela aponta o conceito da socialização masculina como transfobia e argumento de deslegitimar a vivência de pessoas trans.

Rosa Luz também é vegetariana e problematiza a questão como mulher negra. No seu vídeo sobre sua exclusão do facebook por compartilhar um clipe de As Bahia e a Cozinha Mineira critica a transfobia institucional envolvida no reconhecimento de sua identidade como membra da comunidade online e nos processos para reaver seu acesso à mesma.

Rosa está registrando em seu tumblr o processo de “Tratamento de Reposição Hormonal Auto-Medicado”, que alguns críticos de arte chamariam erroneamente de projeto. Não, sua arte não cabe nessa palavra. “Não há qualquer dúvida, a arte é travesti, é preta, é periférica, clandestina e não está nos novos antigos espaços de cultura. Ela está aqui, é corpo, é voz, poesia, fotografia e “corpo da mulher no rolê das artes!”. Encantamento e afronta, beleza e denúncia. É aquilo que se reconhece de imediato. Sublime.

Mariana de Matos

mariana-de-matos

a loucura

caso tente precisar

a loucura é subjetiva

não tende nem rende

só de si depende

caso tente sistematizar

a loucura não tem marca

a pessoa é para o que nasce

música mar fechadura chave

É com essa poesia que apresentamos Mariana de Matos: mineira de Governador Valadares, artista visual e poetisa negra. Sua experiência com as palavras nos transmite aquilo que ninguém consegue expressar ou traduzir. São experiências audiovisuais, fotografias, desenhos e todo tipo de materialidade possível que podem ser vistos no seu endereço online e sentidos de um jeito especial – se você tiver a oportunidade de ver, ouvir, faça!

Um dos seus últimos trabalhos foi a exposição na Casa do Cachorro Preto, em Recife: Minha vida é minha noção de luta reuniu sua obra com temas em torno da violência, política e amor.

Seu trabalho também ficou estampado na capa da #12 edição da Revista pernambucana de crítica cultural Outros Críticos e como não podia deixar de ser, está também registrado no seu livro Meu corpo é um esconderijo – se tu não tem nem leu, providencie! Mariana de Matos é mulher negra que se precisa ler.

Nina Silva

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Mulher múltipla: essa pode ser as palavras que definem Nina Silva. De Niterói, ela é formada em Sistemas da Computação pela Universidade Federal Fluminense (UFF), especialista em gerência de projetos em tecnologia e toca sua empresa MB Silva Soluções – especialista no ramo da tecnologia da informação; Escritora e poetisa, Nina é membra honorária da Academia de Letras de Araçariguama (SP) e tem poemas publicados no livro-parceria com Akins Kinté InCorPoros – Nuances de Libido, lançado em 2014 no Festival Latinidades. Tendo prefácio poético de Lia Vieira, a obra apresenta textos ora leves, ora vorazes, mas sempre com um toque musical e gostoso de ser lido.

Recentemente Nina compôs uma mesa no Festival Black Codes, dentro da Feira Preta – Rio de Janeiro, onde contou sua história e sua trajetória no movimento de mulheres negras. Para ler poesias de Nina Silva, venha aqui e para acompanhar sua trajetória profissional, é só curtir a page.

Giovana Xavier

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Intelectual Negra, Giovana Xavier Conceição do Nascimento é carioca, Doutora em História pela Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), com mestrado em História pela Universidade Federal Fluminense e especialização em História da África na Universidade Cândido Mendes (UCAM).

Giovana promove uma experiência de Aquilombamento e Transgressão dentro da universidade, a partir do seu grupo de estudos e pesquisas Intelectuais Negras, que esse ano sacudiu a produção de conhecimento dentro e fora da academia. Ou vocês não se lembram da Carta Aberta à FLIP (Feira Literária de Paraty), onde um coletivo de mulheres negras – incluindo a própria Giovana – escreveu e denunciou a falta de escritoras negras e chamou aquela feira de “Arraiá da Branquitude”. À esse movimento deve-se o fato de que, ano que vem, a FLIP irá homenagear Lima Barreto! Se isso não é transgredir, não sabemos o que é.

