Televisão

Ubuntu para quem é de ubuntu

Sobre o argumento de que a série é o espaço onde as atrizes e atores negrxs teriam a ocupar e que a não renovação de contrato para produção da mesma diminuiria o espaço da comunidade negra na teledramaturgia brasileira, a pergunta principal é: o espaço dx negrx na teledramaturgia brasileira já não é limitado a realizar papéis segundo alguns esteriótipos?

Ah! Branco, dá um tempo! Carta aberta ao senhor Miguel Falabella.

Repudiamos suas palavras porque fomos estupradas nas senzalas e continuamos a ser na dramaturgia feita por brancos sobre nós através de imagens estereotipadas em seriados, novelas e minisséries. Esse é um dos mecanismos que a aliança entre o racismo usa para se perpetuar: hipersexualizando a mulher negra que se torna desprezível para outros papéis sociais. Você fala da mulata quente, gostosa, fogosa. Somos muito mais que isso. Precisamos ser mostradas como as mulheres do dia-a-dia, que trabalham, dançam, fazem festa e querem sexo sim, mas que não são apenas isso.

Um Egito Negro incomoda muita gente

Usurpar patrimônio africano não basta, também é necessário embranquecer seus sujeitos. Tanto na série José do Egito (atualmente em reprise pela Record) quanto em Êxodo: Deuses e Reis as personagens são majoritariamente brancas. Os realizadores são incapazes de reconhecer que todo um complexo sistema de crenças, filosofia, arte, arquitetura, astronomia e medicina são coisas de preto. Qualquer movimento diferente disso, mesmo a simples hipótese de que os antigos egípcios era negros, é vandalismo demais para aguentar.

Da Tia Nastácia à Globeleza

Lutar por uma representação real na TV passa, também, por lutar para que nossas demandas sejam debatidas nas redes nacionais. Não basta atribuir papéis importantes e fortes para as mulheres negras (embora isso seja de extrema importância), é preciso que as produções destinem um espaço para se problematizar a posição social dessas mulheres.