Após três meses de desenvolvimento, a Diaspora.black, primeira startup brasileira de turismo focada na comunidade negra, inaugura neste sábado sua nova plataforma de serviços voltado para o turismo étnico. O lançamento marca a expansão da startup, que inicia também neste mês o processo de aceleração, com consultoria especializada para estruturação e desenvolvimento do negócio.

A nova plataforma agrega interatividade nas negociações entre os usuários e permite o pagamento on line das reservas. Todas as operações são verificadas e efetuadas pelo sistema Pay Pal, o mais utilizado neste tipo de serviço em todo o mundo. Além da validação da operadora financeira, as negociações também passam por checagem e validação da equipe da plataforma, para garantir mais segurança aos usuários.

Esta etapa é uma conquista importante, pois agregamos uma maior qualidade ao site, mais segurança nas operações e mais conteúdo para inspirar as viagens de nossos usuários”, afirmou o CEO da Startup, Carlos Humberto da Silva. “Além disso, toda a operação inicial terá o acompanhamento das consultorias do processo de aceleração, realizada no Pólo de Inovação. Isso nos dá segurança para começarmos a ganhar escala”, completa.

A Diaspora.Black  é uma plataforma virtual que articula em rede viajantes e anfitriões, conectando-os a serviços e conteúdos relacionados ao turismo étnico em diferentes cidades. Inicialmente, a plataforma se propõe a intermediar ofertas de hospedagens compartilhadas com o objetivo de promover encontros e fomentar a geração de renda na comunidade negra. Também estão previstos, nas próximas etapas de desenvolvimento, parcerias institucionais e a intermediação de serviços turísticos, como a indicação geo-referenciada de restaurantes, pontos de interesse e estabelecimentos comerciais avaliados pelos próprios usuários.

O desenvolvimento da plataforma foi realizado após a bem sucedida campanha de financiamento coletivo finalizado em março. As colaborações ultrapassaram a meta de R$ 15 mil que foram reinvestidos na infraestrutura operacional, suporte e desenvolvimento do site. A campanha de financiamento mobilizou, ao todo, mais de 12 mil pessoas e alcançou mais de 10 países, com demandas de cadastro ainda em validação.

A Diaspora.Black  foi criada em setembro de 2016, no Rio de Janeiro, após diversos casos de constrangimento e racismo registradas por usuários de outras plataformas de hospedagem. O caso foi tema de estudo na Universidade de Harvard, que concluiu que os usuários negros têm 16% menos chances de serem aceitos ou receberem hóspedes nesses serviços.

Não só isso, mas o estudo também mostrou que pessoas negras ganhavam menos dinheiro ao alugar suas propriedades do que pessoas brancas. Além disso, os anfitriões brancos pareciam dispostos a perder dinheiro em vez de alugar uma propriedade para uma pessoa de cor, seja indicada pela imagem de perfil ou assumida com base no nome de um indivíduo.

Airbnb e Racismo

A plataforma de hospedagem mais utilizada no mundo acumula diversos casos de racismo. Recentemente uma anfitriã da plataforma, Tami Barker, foi condenada a pagar US$ 5.000 em danos monetários, participar de um curso em Estudos Asiáticos Americanos, participar de um painel de educação comunitária, se voluntariar em uma organização de direitos civis, além de pedir desculpas pessoais à Dyne Suh, jovem asiática que teve sua reserva cancelada após já estar no local com seu grupo de hóspedes. Dyne Suh teve sua reserva confirmada, mas ao chegar no local Dyne enviou uma mensagem para a anfitriã confirmando como faria o pagamento para os hóspedes extras. Foi quando Tami disse que eles não seriam mais bem-vindos no local e que ela deveria “estar chapada” por acreditar que os quatro amigos poderiam dormir na cabana pagando apenas US$ 50 extra – embora esse fosse o valor combinado entre elas em mensagens prévias.

Quando Dyne contestou que a anfitriã havia confirmado a reserva antes e depois mudado suas palavras, a resposta que ela recebeu foi recheada de preconceito: “Eu não alugaria para você mesmo que você fosse a última pessoa da terra. Uma palavra diz tudo. Asiática. É por isso que nós temos Trump. E eu não vou deixar que estrangeiros digam o que fazer neste país“, escreveu a anfitriã.

Neste caso houve condenação, mas em inúmeros outros, principalmente entre a população negra, nada acontece.

#AirBnBWhileBlack ( algo como AirBnB enquanto preto/negro)

Em maio de 2016 a hashtag # AirBnBWhileBlack destacou o viés racista no aplicativo de turismo. Através das mídias sociais inúmeros casos de racismo foram apresentados logo após a pesquisa de Harvard.

Foi Quirtina Crittenden, uma consultora de negócios negra de 24 anos que vive em Chicago, quem iniciou a hashtag #AirBnBWhileBlack depois de observar a freqüência com que ela foi recusada por anfitriões ao procurar um lugar para alugar – mesmo quando os apartamentos anunciados pareciam estar disponíveis.

Os anfitriões sempre apresentariam desculpas como“, “oh, alguém realmente acabou de reservar “ou” oh, alguns dos meus parentes estão vindo para cidade, e eles vão ficar lá “, disse Crittenden em uma entrevista NPR .

Mas suspeitava e voltava dias depois e via que essas datas ainda estavam disponíveis“.Os usuários do AirBnB têm uma fotografia pessoal e e o nome como parte de seus perfis. Depois que Crittenden criou a hashtag, muitas outras pessoas de cores descreveram experiências semelhantes.