Além de promover formações como a do Programa de Educação Tutorial (PET) denominada Orikis: do Nilo aos valores civilizatórios afrobrasileiros, Giovana e seus aquilombados comemoraram no último dia 15 uma conquista e tanto: o lançamento do portal da disciplina Intelectuais Negra: escritas de si. É felicidade seguida de felicidade! E que venham mais conquistas e surpresas para 2017 – sabemos, não é mesmo?

Maria Shu

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Maria Shu é dramaturga e professora, baiana de Guanambi. Venceu a 3ª Edição do Concurso Feminina Dramaturgia – Prêmio Heleny Guariba, promovido pelo Núcleo do 184 da Cooperativa Paulista de Teatro, com sua peça “Ar rarefeito” em 2014, noticiou o site da SP Escola de Teatro, onde estudou e com quem mantém estreita relação. Para ela, não tem tempo bom ou ruim, existe a escrita. No seu currículo estão, só para citar alguns espetáculos, “Cabaret Stravaganza”, Cia de teatro Os Satyros, direção de Rodolfo Garcia Vasquez; “Giz”, com a GAL (Grupo Arte Livre), direção Marcelo Valle; “Mofo”, direção de Alex Araújo, encenado nas Satyrianas.

Sua produção é extensa e no seu recanto pessoal, é possível aproveitar a delícia que é ouvir um autor falar sua própria obra. Ali também estão seus haicais, que já foram premiados. Quando foi receber seu prêmio ninguém acreditava que ela era ela mesma. Ou que não era casada com um oriental, uma das poucas coisas que “explicaria” uma mulher negra escrevendo um haicai. Bateu o pé. Maria Shu é Maria Shu, um anjo “negro desses com cabelo pixaim”, que pinta com “guache as telas da vida”. Maria Shu também é mãe de Heloísa, uma menina que é inspiração, esperança, futuro e presente.

Irmas Tavares

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As cariocas Marcelly e Irlaine Tavares sãos a nova sensação do youtube quando o assunto é maquiagem e beleza para as mulheres negras. Apesar de estarem na plataforma a mais de dois anos — Irlaine, por exemplo, já fazia vídeos no youtube antes da irmã de 18 anos— são pouco conhecidas do público em geral. Irlaine é estudante de psicologia e empresária  (uma das sócias da Black Wig Brasil) e foi ela quem levou a irmã a tira-colo.

O canal das Irmãs Tavares tem mais de 200 mil inscritas, com vídeos chegando bater a marca das 450 mil visualizações.

Falando desde cabelo, maquiagem até música, essas pretas tem conseguido falar de um jeito simples e sem trazer as pautas de consciência racial para dentro do canal – o que para alguns pode ser bom ou ruim, dependendo do ponto de vista.

As Irmãs Tavares estão sim nas #25WebNegras! Elas são divertidas, ensinam como usar laces e lentes de contato e podem ser um oasis no deserto árido das problematizações na internet. Segue as mana pra distrair você também.

Mayara Efe

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Se você nunca ouviu falar nessa preta, pegue a caneta, salve nos favoritos e/ou comece a segui-la nas redes sociais.

Paulista, negra, lésbica e modelo plus size, Mayara Efe é estudante de rádio, tv e internet na Universidade Metodista de São Paulo e seu trabalho como influenciadora digital tem alcançado milhares de meninas negras. Ela já foi convidada pelo Instagram para participar da campanha #EssaÉMinhaHistória, preencheu as páginas da TeenVogue falando sobre sua vida de modelo plus size e feminismo negro e tem seu último trabalho estampado no projeto Melissa Meio Fio, que juntou 18 criadores de São Paulo que tem em comum trabalhos de arte, design, moda e criatividade.

Mayara esbanja autoestima, segurança e beleza, trazendo pra gente as possibilidades do corpo negro gordo, com muita cor, leveza e positivismo; saca o que ela tem pra dizer: “Depois das inúmeras dietas, dos chás de berinjelas, das dietas na USP, dos líquidos, dos pontos. Depois de ser representada somente em função de chacota na mídia de ouvir diversos “até que você tem um rosto bonito” (…) depois, só depois de todos os processos que resultam em marcas emocionais e longos processos de aceitação que as gordas, aos poucos, começam a revolução: amar seus corpos.(…) E então as marcas começaram a perceber que é bonito ter status de marca engajada.

Mayara Efe não é só um rostinho bonito, meu bem! É também vrá no discurso e na atitude – e justamente por isso ela está na nossa lista. Corra e veja tudo dessa preta.

Poder Feminino Crew

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No hip hop tem mulher? Tem sim senhor! E no hip hop pernambucano, tem mulher? Só tem!

PFC ou Poder Feminino Crew se denomina como Um grupo só de mulheres, que usa a cultura hip-hop como instrumento de luta, é arte e entretenimento aliados à conscientização e empoderamento das minorias. Formado por Lady Laay, Strega, Nathê, GiStyle, Anne Badu e Mari Tedesco, a crew tem sacudido a cena recifense.

Esse ano, as meninas produziram um evento – o Festival Todo Poder a Elas – e suas músicas ganharam as mentes e corações das feministas; com temas como racismo, machismo e subversão, elas estão preparando para 2017 o lançamento do álbum Subversiva, que deve chegar para brindar os três anos de formação e atuação da crew.

Para sacar o que essas manas tem produzido, é só acessar o site [que é inclusive desenvolvido por uma delas]. Todo poder a ELAS!

Annie Gonzaga Lorde

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Mais uma baiana na lista! Annie é artvista dessas que a gente admira. Sobre ela, sua autobiografia revela: …de Salvador Bahia, desenhista, grafiteira e historiadora. Negra lesbofeminista antiracista e descolonial. Atravès da arte transmito o que sinto,evivencio e sonho. As ruas são minhas folhas de papel das latas de sprays para a aquarela e pincel…assim vagueio e transbordo cores de mim e dxs outrxs que também fazem parte de uma construçãocoletiva,nômade,sonora e afetiva.” A filha de D. Lina, mãe de Lila, candomblecista, grafiteira e artista visual tem uma trajetória longa, é autodidata e como toda mulher preta, luta para que sua arte seja reconhecida e valorizada.

O trabalho de Annie está espalhado pelas redes sociais, pelo mundo e você com certeza já deve ter visto: Em 2014, ela ganhou as estradas, no Encuentro LesboFeminista da America Latina e Caribe, na Colômbia, para o qual teve a iniciativa de pedir apoio para exibir suas aquarelas. E conseguiu. Pela 1ª vez Annie saiu do Brasil e mostrou seu trabalho. E continua trampando arduamente pra ser vista, reconhecida, valorada.

“Eu pinto memórias, utopias, nossos sonhos que nos permitam sair desses traumas, dores e mortes que vamos tendo durante a vida, sonhar com cores, alegrias, amores, lugares e relações possíveis.”

Annie é mais uma das #25WebNegras que a gente respeita e admira. E que venha a colheita!

Neomisia Silvestre

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Eu tenho certeza que você já ouviu falar na Marcha do Orgulho Crespo. Se não, em que mundo você estava?

Surgida em 2015, o movimento que tem idealização da Hot Pente e Blog das Cabeludas – Crespas e Cacheadas, objetiva celebrar a cultura negra e fortalecer a estética afro-brasileira como símbolo de identidade e resistência. E uma das cabeças crespas por trás de todo esse trabalho é a Neomisia Silvestre.

A preta é jornalista, escritora e agitadora cultural. Atua em projetos socioculturais (juventude, periferia e militância a partir da estética negra) e artísticos (teatro, dança e música), além de ser umas das idealizadoras e produtoras da Hot Quente e Três Fervendo (leia-se: Hot Pente!) & uma das responsáveis pela criação, organização e articulação nacional do Movimento Orgulho Crespo, iniciado em 26 de julho de 2015, com a 1ª Marcha do Orgulho Crespo Brasil, na Av. Paulista, SP.