Como um experimento, Crittenden mudou sua foto de perfil para uma de uma paisagem urbana genérica, e reduziu seu primeiro nome de “Quirtina” para “Tina”.Seus pedidos de aluguel passaram a ser aceitos.

Desde que mudei meu nome e minha foto, nunca tive problemas“, disse Crittenden.

O estudo de Harvard investigou cerca de 6.4000 anúncios da AirBnB em cinco cidades dos EUA (Los Angeles, Dallas, Baltimore, St Louis e Washington). As contas de hóspedes criadas no experimento possuíam dados idênticos e eram diferenciadas apenas pelo uso de nomes dos quais os pesquisadores consideraram, se encaixavam em ideias estereotipadas de raça.

Por exemplo: Tamika, um nome feminino que os pesquisadores consideraram soar afro-americano, recebeu as respostas mais positivas entre usuárias com nomes femininos afro-americanos. Mas Tamika teve menos respostas positivas do que o nome que soava “branco”, aparentemente mais popular, o nome testado foi Kristen. O mesmo comportamento foi observado com os perfis com nomes masculinos.

This isn’t Africa

Enquanto escrevia este texto mais um caso de racismo e violência chegou a conhecimento público.

Um anfitrião de Amsterdã empurrou escada abaixo uma hóspede Sul Africana.
Zanele Muholi, fotografa e ativista sul-africana, publicou o vídeo da agressão em sua conta no Instagram no último sábado (08/07/2017).

O vídeo mostra o anfitrião, um homem branco, dizendo a Sibahle Steve Nkumbi, uma cineasta sul-africana e estudante em Berna, Suíça, para sair de sua propriedade de aluguel. O anfitrião estava furioso por conta de um checkout atrasado.

O motivo torpe fez com que ele empurrasse Sibahle pela cabeça escadaria abaixo.

Ele jogou seus pertences fora … por alguns minutos de check-out tardio“, Muholi, que também estava hospedada na propriedade de locação da Airbnb, escreveu em seu Instagram. Muholi, que disse que Nkumbi foi levada ao hospital, e afirmou ainda que o confronto decorreu do “racismo e não pode ser justificado”.

Nkumbi sofreu uma concussão, bateu com a cabeça e teve contusões, de acordo com o site de notícias sul-africano News24. A polícia de Amesterdã prendeu o anfitrião, que teria 47 anos e acusou-o de tentativa de assassinato. TW: Vídeo com relatos de violência!

A polícia disse ao site de notícias sul-africano Independent Online que quatro mulheres haviam alugado o apartamento e que estavam de partida às 11 da manhã no sábado.

As mulheres entraram em uma discussão com o anfitrião do Airbnb durante o horário de check-out em torno das 12:30 p.m. Antes que o confronto se tornasse físico e uma mulher caiu na escada, disse um porta-voz da polícia de Amsterdã.

Nkumbi estava em Amsterdã para escrever sobre a exposição de fotografia Muholi no Museu Stedelijk no dia anterior. O museu havia reservado a residência de aluguel da Airbnb para que as artistas permanecessem, de acordo com a HuffPost South Africa.

Nkumbi disse que o homem agia emocionalmente e disse a ela e aos amigos: “Você não é a grande artista que você acha que é“, “Você não é a rainha que pensa que é” e “Esta não é a África.

O homem empurrou Nkumbi enquanto ela tentava se estabilizar na parede, mas, eventualmente, ela perdeu o equilíbrio “voou” escadaria abaixo. Ela desmaiou imediatamente e só acordou no hospital.

Sua linguagem corporal, sua expressão facial, da maneira que ele estava realmente nos olhando, não era uma maneira de você olhar outro humano“, disse Nkumbi. “Eu garanto-lhe, se tivesse sido uma pessoa branca, teria resultado diferente“.

Muholi, que filmou o incidente, disse ao HuffPost South Africa que ela acredita que o homem é racista e um covarde.

Como ele justifica empurrar uma mulher indefesa do jeito que ele fez?“, Disse Muholi.

Ele deve ter olhado para ela e concluiu que era eu, já que nós duas temos dreadlocks“, acrescentou. “Isso me irrita, pensar que este homem estava pronto para matar minha amiga sem motivo aparente, apenas 24 horas desde a abertura da exposição. Isso me deixa tão louca“.

 

Alternativa

Em todos os casos de Racismo, Xenofobia e agressão, a resposta da AirBnB foi de que a politica da companhia é contra qualquer tipo de discriminação, e além de repudiar os ocorreidos tomará as devidas providencias, que sabemos se tratar de alguma campanha contra tal atitude.

É urgente pararmos de alimentar determinadas iniciativas e buscar alternativas para uma existência mais segura e pacifica. Que nos permita fortalecer os nossos e a nós mesmos.

A Diaspora.Black propõe além de um produto e um modelo de negócios inovador para o mercado brasileiro quando prima por valorizar a experiência de pertencimento e valorização indenitária que pautam a oferta de serviços na plataforma. Como também se alinha ao movimento global de segmentação de mercado em interface com a chamada economia colaborativa na esfera do turismo oferecendo mais do que produtos, são marcas históricas, heranças culturais e referências identitárias que constituem maior valor.

A Diaspora.Black é uma nova plataforma onde pessoas de todas as origens podem viajar e manter o rspeito, dignidade e trocar amor.

Aproveitem que a plataforma está apresentando sua nova carinha, se apropriem da mesma e construam uma comunidade onde possamos ser nós mesmos com segurança.

Visite: http://diaspora.black e #VIVADIASPORA.