A partir de hoje não desgrude desse nome. Neomisa é referência e espelho.

Jamile Menezes

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O Portal SoteroPreta tem apenas três meses de existência, mas parece que faz mais de anos que conhecemos. Aliás, se você nunca ouviu falar, abre logo pra conferir.

Denominado o “Portal AfroCultural de Salvador com atualização constante em setores noticiosos, de modo a abarcar a demanda de ações e iniciativas culturais negras em Salvador” esse veículo de mídia negra já nasceu consolidado e sua idealizadora é ninguém mais ninguém menos que uma das #25WebNegras.

Jamile Menezes, soteropolitana, jornalista, empreendedora. Passou pelo Instituto Mídia Étnica e já foi colunista do jornal A Tarde; a preta e sua equipe está trabalhando duro no portal, agregando informação sobre cultura, arte, música com colunistas como Drª Katleen Conceição, Luciane Reis e Camila França.

Parabéns, Jamile! Você também é inspiração.

Helemozao Fotopoesia

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Com esse sobrenome, a gente já imagina o que vem por aí: a fotografia como retrato das almas – tanto da fotógrafa quanto do que se deixar fotografar.

Helemozão se descreve como mulher periférica, com fotopoetisa no olhar e nas ideias! Agora me diz se tu não tá curiosa pra conferir o trabalho dessa preta? Só pra te deixar com água na boca, seu último editorial foi com Carol Barreto (sim, aquela outra preta bapho) na Coleção Asè – se você não viu, veja AGORA!

Aliás, veja tudo de Helemozão e tenha um dia incrível, vendo mulheres negras gordas, favelas e pretos lindos eternizados pelos olhos dessa fotógrafa e desenhista dos instantes.

“Escolhi eternizar momentos, assim vou me lendo no outro, me perdendo me encontrando, quase um autorretrato.”

Apenas obrigada, Helemozão!

Mel Duarte

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Não sei vocês, mas a gente conheceu Mel Duarte falando poesia no SLAM RESISTÊNCIA, denunciando machismo e fazendo a plateia delirar nas ideias que ela ia tecendo com as palavras.

Vencedora do SLAM em maio, essa paulista de 27 anos é produtora cultural formada em comunicação social, além de claro, ser poeta, slamer e escritora com 2 livros publicados de forma independente “Fragmentos Dispersos”, em 2013 e “Negra Nua Crua”, em 2016, esse último pela editora Ijumaa, que tem essa capa linda ilustrando nosso post. E claro, não esqueçamos que Mel foi vencedora do Rio Poetry Slam 2016, campeonato que aconteceu dentro da FLUPP [Feira Literária das Periferias]. Ela foi a primeira mulher a vencer a competição internacional e como sempre, representou: Vencemos, não apenas eu, mas a poesia, as mulheres, a nossa luta, a periferia. Tenho uma gratidão imensa a todos que acompanharam, que enviaram vibrações positivas, torceram e agora celebram a nossa conquista. Os outros 15 poetas que representaram suas nações também são vencedores. A palavra falada é a campeã”.

Mel Duarte é uma das #25WebNegras além da internet.

Micaela Cyrino

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Multipreta devia ser seu sobrenome. Micaela é uma paulista de 29 anos, com formação em artes e comunicação e está articulada com outras mulheres no Coletivo Mangueiras que se denomina “um coletivo autônomo de Jovens Feministas que lutam por Direitos Sexuais e Reprodutivos numa perspectiva integral e interseccional, a partir do reconhecimento da diversidade. (…) porque somos seres plurais compostos de desejos e sonhos, que acreditam no livre exercício da sexualidade e reprodução, e lutamos diariamente para a garantia do direito de ser a “variação de manga” que escolhermos ser.” Definição linda, né não?

Mas foi por causa da sua performance Cura que Micaela entrou na nossa lista! O ciclo de performances #CorpoPositivo que incluia o trampo de Micaela e de outros artistas, incluia discussões sobre corpo, negritude e HIV. “Cura aborda o corpo negro diante da epidemia de Aids e o silenciamento das populações afetadas com a epidemia. As mulheres negras é o grupo que mais morre por falta de insumos e tratamento. Isso é mais um dos reflexos sobre o extermínio da população negra” – essa é a reflexão trazida pela artista e se você perdeu, fique atenta porque com certeza Micaela está se preparando para mais.

Obrigada, preta!

Erica Malunguinho

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Erica é dessas mulheres de posição e presença forte. Ouvi-la falar com lucidez e força é se reconhecer e perceber que também podemos. Que podemos chegar onde queremos e como ela mesmo diz: nosso espaço é todo espaço, todo lugar é lugar de preto. Erica faz mestrado em História da Arte na USP. Trabalha na formação de professores da Rede Pública Municipal. E é conhecida também por ser Gestora do Equipamento Cultural de Artes Negras, o recente e mais frequentado quilombo urbano – Aparelha Luzia; Naquele espaço, ela tem criado um ambiente de resistência, e como ela mesmo diz, isso significa segurar esse legado pra que ele seja cada vez mais propositivo, mais empoderado. Pra que todo esse imaginário eurocêntrico e branco que habita a subjetividade humana desapareça. E esse é o Aparelha Luzia – o lugar da existência.

Aliás, o Aparelha faz a gente se sentir de um jeito indescritível; Erica faz questão de abrir os trabalhos da casa com falas de resistência, afirmando ser aquele um lugar de celebração e de socialização preta e que sim, todas as pessoas brancas ali negociaram sua presença e seu pertencimento. É lindo de ouvir ela saudar as chefes, os colaboradores e reafirmar que o Aparelha não é um lugar de servidão – “por isso, recolham seus copos e pratos e garrafas. Não estamos aqui pra servi-los”

Erica é Artista múltipla, mulher negra, resistência. É também articuladora da Ocupação Preta da Funarte-SP e do GAAP (Grupo de Articulação Política Preta) e será com certeza uma das líderes da nossa revolução pela arte ;). Erica Malunguinho é #25WebNegras.

Larissa Luz

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Quem acompanha as Blogueiras Negras já deve ter lido e ouvido falar de Larissa Luz. A baiana tem uma carreira longuíssima na música, tendo começado no rock, passando por mpb e bebendo de tudo um pouco. Ela brilhou muito quando passou pelo Bloco Afro Araketu e fez seu nome resplandecer para se tornar o que a gente conhece hoje.

Seu primeiro disco, MuDANÇA, lançado em 2013 é incrível! É a materialização das influências de Larissa e de seu aprendizado na música, na arte: Reggae, Hip-Hop, Soul e a Bahia! Candomblé e Blues, Funk e Rock! Vasto universo explorado com plenitude feminina e uma força visceral que emana a personalidade sedutora dessa cantora que dança, dançarina que escreve, escritora que toca.”

Mas foi com Bonecas Pretas que a preta explodiu. A música que foi lançada com um videoclip hipinotizador faz parte do seu segundo disco, o Território Conquistado disco-conceito cheio de discurso empoderador e que mistura numa trama sons eletrônicos e orgânicos a partir do funk, soul, rock e hip hop.

“Tem várias meninas deixando de alisar os cabelos, pintando suas tranças. E, quando acontece injúria racial na internet, as pessoas estão cobrando. Quero oferecer minha arte pra esse momento tão transformador”

Por isso e muito mais, Larissa tá na nossa lista. Obrigada, musa!

 Luana Protazio

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Construir outras narrativas, outras histórias. Nós, mulheres negras somos craques nisso né não? Aqui nesta lista mais uma preta retada, genial e criadora.

Luana Protazio, de 20 anos é estudante de relações públicas na USC, voluntária de comunicação na Casa do Hip Hop Bauru e integrante da Frente Feminina de Hip Hop de Bauru – um coletivo que provoca questões de raça, gênero, e sexualidade tanto no movimento hip hop quanto na sociedade. Entusiasta da comunicação social como ferramenta de transformação, ela é a idealizadora do  Elogie uma Irmã Negra, onde aborda questões que cercam nós, mulheres negras, tendo como pilares autoestima e conhecimento. O site propõe que o resgate, a construção, desenvolvimento e manutenção da nossa autoestima estética e intelectual feita por nós mesmos, e para isso -segundo a própria Luana – o conhecimento é fundamental, sem deixar de lado o afeto que nosso principal plano de fundo.

Com matérias incríveis, o Elogie uma Irmã negra é mais um lugar de narrativas das mulheres negras. Mais um veículo pra se informar, beber e se deleitar. Obrigada, Luana.

Estaremos la

estaremos-la

Uma turma, uma gangue, um coletivo. Muita gente boa! É o que é o Estaremos Lá.

Beatrice Oliveira, Stella Yeshua, Samantha Cristina e Carol Silvano são as amigas que relataram um caso de racismo quando estavam no shopping Pátio Paulista, Bela Vista, em São Paulo, em agosto desse ano.

Como mulher preta não brinca em serviço, as amigas criaram um vídeo bem humorado e cheio de irreverência para denunciar o caso. Filmaram dentro do banheiro do shopping, minutos depois do acontecido. Intitulado “Se é negro… tem que me servir?”, a obra de arte dos tempos contemporâneos viralizou, alcançando mais de 25 mil pessoas.

Stella, de 30 anos, especialista em marketing é uma das pretas, que de bate-pronto respondeu a senhora branca que lhe insultou:“Senhora, eu não trabalho aqui. Estou aqui para te ajudar”.

O fato é que as meninas tomaram gosto pelos vídeos e tão mandando maravilhosamente bem, falando de váaaarios assuntos que dizem respeito a nós, mulheres negras, com graça, leveza e uma pitada de humor. Elas já estiveram no programa de Fátima Bernardes e tenho certeza que daqui pra frente vai ter mais novidade and coisa boa.

Joguem duro, meninas.

Luedji Luna

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“O espaço que se ocupa, mas não se identifica, o não lugar, o não pertencer”.

Luedji Luna, mais uma baiana que vai lhe fazer chorar! A fala acima se refere ao seu último lançamento: o videoclip dirigido por Joyce Prado da canção Um corpo no mundo.

A música, composta a partir de experiências do encontro com os imigrantes africanos que colorem a cidade, te faz sentir a mesma coisa que a cantora revela – uma saudade ancestral. Apesar de só ficar conhecida pelo grande público agora, Luedji já tem cinco anos de carreira e em 2017 completará dois anos em São Paulo, cidade que a soteropolitana do Cabula escolheu pra viver.

“Eu canto porque cantar me dá sentido de existência” – e nos dá alento, felicidade. Luedji paralisa com seu cantar e hipnotiza de um jeito indescritível – Eu rio é uma dessas músicas.

Apois vocês, sigam essa preta! O álbum homônimo sairá ano que vem fruto de financiamento coletivo, então não deixem mesmo de colaborar, ouvir e se emocionar.

Internacional

Grada Kilomba

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Um nome que dispensa apresentações. Grada Kilomba, escritora, teórica e artista é o espelho vivo, retrato fiel do que alguns chamam de “nomadismo cultural”. Com origem nas ilhas de São Tomé e Princípe, Grada transita entre Berlim e Portugal, ambas suas casas.

Esteve no Brasil esse ano várias vezes, numa delas, no início do ano deu entrevista a Carta Capital e  afirmou que racismo é uma problemática branca.

Com suas discussões sobre pensamento descolonial, raça e gênero, sua obra dispõe de formatos e registros distintos, como publicações, leituras encenadas, performances-palestras, videoinstalações e textos teóricos, criando um espaço híbrido entre conhecimento acadêmico e prática artística. Um desbunde!

Grada precisa ser citada e tenho certeza que vocês que já conhecem, conhecerão ainda mais o trabalho dessa mulher f*da.

Menção Amorosa

Lellezinha

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Alessandra Aires Landin, a Lellêzinha é da zona oeste do Rio de Janeiro. A única menina a integrar o Dream Team do passinho, também foi revelada nas batalhas do passinho que acontecem nos bailes funk da cidade. O grupo se juntou e ganhou visibilidade quando foi convidado para gravar um videoclip para uma grande marca.

Lellêzinha se destacou logo: convidada para atuar na novela teen da rede globo, além de outras produções daquela emissora. Além de dançarina, Lelle vem se destacando como cantora e em 2015 lançou um clip solo da música “Sou Poderosa” em parceria com a atriz Lucy Ramos.

Ativa nas redes sociais, essa pretinha dá e deixa! E claro que não podia deixar de ser uma das #25WebNegras.

Joice Berth

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“– Não nasci para a mediocridade! Não sei se nasci para a ignorância ou para a sabedoria, Para paciência ou para a inquietação, para coragem ou para o medo. Para a confusão ou o discernimento. Ou quem sabe pra tudo isso e mais um pouco? Mas para a mediocridade, digo exaustivamente que não.” É o que nos dizia, em Mea Culpa, Joice Berth nos idos de 2012, em seu blog. A “arquiteta, Urbanista, Escritora e Feminista”

Sua escrita é simples, mas não simplória. É como olhar para uma maquete, é possível simplesmente olhar de cima mas você sempre será convidado a olhar por todos os ângulos e também de baixo para cima. Certamente uma das grandes pensadoras de sua geração, Joice é mãe e também está e esteve presente na batalha dos secundaristas como uma grande aliada. Seu feminismo, além de emoção, sensibilidade e teoria, também é ação. A preta foi uma das responsáveis pela Virada Feminista Online #PrecisamosFalarSobreAborto 24h!

Team Africa Rising Women

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Quando se fala de bike, o que você pensa?

Alguns podem imaginar roupas de borracha, bikes super equipadas ou mesmo retrô. Triatlo, corridas ou seja lá o que for. Mas tudo isso sob posse de pessoas branquíssimas, alvas como o coco.

Pois, apague tudo o que te disseram sobre “invisibilidade da mulher negra” em qualquer categoria e clique aqui. Esse time de feras nasceu da necessidade de promover o ciclismo também entre as mulheres no continente africano; com origem em Ruanda, o projeto já alcançou Eritreia, Quênia, Uganda e Etiópia!

Segundo  a diretora do projeto “ Quando assisti a corrida de mulheres nas olimpíadas e percebi a pouca quantidade de mulheres da África, eu sabia que era a hora. Nosso objetivo como Africa Rising Women é aumentar o nível de mulheres no ciclismo na África e eu vi o quão grande e maravilhoso as mulheres se sentiram no nosso recente treinamento “pan-Africa”, eu sei que nós devemos e podemos criar um marco e começar um movimento com as mulheres talentosas do nosso continente.”

E assim como o Team Africa Rising Women, existem muitos outros projetos que ligam mulheres negras a bike, como o La Frida Bike que aqui ganha menção honrosa pelo que vem fazendo na Bahia e no Brasil! Parabéns meninas, e vamos andar de bike por aí.

Rosane Borges

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Um lattes enorme, que só não é maior que a inteligência e generosidade dessa mulher negra!

A professora Rosane Borges é jornalista pós-doutoranda em Ciências da Comunicação pela ECA-USP, integrante do grupo de pesquisa Midiato (ECA-USP), professora contratada do Curso de Especialização do Celacc (Centro de Estudos Latino-Americanos sobre Cultura e Comunicação) da Universidade de São Paulo, é doutora e mestre em Ciências da Comunicação pela USP (2008), ex-coordenadora nacional do Centro Nacional de Informação e Referência da Cultura Negra (CNIRC) da Fundação Palmares, órgão do Ministério da Cultura (2013); Coordenou a Revista Nguzu (NEAA-UEL) e é articulista do blog da Editora Boitempo e do site Justificando, escreve regularmente nos portais de notícias “Obsevatório da Imprensa” e  “Geledés”.

Respirou? Pronto. Rosane é essa mulher que inspira, que faz nossos olhos brilharem quando fala. Recentemente ela participou do lançamento dos Cadernos Negros edição 39 e brindou o evento com suas impressões sobre a publicação.

Se você de comunicação ainda não leu esta senhora, procure saber: ela tem diversos livros publicados, entre eles: Mídia e Racismo (2012); Jornal: da forma ao discurso (2002), Rádio: a arte de falar e ouvir (2003), Espelho infiel: o negro no jornalismo brasileiro (2004) e não tem nem meses que lançou pela Editora Malê seu novo livro “Esboços de um tempo presente”.

Essa menção amorosa vem cheia de carinho e respeito de nós, Blogueiras Negras.

Obrigada, Rosane!

Sessão “mandamos um beijo para”

Samuel Gomes

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Quando nos deparamos com esse projeto, foi amor a primeira vista!

O Guardei no Armário é a coisa mais linda e emocionante que vi em 2016. Uma das ferramentas é o canal do youtube, que hoje conta com 5.452 inscritos e tem mais de 80 mil visualizações. Esse espaço pensado lindamente por Samuel Gomes, é o lugar onde as ditas minorias podem compartilhar suas experiências e sentimentos.

“Muitos LGBTs com sofrimentos muito maiores que os meus, que passaram por situações completamente diferentes das que vivi. Essas pessoas precisam ser ouvidas, porque acredito que em algum lugar terá alguém que se identificará com a história ou aprenderá com ela”.

Samuel de Paula Gomes. Nascido na periferia de São Paulo e dentro de um lar evangélico e muito tradicional não se intitula youtuber, mas protagonista. Formado em Designer Gráfico pela UNIBAN ele também tem sua própria empresa e com o sucesso do projeto, viu a necessidade de transformá-lo em livro.

Conto nesse livro a ferida que a igreja evangélica abre nos corações dos LGBTs que crescem nelas e os traumas que carregamos em silêncio”, afirma. Segundo Samuel, a inspiração para transformar em livro sua experiência, compartilhada anteriormente em um blog, surgiu da observação do quanto falta um referencial inspirador para quem passa por essas mesmas dificuldades. “Ainda existem poucos títulos nacionais feitos para o público LGBT, gerados por LGBTs, e é quase impossível achar algum com um protagonista negro”.

Samuel merece vários beijos! Vejam, curtam e compartilhem suas histórias.

Gabriel Hilair

gabriel-hilairEsse menino foi destaque durante o novembro por mais de uma semana. Mas não vimos ninguém, além do Geledés e das revistas “””cult””” falando dele.

Então, apresentamos: Projeto Dúdús.

Lá nos idos de 2015 – sim porque para a internet, um ano é quase um século – Gabriel Hilair [um jovem de apenas 18 anos, nascido no sul de Minas e morador da gigante São Paulo] lançou uma Carta Aberta aos brancos pró-movimento Negro, ao que dizia:

“Por mais revoltante, sem sentido e escroto que você ache o racismo. Não sabe nada sobre ele. Simplesmente porque nunca o sofreu. Você pode se indignar com atitudes racistas, com declarações racistas, pode colaborar com a luta contra o racismo, mas jamais colocar-se como protagonista nesse movimento porque, enquanto branco, embora em potencial, você permanece sendo meu opressor.

Finalizando com, “Então, miga, seje menas”.

A partir daí, Hilair começou a ser considerado para discutir questões de identidade, virou colaborador de uma revista vermelha e nunca mais parou. Estudando produção cultural, ele viu a real dificuldade dos artistas pretos para produzir, conquistar espaços.

E aí pronto: nasceu o Dúdús – primeiro num grupo fechado de facebook, onde os artistas expunham suas ideias, discutiam sobre seus projetos e chegavam até a fase de produzí-los, seja através de financiamento coletivo ou ajuda de outros artistas.

Com contatos, criatividade e muita perseverança, Gabriel tem trabalhado no intuito de visibilizar e dar destaque para a produção artística negra, numa pegada afrofuturista, misturando linguagens e ferramentas.

Esse menino merece um beijão e é também #25WebNegras!